::Integração que faz gols::

No futebol o esforço vale a pena – uma vantagem para imigrantes – por Bernd Ulrich, jornal “Die Zeit” (O Tempo), edição de 24.06.10

Muitos reclamam na Alemanha que os imigrantes têm pouca vontade de se integrar no país e que têm pouca ambição. Com certeza com razão, talvez com muita frequência.

No momento os jovens imigrantes são o tema número 1 do país. Eles se chamam Sami, Mesur, Miroslav, Marco ou Mario. Vamos fazer uma pergunta bem simples: por que a metade da seleção alemã (11 de 23 jogadores) têm origem estrangeira, apesar de que o número de estrangeiros ou descendentes de estrangeiros é cerca de três vezes menor (mais exatamente: 1,125 milhões contra 3,754 milhões de alemães)?

Digamos que pode ser encontrada uma resposta socio-racista para a pergunta: futebol é um esporte para burros, os imigrantes têm em média um nível mais baixo de educação e por consequência têm sucesso nos campos de futebol. Aqui há um erro de interpretação – na verdade esportivo. O futebol só se tornou um esporte capaz de encantar os quatro cantos do mundo porque ele é ao mesmo tempo individual e coletivo, super simples e incrivelmente complexo. Ele sempre foi assim, mas muitos intelectuais e pessoas com alto nível de educação precisaram de muito tempo para aceitar este fato. Uma variante nova é o fato de que as exigências da sistemática de jogo de hoje em dia, além dos negócios relacionados ao esporte, exige jogadores cada vez mais inteligentes. Inteligência e inteligência de jogo se tornaram, cada vez mais, algo bem similar.

A segunda resposta é mais simpática, vamos chamá-la de patriarcal-condescendente: uma vez que os imigrantes têm poucas chances de sucesso na sociedade, eles se concentram no futebol. Isto com certeza é verdade, apesar de que o argumento não condiz com os dos imigrantes que têm pouca ambição e que não querem se integrar. Principalmente quando se considera o que significa tornar-se jogador profissional de futebol. Se tudo dá certo, isto acontece aos 18 ou 19 anos. Até este ponto estes jovens já sentiram mais pressão de desempenho ou devido à concorrência do que a maioria das pessoas no final de suas carreiras. E isto vale mesmo para os jogadores que não chegam à seleção. Os 11 imigrantes, que agora estão jogando pela Alemanha na África do Sul, representam portanto o ápice de uma grande disposição pelo desempenho.

A resposta correta para a pergunta do começo do texto é portanto: o futebol é um negócio que gera bilhões de lucros. Os clubes e treinadores, que se deixam dominar pela discriminação ou que ainda não desenvolveram suficientemente suas habilidades de integração perante imigrantes talentosos, acabam saindo perdendo. (Só para citar um exemplo: até há pouco tempo os treinadores alemães não aceitavam que jovens muçulmanos tomassem banho de shorts depois dos treinos por questões religiosas. Neste meio tempo os treinadores já mudaram sua opinião, e os jovens são deixados em paz).

Para encurtar a história: no futebol o desempenho é analisado de maneira relativamente objetiva e a alta capacidade de integração dos imigrantes é compensada com muito dinheiro.

Por que há 11 imigrantes na seleção alemã de futebol? Porque eles são bons.

Fonte: jornal “Die Zeit” (O Tempo), edição de 24.06.10, tradução: Sandra Santos.

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2 Respostas to “::Integração que faz gols::”

  1. mary Says:

    concordo com o texto.

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