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::5a. entrevista – Má e Rô::

30/11/2009

Depois de uma pequena pausa, volto a publicar uma entrevista com meus leitores. Já tinham até me puxado a orelha e perguntado quando iria publicar uma nova entrevista! Desta vez, lhes apresento um casal “café com leite”, que eu já tive a oportunidade de conhecer ao vivo e do qual gostei de cara: Má e Rô. É uma entrevista longa, mas cujo conteúdo é super diversificado e muitíssimo interessante, inclusive com um projeto comunitário relacionado ao Brasil. Vale a pena ler! Curtam comigo!

– Façam uma curta apresentação de vocês por vocês mesmos.

Somos o famoso casal “café-com-leite”. Isso mesmo, uma paulistana com um mineiro de Belo Horizonte. Eu por mim mesma: Maira Engelmann, paulistana, 30 anos (depois da entrevista s o “tempômetro” rodou pra 3.1), formada em Engenharia Química, mestranda em MBA Marketing Internacional na Universidade de Reutlingen (Alemanha), apaixonada pela vida, pelo Brasil e pelo marido. Meu marido por mim: Rodrigo Luis de Gouvea, 32 anos, formado em Engenharia Mecânica (sim, família engenhoca), funcionário da MAHLE em Stuttgart (Alemanha), apaixonado por viagens, pelo Brasil e (eu sei que sim) por mim.

– Como surgiu a oportunidade de vocês virem morar na Alemanha?
Após alguns anos trabalhando na empresa alemã MAHLE no Brasil (SP), meu marido foi convidado para trabalhar na matriz em Stuttgart. Quando ele me disse sobre a possibilidade não hesitei em “jogar tudo pro alto” (emprego, independência financeira e etc), pois enxerguei na oportunidade dele, uma oportunidade para mim também, uma vez que qualquer experiência fora do nosso país é sempre enriquecedora e sempre uma oportunidade pra redirecionar o leme da nossa vida.

– Seu blog chama a atenção pelas alto astral, pelas fotos lindas e pelo nome criativo. Como tem sido a experiência de escrever um blog longe de casa?
Sinceramente, sem o blog tudo seria bem mais difícil e muito menos divertido. Quando decidi vir para a Alemanha acompanhando meu marido, comecei a pensar em todas as possibilidades do mundo para que eu não “esmorecece”, principalmente porque a primeira vez que vim para cá foi justamente no inverno. Conversando com uma grande amiga que tem um blog, descobri nesse canal de comunicação virtual um caminho e foi então que começou a história do “Retratos e Relatos”. Ele “nasceu” em 2006 e só tem me dado alegrias desde então, pois através dele conheci muita gente especial (inclusive a Mineirinha) que tem me ajudado muito a manter a inspiração e a paixão por relatar algumas das experiências que estamos vivendo desde que chegamos aqui. Enfim, o que começou como uma forma de “contato” com familiares e amigos do Brasil, se tornou uma forma de conhecer e ajudar brasileiros no mundo todo.

– Qual é o lugar predileto de vocês, depois de tantas viagens? Cite o link dele para as fotos do seu blog.
O melhor lugar do mundo é aquele onde a gente se sente em casa, ou seja, aquele lugar onde você se sente integrado, se identificando com a cultura e se sentindo à vontade com o povo local. Dentro dessa minha definição eu citaria não um lugar, mas vários lugares onde nos sentimos, por motivos variados, em casa: Brasil (SP, MG, RJ e Fernando de Noronha), Transilvânia (Romênia), Escócia (Europa), Quênia (África), Annecy (Franca), Viena (Áustria), Berlim (Alemanha), Amsterdam (Holanda), Dolomiten (Itália) e Roma (Itália). Mas ainda essa semana estamos indo para a Noruega e acredito, depois das fotos que vimos, que entrará com certeza para esta lista. Aqui nesse link tem um índice que direciona para cada viagem. Pra quem quiser se inspirar, é só navegar.

– O seu sobrenome tem muita pinta de alemão. Qual é sua ascendência?
Pinta? Ele é totalmente e lindamente alemão. Pois é, quando morava no Brasil era um problema, mas sempre fui apaixonada pelo meu sobrenome e até por isso o mantive mesmo depois de casada. Minha bisavó era alemã. Aliás, acho que meus problemas com alemães começaram com minha bisavó, pois, segundo minha mãe e minha avó, nós brigávamos muito. Enfim, acho que já estava planejado pra mim ter que me adaptar à cultura alemã e, após quase 3 anos por aqui, acredito que estou cumprindo bem meu “carma”. (((-:

– Como foi a experiência de tentar uma vaga de mestrado na Alemanha? Conte um pouquinho do “empurrãozinho” da Mineirinha. 🙂
Quando cheguei na Alemanha só tinha uma certeza: precisava estabelecer metas. O pontapé inicial foi, lógico, aprender a língua alemã e logo depois já comecei desesperadamente a buscar um curso de pós-graduação. Tentei um na minha área de formação (Engenharia Química), mas não fui aceita graças à Deus, pois foi uma tentativa totalmente impulsiva e desesperada por algo que eu, de verdade, nao queria. Depois decidi me preparar melhor para tentar algum mestrado em alemão mesmo, ou seja, precisava conseguir uma boa nota no TestDaf. Após um ano de curso intensivo de alemão, fiquei mais meio ano estudando sozinha em casa e me preparando para o teste. Durante esse tempo fiquei fazendo listas do que eu gosto e do que eu não gosto, pra tentar traçar minhas novas metas e, de repente, em meio a uma crise existencial, uma amiga minha me indicou o mestrado que estou cursando atualmente. Foi então que minha vontade aumentou e ganhei mais forças para conseguir passar no teste de proficiência em alemao. Logo na primeira prova já tirei notas boas e que, no final, foram suficientes para garantir minha chance pela vaga no mestrado. Mas o TestDaf era só um detalhe dentro de todo o processo de seleção. Precisei apresentar meus diplomas e históricos traduzidos e autenticados do ginásio e da universidade, meu currículo, uma carta de apresentação e ainda participar de uma entrevista em inglês e alemão com dois entrevistadores. A Mineirinha me ajudou muito a adequar meu currículo e minha carta de apresentação aos moldes alemães, pois esse processo é muito importante, uma vez que estes documentos sao responsáveis pela “primeira impressão”, logo são eles que irão definir se você será ou não chamado para a próxima e mais difícil etapa: a entrevista. Para o alemão é preciso objetividade e quem não domina muito bem uma língua tem muita dificuldade em escrever em poucas palavras aquilo que deseja transmitir e, neste ponto é importante ter alguém que tenha domínio da língua e que, acima de tudo, conheça bem a cultura alemã, entendendo exatamente o que eles esperam ler ou ver. Enfim, a experiência de ter conseguido a vaga no MBA que estou cursando foi e está sendo desafiadora, mas o sentimento da conquista a cada obstáculo ultrapassado me mostra que valeu muito a pena toda a ansiedade e noites mal dormidas.

– E como está sendo a experiência do Mestrado? O que você aprendeu no primeiro semestre e o que lhe empolgou mais?
A experiência está sendo MARAVILHOSA. Ela está sendo maravilhosa em um sentido diferente do que todos imaginam quando lêem essa afirmação, ou seja, ela não está sendo maravilhosa porque está sendo feliz ou perfeita, mas sim pelo que estou aprendendo e vivendo através dela. Chorei quase toda semana durante o primeiro semestre, mas também ri em todas elas, venci em todas elas, cresci em todas elas, aprendi muito em todas elas e me superei em todas elas. Nao foi difícil, foi MUITO difícil. Como eu já disse anteriormente, só tinha estudado um ano de alemão na escola e meio ano em casa pra passar no TestDaf e fora isso só treinava meu alemão nas poucas vezes que encontrava alemães ou meus colegas estrangeiros. E, de repente, passei a ter que falar e ouvir alemão todos os dias e, pior, em contextos completamente específicos e desconhecidos pra mim. Nas primeiras aulas eu só ouvia “blablablabla” e saindo de lá só pensava em chegar em casa e abrir o berreiro. Mas aos poucos fui começando a perceber que nem mesmo os alemães estavam entendendo tudo e isso, acreditem, me fez muito bem. Passado um mês, me senti muito mais “entrosada” e percebi que meu alemão tinha se desenvolvido em silêncio, pois eu não percebia nenhum progresso, mas meus colegas (principalmente os estrangeiros) sempre me mostravam que eu estava sim progredindo. Nos últimos meses comecei a ficar mais próxima dos alemães, o que considero uma das conquistas mais difíceis e gratificantes, pois na minha turma os bichinhos sao bem fechados e arrogantes. O que eu mais gostei até agora foi ter aprendido muito mais sobre os alemães através do ponto de vista deles, ter a oportunidade de conhecer e conviver com diversas culturas dentro de alguns metros quadrados e, lógico, das aulas relacionadas à minha área de interesse, Marketing.

– Só a título de curiosidade, quantas nacionalidades estão reunidas na sua sala de Mestrado?
Como diria você e meu marido mineirinho: “Nossinhora!!!”. Sério, é muita gente de muito lugar diferente, isso é apaixonante e um alívio. Um alívio, pois assim o curso fica mais divertido, interessante e você (como estrangeiro) nao se sente tão deslocado ou sozinho. Só pra vocês terem uma ideia da diversidade, tem gente dos seguintes países: China, Índia, Rússia, Bielorússia, Egito, Cazaquistão, Ucrânia, Bulgária, Camarões, Romênia, Coréia do Sul, Equador, Grécia, Alemanha e Brasil.

– Qual foi a maior dificuldade de vocês aqui na Alemanha nos primeiros tempos?
Meus hormônios (rs) e minha incapacidade de comunicação. Meus hormônios quase deixaram meu marido louco e minha incapacidade de comunicação quase me levou também à loucura. Meu humor sofreu uma alteração jamais vista na medicina, pois era tanta variação que eu cheguei a pensar em procurar um centro espírita pra ver se eu não estava sendo possuída. Mas, sem dúvida, a dificuldade de comunicação no começo foi a parte mais traumática, pois quem me conhece sabe que sou HIPER-comunicativa e por isso acabei desenvolvendo com minhas colegas do curso de alemão um novo vocabulário e uma nova linguagem corporal para conseguirmos nos comunicar sem usar o inglês (nos proibimos totalmente, pois sabíamos que era importante). Resultado: em quatro meses eu já estava falando pelos cotovelos, mesmo que tudo errado. (rs)

– Do que vocês gostam mais aqui da Alemanha? Qual é o local predileto de vocês aqui?

Pra nós a maior vantagem não só da Alemanha, mas principalmente da cidade onde moramos (Stuttgart) é que estamos localizados geograficamente em um ponto ótimo para viajar de carro pela Europa. Mas dentro da Alemanha mesmo o que amamos é (básico) o sentimento de segurança, a infraestrutura incrível e, principalmente, os Biergartens (bares em jardins) e os morangos. Mas, é lógico, que nossos locais prediletos são, é lógico, os Biergartens. (rs)

– E o que faz muita falta pra vocês (estando aqui) lá do Brasil?
As pessoas (insubstituíveis), a espontaneidade, as cores, as roupas (aqui em Stuttgart é um show de horrores), os sabores, os cobradores de ônibus (adorava papear com eles), os odores e água de coco no coco geladinha. (rs)

– Como vocês descobriram a Mineirinha? E o livro dela?

A Mineirinha foi descoberta graças a um feliz acaso virtual, quando eu estava buscando ajuda sobre algo no “Google”. Já o livro foi ela mesma quem me disse sobre ele e não perdi tempo, encomendei o meu rapidinho.

– De que parte do livro vcs mais gostaram?

“Como se sente uma pessoa que muda de país?”, pois você escreveu exatamente o que eu penso e, sinto que se todas as pessoas entenderem as coisas da forma que você colocou, elas poderão aproveitar muito mais a oportunidade maravilhosa que é poder mudar de país nem que seja por pouco tempo.

– Contem um pouquinho deste projeto super criativo do livro “Brasil por brasileiros”!

Esse projeto se tornou a “menina dos meus olhos”. É realmente um projeto inovador, baseado em transparência e coletividade. É assim que podemos definir o projeto do livro ilustrado ainda “sem nome”, chamado nesse período de gestação de “Brasil por brasileiros”. “Brasil por brasileiros” é um nome que, apesar de não ser já o nome definitivo do livro, já nos diz o que é esse projeto. O projeto desse livro é baseado principalmente na premissa de que não há ninguém melhor no mundo para apresentar nosso país através de fotos e relatos do que nós, os brasileiros. E o nosso livro vai além disso, pois ele também irá trazer o que é o Brasil visto por brasileiros de todas as dobras do nosso país. Sim, é nesse ponto que o projeto traz sua idéia de coletividade, afinal a visão que se tem de Brasil no sul, no norte, no leste e no oeste é completamente diferente e muitas vezes inversa e controversa. É um livro que vem sendo projetado e idealizado já coletivamente. No começo era apenas uma idéia crua e sem forma, mas agora com a participação de diversos brasileiros comuns de diferentes eixos do país, a ideia já está amadurecendo e tomando formas variadas e coloridas. Será um livro ilustrado colorido e apaixonante. O fato de ser colorido nao é um desejo estético, mas sim proposital e indispensável, pois as cores fazem o Brasil, ou seja, se queremos mostrar o Brasil, precisamos apresentá-lo com todas sua cores. Apaixonante, pois em cada foto iremos trazer sentimentos e histórias, ou seja, nao serão “apenas” fotos que você vê e diz que são lindas. Serão fotos seguidas de sentimentos e histórias, fazendo com que o leitor aprenda mais sobre nós, sobre nossa cultura e sobre nossa forma de sentir e de viver. Temos hoje mais de 500 fotos já pré-selecionadas de mais de 1000 recebidas e estas já estao sendo publicadas para apreciação e inspiração no Flickr. Ainda não são as fotos definitivas, pois sei que ainda iremos receber muitas outras e, principalmente, sei que muitos outros brasileiros irão logo se juntar a nós, trazendo muito mais imagens e relatos. O objetivo principal do livro não é trazer apenas o que é belo, mas sim trazer tudo que é representativo dentro da nossa realidade. Esse não é um livro para atrair turistas que desejam ver apenas coisas belas, é um livro para ensinar aos turistas estrangeiros e não estrangeiros um pouco mais sobre o que é de verdade o Brasil. Sim, o objetivo não é atrair ninguém de fora, mas sim mostrar aos próprios brasileiros nossa diversidade e riqueza, aumentando dessa forma o respeito entre os eixos e o interesse em criar uma união, partindo da verdade mais pura e importante de que SOMOS TODOS BRASILEIROS. Para saber mais, vocês podem acessar o site oficial do projeto e, caso se identifiquem com o objetivo, sejam bem-vindos para participar e contribuir com suas fotos e relatos!

– Se quiserem deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!
Nossa, nós buscamos tanta coisa que fica até difícil lembrar de todas agora. Mas o mais importante nesse momento seria encontrarmos pessoas que estejam dispostas a participar e divulgar o projeto do livro descrito na pergunta acima. Procuramos desde participantes que queiram enviar fotos até profissionais relacionados à area de diagramação do livro. Além disso, procuro contatos com editoras interessadas em publicar essa obra e empresas dispostas a patrocinar o projeto. E, por último, qualquer dica relacionada ao projeto será SUPER bem-vinda.

– O que foi que a Alemanha (ou o povo alemão) lhes ensinou de mais importante até agora?
Acredito que já aprendi muita coisa com o povo alemão até agora. Aprendi com eles coisas que nós não temos muito em nossa cultura e que eu quero levar comigo, mas também aprendi muita coisa que quero deixar bem longe de mim, caso contrário vou perder muitos amigos quando voltar para o Brasil (rs). Mas, agora falando mais sério, acredito que me tornei muito mais direta através da convivência com a cultura local. Isso é maravilhoso! Eu, em comparação com muitos brasileiros, sempre fui um pouco “alemã” nesse quesito, mas agora sinto que estou mais e gosto disso. Mas procuro manter um nível saudável nessa característica, pois como tudo na vida, devemos evitar o extremo. Também aprendi muito sobre a importância de pensar em vários “cenários” na hora de tomar qualquer decisão, pois isso evita fracassos inesperados, mas aqui também é preciso “medir a dose”, pois essa característica costuma diminuir o delicioso “efeito surpresa” na nossa vida e isso eu não posso deixar acontecer. Uma coisa ótima, principalmente para brasileiros aqui, é poder aprender a ser menos emotivo, pois SIM, somos geralmente MUITO emotivos e sempre levamos as coisas para o lado pessoal. Já os alemães brigam, mas logo em seguida já estão como há 10 minutos atrás, como se nada tivesse acontecido. Aqui a gente tem que aprender a separar realmente as coisas, pois ouvimos frequentemente o que não queremos e da forma que detestamos, ou seja, totalmente insensível e tosca, mas mesmo que você chore, será ignorado e se não diminuir sua alta-sensibilidade vai ficar sem amigos e desidratado de tanto chorar.

– Lá na frente quando você pensar na sua vida na Alemanha, do que talvez vai sentir falta?
Dos amigos que fiz, inclusive da Mineirinha.

Aqui o link da Maira no blog dela (Retratos e Relatos), anunciando a entrevista.

E aqui o link de quando ela fez propaganda do livro da Mineirinha na época do lancamento, em dezembro de 2008. 😀

::Despedida::

30/11/2009

Você foi
um bom amigo

Nunca
me deixou na mão

Alegrou
meus dias

Encheu
os dias de cor

Vai
deixar saudades

Companheiro
inseparável

Repleto
de significados

Abriu
e fechou um ciclo

Conquistou
Um lugar no meu coração

Ficará
na lembrança

Obrigada
por ter existido!

O Daniel, mesmo sem saber de nada, resumiu tudo o que se passava durante os últimos 500 metros de vida do meu Brasileirinho:
Der Auto (ele ainda troca com frequência os gêneros de substantivo e os “pega emprestado” do português…) hat Angst, er ist jetzt müde, er wird bald kalt (o carro está com medo, ele está cansado agora e vai ficar “frio”)… As crianças, como sempre muito sensíveis, sabem muito bem o que se passa na vida dos adultos!

Brasileirinho
verde e amarelo por fora, azul por dentro
comigo de 2000 – 2009, aos 11 anos de vida, 86.000 km rodados

::De volta pra casa::

23/11/2009

Nossa! Há muito tempo não me sentia tão bem como no curso que fiz em Munique na semana passada! Dormia bem, não sentia dores no corpo (marcas do cansaço dos últimos tempos…) e levantava da cama todos os dias super bem disposta e animada para mais 12 horas de aprendizado intensivo. Aprendi muito, anotei muitas dicas, e pra minha felicidade também recebi elogios de gente que tem 20-25 anos de experiência no mercado. Pra coroar a semana deliciosa, minha mana (obrigada, Rê!) ainda cozinhou cada jantar mais gostoso e bonito de se ver, eu pude brincar com meu sobrinho “Bärlie”, ouvir as músicas lindas do Rô (meu cunhado), visitar uma feira de livros, conhecer a família binacional lindinha da Paola, rever a Rosanna Gebauer num encontro do Conselho de Cidadãos feito no consulado brasileiro em Munique e, de quebra, ainda conheci uma pessoa lindíssima, a Zahira, que tinha me achado na internet e que me encheu, assim de graça, de presentes e me fez sorrir tantas vezes… Ah… quase esqueci de contar: fui daqui de casa até Munique batendo papo no trem: a cada novo trem que pegava (3 conexões), conhecia novos viajantes cheios de história pra contar. Assim o tempo foi passando e só 15 minutos antes da chegada a Munique é que percebi que a viagem tinha chegado ao fim… Foi um barato mesmo! Eu estava totalmente no meu centro, todos os dias, e aproveitei ao máximo, enquanto o Matthias tomava conta da casa e dos meninos (obrigada, Xuxu!). Tudo estava ótimo, a não ser em um lugar: na U-Bahn (metrô subterrâneo) de Munique…

É debaixo da terra que eles perdem suas almas…

Lá no metrô subterrâneo de Munique parece mesmo que as pessoas perderam suas almas, ou pelo menos elas parecem as terem esquecido em casa. Todos andam pálidos, super apressados, apáticos, parecendo ser comandados por uma “força maior” que os faz andar pra lá ou pra cá. Toda a hora me vinha aquela música na cabeça: “Eh, oh, oh, vida de gado… povo marcado, eh, povo feliz!” (Admirável Gado Novo – Zé Ramalho). É o Brasil na Alemanha:

Você olha pro rosto de uma pessoa e ela desvia, acho que deve ser a “síndrome do elevador”. O sentimento pelo menos é o mesmo. A partir do segundo dia eu passei a ganhar um jornal ótimo de graça, logo na entrada do metrô, o Welt Kompakt. E como o conteúdo do jornal era jóia, ele fez com que as viagens por lá ficassem menos incomodantes, mas mesmo assim passei de segunda a sexta analisando as pessoas “debaixo da terra”.

Pensei naqueles que moram sozinhos em Munique. Como deve ser sair de um trabalho (ainda mais se for chato e as pessoas do tipo pouco ou quase sempre pouco falantes), entrar na U-Bahn e cair num apartamento sem ninguém a não ser você mesmo? Pelo menos aqueles que têm famílias chegam em casa e acham suas almas de novo: seus filhos, suas esposas, sua vida. Tudo bem que Munique tem muito para oferecer, mas a não ser pelo fato de que a U-Bahn leva tanta gente de um canto pro outro de forma rápida e prática, você tem que estar de acordo com “as regras do anonimato” se quiser ir passear por lá… He he he he…

Os sinais da viagem

Eu tive mesmo a oportunidade de conhecer pessoas ótimas durante a viagem. Não só no curso em si, mas também fora dele. Foram vários sinais, se você me entende (se é uma pessoa que acredita neles). 🙂

Apesar de que houve um contratempo: na volta de Munique pra casa desci sem querer, atordoada pela neblina e pela escuridão da noite, uma parada antes daquele que era pra ser meu antepenúltimo trem e acabei perdendo o último trem pra minha cidade. Peguei um taxi, ainda tentei pegar o trem, corri igual a uma desesperada, mas não teve outro jeito: tive que ligar e pedir pro Matthias ir me buscar (coitado: quase não dava pra ver nada na estrada de tanta neblina!…). Por falta do que fazer, enquanto esperava por ele, estava sentada na entrada da estação de trem da cidade lendo um livro de psicologia. Estava um puta frio e eu estava sentada num jornal (pra bunda não congelar), com as mãos fechadas por baixo do livro de uns 5 cm de espessura, com um casaco bem fechado e com os cabelos quase tampando o rosto e o escondendo até o nariz para dentro do cachecol, tentando deixar sair o mínimo de calor pra fora… e de repente, meia noite e meia na entrada desértica da estação uma pessoa pára na minha frente e pergunta, em inglês:
Can you read my mind? (Você pode ler minha mente?)
Eu respondi:
– Não, a única pessoa que pode ler sua mente é você mesmo.
– Você pode fazer com quem eu sorria?
– Eu posso fazer perguntas para que você encontre um sorriso dentro de você. Mas a única pessoa que pode fazer você feliz é você mesmo.
– O que você está lendo?
– Um livro de psicologia.
– Você está estudando para se tornar uma psicóloga ou já é uma psicóloga?
– Nem um, nem outro. Estou estudando para me tornar um coach?
– Coach? Para quem?
– Para estrangeiros. Where do you come from (de onde você vem)? – foi a última pergunta que fiz em inglês. Ele respondeu:
– De Moçambique.
– Ah, então podemos conversar em português!
Ele deu um passo pra trás e pôs a mão no coração. Comentou:
– Nossa, eu nem acredito! O meu nome é Carlos. Me desculpe, minha mão está fria – estendendo sua mão para me cumprimentar, satisfeito. Continuou:
– Eu nem sei por que comecei a conversar com você… Estava indo para pegar meu “comboio” (trem) e vi você, senti vontade de puxar papo… Se você não tivesse dado papo, teria continuado meu caminho até a plataforma…
– E como você sabia que eu falava inglês?
– Não sei responder… Mas você me recebeu com um sorriso aberto, você é uma pessoa de bom coração. Há outras pessoas… ah, deixa pra lá!
– Eu sei, tem pessoas que nos recebem de cara fechada. Mas eu não desisto de receber as pessoas com um sorriso no rosto!
– Nossa, é isso. Outro dia estava mexendo na minha música, e achei no meio dos meus cassetes uma fita do Djavan, você sabe quem ele é?
– Claro, eu gosto muito da música dele. Como você veio para a Alemanha?
– Ah, se eu for contar, vou ficar falando umas 24 horas sem parar…
– Você tem um emprego?
– Tenho. Tenho um emprego, uma cama, uma cozinha, minha música, três amigos com quem posso conversar sobre tudo, tenho a Deus, o ar que respiro…
– Então está ótimo, eu fico feliz por você!
Nos despedimos. Ele levou o endereço da minha página. Quem sabe ele aparece aqui um dia desses? 😉 Depois de tê-lo conhecido, entendi que até o fato de eu ter perdido o trem fez sentido. Uma viagem perfeita, do começo ao fim.

P.S.-Dica para quem for passar uma semana em Munique e precisar usar transporte público como eu usei: compre um “IsarCard” para poder passear uma semana (ou um mês) despreocupado por Munique (o cartão pode ser também usado por outras pessoas).

::De viagem…::

14/11/2009

A partir de amanhã estarei fazendo um curso durante uma semana em Munique. Quem quiser concorrer ao concurso para ganhar um livro da “Mineirinha n’Alemanha, clique aqui e participe! Até logo!

::Boas notícias sobre o Brasil!::

14/11/2009

A revista inglesa “The Economist” traz nesta semana uma reportagem de capa sobre o Brasil, repleta de boas notícias. Aqui um pequeno pedaço da reportagem:

“O Brasil já foi anteriormente democrático, já conseguiu que sua economia crescesse e já teve baixa inflação no passado. Mas nunca conseguiu manter estas três condições ao mesmo tempo. Se a tendência atual for mantida (o que significa um grande “se”), o Brasil, que tem uma população de 192 milhões de habitantes e está crescendo rapidamente, poderá vir a ser uma das 5 maiores economias mundias até o meio deste século, junto da China, Estados Unidos, Índia e Japão (Pausa minha: senti falta da Rússia, também parte dos países BRIC! Alguém sabe me explicar por que ela não deve ter sido incluída nesta lista?).

Apesar da crise financeira que tem chacoalhado o mundo, muitas coisas boas têm acontecido no Brasil no presente momento. O país já é auto-suficiente em petróleo e tem tudo para virar um grande exportador desta matéria-prima até o meio da próxima década. O Brasil anunciou que vai emprestar dinheiro para o Fundo Monetário Internacional, uma instituição que há uma década atrás estipulava condições bem restringentes para o dinheiro que então era emprestado ao Brasil.

Muito do sucesso atual do país é fruto do bom senso de seus governos recentes, particularmente o de Fernando Henrique Cardoso de 1995 to 2003, que criou um base macroeconomica para que a economia pudesse florescer.

Memórias desagradáveis

(Pausa minha: do meu nascimento à minha emigração…)

A partir da década de 70, o Brasil tanto não crescia quanto acumulava uma exorbitante inflação e também uma elevada dívida externa. Dentro deste esquema, se passaram duas décadas, quando a produtividade no país caiu. Muitos dos problemas atuais do país, inclusive o crime, a deficiência nos sistemas educacional e de saúde, tiveram origem nesta época ou foram exacerbados por ela. Entre 1990 e 1995 a inflação chegou à média de 764% por ano”.

Leia a reportagem completa (em inglês) aqui.

Fonte: The Economist, edição de 12.11.2009.

::Click e Schmap!::

13/11/2009

Uma empresa chamada Schmap me escreveu por e-mail perguntando se podia usar esta foto daqui no próximo guia deles sobre Frankfurt. Dei uma passada lá na página da tal empresa e descobri que fazem guias turísticos de vários países do mundo (online e para download grátis) em alemão, espanhol, inglês, francês, italiano e mais duas línguas asiáticas que não consegui identificar (só de curiosidade, quem sabe quais são elas?).

Daqui da Alemanha, há guias online para as seguintes cidades: Berlin, Bonn, Düsseldorf, Frankfurt, Köln (Colônia) e München (Munique). Eles ainda oferecem várias outras aplicações para celulares (p.ex. mapas turísticos) e até widgets para blogs! Muito legal! Mas eu não achei nada de especial na foto e nem sei o que viram nela, mesmo assim valeu por ter ficado sabendo da existência da Schmap.

::Reconhecimento de diplomas estrangeiros na Alemanha::

13/11/2009

Aqui neste site há informação sobre reconhecimento de diplomas estrangeiros na Alemanha. No FAQ da página dá pra conseguir resposta para as primeiras perguntas básicas relacionadas ao assunto.

::Ela chegou::

13/11/2009


É só alarmismo. A gripe suína é inofensiva.
Eu passei por ela sem problemas.

Fonte: Lupe, der Satire Blog

A gripe suína chegou aqui na minha cidade, mais exatamente no ginásio onde minha filha Taísa estuda… No começo da semana haviam 2 estudantes doentes, depois de passados 4 dias já são 4 salas infectadas e 1 professor, num total desconhecido de doentes. Ai meu Deus, apesar de eu saber que esta doença tem todo o potencial de ter sido até criada pelas empresas farmacêuticas atrás de uma forma certa de lucros, estava tudo muito bom, muito bem enquanto a gripe não tinha chegado aqui. Apesar de que não há porque ficar muito temerária, porque continua havendo várias outras doenças mais perigosas do que esta, a gripe suína matou ao todo só 13 pessoas aqui na Alemanha, e a maioria dos que morreram já havia contraído outras doenças antes da gripe, que acabou dando o veredito final. Bom, mas mesmo assim ainda liguei pra representante dos pais da sala da minha filha e mandei um e-mail pro departamento de saúde da cidade querendo saber depois de quantos casos irão fechar a escola, ainda que temporariamente, para evitar que a doença se alastre. Eu já tinha escrito aqui que não pretendo me vacinar, nem pessoas de minha família, mas a preocupação fica no ar… A resposta veio algumas horas mais tarde, avisando que o diretor do ginásio passará para todos os pais na próxima segunda-feira informações mais detalhadas sobre as medidas que serão ou já foram tomadas para manter a situação sobre controle. Ufa! E como é que a gripe está avançando na cidade onde você mora? Qual é sua opinião pessoal sobre esta nova forma da gripe?

::Estágios remunerados no exterior::

13/11/2009

Aqui uma lista de quem oferece estágios remunerados no exterior. Eu fiz o meu pela AIESEC, que está bem no topo da lista. Confiram!

::”Puta” saudade::

11/11/2009

Estou ouvindo lastfm e numa hora dessas bate uma “puta” saudade do Brasil. Meu Deus, como temos cantores maravilhosos!!! Não me canso de me deliciar e ao mesmo tempo me espantar com a quantidade de bons cantores novos que estão “brotando” no Brasil (ou que já brotaram há muito tempo e provavelmente eu é que nunca tinha ouvido falar deles)… Alguns nomes: Marcela Biasi – Arrastando Maravilhas, Pedro Mariano – Voz no Ouvido (de todos, pra mim, donos das vozes mais bonitas e doces), Alexia Bomtempo, Eliana Printes, Adriana Deffenti, Katia B, Daniel Gonzaga, Affonsinho… Alguém aí pode me contar mais destas “novas” vozes?

Nessas horas dá aquela tristeza de não poder morar em dois lugares ao mesmo tempo, de estar perdendo tanta coisa do outro lado… Antes de eu morrer, quero que inventem um avião supersônico e pagável pra conseguir ir ao Brasil num final de semana sem ficar quebrada pro resto do ano… Será que eu quero demais?… Só o futuro dirá!edr


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