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Archive for janeiro \23\UTC 2009

::As esposas dos presidentes::

23/01/2009

Obama agora é presidente e já entrou pra história. Hoje ordenou o fechamento da prisão de Guantanamo, o que ele apoiará e fará amanhã? Enquanto isso, sua esposa nos deixa uma boa impressão de classe, inteligência e elegância. Hoje fiquei sabendo que o tecido do vestido que usou na cerimônia da posse de seu marido é originário daqui da região onde moro. Foi um vestido amarelo feito pela estilista cubana Isabel Toledo, que tinha comprado o tecido (“St. Galler Spitze”) na filial de Nova Iorque da empresa Forster Rohner AG de Saint Gallen, Suíça.

Aliás, eu adoraria passar a ver primeiras damas que não assumam mais o papel de “bibelô” que muitas outras assumiram no passado. Para mim é ótimo saber da vida própria e independente de cantora e ex-modelo da Carla Bruni, esposa do presidente da França Nicolas Sarkozy, que chega até a ser ofuscado por sua beleza e sua presença cativante. Porque ser mulher sem ser a sombra do marido é bem mais interessante. E com uma posição dessas, elas podem movimentar e influenciar muita coisa boa e positiva. Que mais e mais mulheres cheguem ao poder – ou bem perto dele!

::Viver na Alemanha::

22/01/2009

viver-na-alemanhaFui colunista do Viver na Alemanha de janeiro de 2004 a outubro de 2007. Durante esses quase 4 anos, escrevi muito sobre a vida vista sob a perspectiva de uma estrangeira na Alemanha e pude, acredito, ajudar um ou outro com suas dúvidas e ansiedades. Muitos dos textos da minha época de colunista se tornaram parte do meu livro. Agora o site está retribuindo o meu trabalho, tendo colocado em primeira página uma nota sobre o livro “Mineirinha n’Alemanha”, além de um banner, que deve ficar por lá durante um ano fazendo propaganda do livro. Agradeço muitíssimo pelo apoio!!!

::As novas regras ortográficas do português e o “Mineirinha n’Alemanha“::

21/01/2009

O meu livro deve ser um dos primeiros livros editados com as novas regras ortográficas do português válidas a partir de janeiro de 2009. Durante minha visita no Brasil, estava lendo que as editoras gastarão muito para reeditar livros depois das mudanças. Apesar de uma ou outra alteração ser estranha, a princípio (como por exemplo a palavra “ideia” sem acento, que aparece no meu livro a 3 x 4), dos tipos do idioma serem diferentes em si de país para país e mesmo pensando que por uma grande parte de tempo intermediária continuam a existir vários modos de escrita possíveis, em geral acho a “ideia” da unificação do português uma boa, pois tudo o que existe, quer seja em formato de livros ou revistas, por exemplo, passa a ter como mercado todos os países do mundo onde se fala português, e isso é muito bom para o mercado editorial e para a maior troca entre as nações. Amanhã por exemplo estarei enviando o meu primeiro livro vendido para Portugal! Esta oportunidade de poder viajar através do livro é única e, para mim, uma das melhores experiências como escritora.

::Sim – no dia do “yes, we can”::

20/01/2009

Tinha recebido uma dica de uma rádio alemã, falando de uma cantora brasileira que estava fazendo muito sucesso na Suíça… e ouvi pela primeira vez “Boa sorte / Good luck”.

Fui para o Brasil desta vez com várias missões, dentre elas, uma musical: não voltar sem o melhor álbum contemporâneo brasileiro de 2008, o “Sim” da Vanessa da Mata. Comprei, ouvi… e me apaixonei instantaneamente com o CD todo! Recomendadíssimo, ela ganhou o Grammy Latino 2008 e se tornou não só cantora, como também compositora de sucesso. Dá-lhe, Vanessa!!!

Combinando com o pôr-do-sol da Praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, aqui o “Boa Sorte / Good luck” bem de levinho…


::Comida para os coelhos::

19/01/2009

Vou contar um segredinho para aqueles que ainda não sabiam: na Alemanha se pode sim comer couve! Adaptada, mas mesmo assim, gostosa! Aqui ela é a folha do legume “Kohlrabi”, que não custa nada e pode ser levada de feiras e supermercados sem que se pague um tostão por ela. O modo de preparação é o mesmo: é só cortá-la em tirinhas bem finas, prepará-la como no Brasil e eis sua couve, ainda que um pouquinho mais dura do que a nossa couve brasileira.

Hoje, no supermercado daqui do bairro, ainda sem ter como sufocar minhas saudades do Brasil e de comida brasileira, resolvi levar “couve” e feijão pra casa. Vale comentar que o supermercado do bairro é totalmente diferente de um supermercado maior como o Aldi, pois no bairro ainda há tempo para um bate-papo e as pessoas se conhecem muitas vezes pelo nome, enquanto que nos supermercados maiores é tudo anônimo, feito numa velocidade subumana. Nos grandes supermercados, o cliente encontra preços mais baixos, mas tem constantemente a impressão de que “está incomodando”, enquanto a pessoa no caixa reza para você sumir da frente dela, com direito a um “bom dia”, registro de todos os itens, cobrança do valor, entrega do troco e despedida de “tenha mais um bom dia” em tempo récorde. Outro dia fui no Aldi e comprei umas 3 ou 4 coisas. Entrei, escolhi, passei pelo caixa e saí do supermercado em questão de bem menos de 5 minutos. Já até fiz reclamação uma vez por ter sido mal tratada por uma caixa do Aldi, e seu chefe queria que eu fizesse uma descrição da funcionária para chamar a atenção dela. Eu não quis antender seu pedido, só comentei que não era a primeira vez e muitas vezes quase não se há tempo para suspirar, e se estou fazendo compras com crianças que ainda requerem minha atenção, assim como no caso de velhinhos, que também requerem mais tempo, a pessoa no caixa deveria ter um pouco mais de paciência e fazer seu trabalho um pouquinho mais devagar. O chefe dela me respondeu que os produtos do Aldi são baratos também porque o atendimento é muito rápido e muito eficiente, se não fosse asssim os preços iriam ter que ser aumentados…

Bom, mas voltando ao dia de hoje e à couve, a caixa do supermercado do bairro puxou conversa comigo, quando me viu com as folhas na mão:

A senhora tem coelho em casa?

Não tenho, mas não iria ficar explicando pra ela o que faria com as folhas. Respondi:

Sim, tenho.

Ao que ela perguntou:

Quantos são?

Eu pensei em quanto de couve iria querer fazer pra nós e respondi:

São dois.

E ela definiu, deduzindo pelo meu número de folhas na minha mão:

Ah, mas são coelhos pequenos, de cria, né?

E eu, sem ter o que adicionar às suas suposições, concordei:

Sim, exatamente.

Mesmo vendo uma outra cliente na fila, ela se levantou, pegou uma sacola de plástico, que geralmente me custaria 20 cents, foi ao depósito e voltou de lá com a sacola cheia de couve e outros tipos de folhas verdes para o meu “coelho”. Agradeci, e fui embora pra casa feliz e contente.

::No divã do dentista::

19/01/2009

Tirei a sorte grande, pelo menos no que se refere à minha dentista. É que dentistas aqui na Alemanha não têm muito boa fama. São muito rápidos e costumam ver na boca de seus pacientes uma mina de ouro, sugerindo com frequência o tipo de tratamento mais caro, e não preservando o dente até a última instância, muitas vezes dando pouca explicação do que está sendo feito na sua boca e até fazendo coisas inaceitáveis, tal como colar um dente no outro, o que já aconteceu na minha boca. Eu estava com um dentista desse tipo, e logicamente não estava nem um pouco satisfeita.

No final do ano passado, antes de ir para o Brasil, me quebrou a pontinha de uma obturação. Fui ao dentista e qual não foi minha satisfação ao conhecer a nova dentista, que estava substituindo meu antigo dentista e vinha da universidade de Tübingen, tinha muita experiência de pesquisa, queria voltar a atender mais pacientes e me inspirou confiança assim que notei seu jeito decidido e seus olhos de águia, sua maneira direta de falar. Naquela ocasião, ela deu uma olhada na minha boca e disse que a obturação era mesmo velha e muito porosa, e que não era nenhuma novidade ter quebrado. Disse pra ela que a obturação não era velha, pois meu filho tem agora três anos e meio e logo depois de seu nascimento refiz todas as obturações com o dentista que estava deixando aquele consultório. Ela acabara de criticar o trabalho dele, o que não me importou muito, pois eu nunca gostei dele (de sua pessoa) e, por consequência, não gostava muito do seu trabalho.

No Brasil dei uma mordida num côco e acabei voltando pra Alemanha com uma ponta de um dente molar quebrado, passando um pouquinho da gengiva. Cheguei lá no consultório e ele estava completamente reformado! Aliás, isso sempre me intriga aqui: como reformas acontecem rápido e como casas e edifícios surgem do chão como num passe de mágica. Os profissionais da área de construção civil tem muito boa formação e não brinca mesmo em serviço. Pois quanto ao dente, a minha nova dentista não me decepcionou e optou por “reconstruí-lo” com cerâmica, preservando-o. Eu, que nunca gostei e nunca fui com prazer a dentista, deitei-me de frente a ela e entreguei pra ela minha boca e o dente quebrado. Toda situação paciente-médico é sempre mesmo de entrega, de confiança. Umas vezes mais, outras menos. Desta vez mais. O resultado ficou, como estava esperando, muito, muito bom. Voltei pra casa satisfeita, ainda mais por ter reconfirmado minha primeira impressão e ter achado uma boa dentista pra família toda!

::O porco e a porca::

18/01/2009

No início do ano aqui na Alemanha costuma dar-se de presente símbolos de sorte para o ano que está começando. Muitos deles são doces de marzipã no formato de um focinho de porco com um trevo na ponta, um porquinho de enfeite para plantas ou para a casa com uma pratinha de um cent enfiada no lombo, enfim, mil e uma variações de um porquinho que deve dar muita sorte para o presenteado.

Enquanto isso, no Brasil, o porco não é ligado a muita coisa positiva. Porco é um animal, ou, no máximo, uma pessoa suja, que gosta de bagunça ou não gosta de cuidar de sua higiene. Mas isso não acontece aqui só com o porco como também com outros animais, que na Alemanha têm significado positivo, como o rato (“Mäuschen”, ou ratinho, pode ser um codenome carinhoso para seu companheiro, como nosso “xuxu” ou “fofo”). Ah, ok, sim, no Brasil o porco tem sim uma conotação positiva: o cofrinho da poupança ou da fartura, quando é feita a associação a um porco gordinho.

Pensando em um fato curioso em relação à divisão de sexos, ainda que no mundo animal, o interessante é que a porca, por sua vez, tem uma conotação negativa. Uma pessoa suja ou descarada é chamada de “Sau”, não importando se a pessoa for um homem ou uma mulher, e se quiser usar o superlativo da palavra e piorar ainda o palavrão, ela passa a ser uma “Drecksau”, uma porca suja. Fiquei sabendo hoje que os porcos não conseguem suar e têm que se jogar na lama para conseguir baixar a temperatura do corpo, quando necessário, pois do contrário morreriam de tão quentes… Então é por isso que gostam, não, eles necessitam mesmo de lama! “Schwein haben” significa ter muita sorte, assim como “Schweineglück”, uma grande sorte. Pelo que li, parece que toda essa ligação ao porco como um símbolo da sorte surgiu durante a Idade Média, quando nas apostas o perdedor ganhava um porquinho como prêmio de consolação. Como o prêmio não era esperado, ele passou a ter uma ligação com a sorte.

Mas eis aqui um mistério da língua alemã: por que será que os porcos são bonzinhos e as porcas não?

::Contrastes::

18/01/2009

Domingo cinza

Chuvoso

Frio

Silencioso


A saudade aperta

Montanhas de Minas

Bate papo com amigos

Horas de frente pro mar


Guriri

Porto Seguro

Morro de São Paulo

Morro de saudade


P.S.-Foto perfeita para retratar meu sentimento aqui.

::Em cena, a ilustradora do livro da Mineirinha::

16/01/2009

Minha querida Ceci está fazendo propaganda de sua arte lá no Flickr. O meu maior presente de Páscoa-Férias-Aniversário-Dia das Crianças-Natal-e-toda-e-qualquer-outra-data-festiva do ano passado foram as ilustrações que ela criou pro meu livrinho, que ficaram ultra fofas e são sempre meu ponto de início para apresentá-lo. A criação da capa é dela também, que descobriu uma coisa ótima, que aliás foi decisiva para a escolha final do layout: o amarelo das bandeiras do Brasil e da Alemanha é exatamente o mesmo, até o tom é igual. Com isso, o amarelo predominante do livro representa a cor onde os dois países se encontram!

::Fotos do lançamento no Flickr::

16/01/2009

Agora no Flickr: Fotos do lançamento do livro Mineirinha n’Alemanha no dia 23.12.08, que aconteceu no bar Inusitado em Belo Horizonte-MG.


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