::Ser bom sempre vale a pena!::

Não posso deixar desapercebido o caso do estudante indiano que conheci numa feira de empresas numa universidade alemã, da qual participei como expositora na semana retrasada. O indiano tinha cara de menino, mas era formado em medicina e já tinha dois anos de experiência. Estava naquela faculdade fazendo mestrado em administração (MBA – Master of Business), sendo que já tinha definido seu campo de atuação: quer trabalhar com consultoria na área médica, já tendo planejado para tanto o próximo passo de sua carreira ao acabar o mestrado, o de ir para a Escócia juntar os primeiros anos de experiência na área que escolheu para trabalhar.

Conversa vai, conversa vem, começamos a notar que nos identificamos muito como pessoas. De início, ele achou que eu era alemã, e depois que disse que sou brasileira, achamos ainda mais assuntos para bater um bom papo. Ele disse que muitos estudantes estrangeiros não suportam viver alguns anos fora de casa e acabam voltando para casa, deixando o curso incompleto. E o que é mais difícil suportar, além da distância dos entes queridos, é o preconceito gratuito de determinadas pessoas, como no caso que aconteceu com ele, que ele me relatou:

Ele estava andando na rua e de repente achou o passaporte de uma alemã. Ele se deu o trabalho de procurar por este sobrenome na internet e naquela cidade, tendo achado somente o nome da rua. Imediatamente se pôs a caminhar naquela rua, e depois de certo tempo achou a casa da pessoa, da dona do passaporte. Tocou a campainha e um homem (o marido da dona do passaporte) atendeu à porta. Ele disse, em inglês:

Bom dia. Eu estava caminhando pela rua “xyz” e encontrei este passaporte, ele é de alguém de sua casa?

Ao que o alemão respondeu:

É sim, é da minha esposa. Mas por que você veio entregá-lo pessoalmente (na Alemanha é comum que, se as pessoas acham algo nas ruas, elas colocam numa caixa de coleta dos Correios ou entregam diretamente em um posto policial)?

Eu vim, porque achei que devia. E porque o passaporte tem dono.

Ao que o homem chamou sua esposa, e juntos decidiram perguntar se o indiano iria com eles até o posto policial mais próximo, sendo que o indiano concordou com a proposta.

No posto policial, depois de um interrogatório, o policial finalmente fez a pergunta que não queria calar:

Então, você roubou o passaporte desta senhora?

E o indiano explicou que não, que pelo fato do passaporte ter dono, ele se julgou na responsabilidade de entregá-lo à pessoa a que ele pertencia.

Muitas pessoas reagiriam com a conclusão de que não valeu a pena ele ter sido tão bom, tendo recebido uma acusação como “pagamento” de sua bondade. Ele disse para mim que valeu a pena sim, pois naquele dia ele mudou a opinião de três pessoas com relação ao ser humano, ao estrangeiro.

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6 Respostas to “::Ser bom sempre vale a pena!::”

  1. Reflexos Says:

    Exactamente, tudo tem sempre um lado positivo, né?

  2. Marília Says:

    Nossa!! Coitado do moço, ainda foi encarado como ladrão! Eu me sentiria mal… Mas é verdade, essa aversão a estrangeiros é terrível. No fundo, somos todos iguais…

  3. Ana Says:

    Que coisa… Ainda bem que ele tinha toda esta calma e a filosofia/sabedoria milenar que acompanha todos os indianos…

  4. C.A.Margonper Says:

    Mas que história espectacular, Sandra! Eu adoraria publicar esta história no meu blog (www.arvoredeperola.wordpress.com). Será que você deixa? Estou a falar a sério. 🙂

  5. Sandra Says:

    Oi!

    Obrigada por sua visita ao meu blog.

    Claro que pode publicar a notícia, contanto que coloque um link para o meu blog e cite a fonte. 🙂

    Um abraco,

    Sandra

  6. C.A.Margonper Says:

    Mas concerteza!

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