Archive for junho \29\UTC 2010

::Brasil x Chile::

29/06/2010

Goleamos ontem de 3:0 e assistimos o jogo num telão 25 vezes maior do que a televisão do jogo anterior. A Taísa se ofereceu pra levar o Daniel pra cama e eu e o Matthias, devidamente vestidos com camisetas brasileiras e com o carro decorado com a bandeira brasileira, pudemos sair pra assistir o jogo com outros brasileiros. Eu acho isso legal aqui de casa, porque quando a Alemanha joga, torço pra Alemanha e quando o Brasil joga, a família toda torce para o Brasil. No bar onde nos encontramos, o público se dividiu naturalmente: os brasileiros à esquerda, enquanto que do outro lado, à direita, se concentravam os chilenos da região. O começo do jogo foi bastante barulhento: cantamos, orgulhosos, o hino nacional brasileiro e fomos seguidos por um vozeirão de vários homens e mulheres chilenos cantando alto e forte. A batucada começou do lado do Brasil e o barulho era similar ao do jogo que assistíamos. Dependuramos nossas bandeiras brasileiras de um lado, sendo seguidos pelos chilenos. Até o primeiro gol do Brasil, os chilenos me faziam acreditar que seria difícil ficar ali se perdessemos. Mas o primeiro gol do Brasil os calou, o segundo fez com que tirassem a bandeira e o terceiro fez com que escondessem a cabeça com a bandeira deles. Acho que nunca tinha ouvido tanto palavrão por metro quadrado quanto ontem! Os brasileiros xingavam ou os jogadores, e na falta de erro deles, era a vez do juiz. No final do jogo, a batucada brasileira continuou forte, enquanto os chilenos desapareceram sem deixar rastros.

Se tivermos um jogo do Brasil x Alemanha, já acertamos a divisão da torcida aqui de casa: o Matthias e a Taísa vão torcer pra Alemanha, enquanto que eu e o Daniel torceremos pro Brasil. Mas se depender dos poderes visionários do Daniel, a Copa já está decidida: ele disse que o Brasil vai ganhar. Dá-lhe Brasil!!!

::Inglaterra x Alemanha::

27/06/2010

O jogo de hoje foi dramático, e foi muito mais do que um simples jogo de futebol. Foi como uma continuação da 2a. Guerra, onde cada parte só tinha um interesse: a vitória. Meu marido comentou que os ingleses vêm a coisa muito mais séria do que os alemães, porque eles comentaram antes do jogo que “os alemães estavam com medo dos leões” (os ingleses) ou que “a máquina de guerra alemã iria entrar em ação”. Um erro do juiz, o que teria significado 2:2 para os ingleses, poderia talvez ter mudado o curso do jogo, mas a vitória folgada dos alemães de 4:1 provou que eles ganharam por merecimento.

Ambos os lados lembraram um erro parecido, na partida do final da Copa do Mundo entre a Alemanha x Inglaterra, nos idos de 1966 (!), daquela vez a favor da Inglaterra. Os comentadores na tevê lamentaram o erro, mas disseram que daquela vez aconteceu a favor dos ingleses, desta vez a favor dos alemães. O erro, onde a bola bate na trave, cai na área do gol e é pega pelo goleiro, tem até nome por aqui e se chama “Wembley Tor” (gol de Wembley), numa referência àquela partida que deu a taça aos ingleses. Mas há um ditado alemão que ilustra bem o acontecido e diz o seguinte: “Man trifft sich immer zwei Mal im Leben” (As pessoas encontram-se duas vezes na vida). Um programa na tevê chegou até a brincar com o fato, mostrando uma linha que fazia um “V” no lugar onde a bola caiu dentro do gol.

Assistimos o jogo de hoje junto da minha cunhada, nossos sobrinhos e meu sogro, fazendo churrasco no jardim do prédio do apartamento dela. Minha cunhada ficou boba com meus pulos, meus gritos e minha torcida pelo time da Alemanha, pois ela não conhecia ainda o estilo brasileiro de torcer, hehehe. Depois da vitória, saímos em dois carros com os meninos e passeamos pela cidade, participando da festa nas ruas. Acho que nunca buzinei tanto assim na Alemanha, fazendo batucada com a buzina. O Daniel adorou, falou que foi “cool”, porque todos tinham bandeiras alemãs nas mãos. Nas ruas vimos pessoas de todo canto, estrangeiros e alemães, vestindo a camiseta da Alemanha e festejando juntas. Meus filhos já vão crescer vendo mais bandeiras e se identificando mais com o país do que as gerações passadas. O Daniel, que tem 5 anos, identifica uma bandeira brasileira ou alemã, há anos, e bem de longe. O futebol aqui continua tendo efeitos positivos, por um lado por unir pessoas de origens diferentes, dando a elas o sentimento de que pertencem à Alemanha e podem se integrar, e por outro lado por permitir que os alemães sintam orgulho pelo país, sentindo patriotismo sem culpa.

::Nunca é tarde para rir na Alemanha::

26/06/2010

Meu marido acaba de me mostrar a propaganda abaixo, que é praticamente a primeira em 17 anos de Alemanha que me fez rir e vale a pena ser vista. Parece propaganda brasileira, que transmite bom humor, né? Bonitinho demais é o menino no segundo vídeo, que repete a propaganda e é fofinho demais. 🙂 Se alguém pedir, eu ponho a mensagem dela aqui em alemão e em português, ok? Bom final de semana!

::Tem gente falando da gente::

24/06/2010

Parece incrível, mas a faixa etária dos leitores do meu livro vai de 17 a 70 anos! Parece que achei o leitor mais jovem do meu livro, o Jonathan, que nasceu quando vim pra Alemanha, em 1993. Além dele, tem mais gente falando da Mineirinha aqui, aqui, aqui e aqui. Uau, muito obrigada!

::Dores do mundo::

24/06/2010

Inspirada pela música abaixo do Leoni…

Dores
Dolores
Dores de todas as cores

Dores de lá
Dores de cá
Dores pra todo lugar

Dores, figuras, motivos
Sabores, gostos, sentidos
Dores pra dar e vender

Dores de um futuro incerto
Dores do presente difícil
Dores de um passado doído

Dores

::Ebony & ivory – Preto e branco::

24/06/2010


Ontem durante o jogo da Alemanha o visual estava super interessante: era branco vestido de preto (os alemães, desta vez com uniformes pretos) e branco vestido de preto (o time da Gana de branco). Tinha uma música que estava na minha cabeça o tempo todo: “Ebony and Ivory“, do Paul McCartney… Como seria bom um mundo onde todas as cores vivessem em harmonia, não é mesmo?

Ebony and ivory live together in perfect harmony
side by side on my piano keyboard, oh lord, why don’t we
We all know that people are the same wherever you go
there is good and bad in everyone
and we learn to live we learn to give each other
what we need to survive together alive

°°°

O preto e o branco vivem juntos em perfeita harmonia,
lado a lado nas minhas teclas de piano, ó Deus, por que nós não conseguimos viver assim?
Todos sabemos que as pessoas são as mesmas, não importa onde quer que vamos
Há um lado bom e outro mau em todo ser humano
E nós aprendemos a viver, aprendemos a dar para cada um
o que precisamos para sobreviver, para ficarmos juntos vivos

::Mineirinha n’Alemanha: livro imprescindível para brasileiros na Alemanha::

21/06/2010

Saiu hoje no blog do Fabio Said, tradutor brasileiro que também mora aqui, uma resenha muito honesta e positiva sobre meu livro, o “Mineirinha n’Alemanha”. Agradeço pelos elogios, tanto quanto ao conteúdo quanto ao português empregado no livro. Segundo o Fabio, o livro é imprescindível para brasileiros e brasileiras que pretendam conhecer a Alemanha além dos estereótipos.

Obrigada por sua opinião sincera, Fabio! Adorei também a imagem do livro ao lado, criada por ele, e vou colocá-la na coluna à direita do blog, com sua permissão. Confiram o conteúdo da resenha clicando aqui.

::Munique e Copa::

20/06/2010

Eu e o Daniel fomos levar a mamãe para Munique e ficamos alguns dias por lá com ela e minha irmã, que está para ganhar neném. Foi praticamente a primeira vez depois de muito tempo que fomos a Munique como turistas, então aproveitamos para fazer um city tour, para visitar pontos turísticos e finalmente consegui unir o nome de algumas das principais estações de metro a um visual na superfície da cidade, deixando de lado a uniformização das estações debaixo da terra. Foi a 4a. vez em série que fui ao consulado brasileiro para resolver pendências e desta vez deixei por lá uma nota com sugestões para melhorar o atendimento, sendo que a sugestão que eu mais gostaria de ver implementada seria um consulado itinerante aqui em Baden-Württemberg, pois até o momento, pra tirar 3 passaportes e mais outros documentos relacionados à minha próxima viagem ao Brasil já investi umas 50 horas e mais de 600 (!) euros… Voce teria outras sugestões? O consulado de Munique está pedindo ativamente por elas! Se comentar aqui, as repasso para o pessoal do Conselho de Cidadaos da Baviera e Baden-Württemberg, com quem tenho contato.

Na sexta, no último dia de Munique, um grande susto: estávamos no andar de cima do ônibus, eu e o Daniel, bem na primeira fileira, fazendo um city tour pela cidade. O city tour aliás vale super a pena pra quem quer conhecer muito da cidade em pouco tempo. De repente o ônibus deu uma freada super brusca e eu nao sei como reagi brecando com meus joelhos e segurando o Daniel pela parte de trás da camiseta. Mesmo assim, ele socou o nariz no retrovisor do ônibus, tendo imediatamente comecado a chorar, muito assustado, enquanto o nariz ficava um pouco roxo de lado e comecava a inchar. So depois notei que tinha caído um arbusto bem na frente do ônibus, e o motorista tinha freado para evitar danos ao veículo. Eu fiquei muito preocupada com medo do Daniel ter quebrado o nariz, dei água pra ele, o coloquei no meu colo, e na falta de uma alternativa melhor coloquei uma peça pequena de metal no lugar afetado. Fiquei muito apreensiva até ele limpar o nariz, pouco tempo depois, de baixo pra cima. Neste momento eu tive certeza de que ele não tinha quebrado seu nariz. Ufa! Ainda assim, limpei seu nariz por dentro e saiu um pouco de sangue… Já na casa da minha irmã, demos pra ele homeopatia (Arnica, que é ótima para evitar inchações) e ele reagiu muito bem. No outro dia, graças a Deus, não tinha mais sinal nenhum do acidente. Ufa, que baita susto!!!

Uma coisa que me chamou a atenção foi que desta vez as pessoas em Munique estavam, apesar da chuva constante, muito mais abertas. Deve ser porque o inverno severo já ficou há muito pra trás. Consegui arrancar muitas vezes sorrisos de pessoas desconhecidas, simplesmente dando sorrisoso pra elas de presente, o que me deixou feliz. Geralmente, no meio do inverno, se eu as encarava, elas desviavam o olhar, com aquele ar neutralizante insuportável. Desta vez havia vida em Munique, até debaixo da terra (no metrô). Minha alergia, por sua vez, desapareceu por lá. Também pudera: a natureza também, os passarinhos e as rosas daqui do lago também.

A volta pra casa ontem, também debaixo de chuva – como diz meu marido neste ano o verão aqui foi numa quinta-feira… 😦 – foi gostosa, pois voltamos pelo caminho passando pela região de Allgäu, Lindau e beirando o tempo todo o lago, e este é um dos caminhos de trem que mais gosto de fazer aqui, além de viajar daqui para a Itália, passando pela Suíça. Parece que o tempo parou nesses caminhos e tudo é muito idílico, é uma delícia mesmo! Da pra curtir muito as paisagens, a arquitetura, os lagos… Ontem, o quadro idílico e tranquilizante era completado pela chuva constante. O Daniel dormiu no meio do caminho e eu não hesitei: coloquei-o dormindo no meu colo, aproveitando daquele momento inesquecível que só uma mãe vai poder entender, de sentir o calor do filho, a paz, o amor, o cheirinho dele. Uma delícia! Tirei uma fotografia daquele momento com minha mente pra guardar pra todo o sempre, que combina demais com esta música linda do Leoni:

Deu saudade em voce também?!? 😉 Eu também estava com saudade de casa. Chegar e ser recebida na estação pela família e pelo sol, além do lago, é uma delícia: nada melhor do que voltar pra casa! Por outro lado, mal cheguei e minha alergia (a pólen) voltou com força total, mas também nao é de se estranhar, pois vivo com muita natureza ao meu redor, e gosto disto.

E o que dizer do jogo de hoje? Eu gostaria de ver o Brasil ganhando por jogar um excelente futebol, ético, correto, e nao por completar gols com a ajuda de mãos de jogadores, etc. Por outro lado, achei deplorável a agressividade do time dos marfinenses e uma pena o Kaká ter perdido a “estribeira” e ter recebido no final até um cartão vermelho. Pelo que eu ouvi e li, segundo a análise de comentaristas alemães e jornalistas brasileiros, ele pode dividir a culpa com os juízes da partida, que deixaram a briga entre os dois times escalar no campo durante o jogo de hoje… Mesmo assim é uma pena, pois eu prefiro mil vezes ver o Brasil jogando corretamente, sem apelações, e o Kaká seria importante no próximo jogo contra os portugueses. Mas como os times da América do Sul estão se saindo bem nesta Copa, não é mesmo? Pena que o mesmo nao vem acontecendo para os times africanos!

Ah sim… Quando cheguei em casa achei a frente da casa decorada, através das janelas do meu vizinho português, com uma bandeira portuguesa, uma alemã e uma brasileira, representando as nacionalidades que moram aqui no meu prédio. Hoje eu brinquei com o Matthias que se nós ganharmos de Portugal, meu vizinho pode vir a bater a campainha daqui de casa depois do jogo e me devolver a minha bandeira, hehehe… Cenas dos próximos capítulos!

::Homenagem a José Saramago::

19/06/2010

Morreu ontem, aos 87 anos, José Saramago.

O homem que nunca foi à universidade, porque a família era pobre e não havia meios para isso.

O homem que, para sobreviver, fez um curso técnico e tornou-se serralheiro mecânico. No entanto, como tinha paixão pelas letras, passava suas noites na Biblioteca Municipal Central de Lisboa.

O homem que foi funcionário público em Portugal, por décadas. Aos 30 anos começou a fazer traduções, para aumentar sua renda de operário. Auto didata, traduziu Baudelaire, Hegel e Tolstoi, entre outros clássicos.

Único ganhador de um Prêmio Nobel em língua portuguesa, José Saramago ajudou, com isso, a estimular as vendas de livros e a aumentar o respeito por quem escreve em português.

O homem que, com esse sucesso, fez com que vários outros autores nacionais e da comunidade de língua portuguesa fossem descobertos e também lidos, o que estimulou os mercados de livros na nossa língua.

O homem que nunca escondeu suas ideias, brigou por elas, deixou muito claras suas posições, sem medo de críticas.
“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles,  infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala”.

O homem que escreveu em seu blog, ainda na semana passada: “Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro”.

Autor versátil, ele deixou 20 romances, 3 livros de contos, 5 peças de teatro, 4 livros de crônicas, 3 livros de poesias e um de viagem. Os números, frios, nunca vão explicar a emoção da qual era carregada sua literatura, que fez chorar e rir, que espantou e acalmou, que fez pensar, enfim.

Fonte: Câmara Brasileira do Livro, resumo do Newsletter de 18.06.10.

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma”.

Fonte: Revista do Expresso, Portugal, entrevista de José Saramago,11 de outubro de 2008

°°°
Como homenagem ao José Saramago, por seu espírito indagador e eternamente pensativo, coloco aqui o vídeo chamado “O Paradoxo do Tempo”, falando da missão da AIESEC, associação estudantil com 40 anos de Brasil, da qual participei por 4 anos e através da qual vim para a Alemanha:

A tradução do texto foi feita por mim:

O Paradoxo do Tempo
Através da História
É que temos prédios mais altos,
Mas menos humor;
Rodovias mais largas,
mas visões mais estreitas;
Gastamos mais,
Mas temos menos;
Compramos mais,
Mas aproveitamos menos;
Temos casas maiores,
Mas famílias menores;
Temos mais facilidades,
Mas menos tempo;
Temos mais especialistas,
Mas mais problemas;
Mais medicina,
Mas menos bem-estar;
Multiplicamos o que possuímos,
Mas reduzimos nossos valores;
Falamos muito,
Amamos muito pouco,
E odiamos com frequência;
Adicionamos anos à vida,
Mas não vida aos nossos anos;
Fomos à lua e voltamos,
Mas temos medo de cruzar a rua e encontrar nosso novo vizinho;
Dividimos o átomo,
Mas não conseguimos eliminar o preconceito;
Aumentamos a quantidade,
Mas nos falta a qualidade;
Estes são tempos de homens altos,
De baixo caráter;
Altos lucros,
E relacionamentos superficiais;
Este é um tempo de paz no mundo,
Mas violência dentro de casa;
Mais lazer,
Mas menos prazer;
Mais tipos de comida,
Mas menos nutrição;
Este é o tempo de casas mais bonitas,
Mas de lares destruídos
(…)

::Bunitimdimais da conta: Mercearia Paraopeba::

17/06/2010

Vejam aqui os “novos” conceitos da economia sustentável, da excelência no atendimento ao cliente, da liderança transformacional, da sinergia e interdependência dos parceiros, da simplicidade, confiança e respeito pelo ser humano, tudo isso traduzido em versão slow-food, slow-life, slow-Minas Gerais, uai!

Obrigada à Rosanna Gebauer por ter repassado o vídeo!


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