::Partes do livro “As Profissões do Futuro”::

Livro de Gilson Schwartz publicado pela PubliFolha.

‘Cadeia de transmissão’: não basta já ter algum diploma pendurado na parede. Há quem diga que os diplomas deveriam ser dados com prazo de validade, como leite e outros produtos perecíveis. Para competir no mercado de trabalho, não basta ter uma competência, é preciso ser competitivo, ou seja, estar disposto a reformular e atualizar continuamente conhecimentos, habilidades e atitudes. O trabalhador do futuro, seja qual for a sua especialidade ou setor, precisa estar habituado à gestão do próprio conhecimento. E desde os primórdios da humanidade é evidente que sabedoria e conhecimento só se atualizam quando proliferam as relações entre pessoas que ensinam, debatem, experimentam, pesquisam e dialogam.

O paradoxo dramático da nossa época, tão exigente em competição e competências, é que nem as escolas estão preparadas para esse novo sistema nem as empresas conseguem resolver suas carências de mão-de-obra especializada. Enquanto isso, o desemprego aumenta. Antigamente era o agricultor que ia para a cidade ou o estivador que perdia o posto no porto. Agora são os trabalhadores de ‘colarinho branco’, que estavam aparentemente seguros em escritórios e burocracias, os que perdem seus postos para robôs, softwares, agentes virtuais e sistemas automatizados de administração de empresas e organizações.

Um olhar mais atento identifica que o desemprego tende a ser mais alto nas populações desprovidas de acesso a conhecimento, informação, educação. Nas populações com grau mais elevado de escolaridade, as opções de emprego continuam se multiplicando, e as empresas só se queixam de falta de mão-de-obra especializada. Ou seja, há nas empresas uma procura por trabalhadores que as escolas estão sendo incapazes de oferecer.

Conclusão: quanto melhores forem as condições de vida e a distribuição de renda no país, ou seja, quanto melhores forem as condições de acesso ao conhecimento, mais gente terá acesso às oportunidades da nova economia do conhecimento, centrada na inovação, na expansão de redes e na ampliação da cidadania.

Ser habilitado nas novas tecnologias (uso de computador, domínio de língua estrangeira, capacidade de atualização profissional permanente) significa ampliar as possibilidades individuais de obtenção de um bom emprego – em qualquer setor. Coletivamente, no entanto, não há solução para o desemprego sem programas (públicos e privados) de distribuição de renda e ampliação da cidadania.

A tradição cientificista do século 19 encarava a ciência e as técnicas como máquinas de solução de problemas. Mas ao longo do século 20 ficou evidente que a velocidade das transformações tecnológicas acabava na prática por colocar novos problemas, cada vez mais complexos. A complexidade crescente dos sistemas empresariais e sociais destrói empregos mecânicos e repetitivos, mas tende a gerar novas necessidades e funções que serão atendidas apenas por pessoas capazes de perceber e atuar, o tempo todo, conscientes dessa complexidade crescente do contexto.

Re-engenho, ou seja, reposição ou redefinição do engenho – palavra que na origem significa tanto o engenho de cana-de-açúcar do Brasil colonial quanto o talento (os portugueses falavam muito em ‘cabedal’, em ‘engenho e arte’). A engenhosidade reposta de modo permanente, ou seja, a identificação de talentos e o exercício criativo desses talentos. Essas são as chaves, relativamente simples, do sucesso profissional. Fácil de falar, difícil de fazer.

A nova economia não difere da velha: enquanto houver exclusão, desigualdades sociais, restrições sociais e políticas, o tamanho do mercado estará limitado pela baixa qualificação da população.

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