Archive for março \27\UTC 2010

::A Mineirinha vai apresentar seu livro em Berlim!::

27/03/2010

A apresentação será no dia 08.04 próximo às 19 horas n'”A Livraria“. Mais detalhes aqui.

Conto com a divulgação de vocês, ok? Se conhecerem brasileiros em Berlim, repassem por favor a mensagem. Até lá!

::Visita a Heidenheim::

27/03/2010

Antes de ontem estive visitando a Meire e sua família (marido e dois filhos – um casal), em Heidenheim, no caminho para Nürnberg. A filha dela me “reconheceu” na estação de trem, hehehe… Adorei ter conhecido a Meire e constatei que em Heidenheim há muitos brasileiros: fomos antendidos em português no shopping e no prédio dela (e na cidade) há muitas famílias brasileiras também, o que é super legal para o entrosamento no exterior.

Acho que a parte mais gostosa de escrever um blog e de ter lançado meu livro é quando fico conhecendo um leitor ao vivo e a cores. É tão gostoso ter a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas com quem já começamos a bater papo como se já fossemos amigos há anos, não é mesmo? E foi exatamente assim também que aconteceu com a Meire e sua família!

Meire: muito obrigada pela sua acolhida, por sua amizade e pelo seu carinho. Quando vierem ao lago de Constança, prometo lhes levar pra conhecer vários lugares bonitos aqui nas redondezas. Aguardo sua visita!

::Viagem a Bamberg, uma cerveja diferente e uma enquete::

11/03/2010

No final de semana passado estivemos em Bamberg, patrimônio cultural da humanidade que fica na Baviera (Franken). Íamos de carro, mas depois de 50 Km e de não conseguirmos ver mais absolutamente NADA além de 360° de neve (até a rodovia desapareceu sob a neve!), fomos obrigados a voltar e mudar a alternativa para uma viagem de trem.

Eu duvidava que viajar de trem fosse ser possível no sábado passado, pois a nevasca, o frio e o vento eram tantos, que o nosso limpador de para-brisas estava se congelando, apesar de termos o carro aquecido do lado de dentro a 22,5°C. Meio incrédulos, compramos as passagens e embarcamos, depois das 3 horas da nossa “voltinha” de carro.

A viagem foi incrível! Primeiro porque o Matthias estava inspirado e quase me matou de rir. Aqui em casa ele se chama de “Big Kahuna” (vulgo o “chefe” da casa) e eu sou pra ele a “kleine Kahine” (pequena Kahine – segundo ele, “chefe” e “sub-chefe” em havaiano)… Bom, então eu parei de frente pra estação ferroviária da 1a. cidade que conseguimos alcançar depois que desistimos de fazer a viagem de carro, e pedi pra ele sair pra dar uma olhada nos horários dos trens. Só que o frio era imenso, além da neve, do vento, de tudo afinal. Ele perguntou pra mim:
– Mas por que eu é que tenho que sair lá fora pra fazer isso?
– Porque você é o “big Kahuna”!
– Humpf! Selective “big Kahuna”… (sou o chefe só de forma seletiva…)
Ele foi e voltou com os horários. E se bem que é verdade mesmo: eu sou a chefa, e ele também é, quando o momento é apropriado, hehehe…

Depois eu enchi o saco dele pelo sobrenome dele. Imaginem, ele odeia neve e se chama “Schnee”. Olha a ironia! Comentando sobre isso, em Bamberg me contaram que um conhecido se chamava “Winter” (inverno), se casou e mudou seu nome para “Heiß” (quente). Boa mudança, né?

Eu continuava a tagarelar e o Matthias não parava de tirar sarro da minha cara, porque na correria pra pegar o trem tinha deixado tudo o que tinha trazido pra ler pra trás. Sem ter o que fazer, comecei a limpar minha bolsa. Claro que ele fez altos comentários sobre, segundo ele, minha “Atomikkofferchen” (malinha atômica), hehehehe…

Depois ele perguntou se eu estava me sentindo bem sem ter papel por perto, e se era pra ele ir ao banheiro e pegar um pedaço de papel higiênico pra mim, pra eu me sentir melhor… Minha acusação:
Du bist frech wie Oskar! (tipo: você é sem-vergonha feito o Oskar – pra quem gosta de idiomatismos (Redewendungen), aqui uma boa lista com informações sobre este e várias outras expressões comuns da língua alemã.

Na falta do que ler, eu falava na viagem sem parar. Enquanto que o Matthias estava doido pra dormir. Por fim me convenceu argumentando que no próximo trem não teríamos assentos tão bons como no ICE. E nisto ele tem razão, pois não há mesmo viagem melhor de trem na Alemanha do que em um ICE. Deixei ele dormir e tentei dormir também, ou fechei os olhos por alguns minutos…

Fui acordada por – acreditem se quiser – um céu azulaço e SOL batendo em mim! Tudo parecia um sonho, o tipo de paisagem que eu mais amo: céu azul, sem nuvens, muito sol e a neve brilhando. Não parecia mesmo que tínhamos acabado de sair de uma nevasca… Muito doido. Mas mesmo assim o último final de semana vai entrar pra história como o que eu mais vi neve durante todo o caminho de trem passando por grande parte do sul da Alemanha…

Adorei Bamberg! Já tinha ido lá outra vez e não tinha tido a oportunidade de conhecer a parte histórica, e portanto tinha achado a cidade feia. Mas desta vez reconheci que ela tem seu charme, tem uma parte histórica linda (a mais bem preservada da Alemanha!) e à noite tem bastante movimento por lá! Fizemos um passeio pelas ruas da cidade, aprendendo sobre sua história e seu passado. E depois fomos a uma das cervejarias da cidade (Schenkerla) e tomamos um tipo de cerveja que eu nunca tinha experimentado antes: cerveja com gosto de salsicha defumada (Rauchbier)! Ela tem sua origem por causa da época do jejum, onde não se pode comer nada, mas beber (ainda mais com um gostinho de salsicha, hehehe) é permitido! Imaginem, tenho que dizer que o gosto é bastante sui generis, por ser uma cerveja escura de malte defumado. Pra quem quiser provar a cerveja, aqui mais informações sobre a cervejaria que visitamos, que serve aliás muita comida típica e gostosa da região, e vende a cerveja no mundo todo, inclusive no Brasil através deste site aqui.

Saindo da cervejaria, fomos num bar onde estava tocando jazz. De repente a Taísa ligou. Ela estava desesperada ao telefone, dizendo que tinha acontecido uma coisa horrível. Eu comecei a me preparar, achando que ela estava mal ou tinha acontecido um acidente com ela, com medo de não poder ajudá-la à distância. Felizmente o dano foi só material: o Tigger (nosso gato) derrubou um vaso enorme em cima do nosso fogão e quebrou a parte da frente do painel em mil pedacinhos… Hoje já pedi um novo painel para o nosso fogão, até mais moderno, e vou tentar recuperar o valor através do seguro contra danos domésticos (Haushaltsversicherung), apesar de eu achar que isso não vai funcionar, pois seguros são conhecidos por praticamente nunca valerem quando se precisa deles… Mas… vale a pena tentar, não é mesmo? Cerankochfeldplatte Unfall Mineirinha n'Alemanha

Este passeio foi o 1° que fizemos sozinhos desde o nascimento do Daniel, que passou o final de semana na casa da tia. Como o tempo passa rápido, não é mesmo? Foi legal pra, passado o susto do começo da viagem, recarregarmos as baterias e descansarmos “só” como casal, apesar das dificuldades com a neve e do susto com o telefonema da Taísa.

Semana passada fui também à Nürnberg e agora tenho três cartões postais comigo, que quero dividir com vocês. Vou começar por um cartão postal, à escolha de quem ganhar o sorteio, e depois sorteio os outros dois. Para tanto, criei pela 1a. vez uma enquete. Prometo que envio o cartão postal pra qualquer lugar do mundo! Participe clicando abaixo e deixe seu comentário registrando sua participação!

::Apoio a escritores brasileiros desconhecidos::

10/03/2010

Aqui o link para um excelente texto sugerindo a leitura de livros de escritores brasileiros desconhecidos. Leia e divulgue! Obrigada pela dica, Eve!

À propósito: Eu ofereco o meu livro como troca, com avaliação/divulgação mútua, para outros escritores brasileiros desconhecidos. Meu livro “Mineirinha n’Alemanha” fala sobre viver e trabalhar na Alemanha, mostrando como se sente uma pessoa que vive longe do país de origem. É legal pra quem pensa em viver no exterior (nao necessariamente na Alemanha) e para quem simplesmente tem curiosidade de saber como é a vida longe do país natal. Aguardo o contato!

::6a. entrevista: Ana Cristina de Minas :-)::

07/03/2010

A seguir mais uma entrevista com uma leitora do “Mineirinha n’Alemanha”, a Ana Cristina, também das montanhas de Minas como eu. A entrevista é longa, mas vale a pena cada linha pela experiência de vida e pelo exemplo de sempre enfrentar as tribulações da vida com um sorriso no rosto, com gosto pela vida e pelo viver. Acho que a Ana Cristina deve ser uma das poucas mineiras, senão a única, com um fogão à lenha em casa na Alemanha! Descubra esta e outras peculiaridades desta pessoa linda e positiva através das perguntas abaixo. Ana Cristina: muito obrigada pela oportunidade de tê-la entrevistado!

– Faça por favor uma apresentação de você por você mesma.

Sou Ana Cristina Magalhães Müller. Este é meu nome de casada. Há um ano atrás me chamava Ana Cristina Gonçalves Magalhães. Como me casei mantive o sobrenome de meu pai e acrescentei do meu marido; Müller. Até que gostei, M.M. rsssss.

Sou especialista em Pedagogia Empresarial pela PUC de BH. Trabalhei aproximadamente 2 anos e meio com projetos pedagógicos em algumas empresas no Brasil. Não obtive sucesso devido à vários problemas, tanto no campo profissional quanto social.

Nasci no interior de Minas Gerais. Sou a mais nova de uma família de nove mulheres. É, nove mulheres. Meu único irmão morreu aos 23 anos quando eu tinha 8 anos de idade. Meu pai, também faleceu quando tinha 12 anos de idade. Assim, restaram somente as mulheres em minha casa. Nao é fácil crescer no meio de tantas mulheres. Às vezes me fazia falta a presença de homem no lar. Por outro lado, é interessante viver entre calcinhas sem cuecas rssss…

Apesar das perdas precoces, elas não deixaram muitas sequelas. Confesso que numa determinada época da minha vida recorri à terapia. Muito boa por sinal. Me ajudou mto, inclusive a perceber que não havia perdoado meu pai por ele ter ido embora e ter me deixado aos 12 anos de idade. Egoísmo da minha parte, mas são sentimentos e às vezes precisamos de bons profissionais para enxergamos o quanto temos de bom e o quanto temos de ruim. Afinal, somos humanos e é normal nos surpreendermos com nossos próprios sentimentos. Como dizia nosso Mestre maior Jesus Cristo, conhecer-nos a nós mesmos é importante para nossa tranquilidade existencial. Assim eu fiz, procurei esses anjos profissionais que me orientaram melhor e pude me conhecer um pouco mais.

Desta forma fui crescendo entre mulheres. Logo em seguida vieram alguns homens como os cunhados, sobrinhos etc… Entao, entre apanhar, cair, chorar, sorrir, fui aprendendo e descobrindo o mundo ao meu redor.

É meio embaraçoso falar da gente mesmo. Mas, hoje, posso parafrasear uma observação que fizeram ao meu respeito e, acredito, é a minha cara rsssss… Uma vez me disseram que sou uma pessoa que gosta da vida, que gosta de viver. Concordei e hoje concordo ainda mais rssss… Realmente, sou uma pessoa que gosta do mistério da vida. Da sua elegância em nos trapacear de vez em quando. Gosto da maneira como ela nos surpreende, gosto do seu gingado, da sua ciranda. Gosto de quando ela chega de mansinho e nos diz, calma, que agora o “bicho vai pegar” rsssssssss… E depois ela vem e nos diz que agora é tempo de calmaria. Isto é fantástico. Eu nao tenho definição certa sobre mim. Sou a vida! Estarei sorrindo quando ela estiver de bem comigo mesmo. Estarei de pirraça quando ela disser que tem que ser do jeito dela, pois vou querer que seja do meu jeito e estarei super feliz quando ela me trouxer uma surpresa. É isto, eu sou a vida com ou sem muitas complicações às vezes!

– Como surgiu a oportunidade de você vir morar na Alemanha?

Minha oportunidade de vir para Alemanha surgiu com o encontro entre eu e meu marido, numas férias em Paraty, RJ. Eu nunca pensei em morar fora do Brasil. Salvo uma vez em que eu e minha colega pensamos em nos mudarmos para Portugal. Mas nosso colega nos disse que não seria bom negócio, pois em Portugal havia muito preconceito com brasileiras. Depois disto, nao pensei mais a respeito a não ser quando conheci meu marido.



– Sua história de vida é muito marcante e nos ensina a viver o dia de hoje, além de ter perseverança. Conte um pouquinho dela pra nós.

Dizem que viver não é fácil. Realmente, é preciso aprender a viver, com já dizia o poeta. Mas viver tem seus encantos, apesar dos tropeços que a vida às vezes nos proporciona.

A vida me surpreendeu há alguns anos atrás. Ela foi responsável por eu morar agora na Alemanha. Contarei um pouco deste drama onde tudo começou a mudar quando conheci meu marido, em dezembro de 2006. Nesta época tinha oito meses que meu namorado havia morrido.

G. era o nome dele. Ele era viúvo quando a gente começou a namorar. O problema é que era uma viuvez recente. Tinha somente um mês que a mulher dele tinha morrido quando nós começamos a nos relacionar. Imaginem a confusão que deu. O interior todo falou de nós dois. A família da ex dele, entao, vix Maria, até amantes nós viramos. O bom é que, enquanto o povo falava, a gente namorava. Se no Brasil fizesse o frio daqui, iríamos namorar dobrado.

Nós nos apaixonamos (coisa gostosa esta viu, apaixonar, bão dimais sô rssss), deixamos o povo falar e fomos viver nossa vida. O porém é que a situação dele era complicada. Ele tinha uma menina de dois ou três anos de idade. Chama-se C.M, tinha câncer no cérebro. Nós, ou melhor, mais ele, tivemos que ter muito jogo de cintura com a família da ex, e eles não foram nem um tanto simpáticos com a nossa situação. Também né, a gente queria demais, caso eles concordassem com nossa estória romântica: um mês de viuvez e o cara já começa a namorar. Normal, mas no interior de Minas Gerais, Brasil, os costumes são meios que radiciais, vamos dizer assim. Nesta época fui trabalhar na FIEMG, em Governador Valadares.

O pessoal de Valadares havia me entrevistado uns três meses antes da gente começar a namorar. Já nem esperava mais a contratação e quando ela veio, danou-se, não queria mais trabalhar em GV. Mas decidimos que seria melhor, pois, assim, com a gente afastado um pouco, poderiamos alcalmar os nervos dos ex parentes dele. Assim fizemos.

Como tudo na vida é passageiro, nossa estória não foi diferente. O que é bom dura pouco, já se falava o ditado. Então, em fevereiro ele começou a passar mal. Apareceram uns furúnculos e ele apresentava febre alta. Foi ao médico e o diagnóstico: leucemia! O que era fantástico, virou um… sei lá. Uma confusão. A luz se apagou e comecei a enxergar meio nebuloso. Perguntas? Imaginem quantas eu fazia…

Meu contrato na FIEMG estava acabando e eles queriam prolongá-lo. Eu deveria decidir se ficaria ou não. Qual foi a situação? Se correr o bicho pega se ficar o bicho come. Então o que fazer? Tentei ser prática como sempre fui e deixei a intuição agir. Simplesmente disse pra mim mesma que vida é vida e trabalho se consegue outro depois.

Assim eu fiz, nao renovei meu contrato e fiquei com ele. Nao esqueço a carinha dele quando cheguei ao hospital e disse que não prolongaria o contrato. Ficou feliz da vida rsss… Uma gracinha!!! Sei que eu ficava de Valadares à BH, BH à Valares. Acompanhei o caso desde o início. Claro né, estava com ele rssss… Falo que nós casamos e só Deus sabia. No hospital nós nos divertíamos muito. Riamos pra caramba. Falávamos bobagem que nem posso narrar aqui. Tem uma da freira que nós rimos muito. Ele me xingou né, mas foi muito divertido kkkkkk… Nem parecia que ele corria risco de vida. Nós fizemos o ambiente que estava pesado se tornar um pouco mais leve. Isto foi muito bom, tanto pra mim quanto pra ele, afinal os médicos da alegria nao estão aí por acaso, existe algo de muito positivo nisto e como tem!

O G. era uma pessoa que sabia ver o lado positivo da vida. Amputou a perna aos 15 anos de idade e nem por isso deixou-se abater. Trabalhava muito. Era representante e sócio de uma Metalúrgica. Aprendi muito com o ele. Digo que o G. foi meu maior mestre em vida. Umas das coisas que aprendi foi a ter fé em Deus. É irônico, mas se eu não tivesse passado pelo que eu passei com o G, eu não estaria hoje na Alemanha. Pude aprender e crer que tudo gira através de uma obra maior. Nada acontece por acaso e pude ver isto perfeitamente.

Quando se doma a morte, como muitos já domaram, a vida se torna mais fácil. Apesar dos momentos de tédios que ainda temos. Somos humanos e estamos aprendendo sempre e aprender dói. Entao, não tem como ficarmos sem dor. Mas a gente aprende a ter mais confianca em Deus, no seu poder e glória e, principalmente, em sua providência Divina. Isto é, para mim, o Milagre. Lógico que tem pessoas que não precisam domar a morte pra aprender, sem dúvida nenhuma. Porém eu tive e aprendi com isto, graças a Deus, porque passar por uma lição e não aprender é complicado.

Bem vamos para um outro capítulo.

O G. faleceu em abril de 2006. Nós ficamos juntos 4 meses. A filha dele faleceu, se não me engano, em abril também. Inicio de abril e ele no final de abril. Irônico, mas toda a família viajou.

Quando terminou tudo e vi que tinha feito o que Deus me determinou naquele momento, fiquei perdida. Perdidinha da Silva. Como havia deixado meu emprego em Valadares, voltei pra minha cidade natal. Fiquei sem serviço, devendo, frustrada, carente, desamparada… Dei um tempo pra mim. Precisava disto e tracei alguns objetivos pra alcançar. Foram planos pequenos, pois ate então não podia exigir muito de mim. Normal, uma perda destas, por mais que se confia e crê… não é possível manter o barco no leme certo não!

Assim fui remando o barco devagar e numa destas destas remadas encontrei o Joerg, um alemão perdido em uma balsa em Paraty kkkk… No momento em que iria desistir do sexo oposto, me apareceu o Joerg e resolvi tentar mais uma vez. Então, resultou que estou aqui, na Alemanha, aprendendo de novo, nascendo de novo. Fácil? Não, não é. Às vezes dá um certo desânimo ter que começar tudo de novo. A sensação de impotência aqui é grande demais pra mim. Não sei nem procurar emprego!!! Isso peeesaaaaaaaaa!!! Mas, tento manter a calma. Afinal, acredito que isto será fichinha perto do que passei aí em cima. Contudo, se depois da tempestade vem a bonança, espero colher os frutos aqui, pois na Alemanha acontecerão as cenas do próximo capítulo!

– O que mais lhe chamou a atenção ao chegar na Alemanha pela primeira vez?

Quando a gente chega aqui pela primeira vez, tudo é deslumbrante, super interessante.
Cheguei aqui no inverno de 2007. Não nevou muito neste ano. Mas o que me chamou muito a atenção foi a organização das ruas. Todas pavimentadas, limpas. Barulho? Não se ouvia nem barulho de mosquito rssss…

Observei que havia um respeito com o ser humano diferente do Brasil. Porque notei isto? Onde morava, apesar de ser interior de MG, hoje em dia os jovem colocam umas músicas horríveis bem em praça pública. E muitas vezes a polícia não pune como se deveria. Isto é muito desagradável. E os velhinhos que moram perto! Um grande desrespeito, na minha opinião, não só com as pessoas mais idosas, mas também com o ser humano em geral. Isto é um absurdo. Ao notar que aqui não tem esse tipo de algazarra, gostei, achei super bacana!

Notei, também, que alguns costumes aqui são iguais aos do interior de Minas Gerais. Como, por exemplo, recolher lenha, trabalhos nas hortas, cultivo dos jardins, etc. Só não vi vacas desta primeira vez rsss… Gostei muito quando ouvi o sino da igreja bater em Schweinber, so faltou a oração do Angelus pra ficar igual ao interior onde morava rssss… Um dos costumes que achei interessante foi o culto aos mortos. Cada família cumpre, religiosamente, as visitas aos seus entes queridos que se foram. Eu não gosto de cemitério. Apesar de existirem pessoas no Brasil que cultuam seus mortos, acredito que nós aceitamos melhor a partida de um ente querido do que eles. Observei que nossa mistura cultural nos permite visarmos outros conceitos, principalmente os religiosos. Contudo, notei que, apesar das diferenças culturais, muitas coisas me lembraram o interior onde nasci.

– Você já fez um curso e integração? Caso positivo, conte um pouco dele pra nós. Caso
negativo, ira fazê-lo em breve?

Comecei o curso na VHS (nota da Mineirinha: Volkshochschule, a “escola do povo” acessível a toda e qualquer pessoa na Alemanha). O curso de integração é bom e é importante pra nós estrangeiros. Para quem quer se socializar qualitativamente na Alemanha é preciso aprender a língua. Este curso nos dá esta oportunidade. Faço apenas uma observação como pedagoga. Acredito que eles deveriam fazer uma seleção da turma. Por exemplo, na minha sala a maioria consegue entender bem o alemão. São alunos que possuem entre 5 a 11 anos de Alemanha. Mas existem outras pessoas, um pequeno numero que não conseguem acompanhar por nao ter noção nenhuma da língua. Lógico que se elas não se esforçarem não conseguirão terminar o curso, isto é óbvio. Se a escola fizesse uma seleção, na minha opinião, evitaria que estas pessoas com dificuldades maiores ficassem constrangidas em sala de aula. Contudo, apesar de ser cansativo (normal né, sNo Brasil o cinco horas de aula rsss…), o curso é bom. A metodologia e didática dos professores ajuda a não ficar muito tedioso, mas precisamos estudar muitoooooo.

– Qual foi a sua maior dificuldade aqui na Alemanha nos primeiros tempos?

Eu estou aqui faz um ano apenas. Para mim ainda é o começo do começo rsss… Tenho muitas dificuldades com a língua. Apesar que consigo me comunicar um pouco, ainda tenho dificuldades de adaptação. Às vezes me sinto um peixe for a d’água. A desaculturação é um processo lento e dolorido. Para cada pessoa isto se dá de forma diferente. Mas acredito que todos passam por perturbações semelhantes.

No início de novembro de 2008 lembro-me que assustei quando deparei com a escuridão do inverno. Meu Deus o que é que é isso??? Perguntei rssss… Nesse ano o inverno foi puxado, não aguentava mais ver neve. Que saudades do sol!

Um dos fatores que pesa pra mim até mais que a falta dos familiares é a questão profissional. A sensação de analfabetismo me incomoda muito. Sei que escolhi viver aqui e preciso me conformar em começar tudo de novo. Mas, confesso que esta questão me incomoda e que é dificílimo pra mim. Mas saberei, se Deus quiser, administrar com sabedoria. Tentarei não me cobrar muito e viverei um dia de cada vez. Respeitarei meu tempo de adaptação e me sentirei realizada profissionalmente mesmo que deva trabalhar em outro campo profissional. Afinal, o trabalho é digno em qualquer área desde que seja, desde que feito com amor e responsabilidade.

– Do que você gosta mais aqui na Alemanha?

Apesar não gostar de frio, a paisagem no inverno é linda. Gosto muito da preguiça do sol nesta época do ano. A neve, então, é fantática. Gosto de perceber a transformação da natureza. Até as pessoas se transformam dependendo da estação do ano. Isto é muito interessante! Gosto da organização social. Gosto de como os governantes administram as cidades. É interessante perceber que não há muita diferença social, que o capitalismo aqui, digamos, é funcional. Entretanto, apesar de saber que por trás existem coisas que desconhecemos, gosto de como os representantes administram o dinheiro público na Alemanha.

– E o que lhe faz muita falta lá da terrinha, além da comida mineira feita no fogão à lenha?

Ultimamente toda a natureza de Minas me faz falta. O sol, as cachoeiras, o cheiro de terra molhada. O barulho da chuva no telhado. Tudo isto me faz falta. Sei que aqui tem estes fenômenos. Mas nossa chuva, nossas águas, nosso sol tem um tempero diferente. Como já dizia o poeta: “nossa terra tem Palmeiras, onde canta o Sabiá, as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá…”

Sinto muita falta de todo este mundo natural à minha volta. As montanhas de Minas, suas formas e cores. Sinto falta do canto das cigarras. Minha família então! Saudades das reuniões entre família e amigos ao redor do fogão à lenha. Do ritual ao preparar uma refeição que só o mineiro sabe fazer. Enfim, saudades de tudo que deixei pra trás. Apesar de saber que sempre voltarei à minha pátria amada, alguma coisa sei que mudou, que não será como antes e que sempre se traduzirá como saudade!

– Você tinha me contado que tem um fogão à lenha. Como ele veio vir “passear” aqui na Alemanha?

O fogão à lenha foi presente de um grande amigo do meu marido. É um fogão típico da Alemanha. Ele é todo de alumínio e funciona à lenha.

Cozinhei nele uma vez. Dá pra matar a saudade de Minas. Pena que ele funcionará somente no verão. Tivemos que instalá-lo no pequeno pátio que temos em casa, pois daria muito trabalho se o instalássemos na cozinha. Mas ele está bem “agasalhado” para enfrentar o inverno e as chuvas da Alemanha rsss….

– Como você descobriu a Mineirinha?

Descobri acessando o Google. Nao me lembro bem o que digitei. Deve ter sido algo como dificuldades de se viver no exterior ou pessoas no exterior, não sei. Então encontrei o livro e o blog. Entrei, li alguns trechos, me interessei e comprei.

– Como foi a experiência de ler o livro? Ele te acrescentou alguma coisa?

Sim, o livro me acrescentou muito. Pude perceber que algumas das perturbações sentimentais pela quais eu passava eram normais. O livro me deu dicas muito interessantes e me mostrou que é possível se realizar profissionalmente na Alemanha, apesar das dificuldades. Vi que devemos estar atentas com relação aos abusos por parte de nossos companheiros, tanto em termos físicos quanto psicológicos. Contudo com a leitura do Mineirinha pude perceber, também, que optei por ser uma cidadã do mundo e que, apesar das dificuldades, é possível construir uma vida com dignidade, sem dúvida!

– Quais são os seus próximos planos?

Meus planos no momento são estudar alemão. Me dedicar e esforçar muito para aprender o máximo da língua. Tirar a carteira de habilitação. Então, mais no futuro batalhar para conseguir um trabalho em que eu possa me sentir bem. Penso em lecionar. Sei que é possível dar aulas de português para alemães ou até mesmo para crianças binacionais. Gosto de ensinar e sei que me realizaria caso atingir este objetivo. Acredito que consigo sim, se Deus quiser!

– Se quiser deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!

Para os leitores da Mineirinha…
Sei que cada um de nós que lemos a Mineirinha temos algo em comum. Sei que a maioria deixou para trás algo de muito valor e a vida costuma cobrar um preço. Às vezes esse preço é alto demais e faz com que entremos em um estado meio depressivo de vez em quando. Sei que a saudade dói e dói muito. Sei, também, que soa meio estranho ao saber que temos que recomeçar. Mas o que é o começo se a vida em si nos propõe a recomeçar sempre!

Portanto, proponho a nós, leitores da Mineirinha, que caminhemos pelos encantos da vida. Se estamos aqui foi porque escolhemos e o principal: foi permitido por Deus. “Nenhuma folha de nenhuma árvore cai sem a permissão Divina.” Perdoem-me os céticos, mas acredito que o fator “Crer” nos ajuda muito a enfrentarmos as tormentas existencias. Afinal a vida não é feita só de maravilhas, como já disse, ela sabe nos surpreender.

Um grande abraço a todos e que Deus possa estar no coração de cada um de vocês, os abençoando e protegendo sempre!

::Love this dress::

06/03/2010


A designer de roupas Larissa Aleksandrov, brasileira que mora aqui na Alemanha, está lançando um negócio próprio na internet e eu não poderia deixar esta dica de fora aqui do blog: o “Love this dress” – eternizando e criando vestidos e roupas dos seus sonhos. Ela oferece sketches para a confecção de vestidos exclusivos ou para guardar de lembrança o desenho de um vestido especial que marcou sua vida. Por ocasião da abertura do negócio, ela está oferecendo uma promoção especial até 10 de abril. Aproveitem!

::Feliz com pouco::

05/03/2010

No final de semana passado eu tive várias razões para ficar satisfeita. Primeiro investi duas noites etiquetando e colocando preços em roupas e brinquedos dos meninos para um mercado (de segunda mão) de roupas e brinquedos infantis. Sempre dá um trabalhão selecionar, etiquetar e dar preços às coisas! Por isso, eu tinha colocado para mim como objetivo uma venda mínima de 50 euros para que o investimento (pelo menos de tempo!) tivesse valido a pena. Cheguei no mercado e fiquei contente: tinham vendido 80 euros, menos os 10% que ficam para os organizadores, recebi 72 euros. Fantástico! Mas… peraí. O que significa esse “Achtung” (atenção) escrito à mão aqui no meu papel? A resposta foi inesperada: “Ah, foi vendido mais um item da senhora, só um momento. Aqui está o valor.” Saí de lá com quase 100 euros na mão e menos tralha dos meninos. Bom, muito bom.

Pra completar, procurando pelo que vender, tinha achado no sótão uma caixa de roupas de inverno e verão exatamente do tamanho do Daniel, o que significaria que eu nem teria que ir ao mercado. As roupas eram de um misterioso “Sascha T.” Depois de muito pensar, lembrei-me que eram de um filho de um colega do meu trabalho. Que sorte tê-las encontrado, pois já nem me lembrava da existência delas!

Por fim, o Daniel ainda achou no sótão duas caixas enormes de Playmobil da Taísa. Ele pediu pra colocarmos no quarto dele uma casinha de madeira que o avô da Taísa tinha feito pra ela e desde então passa horas brincando por lá. Quem tem crianças sabe da minha alegria de ter roupas, brinquedos e um dinheirinho extra, e o melhor: tudo vindo do sótão daqui de casa!

Mas o melhor ainda que me aconteceu foi algo ligado a uma aversão minha: eu odeio trabalhos domésticos e tenho pra mim que não vou morrer sem antes ter um desses robôs que fazem tudo em casa e devem existir daqui a mais ou menos 10 anos. Então, da última vez que fui na casa da minha irmã a vi usando um limpador de janelas que suga o produto/água da janela e que pareceu ser de fácil uso. Como o inverno está acabando, e com o sol lindo que desponta no céu, junto do canto dos passarinhos que estão voltando do sul, pode-se ver toda e qualquer sujeira acumulada em todos os lugares, mas principalmente nas janelas, e o pior: beeeeem nitidamente. Pois bem, fui comprar um aparelho desses e o resultado foi mais do que espetacular: o Matthias e eu conseguimos limpar as janelas daqui de casa (que antes nunca tinham ficado limpas direito por serem velhas, enormes e pela dificuldade do trabalho) em pouquíssimo tempo e elas ficaram limpíssimas! Renatinha: um beijo e obrigadão! Recomendo muito o produto, que se chama Kärcher 1.633-101 Fenstersauger WV 50 plus e pode ser visto através do link (além de um vídeo de demonstração). Viel Spass beim Fensterputzen! (Bom divertimento ao limpar suas janelas!).


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