::Situação dos estrangeiros no estado de Hessen::

Nossa! Estou devendo vários posts pra vocês… Pois então… Para “matar” a charada colocada no post anterior, vou contar pra vocês de onde tirei o termo do post anterior. Semana passada estive a trabalho na região de Frankfurt e li no Wiesbadener Kurier de 29/04/2009 que o governo daquela região fez um estudo sobre a qualificação e condição profissional dos habitantes estrangeiros (Studie über die Lage von Ausbildung und Erwerbstätigkeit der hessischen Bevölkerung mit Migrationshintergrund). Primeiro a notícia naturalmente me chamou a atenção porque pode-se dizer que na Alemanha é pouco comum ver metade de uma página de jornal noticiando sobre um programa de auxílio aos estrangeiros e/ou (nem que seja em parte) positivamente sobre a diversidade cultural, o que já é bastante louvável deste jornal. O único outro meio de comunicação que mantém uma cobertura neutra com relação aos estrangeiros na Alemanha, noticiando também pontos positivos da integração ou denunciando problemas (como p.ex. o preconceito dentro das universidades alemãs) é a revista Der Spiegel. Ou vocês conhecem mais algum que não é do meu conhecimento?

Pois bem, lendo a notícia fiquei sabendo exatamente que até 2005 a Alemanha contava/dividia sua população entre alemães e estrangeiros, e a partir daí passaram a dividir entre alemães e imigrantes (porque muitos alemães são p.ex. estrangeiros com dupla nacionalidade), quando constataram que da suposição inicial de que o país tinha pouco mais de8% de estrangeiros, terminaram por descobrir que aproximadamente 20% da população na Alemanha é formada de estrangeiros e/ou filhos de estrangeiros e até 25% das crianças é formada de estrangeiros e/ou filhos de estrangeiros.

No caso de Hessen, destacaram o fato de que 1/3 dos jovens abaixo de 15 anos são imigrantes sem histórico migratório (“Migranten ohne Migrationshintergrund”), termo que para mim já me pareceu bastante paradoxo!!! Como é possível existir um imigrante sem histórico migratório?!? A reportagem explicava que estes são filhos de estrangeiros ou Spätaussiedler (alemães que emigraram no passado e cujos descendentes imigraram para a Alemanha nos últimos anos), que por sua vez possuem a nacionalidade alemã (e portanto não são considerados alemães para as estatísticas oficiais). Este novo termo me incomodou muito! Isso quer dizer que um filho de alemães Spätaussiedler, sendo alemão e nascendo na Alemanha não é alemão para as estatísticas oficiais!!! Não era novidade para mim ler que o grupo dos que têm dupla nacionalidade não é considerado como parte do grupo dos alemães (mesmo tendo em parte nascido aqui e vivido até há mais de 30 anos na Alemanha!!!). Já não chega a imprensa já ter dificuldade de usar a palavra Ausländer (estrangeiro), que nos últimos tempos está sendo substituída – de forma politicamente correta – pelas opções Migranten (imigrantes) ou Personen mit Migrationshintergrund (pessoas com histórico migratório). Ausländer aqui já virou quase um palavrão.

Bom, mas tirando esta crítica, a reportagem é bastante positiva sobre o que o projeto busca alcançar, pois cita sabiamente que o investimento em estrangeiros vivendo na Alemanha é um investimento para o desenvolvimento da economia e da sociedade alemã. As chaves para tanto seriam: qualificação profissional, integração (transmissão de competências sociais e interculturais) e conhecimento do idioma local. 40% do total de estrangeiros em Hessen não tem formação profissional. No momento o governo, através do ministro da economia Dieter Posch e do Ministro da Justiça e da Integração (gostei deste título!) Jörg-Uwe Hahn estão estudando formas de incentivar a melhoria da qualificação e do mercado de trabalho para estrangeiros da região, que tem ao todo 250.000 estrangeiros ou 23,4% da população, o que significa que praticamente uma de cada quatro pessoas morando na região é estrangeira. Entretanto, a taxa de desemprego dos estrangeiros é duas vezes maior do que a do grupo dos alemães.

A reportagem termina com uma proposta: que deve ser possível transmitir às pessoas que a diversidade cultural é um ganho para a sociedade. (Es muss uns in den nächsten Jahren gelingen, die verschiedenen Kulturen als Bereicherung für unsere Gesellschaft im Bewusstsein zu verankern). A única nota online que achei sobre o assunto no Wiesbadener Kurier foi esta. Eu acabo de encontrar aqui a nota oficial do estado de Hessen. E li mais coisas positivas: o número de empregadores estrangeiros é alto, e no caso das mulheres ele é maior até do que o das empregadoras alemãs. O final da nota afirma de que o investimento na qualificação de estrangeiros pode significar um ponto economicamente positivo para o estado de Hessen. Que é necessário investir em uma abertura intercultural de instituições oficiais e organizações sociais. E também mostrar imigrantes que tiveram sucesso na região como exemplo a ser seguido.

A Cláudia, que mora nesta região e participou de um encontro discutindo exatamente estes temas, com certeza vai poder contribuir citando o que foi tema da discussão da qual ela participou. Obrigada de antemão pelo comentário, Claudia!

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4 Respostas to “::Situação dos estrangeiros no estado de Hessen::”

  1. Taty Says:

    Essas divisões são típicas dos alemães… acho isso muito triste.. a Alemanha é um país lindo, com alta tecnologia e uma história muito rica, poderia seguir o exemplo de países como o Canadá que fazem de tudo para unir as pessoas e não separa-las em grupos… isso me faz lembrar um “tal” alemão que adorava “separar” as raças… muito triste que o governo pareça não ter aprendido com os erros do passado…

    • Sandra Santos Says:

      Ei Taty,
      Com o detalhe que o “tal” alemao era na realidade austríaco!… Pois é, e é para mudar este quadro que faco a minha parte e invisto na divulgacao destas informacoes. A Alemanha está acordando para o fato de que unir a populacao traz muitos ganhos para o país, nao só de cunho economico. Mas ainda há muito por fazer!!!
      Um abraco,
      Sandra

  2. Marc Says:

    Adorei o papo, mas gostaria lembrar que existem paises que sequer chamam seus imigrantes de “Ausländer”, pior, chamam de gringos (green-go em referencia aos dolars). Em termos da seperacao racial chamen de “Pretinha, Japa, Gordo, Alemao…..”

    Vielleicht sollte man manchmal ein wenig über den Tellerrand schaun´!

    Abracos,

    Marc

    • Sandra Santos Says:

      Oi Marc,
      Obrigada pela visita.
      Justificar o preconceito daqui com o preconceito de lá nao elimina sua existencia. Sou contra o preconceito e idéias pré-formadas sobre um povo ou uma raca, nao importa onde elas estiverem.
      Um abraco,
      Sandra

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