::Visita ao museu de arqueologia de Constança::

Taí. Precisei de 16 anos para ir ao museu de arqueologia de Constança e tenho que dizer que adorei a visita! Depois dos primeiros dias lindos de primavera deste ano, este final de semana foi chuvoso e bem frio. Parece que a primavera resolveu dar uma folga e a chuva decidiu cuidar das flores, que já enfeitam toda a região em todas as suas esplêndidas cores e formas. Dada a mudança de temperatura, busquei algo pra fazer com crianças que não dependesse de tempo bom.

Fomos eu, Daniel e dois amiguinhos dele. As crianças foram atraídas por uma exposição toda feita de Playmobil, já que o museu tem sempre uma preocupação de construir cenas históricas e fazê-las visíveis aos olhos dos pequenos. As cenas que vimos hoje foi sobre o Concílio que aconteceu em Constança há 600 anos atrás (1414-18), do qual participaram 70.000 pessoas. Durante o Concílio de Constança, foi escolhido no ano de 1417 o novo Papa Martin V, portanto um acontecimento de repercussão mundial. Do lado da exposição a criançada tinha muito Playmobil e um quebra-cabeça gigante pra brincar. Aqui um link para um vídeo sobre esta exposição.

O museu tem ao todo 4 andares de história. Vimos o que a região onde moramos significou nos séculos passados, quando o Lago de Constança foi importante para as trocas comerciais dos alemães com o resto do mundo, dadas as dificuldades logísticas de antigamente. Nos outros andares vimos também muito da história do povo alemão (Alemannen), que é originário do norte da Alemanha e que povoou o que hoje é conhecido como o estado de Baden-Württemberg aqui na Alemanha. Em Württemberg fica parte do povo alemão conhecido como suebis, aliás na minha opinião os mais parecidos com os mineiros aqui na Alemanha, por serem altamente econômicos como nós. Abaixo um mapa da Europa no século V:

Aprendi que os romanos tinham também tentado ocupar a região do povo alemão (Alemannen ou Alamannen em latim), mas depois de terem tentado entrar no sul da Alemanha e ter até ocupado algumas cidades, eles tiveram que recuar e se limitaram às cidades ao longo do Reno (fronteira da Alemanha com a Suíça e a França). Aprendi também que os arqueólogos conseguiram recuperar grande parte da história do povo alemão através do estudo arqueológico da região, mais intensivo desde os anos 80, e também das descobertas derivadas dos túmulos daquela época, pelo fato distinto de que os cristãos não levavam presentes para o além e do contrário os alemães acreditavam que havia vida após a morte, levando consigo coisas representativas da sua vida terrena (jóias, armas, instrumentos musicais, etc.). Fiquei sabendo que o homens que faziam parte do povo alemão tinha em média 1,72 cm de altura, e as mulheres tinham 1,62 cm de altura, portanto nem tão mais baixos do que a média atual. As casas eram feitas de madeira, barro e tinham que ser refeitas a cada 20 anos em média. Pelo fato do povo alemão ter conseguido expulsar os romanos de suas terras e ter chegado até a tentar conquistar mais território, eles puderam manter seu idioma e sua identidade cultural. Este idioma é a origem dos dialetos alemães de hoje em dia, que vão de um território que abrange o norte da Suíça, norte da Áustria, Lichtenstein, sudoeste da Baviera até grande parte do estado de Baden-Württemberg e mostram que apesar de serem vistos como vários países, trata-se do mesmo povo. A partir do século XIII os romanos passaram a chamar o território teutônico de território alemão, o que deu origem ao nome Alemanha e à denominação do povo alemão no caso das línguas derivadas do latim, como por exemplo no caso do português, espanhol, catalão e francês, mas também para o idioma turco, árabe, curdo e persa.

Tanta coisa para descobrir! Sou super interessada por história, pelos ceutas e pela história de como se formou o povo alemão (reunião dos povos Alemannen, Franken, Friesen, Sachsen, Angeln e Thüringer do mapa acima). Agora fiquei com vontade de aprender mais ainda sobre os temas! E voltar ao museu, quando entender um pouco mais do assunto. Portanto recomendo, pra quem estiver de passagem por Constança, que não cometa o mesmo erro que eu e vá visitar o museu assim que tiver a oportunidade!

Fontes: Museu de Arqueologia de Constança (Archäologisches Landesmuseum) e Wikipedia (Allamanen).

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6 Respostas to “::Visita ao museu de arqueologia de Constança::”

  1. mariannapsi Says:

    Que interessante Sandra! Obrigada por compartilhar essa dica super bacana 🙂

    Lg aqui do Allgau branquinho de neve,
    Mari

    • Sandra Santos Says:

      Oi Marianna,
      A neve teimou, mas não ficou pelas bandas de cá. O sol também tentou sair de novo hoje, mas definitivamente quem ganhou foi o frrrrrrio!
      Um beijo caloroso,
      Sandra

  2. Renata Says:

    Filhote! Não é possível que nós, turistas, tendo estado na sua casa tenhamos visitado este museu antes de você?!? Quando fomos era sobre os ceutas e você tinha que ir olhando no meio do Playmobil para descobrir o que não era da época. Por exemplo tinha uma placa de Biergarten, um sbowboard, a Branca de Neve com os sete anões e um trem gigante rodando em volta da exposição. Morri de vergonha quando eu percebi que o trem não era da época, já bem no finalzinho da visita… E ainda assim não ganhamos o concurso :-/ mas valeu a visita! Bjs

    • Sandra Santos Says:

      Oi Rê,
      Casa de ferreiro, espeto de pau! Esse ditado cabe no meu caso tbém. Ou: quanto mais perto a atração está da nossa casa, maior a nossa tendência a demorar para conhecê-la porque, afinal, podemos ir lá a qualquer hora, não é mesmo? 😉
      O trem que não é da época deve fazer parte de toda exposição, pois ele é parte integrante da base usada para as exposições.
      Da próxima vez voltamos juntas lá, ok?
      Um beijo saudoso,
      Sandra

  3. Eny Santos Says:

    Uma riqueza de conhecimentos! Parabéns!

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