::Angela Merkel e a condição feminina no mundo::

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A Angela Merkel foi escolhida como a „Pessoa do Ano“ da revista americana Time. A Hillary Clinton, por exemplo, a citou e deu parabéns a ela como uma mulher, a primeira mulher também chanceler alemã, a ter recebido o prêmio, sendo que a Hillary, claro, gostaria de ser a primeira mulher a presidir os EUA. Pena que o prêmio da Time também tinha sido cogitado para o desumano do Donald Trump. Fiquei aliviada ao entender que esse prêmio não carrega em si um juízo de valor, mas sim tenta exprimir a importância de uma determinada pessoa no mundo, seja ela positiva ou negativa. Até o Hitler já ganhou esse prêmio, e se Donald Trump tivesse o recebido dessa vez, teria sido por sua idiotice completa e péssimo exemplo para o mundo. Eu tenho uma imensa vergonha alheia de tudo o que ele representa e desejo que sua imagem suma, com o avançar da campanha política nos EUA, no esquecimento daqueles que não merecem nenhum segundo de atenção. Como mau perdedor, ele comentou que quem levou o prêmio este ano foi uma pessoa que está destruindo a Alemanha…

Mas então, voltando ao assunto principal, a Angela Merkel, denominada pela revista Time como a “chanceler de um mundo livre”, ganhou o prêmio pelo papel de liderança que exerceu em 2015, tanto nas negociações ligadas à crise financeira da Grécia com a Comunidade Europeia quanto com relação à atual crise dos refugiados. Aqui na Alemanha a revista alemã Der Spiegel acha estranho o fato de outras personalidades que lutam pela igualdade de direitos no mundo (Emma Watson) e revistas femininas (Vogue) terem chamado a atenção para o fato de que uma mulher ganhou o prêmio da revista Time. Diga-se de passagem, dentro dos últimos 29 anos. A última mulher a ter recebido esse prêmio tinha sido Corazon Aquino, a primeira presidenta das Filipinas, em 1986.

Por que não concordo com a revista alemã e fico do lado da posição feminina com relação a esse prêmio? Primeiro, óbvio, sou mulher. Segundo, feminista. Terceiro, vejo o mundo sob a ótica de uma estrangeira dentro de uma sociedade que dá, sim, lugar à mulher, mas ele tem que ser arduamente conquistado. Quarto, porque cresci estudando HIStory, a História dos homens, para mais tarde descobrir aqui e ali, e isso inúmeras vezes, que a mulher também fez e faz História, mas ela não é citada pelos livros, porque a História que estudamos foi feita pelos homens. Quinto, porque se hoje em dia ainda precisamos de ter o Dia Internacional da Mulher e movimentos na internet tais como o #meuamigosecreto (descrever quem me sacaneia como mulher) e  ainda vemos tanta agressão à condição feminina no dia a dia como no caso de propagandas, por exemplo, ainda há muito a ser conquistado. Sexto, porque segundo estudos da Organização Mundial de Saúde uma em cada três muheres já foi violentada de forma física ou psicológica. Esses dados são os oficias. Quanta violência existe no dia a dia com relação à mulher? Dentro de quatro paredes? No trabalho? Quantas mulheres sofrem situações indesejáveis e se sujeitam a condições que elas não desejam para suas vidas? Quantas mulheres fazem o mesmo trabalho masculino e recebem um salário menor? Quantas poderiam assumir cargos de maior responsabilidade ou poderiam exercer uma posição de liderança muitas vezes protegida por homens? Quem leu a reportagem da ex-funcionária da Nestlé que entrou na Justiça contra a empresa depois de sofrer assédio moral por vários anos seguidos por lá?

Merkel

Mesmo que uma mulher não lidere colocando sua condição feminina em destaque, como no caso da Angela Merkel, por todas as perguntas acima e muitas que podemos nos colocar, quando ela ganha um prêmio como esse e é reconhecida pela revista Forbes como a mulher mais influente do mundo, vale a pena citar que sim, uma mulher ganhou o prêmio da revista americana Time.

P.S.-Adoraria começar aqui no blog uma série de mulheres que fazem ou fizeram a diferença no mundo. Se você quiser contribuir com um post, fique à vontade. Eu – e os demais leitores do Mineirinha – agradecemos desde já!

Fontes: artigo da revista Der Spiegel de 10/12/15, artigo da Time, reportagem do jornal Zeit de 27/05/15.

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