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::Vida de criança na Alemanha::

12/11/2006

KinderAté antes do nascimento da minha filha eu tinha a intenção de voltar a morar no Brasil. Com a chegada dela, tudo mudou. Chegamos à conclusão de que inegavelmente a vida de uma criança aqui na Alemanha é mais tranquila, e, por consequência, também para seus pais.

Para início de conversa, as crianças geralmente estão asseguradas na assistência médica dos pais e portanto não pagam praticamente nenhuma taxa extra para serem atendidas por médicos fora ou dentro da rede hospitalar ou para a compra de remédios, que são simplesmente buscados nas farmácias com vias médicas, com distribuição gratuita. As escolas também são gratuitas, as universidades custam desde há pouco tempo 500 euros por semestre, antes não custavam nada. Os hoteizinhos e jardins de infância, pelo contrário, assim como os demais programas de assistência durante a parte da tarde para que as crianças possam fazer o Para-Casa, almoçar e brincar junto de outros coleguinhas, todas essas instituições são pagas e seus preços geralmente são calculados de acordo com a renda familiar.

A maioria das famílias alemãs constitui-se de um filho único, a média de crianças nascidas por mulher é de 1,3 crianças. Por consequência, a atenção dada a esse único filho é enorme, a vida gira em torno dele e ele define a rotina da casa. Muitas mulheres páram de trabalhar definitivamente, por tempo limitado (3 anos com direito por lei à volta ao seu local de trabalho) ou decidem voltar a trabalhar em tempo parcial. Aliás, o maior grupo de pessoas que trabalham em tempo parcial aqui é constituído de mulheres (como resultado de que o nível médio da aposentadoria para mulheres na Alemanha é de atualmente só de 480 euros mensais, pois elas ou não trabalham ou trabalham pouco durante sua vida, abdicando muitas vezes totalmente de suas aspirações profissionais em prol dos filhos). Na Alemanha praticamente não existem empregadas e isso significa que a mulher que trabalha tem geralmente uma tripla jornada de trabalho, trabalhando, cuidando da casa e dos filhos. A participação masculina nas atividades domésticas e na educação dos filhos ainda é pequena, mas tem-se notado um interesse maior dos mesmos e até um incentivo do governo para que o novo papai fique algumas semanas em casa curtindo e contribuindo nos afazeres ligados à chegada do novo membro da família, dentro do novo programa chamado Elterngeld, sendo que a mulher poderá a partir de 2007 ficar um ano em casa recebendo aproximadamente 70% da média do seu último salário neto.

Uma criança aqui na Alemanha tem inúmeras formas de lazer a seu dispor. As crianças costumam crescer em meio a um grande contato com a natureza, nadando em laguinhos no verão e brincando com a neve no inverno.

SpielplatzEm cada bairro existem vários parquinhos onde a criançada se encontra, já desde os primeiros meses de vida. As mamães se reunem nos chamados Krabelgruppen (grupos para os que engatinham) e realizam várias atividades com as crianças como cantar, fazer artesanato, ler livros, fazer passeios, etc. Há a tranquilidade de que seu filho pode sair a pé, de ônibus, de bicicleta, de inline skates ou até descalço pelas redondezas e geralmente não há medo, pois o nível de violência é baixo. Muitas crianças já aprendem a ir sozinhas para suas escolas desde o 1° ano, aos 6 anos de idade. Geralmente procura-se ensinar crianças vizinhas a andarem juntas ou ensina-se para a criança onde ela pode pedir ajuda, caso necessário. Quase todas as crianças em idade escolar têm também seu celular próprio. Já vi uma menininha com uns 4 anos de idade com um celular bem mais chique e novo do que o meu!

Logicamente nem tudo são flores e aqui também há tarados, loucos e desvairados, como em qualquer outro lugar no mundo. Atualmente os jornais estão noticiando o julgamento de um rapaz que maltratou uma menina de 10 anos chamada Stephanie e a morte de um menino de 2 anos chamado Kevin, que foi encontrado morto pelo padrasto, dependente de drogas, e escondido dentro da geladeira de sua casa. Descobriram na criança vários ossos quebrados, e foi constatado que essa violência provavelmente deve ter ocorrido várias semanas antes da morte da criança. Ao mesmo tempo, há educação sexual para as crianças de 3° ano no ensino fundamental, aos 8-9 anos, os pais procuram orientar as crianças e mesmo por causa do caso da libertação da austríaca Natascha Kampusch as crianças prestam atenção a este tipo de tema. Não há muros entre as casas alemãs mas muitos vizinhos se sentem incomodados pela simples existência de uma criança… Por um lado sabe-se que este país depende das crianças, pois a população está diminuindo a cada dia, mas no dia-a-dia nem sempre uma criança aqui é bem vinda… Paradoxo total!

Esse texto é dedicado a um leitor assíduo, o Edilberto Sandes de Maceió, que me enviou um e-mail e me perguntou se a vida para as crianças em geral aqui é mesmo boa e pacata assim, ou se a época da Copa, do que ele mesmo viu quando esteve em Munique no último verão, tinha sido uma exceção. Edilberto, espero que com essas linhas eu tenha respondido sua pergunta!

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