::Da nossa eterna mania de achar que a vida do outro é melhor::

Pronto. Hoje ouvi no rádio uma entrevista que me fez pensar. Era de um cara que tinha se proposto a não propor nada para o ano de 2011. Você reagiria talvez com a indagação: “Que cara estranho!”, mas eu, cá comigo, achei o cara o máximo. Ele disse que as pessoas têm mania de se olhar em fotos de outros tempos e de se sentir estranhas em si próprias, não sabendo mais quem são, quem eram, quem foram todas aquelas “outras” pessoas, e que há uma tendência generalizada pela insatisfação, daí a idealização e no próximo passo vem o desejo de alcançar isso ou aquilo, mudar “tudo”, querer “xyz” no ano novo (e só mudar o botãozinho para “sou feliz” se isso for alcançado), achar que só é possível ser feliz morando em tal lugar, etc.

A verdade é que toda vida é, por muitas horas, sem graça, muita gente se sente só, inútil, igual aos demais, num “trote” do dia-a-dia, afundado na areia movediça da tecnologia, domado pela rapidez dos tempos modernos, e pouca gente pára pra pensar que quase todo mundo se sente assim. A idealização nos leva a pensar que “lá” seria melhor do que aqui, que com “fulano” seria melhor do que com “ciclano”, que a vida do outro é muito melhor, e o muro das lamentações vai crescendo a cada dia um pouco mais.

As grandes mudanças acontecem devagarzinho, lá no nosso íntimo, cá conosco, são (em sua grande maioria) fruto de trabalho anterior árduo, as alegrias são tão rápidas que às vezes as reconhecemos como tais e já se foram, e (quase) todo mundo tem que dar duro pra ter o que tem/ser o que é, não importa onde quer que esteja neste mundão de Deus. Uma grande parte da vida é bastidor, uns pedaços imperdíveis são partes integrantes da minha vida, da sua, da dele(a). Tem neguinho ralando pra tudo quanto é lado. O sofrimento existe. O amor também. Temos mais é que aproveitar o calor humano pertinho da gente. Não há sentido na vida sem o tal calorzinho. E temos que ter paciência entre um momento e o outro. Que pensemos nisso.

Ainda assim, tomei até agora algumas resoluções firmes pra 2011: trabalhar mais devagar, ao mesmo tempo prestar atenção aos sinais do meu corpo, e continuar sorrindo pra vida.

Texto também inspirado neste daqui do blog “Cartas à Filo-Sofia”.

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14 Respostas to “::Da nossa eterna mania de achar que a vida do outro é melhor::”

  1. Lilian Says:

    Amei prima!!!!
    Que delícia de texto!
    Pena que não nos encontramos!
    Nossa… menina! Tenho tantas novidades! E ate descobri pq ainda não consegui escrever…
    Mas vou esperar as coisas começarem a se concretizarem primeiro, depois eu conto, ta bom!
    Amo vc!
    Se cuida!
    E continue escrevendo!
    Priminha-irmã!

    • Sandra Santos Says:

      Ei querida,
      Pena nao ter te achado hoje pra batermos um papo! Amanha? Estou curiosa pra saber as novidades! E escreve sim, vc é que tem muito pra contar!
      Beijo no coracao e até breve,
      Sandra

  2. Neusa Arnold-Cortez Says:

    Oi Sandrinha, tudo bem? Penso que sim, pois seus textos sao super otimistas e animadores. Desejo a você, sua família e amigos tudo de ótimo para o novo ano que se inicia… saúde, paz e muita motivacao para a concretizacao de novos e velhos projetos!
    Beijos.

    • Sandra Santos Says:

      Oi Neusa,
      Desejo o mesmo pra vc, que a semente de muitos outros projetos seja plantada em 2011! E também seria legal se finalmente nos conhecessemos ao vivo e a cores em 2011, nao é mesmo? 😉
      Um beijo pra vc e suas lindas filhas,
      Sandra

  3. Flávia Says:

    Gostei do cara, é aquilo… a grama do vizinho é sempre mais verde e de repente, alguém pensa que sua vida é melhor do que a dele(a)!

  4. Liza Says:

    Estava pensando nisso ontem depois de uma conversa com minha irma, que infelizmente nao descobriu a verdade desse texto, e vive pensando que minha vida é um mar de rosas, incomparavelmente melhor que a dela. As vezes a gente fica tao preocupado em olhar as coisas ruins que acontecem, que deixa de aprender com os erros e perde as melhores oportunidades por nao conseguir identifica-las. Como dizem por ai: cada um sabe a delicia e dor de ser o que é. Nao é facil pra ninguém, mas ao mesmo tempo é tao maravilhoso para todos.
    Um beijo

    • Sandra Santos Says:

      Ei Liza,
      E isso acaba sendo chato, né, pois imagino que deva pesar no relacionamento entre vcs. 😦 Mas fazer o que: cada um sabe mesmo a dor e a beleza de ser o que é.
      Beijoca e até loguinho,
      Sandra

  5. AElitis in Paris Says:

    Obrigada pela citação 😉

  6. Juliane Says:

    só hoje pude ler Sandra… e como eu estava precisando de ouvir isso…!
    mesmo assim também pretendo algumas coisas pra este ano e quero muito alcancá-las! Pra você tudo de bom em 2011 e continue nos alegrando com seus pensamentos!
    beijo!
    Juliane

  7. Gisley Scott Says:

    Gostei como abordaste o tema da insatisfação. A verdade é que se não estivermos bem conosco, não importa se somos populares, famosos, ricos, magros, seremos ainda insatisfeitos.

    O estar contente vem de dentro e é impressionante como nós tentamos dar jeito no que rola dentro usando técnicas do lado de fora. Ter metas e alcançá-las é bom demais, mas se não tivermos a motivação para celebrar o que já conseguimos, chutaremos o pau da barraca quando as coisas dificultarem ao longo do caminho.

    Vou contigo qdo disseste que sucesso = trabalho árduo.

    Bjos!

    • Sandra Santos Says:

      Oi Gisley,
      Obrigada pelo comentário, realmente o trabalho árduo é muito mais interno que externo, enquanto na maioria nos concentramos no exterior.
      Um beijo e bom final de semana,
      Sandra

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