::Com vocês, Paulo e Evelyne!::

A seguir uma nova entrevista cujos participantes são especiais para mim. Do Paulo eu recebi o primeiro feedback de um leitor alemão e sua esposa brasileira, Evelyne, me deu a boa ideia de arquivar as entrevistas aqui no blog, além de tantas outras opiniões e retornos positivos, enfim muitas demonstrações de carinho, como esta aqui:

“Acho que você está abrindo mais uma porta para brasileiros e alemães se conhecerem e se integrarem. Adoramos a iniciativa.
Não sei como está pensando em estruturar isso no seu blog, mas, sugiro que você dedique uma página só para isso. Verá como será exponencial.”

Vamos às perguntas:
Poderiam fazer uma curta apresentação de vcs por vcs mesmos?
Evelyne, brasileirinha nascida no sul, mas que mora na terra do sol e da praia, Bahia, 27 anos, formada em Administração, MBA em Marketing, consultora de RSE (Responsabilidade Social Empresarial), sagitariana, alegre, espontânea e, quase sempre, chata na TPM.

Paulo, 53, nascido alemão, hoje alemão-baiano, professor de tecnologia, economia e educação física, analista de sistemas, ex-coordenador de TI de uma rede brasileira de microcrédito e diretor de uma empresa de software. Cheguei ao Brasil em 1994, através do DED (Deutscher Entwicklungsdienst)… e fiquei. Curioso, interessado, crítico, às vezes calmo, às vezes comunicativo, às vezes engraçado, às vezes chato. Há dois tipos de alemães, os teimosos e os muito teimosos. Eu só sou teimoso. Além disso, sou o melhor pai do mundo, pelo menos na opinião dos meus filhos, adotados aqui na Bahia.

Em resumo, um casal nada convencional.

eu e meu amor-1

Como vcs se conheceram?
Saí de um emprego, e indicada por um amigo também alemão, fui parar na empresa que Paulo tinha acabado de abrir. Ele era meu chefe, depois namorado, depois sócio e, agora, marido. Estamos juntos a pouco mais de cinco anos. Bastante tempo para quem não botava fé. Nosso lema é contrariar. Rsss

Vc já veio à Alemanha, Evelyne?
A primeira vez que estive na Alemanha foi em maio de 2008. Depois de mais de 4 anos de relacionamento ainda não conhecia a família dele. Foram 30 dias de ótimas férias, inesquecíveis. Na ocasião, conheci Berlim, Potsdam, Hannover, Osnabrück, Münster, Hameln e outras cidadezinhas graciosas. Berlim foi amor à primeira vista. Na primavera/verão, quem não se apaixona?
Depois, voltamos em dezembro, no frio mais frio dos últimos tempos para acompanhar a filha dele que fez uma cirurgia para que pudesse ter a oportunidade de andar. Depois de anos na cadeira de rodas, ela já dá os primeiros e longos passos. Eu fiquei um mês e Paulo, três. Muita saudade, porém por um ótimo motivo.

O que o Paulo mais admira na cultura brasileira? E o que te chama a atenção positivamente na cultura alemã?
Paulo: A habilidade de comunicação e a facilidade de fazer contatos, a hospitalidade, a alegria e leveza que aparentemente supera todos os obstáculos. Ver o copo meio cheio e não meio vazio e um contraste incrível em relação aos alemães, que conseguem complicar a própria vida pela perfeição e preocupação.

Evelyne: O que me chama mais atenção na cultura alemã é a civilidade e o respeito ao próximo. Ninguém acelera o carro no sinal quando fica verde só porque tem um pedestre atravessando a rua, para mostrar quem tem o poder, como acontece muitas vezes aqui no Brasil. Claro que a Alemanha não está livre de gente assim, mas a proporção é bem menor, creio eu.

Qual foi o maior choque cultural do Paulo em relação ao Brasil?
Os extremos e a desigualdade da sociedade, o caos e a poluição sonora e ambiental nas cidades e aceitação da corrupção e violência combinado com uma paranóia exagerada.
Quando cheguei ao Brasil, fiquei apavorado com os muros altos e as grades nas residências e pensei que todo mundo vive na prisão. Hoje, infelizmente, já me acostumei com isto.

E o seu choque cultural, em relação ao Paulo?
Meu choque cultural em relação ao Paulo??? Ele não cumprir horários como eu sempre acreditei que os alemães fizessem. Eu dou um desconto. Depois de tanto tempo, já virou baiano.

Do que o Paulo sente mais falta da Alemanha, morando no Brasil?
Os cheiros da primavera e outono, o respeito ao próximo, comida grega, Leberwurst (salsicha de fígado) e a possibilidade de tomar banho com água quente e com pressão.

Como ficaram sabendo do livro “Mineirinha n’Alemanha”?
Depois da nossa viagem em maio, Paulo decidiu voltar para a Alemanha e eu decidi ir junto, por acreditar que seria uma experiência valorosa para mim, além de saber que não consigo ficar sem ele (Ownnnn!). Aí, ele começou a procurar emprego e eu comecei a pesquisar sobre experiências de brasileiros na Alemanha. Encontrei o site “Viver na Alemanha” e, através dele, cheguei ao seu blog. Do blog para o livro foi bem fácil. =D
(Comentário de Paulo: Acho que foi o contrário. Ela decidiu e eu vou acompanhá-la.)
(Comentário meu: Dá licença, Sandra. Acho que temos que ter uma DR, voltamos depois dos comerciais…)

O que diriam sobre o livro/recado de vcs para outros leitores.
Evelyne: É uma quebra de tabus. Brasileiro tem uma visão pré-definida de alemão, e vice-versa. Mas, essa visão é baseada em preconceitos antigos. A sociedade evoluiu, de um lado e de outro, por isso, houve mudanças. Achamos que o livro é interessante para apresentar novas visões ou justificar antigas.

Paulo: Comprem, leiam, aprendam e divirtam-se! O livro passa a percepção da Alemanha por uma brasileira, que conseguiu se integrar muito bem neste país e conviver com um povo com cultura bastante diferente. Curiosa e sem preconceitos ela relata os pontos fortes e fracos da sociedade alemã e dos estrangeiros que vivem nela, sem abrir as gavetas de bom e ruim.

Vcs são da opinião de que o livro deveria ser traduzido para o alemão. Por quê?
Hummm. Acho que Paulo já falou isso para você e eu não conseguiria reproduzir com a perfeição que ele o fez. Se quiser, pode publicar alguns trechos do e-mail dele que eu assino embaixo, do lado, em cima…

Nota da Mineirinha: o feedback do Paulo é para mim tão especial, que será parte do meu livro, quando ele for traduzido em alemão. Coloco aqui uma pequena parte do mesmo, para vcs terem uma ideia do que ele escreveu sobre o livro:

„Es macht Spaß, vom deutschen Alltag aus dem Blickwinkel einer Ausländerin zu lesen. Von Dingen, über die ein Deutscher in Deutschland nicht nachdenkt, weil sie einfach total normal für ihn sind. Von deutschen Verhaltensweisen, die für einen Brasilianer undenkbar sind. Von Lösungsansätzen mit unterschiedlicher Logik, die vermutlich zum gleichen Ziel führen würden. Von zwischenmenschlicher Kommunikation, die nicht nur wegen sprachlicher Hindernisse zu einem Desaster werden kann.

Interessant und wichtig ist es auch zu wissen, dass es neben dem typischen Klischee auch genug Ausländer in Deutschland gibt, die da so gar nicht nicht in die Schublade passen. Und zu erkennen, dass jemand wie du vielleicht in meiner Nachbarschaft lebt. Jemand, den ich gerne kennen lernen würde und der mein Leben bereichert. Und dem ich mit meinen Möglichkeiten vielleicht auch helfen kann, sich in seiner neuen Welt besser zurechtzufinden“.

“Dá prazer ler sobre o dia-a-dia na Alemanha contado sob a perspectiva de uma estrangeira. Ler sobre coisas que um alemão na Alemanha nem chega a pensar, pois para ele elas são normais. Sobre reações de alemães que são inimagináveis para brasileiros. Sobre soluções com uma lógica diferente, que provavelmente fariam com que o mesmo objetivo fosse alcançado. Sobre a comunicação interpessoal, que pode virar um desastre, não só por causa de dificuldades linguísticas.

É interessante e importante saber que além do clichê típico há muitos estrangeiros na Alemanha que não batem com a opinião da maioria. E descobrir que talvez uma pessoa como vc mora perto da minha vizinhança. Alguém que eu gostaria de conhecere e que poderia enriquecer minha vida. E que eu talvez pudesse ajudar a se ajustar à sua nova vida”.

Burkhard é um nome muito difícil de ser pronunciado por brasileiros. Como surgiu a ideia do codinome “Paulo” no Brasil? 😉
Pois é, e ainda para os pequenos agricultores no sertão baiano, com quem eu inicialmente trabalhei. Meu sobrenome é Puwalla e tem origem polonesa. Vem de Powel = Paulo e o …la, dizem, é a forma diminuitiva, ou seja Paulinho. Só que tenho 1,85cm. Então ficou o Paulo.

Qual é a motivação de vcs para morar na/voltar para a Alemanha?
Para Evelyne é uma possibilidade de experiência nova e um desafio pessoal. Acho que ela vai se dar razoavelmente bem, pois tem muitas características tipicamente alemãs, talvez mais do que eu. Eu tenho a impressão que 15 anos no Brasil são suficientes. Gostaria de viver uns anos mais perto da minha família e velhos amigos, mostrar o meu país para minha mulher brasileira e curtir a vida organizada na Alemanha, já sabendo que em pouco tempo me encherá o saco.

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10 Respostas to “::Com vocês, Paulo e Evelyne!::”

  1. Vera Joana Says:

    Nossa, que casal mais lindo! Que vocês sejam muito felizes, Evelyne e Paulo!

  2. Evelyne Says:

    Ui, olha eu ai! :$
    Que susto. rsrsrs

    Obrigada, Vera. Mesmo.

    Beijos!

  3. Meire Bagoli Says:

    Evelyne e Paulo,

    Parabéns pela entrevista.

    Boa sorte na nova vida na Alemanha.

  4. Evelyne Says:

    Obrigada, Meire!

  5. Dago Schelin Says:

    Legal! Muito gostoso de ler o q vcs escreveram.

  6. Luciana Fazan Says:

    Oi Sandra!!!
    Que felicidade ver seu blog com coisas tao bonitas, interessantes e úteis!
    Cheguei aqui na Alemanha há um ano, sou casada com um alemao também! E há algum tempo que sempre dou um pulinho no seu blog…
    Esta entrevista é muito boa! Tem um casal binacional brasileira x alemao que sao meus vizinhos e também sempre morri de vontade de um dia sentar com eles e ouvir suas histórias e reportar para outros brasileiros.
    Aliás, parabéns pelo livro! Eu ainda nao li, mas já faco aqui oficialmente o meu pedido, (demorou!)
    Eu estou fazendo um blog também, escrever tem me feito mais feliz aqui e é muito bom saber que posso fazer úteis para outros brasileiros as experiências que tenho aqui. É este:
    http://www.ponteparaalemanha.blogspot.com
    Se um dia vc puder dar uma passadinha lá ficarei muito feliz e lisonjeada.
    Abraco,
    Luciana

    • Sandra Santos Says:

      Ei Luciana,
      Obrigada pelos elogios e pelo pedido do livro.
      Adorei o nome do seu blog. Vou dar uma passada por lá!
      Escrever é realmente muito bom, pois vc nao só repensa sobre aquilo que passou com vc, como divide com outros e de quebra ainda faz novos amigos e ajuda outras pessoas! Todo mundo sai ganhando! 🙂
      Aguarde meu e-mail, ok?
      Um beijo,
      Sandra

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