Archive for fevereiro \25\UTC 2009

::Fastenzeit – Tempo de jejuar::

25/02/2009

Como jejuar – tirado daqui

Jejue de julgar os outros,
Banqueteie-se do Cristo que habita neles!

Jejue da escuridão aparente,
Banqueteie-se da realidade da Luz!

Jejue do pessimismo,
Banqueteie-se do otimismo!

Jejue de pensamentos da doença,
Banqueteie-se do poder curativo de Deus!

Jejue de palavras que poluem,
Banqueteie-se das frases que purificam!

Jejue da raiva,
Banqueteie-se da paciência!

Jejue da preocupação,
Banqueteie-se da Divina Providência!

Jejue de pressão constante,
Banqueteie-se da oração incessante!

Jejue do que é negativo,
Banqueteie-se do que é positivo!

Jejue de reclamação
Banqueteie-se de apreciação!

Jejue da hostilidade,
Banqueteie-se da não resistência!

Jejue da amargura,
Banqueteie-se do perdão!

Jejue da ansiedade,
Banqueteie-se da esperança!

Jejue de si mesmo,
Banqueteie-se de seu coração silencioso!

Bom Jejum!
Amém!

Tim Unsworth
Tradução: Jandira Pimentel

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::100% contra nazistas::

25/02/2009

Um bom conhecido meu ficou esta semana de molho em casa, impossibilitado de trabalhar. Ele foi agredido por dois homens, aparentemente de tendência neonazista, na cidade de Constança, durante as festividades de carnaval daquela cidade no final de semana passada. Meu conhecido tem ascendência estrangeira e possui passaporte alemão. Foi indagado pelos agressores de onde vem, e respondeu “da Alemanha”. Os agressores debocharam dele e anunciaram que iriam bater na cara dele, ao que ele respondeu com “e eu vou bater na sua”, em tom de brincadeira, pensando que os dois homens não poderiam estar falando aquilo a sério e notando que não apresentavam nenhuma aparência do neonazista “típico” (careca, botas, roupas escuras, etc. Aliás, pelo que andei lendo, eles não se vestem mais só assim 😦 ). Um deles tentou acertar o rosto dele, ele desviou, ao que o outro, um homem de aparentemente 30 anos e uns 100 kgs. de peso, puxou o braço do meu conhecido até o deslocar por completo do corpo. Enquanto ele me contava do acontecido, disse ter ficado satisfeito por não ter tido seus amigos e sua namorada por perto, pois eles poderiam ter se envolvido em uma briga com maiores consequências para tentar defendê-lo. Ele disse nunca ter tido que passar por uma situação como esta, onde outras pessoas assumem ter o direito de invadir seu espaço e de agredir sua integridade como ser humano. Se mostrou também decepcionado com a polícia alemã, que dado o fato de ele ter um passaporte alemão, não registrou o ocorrido como um ataque racista (o que para as estatísticas oficiais é bom, pois o índice de ataques racistas é reduzido, e por outro lado é ruim, pois não há uma estatística realmente representativa do número de ocorridos por localidade). Ele me contou que saiu do local literalmente “carregando” o seu braço, junto da namorada, pois este estava preso ao corpo só através dos músculos e dos tendões. Eu pedi que ele vá mais uma vez à polícia, pois através de um retrato falado ele pode impedir que esses sujeitos venham a agredir outras pessoas, que eles julgam poder desconsiderar por não caberem em seu padrão de respeito.

Arrepios! Lendo um pouquinho da página do partido de extrema-direita NPD daqui da região, vejo que esse grupo tenta combater os males da globalização dentro do país (criminalidade, drogas, perda de valores, desemprego de jovens, perda de perspectiva, etc.) oferecendo como solução a “união dos alemães” contra a “utopia” de uma sociedade multicultural e tolerante… Esse partido deveria ser proibido de vez dentro da Alemanha! Contra este tipo de pensamento, recomendo, assim como a minha xará Sandra do blog Conectando Europa e Brasil, um DVD gratuito, o “Kein Bock auf Nazis” (Nenhuma vontade de nazistas, ou 100% contra nazistas).

::O que cabe em duas malas::

23/02/2009

Na creche do meu filho vira e mexe a diretora de lá põe livros (provavelmente seus) à venda pra juntar um dinheirinho extra pras atividades extras deles. Aliás, se tem pessoa que eu admiro, ela é uma delas : sabe o nome de praticamente todas as crianças, tem sempre tempo para um papo, está sempre atenta, interagindo com o meio. Tem sempre um sorriso no rosto e gosta de mulheres independentes. Também pudera: ela é uma delas. Muitas vezes já a vi varrendo a calçada da creche ou participando das atividades com as educadoras e com as crianças. Na Alemanha parece haver menos pessoas que se escondem atrás de seus títulos e posições.

Mas do que eu queria falar mesmo era do livro que comprei lá na saída do jardim do meu filho. Chama-se “Was in zwei Koffer passt – Klosterjahre” (O que cabe em duas malas – anos de convento) e relata, isso mesmo, 12 anos de vida em um convento (e a vida depois do convento) de uma alemã, que decidiu aos 21 anos de idade viver enclausurada, por livre e espontânea vontade, em busca de si e de sentido no mundo. O livro me fascinou por pensar que cada um de nós vive em um “convento”, ilhado em suas idéias, maneira de ver a vida, valores, perspectivas, modo de encarar as dificuldades, etc. E se o “convento”, o mundo diferente e desconhecido, pode ser para nós mudar de país, para a escritora Veronika Peters ele significou uma mudança de 100% de sua perspectiva de vida, apesar de ter continuado a viver dentro da Alemanha, porém no papel de freira. O livro esteve entre a lista dos mais vendidos e é super gostoso de ler, faz pensar na vida, no que é realmente importante e valioso, faz dar suspiros e ter curiosidade pela vida da escritora, enquanto ela descreve o dia-a-dia dentro de um convento. Algumas passagens:

“Provavelmente responder à pergunta sobre porque se decide entrar para um convento deve ser tão difícil de responder quanto saber dizer porque apaixona-se por uma determinada pessoa e não por outra, que talvez seja muito mais inteligente, mais bonita, mais rica ou tenha outras qualidades melhores. Talvez seja a fascinação da “vida alternativa”, de poder ter um espaço próprio, a vontade de encontrar algo que se possa apagar de forma rápida, a busca pela razão de nossa existência, a busca por algo que fique, a luta contra a anulação da própria existência”.

Durante um passeio fora do convento, um comentário de uma das freiras ao ver uma mulher quase pelada em um outdoor:

“A mulher se reduz a um objeto, ao seu corpo, se entrega para o desconhecido através de sua nudez. Onde será que ela poderá ter intimidade? E o que ela fará quando ficar velha e cheia de rugas? Se matar, pois não sobrou nada daquilo que definia seu valor? Não, não, eu prefiro passear por aí como a indumentária de uma freira”.

::Correr atrás dos sonhos::

23/02/2009

Partes de um depoimento que indico no E-Dublin:

“Porque agora vou ter tempo de ser gente. Sem aquela máscara, aquela arrogância própria de cargos e funções”.

“Dispensem o medo em favor da “adrenalina boa”, aquela que dá força, que inspira e não deixa desistir. Mais do que coragem, tenham fé. Persistam, insistam, sejam tolerantes, pacientes, saibam dividir, sejam menos críticos e saibam perdoar. Aí vocês poderão ir pra qualquer canto do mundo, sem o menor medo de “não dar certo”: o futuro é certo, virá. O que não existe mesmo, é o que nunca foi feito. Mas aí, nem sabemos que gosto teria”.

::A “tal da crise” – diferentes perspectivas::

23/02/2009

…podem ser lidas sob o ponto de brasileiros em vários cantos do mundo no Entrevistando Expatriados. E aqui uma charge excelente explicando de onde a “tal da crise” vem. 😉 Por último, um texto sobre a dúvida cruel de muitos brasileiros no exterior: voltar ou não voltar (eis a questão).

::O sotaque das mineiras::

22/02/2009

Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou contos – não é, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas próprias palavras. Ele não é mineiro, mas mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. A crônica abaixo foi enviada pra mim por e-mail pela Rosanna Gebauer e fui informada de que sua fonte é o livro ‘As coisas simpáticas da vida’, Landy Editora, São Paulo (SP) – 2005, pág. 82

Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?

(F.P.B. Netto)

Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil.

Cadê os lingüistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras?

É um absurdo. Existem livros sobre tudo; não tem (ou não conheço) um sobre o falar ingênuo deste povo doce. Escritores, ô de casa, cadê vocês? Escrevam sobre isto, se já escreveram me mandem, que espero ansioso.

Um simples “mas” é uma coisa no Rio Grande do Sul. É tudo menos um “mas” nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende… Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é…

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: “pó parar”. Não dizem: onde eu estou?, dizem: “ôndôtô?”). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem — lingüisticamente falando — apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.

Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro — metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido…

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: “cê tá boa?” Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).

O verbo “mexer”, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:

— Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.

Esse “aqui” é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem “apaixonado por”. Dizem, sabe-se lá por que, “apaixonado com”. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: “Ah, eu apaixonei com ele…”. Ou: “sou doida com ele” (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: “E aí, vão?”. Traduzo: “E aí, vamos?”. Não caia na besteira de esperar um “vamos” completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:

— Eu preciso de ir.

Onde os mineiros arrumaram esse “de”, aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam… Você não precisa ir, você “precisa de ir”. Você não precisa viajar, você “precisa de viajar”. Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:

— Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:

— Ai, gente, que dó.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.

Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro “caça confusão”. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele “vive caçando confusão”.

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: “Ô, é sem noção”. Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o “Ô” no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Ouço a leitora chiar:

— Capaz…

Vocês já ouviram esse “capaz”? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer “tá fácil que eu faça isso”, com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um “capaz…” como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: “ô dó dôcê”. Entendeu agora?

Não? Deixa para lá. É parecido com o “nem…”. Já ouviu o “nem…”? Completo ele fica:

— Ah, nem…

O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: “Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?”. Resposta: “nem…” Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: “você não vai?”. A pergunta, mineiramente falando, seria: “cê não anima de ir”? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem…

Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto:

— Você quer que eu “dou” um exemplo…

Eu sei, eu sei, a gramática não tolera esses abusos mineiros de conjugação. Mas que são uma gracinha, ah isso lá são.

Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado. Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.

Falando em “ei…”. As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o “ei” no lugar do “oi”. Você liga, e elas atendem lindamente: “eiiii!!!”, com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade…

Tem tantos outros… O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.

Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:

— Ah, fui lá comprar umas coisas…

— Que’s coisa? — ela retrucará.

Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um “pelas metade”, no lugar de “pela metade”. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:

— Ele pôs a culpa “ni mim”.

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem, uma senhora docemente me consolou: “preocupa não, bobo!”. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: “não se preocupe”, ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. e diz tudo.

Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: “tchau pro cê”, “tchau pro cês”. É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, minha filha, é prôcê, não é pra outra, entendeu?

::Karate-Kid::

22/02/2009

Estávamos vendo Karate-Kid ontem no final da tarde e passou uma cena onde o ator principal e sua mãe tiveram que descer do carro e empurrá-lo para que ele pegasse. Eu comentei que também já empurrei muitos carros em minha vida, ao que o Daniel comentou :

–          E eu, onde eu estava ?

–          Você não existia ainda, meu amor.

–          Onde você empurrou carros, mamãe?

–          No Brasil.

–          Eu também quero ir para o Brasil e empurrar carros lá.

Pode?!? 😉

::Grande decepção no desfecho do causo Paula::

19/02/2009

A decepção com o desfecho do causo Paula na Suíça foi realmente grande: enquanto que principalmente no Brasil tentam repassar para a população um argumento, no mínimo, altamente duvidoso (vejam abaixo o comentário que acabo de receber por e-mail da minha mãe), aqui anunciaram através de informantes do meio policial que a advogada estava provavelmente atrás de uma ajuda governamental da Suíça para vítimas, que gira em torno de 50-100 mil francos suíços.

“A família disse que ela sofre de uma doença chamada Lupus que ataca o sistema imunológico e os médicos daqui têm explicado na tv, que a doença causa alucinações, mania de perseguição, etc.”.

E pensar que Lupus é uma doença que impede a pessoa de conviver com a luz do sol… Será que a família da dita cuja está agora tentando salvar sua pele no Brasil? Dizem que o tal namorado suíço dela sumiu, vai ver que ele também estava querendo faturar em cima da história… Pelo que tudo indica uma pessoa de mau caratér que, tentando denegrir a imagem da Suíça e faturar com isso, acabou denegrindo a imagem do Brasil no exterior. O certo é que os brasileiros, principalmente os que vivem na Suíça, devem se distanciar desta história, pois a loucura e a ganância de uma pessoa não podem e não devem ser repassadas para todo o grupo de brasileiros no exterior.

P.S. em 25.02.2009 – Acho que não tenho o direito de julgá-la. Quem sou eu para tentar adivinhar o que se passou na cabeça desta pessoa, quais foram seus reais motivos… Quem sabe ela seja mesmo doente e não possa responder por seus atos? Mostrando meu mea-culpa deixo meus pensamentos acima, mesmo tendo mudado de idéia quanto a este caso. Obrigada Juliane, por me ter feito refletir mais sobre o ocorrido!

::Como lutar contra a crise?::

19/02/2009

Estou muito curiosa pra saber que medidas têm sido adotadas pelos governos/empresas pelo mundo afora para conter parte dos efeitos da crise atual.

Aqui o governo alemão tem um instrumento muito interessante (“Kurzarbeit” ou trabalho reduzido) que se resume à redução da jornada de trabalho com o pagamento de uma compensação salarial equivalente a 60/67% (dependendo se a pessoa tiver filhos ou não), que é relativa à diferença entre o salário anterior e a carga horária reduzida. Se um funcionário trabalha 10% a menos, recebe um salário líquido de só 3% menor, se ele fica metade do tempo em casa (50% de redução da jornada de trabalho), recebe, dependendo de sua “classe de impostos”, aproximadamente 16-17% do salário líquido anterior. Há ainda empresas que estão reduzindo adicionalmente a carga horária semanal e planejando pausas na produção durante fases específicas (férias prolongadas no Natal, Carnaval, etc.).

O governo também está oferecendo vários cursos de formação profissional, para que os funcionários se qualifiquem durante este tempo em que estão trabalhando menos. O governo chega a pagar 80% do custo dos cursos, e o empregador também economiza com esta medida, com relação aos encargos trabalhistas da compensação relativa à redução da jornada de trabalho. É, portanto, uma medida onde todas as partes saem ganhando.

O instrumento da redução da jornada de trabalho com o subsídio do governo pode durar, segundo as leis, até 18 meses. A combinação entre subsídio e qualificação da mão-de-obra me parece uma excelente combinação. Acho que não existe nada parecido no mundo, pelo menos não conheço (ainda) nada parecido. Existe um sistema parecido com este na Suíça e na Itália. O governo daqui está, portanto, investindo pesado para evitar as demissões em massa.

Muitas outras medidas no sentido de aquecer o mercado interno estão sendo implementadas aqui também, mas só o imposto de renda foi reduzido até agora. A decisão do Brasil de reduzir os impostos sobre a produção de carros (IPI) me parece uma das mais acertadas até o momento. Aqui tiveram a idéia de oferecer 2.500 euros para quem quiser trocar de carro e este tiver 9 ou mais anos de idade, mas o alemão analisa as ofertas a fundo e muitos chegaram à conclusão que nao vale a pena, ainda mais porque um carro de 9 anos de idade ainda vale os tais 2.500 euros oferecidos…

E no seu país/na sua região/na sua empresa, que medida está sendo tomada e está mostrando resultados positivos?

::Curiosidade: sobre endereços na Alemanha::

16/02/2009

Agora que estou começando a enviar meus livros para várias partes do país e do exterior, tenho notado que o brasileiro tem certa dificuldade em escrever direito seu endereço postal aqui na Alemanha. Talvez por compará-lo com o brasileiro, ou mesmo por não dar atenção a pequenos detalhes, aparentemente tão insignificantes. Mas a primeira impressão é a que fica! As regrinhas são poucas, e fáceis. Vamos lá:

O nome da rua quase invariavelmente vai vir “grudada” na palavra “Straße” ou, abreviada, “str.”, que significa “rua”. Outra opção seria “Platz”, que significa “praça”, que se escreve também junto de seu nome, de como é chamada. Existem nomes compostos, tais como “Albert-Einstein-Str.”, que por sua vez são ligados por hífens, ou ruas que geralmente são nas extremidades de uma cidade e dão a indicação de uma direção para outras cidades, como “Züricher Str.”, que aí será separada de “Str.” pelo fato da palavra anterior terminar em “er”.

Uma coisa que não tem depois é uma vírgula. Então, logo depois do nome da rua, vem simplesmente o número da casa. Geralmente a informação do número do apartamento aqui não é necessária, uma vez que nas caixas de Correios encontra-se o nome de todos os moradores do prédio.

Um pequeno detalhe ficaria no espaço que geralmente se solta entre o nome da rua e o PLZ, ou seja, o “Postleitzahl” ou código postal da cidade, que vem seguido pelo nome da cidade.

Juntando todas essas pequenos detalhes, por conseguinte, o endereçamento correto de uma carta ficaria assim:

Frau

Claudia Bonaparte

Züricher Str. 29


84503 München


ou assim:


Herrn

Francisco de Sá

Albert-Einstein-Str. 41


79134 Dortmund

Outro pequeno detalhe fica com o remetente, que na Alemanha é escrito na parte da frente do envelope, à sua esquerda, ou no cabeçalho de uma carta, como a primeira informação para quem estará recebendo a carta. Sempre que escrever endereços, não importa se for em uma carta ou em um envelope, lembre-se portanto de separar a rua do código postal / cidade por uma linha em branco, a não ser no caso do remetente, como mostra o exemplo acima, onde se escreve sem soltar um espaço. Se for enviar uma carta para uma empresa, coloque na primeira linha o nome da empresa, na segunda o nome da pessoa, antecedido de “Frau” ou “Herrn”, e depois o endereço, como descrito acima. Boa escrita!


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