::Cumprindo promessas::

Ontem passei 6 horas fazendo a 1a. parte de um curso de primeiros socorros, como tinha prometido aqui. Meus olhos se encheram d’água várias vezes durante o curso, muitas vezes por estar relembrando acontecimentos ruins, mas acima de tudo por uma imensa gratidão a Deus: apesar de todas as intempéries, a família continua aí, firme e forte que nem gelatina. A nossa memória tem uma técnica perfeita para fortalecer o continuamento da força para viver, mas num curso desses os casos vão se passando e eu fui me lembrando: isso aconteceu comigo, também isso aconteceu com a Taísa, aquilo aconteceu com o Daniel, aquilo outro aconteceu com o Matthias…Ufa! Mas eu aprendi muitíssimo e tenho muito que recomendar um curso desses para todo mundo, pois estamos nesta Terra para ajudar e ser solidários com nossos semelhantes. E foi porque uma pessoa fez um curso desses e soube reagir no momento exato (dentre os poucos minutos que restavam depois da parada respiratória), que o Daniel continua a viver!

Muitas vezes fico pensando por que existem países, por que há várias línguas, costumes e tradições tão diferentes no mundo e outros tão iguais, de onde vem tudo isso? A minha resposta é que Deus nos fez diferentes como prova, para buscarmos no outro a semelhança, o complemento, o “outro lado” da mesma medalha. Somos UM. Somos, geneticamente falando, mais de 99% iguais no mundo todo, mas ainda nos concentramos demais nas diferenças, que são menos de 1%.

Com esta consciência percebo muito que a questão do “ajudar” é outra para cada ser humano. O ser humano está ficando cada vez mais egoísta e tende a anonimizar esta questão: “eu estou ocupado com minha vida, que outro ajude quem está precisando!”. Aqui na Alemanha, por exemplo, as pessoas são muito solícitas, mas gostam de ajudar sem saber a quem estão ajudando exatamente, de forma anônima, como pagar um certa quantia para uma campanha ou fazer doação para uma insituição de caridade, etc. Ao mesmo tempo, o alemão, em geral, só gosta de aceitar ajuda se esta for vinda do governo, se for algum programa ou instituição oficial. Ele não gosta de deixar outras pessoas ficarem sabendo que precisa de ajuda, não gosta de pedir ajuda.

A minha visão do “ajudar” é bem mais ampla. Eu acho que se ajudo “A”, serei ajudada por “Y”, e assim vai. Acredito nas energias. Aqui se acredita que se a pessoa “A” faz alguma coisa boa para mim, eu sou obrigado a retribuir o mais rápido possível, na mesma medida, para esta mesma pessoa. Esta diferença de percepção é, muitas vezes, uma barreira entre as pessoas. Todo mundo pode passar por uma situação como a que passei, e com esta consciência, e com a certeza de que a vida é uma troca, podemos aproximar seres humanos e nossas culturas. Boas energias e calor humano são as fontes que todos querem tocar.

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7 Respostas to “::Cumprindo promessas::”

  1. Liza Rodrigues Says:

    Oi Sandra!
    Tenho acompanhado seu blog e estou achando tudo o máximo. Tbm sou de BH, moro atualmente no sul da Alemanha(acho que perto de vc, ne?), tenho um bebe de 10 meses e sempre me pego aqui tirando duvidas. Seu blog eh realmente otimo!
    Tambem acho que nao perdemos nada por ajudar as pessoas, e que sempre que fazemos o bem, ele de alguma maneira eh refletida em nós. Acho que eh disso que o mundo ta precisando para se tornar um lugar melhor e mai justo para todos.
    Um grande beijo!
    Liza

  2. Sandra Says:

    Oi Liza,
    Que bom te receber aqui. Se vc está gostando do blog, talvez goste da surpresa que estou preparando para o final do ano. Fique de olho!
    Um abraco pré-natalino,
    Sandra

  3. Liza Rodrigues Says:

    Sandra, vou aguardar ansiosa a surpresa. Moro em Furtwangen/Schwarzwald. Eh uma cidadezinha bem pequena. Vc conhece? Vc mora em Konstanz, nao eh? Meu marido eh de BH sim. Ele fez mestrado em Engenharia de Microsistemas e agora trabalha na Faculdade onde se formou.
    Abracos,
    Liza

  4. Reflexos Says:

    Olá,

    Nem de propósito. Hoje no meu blogue escrevi o seguinte sobre um jogo que receibi da Brabinha:
    Incrível como uma coisa tão simples como um jogo nos deixam a pensar e levam a concluir que nem sempre temos presente na nossa memória do que andamos atrás!
    Experimente e digam-me se vos aconteceu o mesmo.
    Tem presente!

  5. Silvia Says:

    Oi, Sandra, mais um post maravilhoso! Eu tb compartilho da sua visão, se ajudamos x, somos ajudados por y quando precisarmos. Bjs

  6. Ana Says:

    Lindo! Perfeito!

    Também passei por alguns sustos, com minha família e sempre tive ajuda!
    Fazer cursos assim é uma forma de se preparar para ajudar outras pessoas…
    Uma lição de vida, Sandrinha!

    Beijão!

  7. Meire Says:

    Sandra,

    Oi tudo bem!!!
    Nem preciso falar que todos os dias acesso o seu blog para saber das novas.
    Quanto a novidade…………estou ansiosa.
    Em janeiro estarei mais perto de vc, pois afinal como sabe estarei morando na Alemanha.

    Bjs

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