Archive for agosto \28\UTC 2010

::Estresse no Brasil e na Alemanha::

28/08/2010

Segundo o Globo Repórter de hoje, o Brasil é o 2° país mais estressado do mundo, ficando só atrás do Japão. E eu que achava que os alemães eram bem mais estressados que os brasileiros! Tive sempre a impressão de que o brasileiro ri mais do que o alemão, mesmo nas adversidades. Por outro lado, o alemão se declara sempre estressado. Acabei percebendo, com o tempo, que “faz parte” da cultura deles e a declaração não deve ser levada tao a sério assim… Bom, mas durante o programa de hoje, fui reunindo alguns fatores de estresse no Brasil e na Alemanha, baseada na minha experiência:

No Brasil:
– Trânsito;
– Falta de proximidade com a natureza;
– Poluição (do ar, visual, sonora, etc.);
– Relações humanas (p.ex. impontualidade);
– Diferenças de tratamento e de emprego das leis;
– Alta jornada de trabalho (até 12h);
– Medo da violência urbana e reportagens sobre a mesma;
– Clima (no momento a baixíssima umidade do ar, digna de um deserto).

Na Alemanha:
– Ordem extrema;
– Relações humanas (p.ex. o imperativo da pontualidade, inveja, solidão);
– Leis inflexíveis;
– Clima (inverno, dias cinzas).

Aprendi na reportagem de hoje à noite que até as plantas sofrem estresse e eliminam toxinas quando isso acontece. No Japão (e na Alemanha também) procuram compensar o estresse através do contato com a natureza. Através de passeios em jardins, a natureza conversa conosco. O bambu mostra p.ex. que o “importante é buscar o alto e a luz”. Que belo ensinamento!

Mostrou-se no programa, com absoluta razão, que cada ser humano tem um limite para o estresse e que é importante saber reconhecer e respeitar esse limite. Geralmente buscamos uma mudança, uma guinada em nossas vidas, em busca de uma vida mais plena e menos estressante, as mulheres entre 25-35 anos e os homens entre 40-45 anos. Há ainda a síndrome da adaptabilidade ao mundo moderno, que exige que as pessoas se adaptem cada vez mais rapidamente a novos ambientes, novas situações, novas pessoas. Lembraram que o importante é saber lidar com situações estressantes e que muito do que passamos depende de nossa perspectiva, da maneira como enfrentamos o que estamos vivenciando. Ao mesmo tempo que compreendo isso, tenho que entender e compreender também o nível de estresse alheio – uma tarefa ainda mais complicada! Se quiser ler mais sobre o programa e fazer um teste do nivel do seu estresse, clique aqui.

Peço para completarem minha lista de componentes estressantes no Brasil e na Alemanha, clicando abaixo nos comentários. Obrigada e até logo de volta na Alemanha!

::Quanto de nós somos nós mesmos?::

19/08/2010

A palestra na UFMG foi o maior barato, ainda mais porque a platéia era numerosa e estava muito interessada. O prof. Dr. Élcio Cornelsen teve a gentileza de falar um pouco sobre o tema antes de mim e me apresentar, depois eu li algumas passagens curtas do livro, recheadas de comentários meus, e por último houve a longa moderação de perguntas do público, composto por estudantes e professores da UFMG, alemães, leitores do livro que só vieram para que o mesmo fosse autografado ou por curiosidade de me conhecer pessoalmente. Imaginem só: teve até uma leitora que veio de Ouro Preto com sua mãe (quase 2h de viagem) especialmente para a palestra! Agradeço imensamente pela excelente recepção na FALE-UFMG e pelo bate-papo gostoso com todos os participantes, ávidos de querer entender o ser humano do outro lado do oceano, como pensam, por que pensam, como são, por que, quando e como são… Uma das perguntas foi bem contundente: queriam saber se altero de alguma forma minha identidade, dependendo de onde quer que esteja. Eu disse que não, eu sou eu mesma em toda e qualquer parte. Disse que se não puder ser eu, não vou conseguir ficar por muito tempo em um local. Por outro lado, lembrei todos os participantes da subjetividade de minhas observações. Comentei sobre um artigo lido no voo, desta vez felizmente feito direto para Beagá pela TAP, que dizia que informar é como dar forma às palavras, é como colocar água em um cálice, que toma a forma do mesmo. É eliminar um pouco do caos à nossa volta e fazê-lo mais inteligível. Adorei esta ideia, pois nunca tinha pensado nisso. O artigo disse que como vivemos em um mundo repleto de informações, temos que tomar cuidado com quem nos informa e selecionar as informações recebidas. E alertei que represento só uma opinião dos quase 100 mil (?) brasileiros que vivem na Alemanha. Por outro lado, um alemão chamado Matthias, também leitor do meu livro, comentou que leu e gostou muito do “Mineirinha n’Alemanha” e que achou estranho chegar à Alemanha, de volta do Brasil, e não poder dar um abraço apertado em seu pai, que o cumprimentou com um aperto de mãos. Ele lembrou, porém, que a distância física entre as pessoas significa também respeito na Alemanha, e ao mesmo tempo que sabe disso, disse ter tido vontade de dar um baita abraço no pai dele “à moda brasileira”. Isso exprime o potencial que há entre as culturas, algo que tentei passar durante a palestra, de que somos diferentes sim, mas podemos ser sinergicamente ótimos uns para os outros, passando de cada lado aquilo que nossas culturas tem de melhor.

Desculpem por eu ter demorado tanto a fazer um relato, mas se por um lado a inspiração me pregava uma peça, por outro continuo curtindo minhas férias no Brasil. Viajando, viajando, visitando família, vendo amigos, curtindo meus pais. Nada melhor do que isso! Volto com certeza com muita história pra contar e muitas lembranças. Perto dos 40, “desenterrei” alguns cadernos de perguntas de amigos dos tempos de colégio (1983-84), e munida destas relíquias, e principalmente dos nomes completos dos meus amigos de outrora, quero tentar reencontrar velhas amizades perdidas no tempo e no espaço através da internet. Que me aguardem! 😉

Ah, sim… a Taísa fez um vídeo de um pedacinho da palestra, que vou postar com calma mais tarde. Fui.

::Palestra com a Mineirinha n’Alemanha dia 12/08/10 na FALE-UFMG::

04/08/2010

Veja aqui detalhes sobre a palestra com a Mineirinha n’Alemanha, que acontecerá dia 12/08/2010 às 19 horas na FALE-UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e tratará do tema “Multiculturalidade na Sociedade Alemã”. Conto com sua presença!

::Cadê a Mineirinha? Where the hell is Matt?::

01/08/2010

A Mineirinha anda aproveitando o verão e sua mãezinha, que está passeando do lado de cá. Organizamos dois encontros no lago hoje e no domingo passado, cada um com grupos totalmente diferentes mas ambos super legais: semana passada vieram pra cá os brasileiros das redondezas e suas respectivas famílias, gente de todo canto do Brasil, do extremo norte ao extremo sul, inclusive um russo super fofo, namorado de outra Mineirinha n’Alemanha, um marido e filhos suíços e outra mamãe argentina. Hoje estiveram aqui brasileiros de um pouco mais longe, alemães, um casal amigão meu (o marido da República dos Camarões e a esposa da Irlanda), que eu conheço desde o primeiro dia de Alemanha (desde 1993, portanto há 17 anos!), além de eu ter recebido a visita da Eve e marido, e da Liza, marido, filhote e amigos (todos mineiros, uai!). 😉 Acho que não tem mesmo coisa melhor: amizade, bom papo, amor dividido e compartilhado, sol, brisa e água fresca. Só tenho a agradecer pela visita de tantos amigos queridos! O vídeo abaixo reflete bastante como estou me sentindo, e como achei sua ideia e propósito fantásticos, o deixo aqui pra enfeitar a próxima semana de vocês. Fui! 🙂

Where the hell is Matt? – Cadê o Matt?

What are these humans doing? Dancing. Many humans on Earth exhibit periods of happiness, and one method of displaying happiness is dancing. Happiness and dancing transcend political boundaries and occur in practically every human society. Above, Matt Harding traveled through many nations on Earth, started dancing, and filmed the result. The video is perhaps a dramatic example that humans from all over planet Earth feel a common bond as part of a single species. Happiness is frequently contagious — few people are able to watch the above video without smiling.

°°°

O que estas pessoas estão fazendo? Dançando. Muitos humanos na Terra demonstram períodos de felicidade, e um dos métodos de fazer com que esta felicidade fique evidente é dançar. A felicidade e a dança transcendem barreiras políticas e acontecem praticamente em todas as sociedades. Acima, Matt Harding viajou por muitos países no mundo, começou a dançar, e filmou o resultado. Este vídeo talvez é um exemplo dramático de que pessoas de qualquer origem se sentem interligadas como parte de uma espécie comum. A felicidade é frequentemente contagiante – poucas pessoas conseguem olhar o vídeo acima sem sorrir! Você conseguiu? 😉


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