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::Sociedade de consumo::

Não é exagero dizer que a igreja dos alemães são as lojas, onde eles se encontram, se observam, comentam um do outro, correm atrás da mercadoria melhor, da pechincha melhor, e acham que estão felizes quando voltam para suas casas. Como diz a propaganda da loja de aparelhos eletronicos Saturn: “Geiz ist geil” (pechinchar é um barato).

Aqui o que reina é o consumismo exacerbado, principalmente quando se trata de crianças. O efeito do consumismo é a falta da felicidade, ou a busca eterna da felicidade inatingível, pois quando criança, um novo brinquedo faz com que ela fique feliz e ocupada por dois minutos, e quando adulto, fica-se ocupado e feliz com a nova compra do dia também por alguns minutos. Passados esses momentos de felicidade, parte-se em busca da nova compra, do novo momento de felicidade.

Tudo é possível, não há limites. Cresci no Brasil com o limite de três presentes por ano: aniversário, dia das crianças e Natal, e às vezes um presentinho depois de me comportar bem no dentista. Enquanto que aqui na Alemanha, em termos de presentes, nao há limite. Se presenteia na Páscoa, no aniversário, no dia do Nicolaus, no Natal, na Comunhão (sim, Comunhão aqui é sinônimo de ganhos financeiros para muitas crianças), também como compensação por boas notas ou para a criança ficar quieta num final de semana, durante um passeio, por exemplo, e ficar satisfeita “só” com um presentinho… E um presente é pouco: é comum dar-se 3, 4 presentes ou mais para as crianças, que por sua vez acham tudo “normal” e “possível”.

A máxima da constatação de que aqui os presentes sao mais do que indiscutíveis e devem ser ilimitados aconteceu com a minha filha. No final do ano passado, foi feito um amigo oculto na escola dela e o valor a ser gasto com o presente foi definido em 3 euros. Pois bem, algumas crianças da classse gastaram esta quantia, enquanto que algumas outras compraram presentes muito acima deste valor. Resultado: na hora da troca dos presentes, umas crianças se sentiram “mal presenteadas”, em detrimento de outras, que ganharam canetas de marca, brinquedos eletrônicos, etc. Houve até criança que resolveu devolver o presente ganho, pois ele não era “bom o suficiente” na sua opinião e por fim ela disse não acreditar “que a família da outra criança nao tivesse dinheiro o suficiente para comprar um presente razoável”… Neste caso eu conversei muito com minha filha, disse pra ela que acreditava que tenha faltado educação na casa dessa criança e expliquei que presente é presente e não se pode colocar juízo de valor nele e muito menos expectativa. O ditado alemão já diz: “Einem geschenkten Gaul schaut man nicht ins Maul” (não se deve analisar a boca do cavalo ganho de presente*). E o mais importante na ocasião, o verdadeiro espírito natalino, foi esquecido no meio desse caminho…

No final das contas, os efeitos da globalização não são um acontecimento isolado aqui da Alemanha, mas que infelizmente é típico do nosso mundo capitalista atual, nao importa o país onde estejamos vivendo. Mas o que se nota é que isso está piorando de geração em geração, de ano em ano, a cada dia que passa… Fica aqui a responsabilidade dos pais de transmitir aos seus filhos os verdadeiros valores, aqueles que realmente importam, e de pelo menos tentar deter um pouco o consumismo das nossas crianças.

* em português – “Cavalo dado não se olha os dentes!”

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