::Etapas da vida & poema de Hesse::

Depois de levar o Daniel pra cama, com seus nove anos de idade, no meio de suas férias de verão antes de ir para o 4° ano do ensino fundamental, percebo mais uma vez como o tempo é implacável e passa rápido demais, incontrolável. Ainda mais agora que a Taísa, com seus 18 anos, já tenha começado a fazer planos para a decoração do próprio apartamento. Pelo menos planos imaginários. Agora entendo minha mãe, que sente saudades de nós quando pequenos, em casa, protegidos, em família. Temos filhos e nos alegramos demais com suas conquistas, com seu crescimento, mas ao mesmo tempo desejamos que eles fiquem eternamente pequenos e dependentes de nós.

Abri o FB e dei de cara com um comentário de uma brasileira, vivendo aqui na Alemanha há poucos meses, já estranhando que esteja perdendo um pouco do seu português, embaralhando a grafia das palavras. Eu comentei que ela não deveria ligar pra isso muito não, porque já fui ao Brasil e pedi para cortar meu cabelo em estufas (Stufen). A costumeira dúvida cruel de expatriada, de não ter certeza se tinha escrito a palavra corretamente ou não pegou de novo minha consciência pela raiz, fui ao Google, digitei “Stufen”, e dei de cara com este poema lindo do Hermann Hesse, que por acaso já morou aqui no lago de Constança, bem pertinho daqui de casa. E ele fala das etapas da vida, razão original deste post. O ciclo se fechou. Vamos a ele (tradução mais abaixo):

Stufen – Hermann Hesse

Wie jede Blüte welkt und jede Jugend
Dem Alter weicht, blüht jede Lebensstufe,
Blüht jede Weisheit auch und jede Tugend
Zu ihrer Zeit und darf nicht ewig dauern.
Es muß das Herz bei jedem Lebensrufe
Bereit zum Abschied sein und Neubeginne,
Um sich in Tapferkeit und ohne Trauern
In andre, neue Bindungen zu geben.
Und jedem Anfang wohnt ein Zauber inne,
Der uns beschützt und der uns hilft, zu leben.
Wir sollen heiter Raum um Raum durchschreiten,
An keinem wie an einer Heimat hängen,
Der Weltgeist will nicht fesseln uns und engen,
Er will uns Stuf’ um Stufe heben, weiten.
Kaum sind wir heimisch einem Lebenskreise
Und traulich eingewohnt, so droht Erschlaffen,
Nur wer bereit zu Aufbruch ist und Reise,
Mag lähmender Gewöhnung sich entraffen.
Es wird vielleicht auch noch die Todesstunde
Uns neuen Räumen jung entgegen senden,
Des Lebens Ruf an uns wird niemals enden…
Wohlan denn, Herz, nimm Abschied und gesunde!

°°°

Tradução do alemão pro alemão segundo a Wikipedia alemã:

Jede Lebensstufe, Tugend und Weisheit ist an sich zeitlich begrenzt und blüht zu ihrer jeweiligen Zeit. Der Mensch soll sich also bei jedem Ruf des Lebens mit Tapfer- und Heiterkeit sowie ohne Trauer von seinem alten Lebensstadium verabschieden und einen Neubeginn wagen. Er soll sich außerdem an keiner der Lebensstufen festhalten, da der Weltgeist für ihn keine Einengung, sondern eine Ausweitung von Stufe zu Stufe vorsieht. Hat man auf einer Stufe Heimat gefunden, so droht man in eine Erschlaffung und Lähmung zu geraten. Dieser Stufenprozess ist nicht zwangsläufig schon mit dem Tod abgeschlossen, weil das Leben fortwährend ruft. Somit soll der Mensch den Tod als Genesung betrachten, denn letztlich ist auch er nur der Abschied von einer Lebensstufe.

°°°

Tradução do português pro alemão:

Degraus – Hermann Hesse

Assim como as flores murcham
e a juventude cede à velhice,
Também os degraus da vida,
a sabedoria e a virtude, a seu tempo,
florescem e não duram eternamente.
A cada apelo da vida deve o coração
estar pronto a despedir-se e a começar de novo,
para, com coragem e sem lágrimas, se
abrir a outras novas ligações.
Em todo o começo reside um encanto próprio
que nos protege e nos ajuda a viver.
Serenos transpomos o espaço após espaço,
não nos prendendo a nenhum elo, à nossa pátria;
O espírito do mundo não quer nos prender nem nos coibir,
mas de degrau em degrau elevar-nos e aumentar-nos.
Quando acabamos de nos acostumar com uma fase da vida,
íntimos, ameaça-nos o enfraquecimento.
Só aquele que está pronto a partir e se põe na estrada
consegue fugir à monotonia dos hábitos.
Talvez também a hora da morte
nos lance, jovens, para novos espaços,
o apelo da vida nunca chegará ao fim para nós…
Vamos, coração, despeça-se e cure-se!

P.S.-Aqui um belo resumo da vida de Hermann Hesse em Gaienhofen (também em inglês), aqui no Lago de Constança, onde viveu dos 27 aos 35 anos de idade, de 1904 a 1912.

Fonte para posterior adaptação própria: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1319#ixzz3AP3AACr4
Demais fontes: http://www.lyrikwelt.de/gedichte/hesseg1.htm, http://de.wikipedia.org/wiki/Stufen

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