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::O Brasil visto de fora – a luta do absurdo contra a normalidade::

10/03/2013

Tendo ido à amada terrinha entre o Natal e o Ano Novo deste ano, voltei de novo de lá cheia de vitamina D, histórias pra contar e impressões de mais uma viagem à minha pátria, o lugar onde nasci e a que devo muito do que sou hoje e do que passo para meus filhos.

Aquela impressão que mais salta aos olhos é que o povo brasileiro precisa urgentemente de sair do modus operandi do fantástico, de achar que o absurdo pode e deve fazer parte da realidade, e do contrário deve se unir para lutar contra a corrupção, a violência (e não só a ausência ou limitação dela na mídia), em prol de uma vida digna, de direitos de cidadãos, dentre eles o de educação e acesso ao saber, limpeza, transporte público de qualidade, o simples direito de ir e vir (a qualquer hora do dia e da noite) que todos devem e podem exigir.

O povo nunca esteve tão acomodado, tão conformado, tão condizente com aquilo que não anda bem, aproveitando, por certo, daquilo que anda bem: o Brasil tem o menor índice de pobreza dos últimos 20 anos, nunca se viu tanto brasileiro viajando dentro e fora do país, o povo brasileiro continua hospitaleiro, alegre, solidário. As pessoas reclamam da vida, mas no final tudo termina num churrasquinho com cerveja gelada, e lá se vai mais um dia.

O povo de boa índole precisa ir às ruas. Precisa começar a perguntar por que não é possível ter ruas limpas. Por que ainda se joga tanto lixo no chão ou pelas janelas dos automóveis. Por que se queimam as matas, não se respeita o patrimônio público, por que não há planejamento para melhorar substancialmente o trânsito nas grandes cidades e eliminar problemas que voltam todos os anos nas mesmas épocas. E assim por diante.

O povo precisa começar a exigir seus direitos amplos de consumidor. Se a TAM, por exemplo, oferece voos, em parte, deploráveis, também deve ser porque o consumidor os compra sem reclamar, ou sem reclamar de uma forma que a empresa sofra com suas consequências. No exterior, a TAM nem sequer se digna a responder a uma reclamação feita por escrito, e com isto perdeu uma consumidora.

O povo precisa continuar a mostrar tudo o que dá certo neste país, como base de estímulo pra muitas outras iniciativas que ainda vão dar certo. É preciso mostrar e exaltar os bons professores, as boas associações de bairro, as pessoas de boa fé que fazem um trabalho bonito pela sociedade e pelo ser humano ao ser redor, os bons empresários, os (poucos) bons políticos. Mas o povo precisa também denunciar, botar a boca no trombone mesmo, em alto e bom som. Denunciar como povo, como grupo, sem medo de ser atingido por ser geral demais, por ser grande demais.

A Copa está chegando. Que tipo de país queremos apresentar ao mundo? Nossos filhos estão crescendo. Em que tipo de país queremos que eles vivam, quais são os valores que queremos passar para eles? Para os brasileiros que moram fora: que tipo de associações você espera que sejam feitas com nosso país? Não podemos cruzar os braços e afirmar que “sempre foi assim e assim será”, porque a perda de jovens numa boate, os assassinatos de tantos civis por policiais e uma sociedade que se julga no direito de “eliminar” pessoas que não funcionam segundo suas expectativas está doente. Por outro lado, a doença é sinal de que o processo pode ser alterado, o rumo pode ser mudado, nem tudo está perdido, um impeachment já mudou a cara do nosso Brasil, os colarinhos brancos do Mensalão foram condenados, o que mostra que a própria sociedade é podre, mas também é bela. Dentro da sociedade brasileira há tudo o que ela precisa para se renovar. Comecemos agora!

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