Archive for fevereiro \21\+01:00 2020

::Liberdade de expressão x sigilo empresarial – quando a Apple tenta impedir o lançamento de um livro na Alemanha::

21/02/2020

Um ex-funcionário da Apple aqui na Alemanha estava prestes a lançar um livro intitulado “App Store Confidential”. Ele tinha se desligado da empresa e já estava dando entrevistas e fazendo promoção do livro junto aos meios de comunicação. Segundo ele, tudo o que ele conta no livro não é ligado ao sigilo empresarial, todos os dados de faturamento etc. da empresa são apresentados com prova de que eles estão disponíveis ao grande público. Além disso, ele apresentou o livro antes do lançamento para que responsáveis da empresa pudessem lê-lo. Tudo nos conformes. Mas… ele seria desligado da empresa no final de março, e agora recebeu uma carta de demissão imediata. Os advogados da Apple entraram com uma ação contra o autor e contra a editora tentando evitar que o livro seja lançado, alegando que ele está pondo em aberto o sigilo das práticas da empresa.

O super interessante é que a última vez que um livro foi impedido de ser lançado aqui na Alemanha foi em 2007. Só isso já torna o caso bastante incomum, porque a liberdade de expressão, ainda mais no campo literário, é prezada e tem valor. Vou seguir esse caso, e você? Leia aqui um pouco mais sobre o caso.

::Petra Costa, o Oscar, o feminismo e outras coisinhas mais…::

11/02/2020

O Oscar passou e não levamos o prêmio! Mas fomos bem representados pela Petra Costa.

Independentemente do seu próprio viés político, há de convir que em um clube do Bolinha, ela mandou bem e deixou um recado para o Brasil aqui.

Sobre o Oscar, ela afirmou que „em 92 anos a Academia indicou 350 homens na categoria de melhor direção e apenas cinco mulheres.“ Vale refletir sobre o assunto.

Falando ainda do tema feminismo e o lugar de expressão da mulher na sociedade, ela afirmou aqui que “como fala Paulo Freire, somente os oprimidos, libertando-se, podem libertar os opressores. Isso é nossa tarefa como mulher. Lutar para habitar nossos corpos, criar nossa própria voz. O abuso do corpo da mulher (que aumentou vertiginosamente desde a última eleição), o silenciamento de sua expressão, me parece reflexo de uma terra abusada. Uma terra que segue se desfazendo em lágrimas cada vez que é subtraída em tenebrosas transações. Até que consigamos regerminar essa terra abusada, para que ela se refaça por dentro, e frutifique”, encerra.

Voltando e fechando esse post ainda sobre o Oscar, alguém percebeu que o filme Bombshell que participou do movimento #metoo ganhou um Oscar na categoria melhor make up e hairstyling? Oi?!?? Eu entendi a mensagem assim: vocês podem até lutar pelo lugar de fala e os direitos femininos, mas o lugar de vocês é onde sempre estiveram… Por mim, podiam ter deixado o filme sem prêmios!…

Ah, claro, um ponto positivo: pela primeira vez na história do Oscar um filme estrangeiro ganhou como melhor filme: Parasite. Esse eu tenho que ver!

(more…)

::Dica de canal no YouTube pra aumentar seus conhecimentos e melhorar seu alemão::

07/02/2020

O YouTube só serve pra perder-se tempo, certo? Bom, depende do que você fica fazendo quando se perde por lá. Meu filho descobriu um canal no YouTube que é tudo de bom! Ele é feito pela universidade de Munique, é bem didático e aumenta muito, muito os seus conhecimentos! Um exemplo? Dê uma olhada nesse aqui.

::Carta a vizinhos na Inglaterra pós-Brexit – Happy Brexit Day::

06/02/2020

Estou fazendo questão de traduzir essa carta que foi colocada em um prédio em Norwich, a 160 Km de Londres, para deixar aqui registrado um exemplo do que o medo irracional, uma visão muito curta da vida e do mundo e um amontoado de preconceito podem fazer com uma pessoa… E dá pra imaginar o que acontece quando essa pessoa se junta a outras e juntas elas viram um grupo na sociedade, né? Infelizmente, o mundo está cheio desses grupos por aí!…

Eis aqui a carta que quero guardar para a posteridade, também em português:

Happy Brexit Day – Feliz Dia do Brexit

Já que finalmente tomamos nosso país maravilhoso de volta pra nós, sentimos que há uma regra que deve ser dita em alto e bom som para os residentes da Torre de Winchester.

Não toleramos pessoas falando outros idiomas diferentes do inglês nos apartamentos.

Agora que somos nosso país de novo, o inglês da rainha é o idioma falado aqui.

Se você quer falar outro idioma que seja a língua pátria do país de onde você veio, sugerimos que você volte para aquele lugar e retorne o apartamento para a prefeitura para que ingleses morem aqui e voltaremos ao que era normalidade antes de você ter infectado essa ilha que um dia foi uma grande ilha.

É uma opção muito simples: siga a regra da maioridade ou nos deixe.

Não lhe restará muito tempo até que o nosso governo implemente regras que vão colocar o povo inglês à frente. Então é melhor que você se desenvolva, ou deixe-nos.

Que Deus salve a rainha, seu governo e toda a verdade.

°°°

A parte melhor ficou com alguém que corrigiu o texto acima, que estava cheio de erros de inglês, e pediu pra pessoa explicar direito de que forma exatamente a Inglaterra estava sendo infectada por estrangeiros. Além disso, a pessoa pontuou, acertadamente: „Quem é você que assina como a maioria e como “nós”, mas não coloca o seu nome no final da carta? Onde estão os seus dados para contato?

Fiquei sabendo dessa resposta graças à Ute Ritter. Obrigada, Ute!

Fontes: aqui o artigo com a carta original e aqui o artigo com a resposta à carta original.

::E a História se repete…::

06/02/2020

Em tempos de coronavírus onde acredita-se que todo asiático é chinês e todo chinês pode propagar o vírus, a História nos lembra que há pouco tempo atrás a Alemanha nazista e, surpreendentemente, também a Suíça menosprezava grupos tais como criminais, „associais“, portadores de deficiência, comunistas, combatentes da resistência, pessoas que ajudavam judeus, ciganos, homossexuais, pessoas com duas nacionalidades e judeus. Todos esses grupos eram considerados como cidadãos de segunda classe… Mais de 400 suíços foram mandados para campos de concentração, cerca de metade deles foram mortos.

Fonte: artigo da revista SPIEGEL de 05.02.20 sobre o livro „Schweizer KZ-Haftlinge“ (Suíços presos nos campos de concentração nazistas) da autoria de Balz Spörri, René Staubli e Brenno Tuchschmid.

::A falta que o segundo livro faz::

04/02/2020

Depois de lançar meu terceiro livro, percebi que muitas pessoas pensavam que aquele era minha segunda obra. Assim, entendi que fiz muito pouca propaganda do segundo livro, que também tem uma temática super importante, que é a da (re)descoberta da vocação e reflexão sobre o espaço da mulher na sociedade, livro este escrito para o público feminino.

Na época em que escrevi o livro “(Re)descobrindo quem é você – guia feminino da (re)descoberta da sua vocação” (disponível na página da Amazon de vários países), estava lendo muito e me informando bastante sobre o papel da mulher na sociedade, no campo do trabalho, no mundo. Estava entendendo o quanto já conquistamos mas também o quanto ainda temos para conquistar, o quanto o mundo ainda é desigual no campo do gênero e o quanto é importante que a mulher procure sim crescer como pessoa, mãe e esposa, e que, na medida do possível, ela deve também procurar buscar crescer como profissional. Vi como é importante entender o feminismo como busca de parceria entre os sexos, mas também de saber se dar valor enquanto mulher, como por exemplo em busca de um lugar ao sol independente, enquanto indivíduos pensante que somos.

Tinha também vivido uma experiência de uma funcionária da empresa onde eu trabalhava, que perdeu o marido inesperadamente, bem antes dele atingir a idade da aposentadoria. A vi passando por dificuldades de conseguir continuar levando a vida sem a garantia financeira que o marido lhe proporcionava, e vi como um projeto de vida pensado a dois pode desmoronar, mesmo sem a ajuda de uma das partes. Isso muito além de todas as intempéries que já tinha visto e conhecido na própria pele. E estava também reflexiva com relação a tantos relacionamentos abusivos, tantos relacionamentos onde a mulher não quer ficar, mas também não tem para onde ir, porque depende financeira, emocional e praticamente do marido. Tenho para mim que a independência financeira é a porta para a liberdade pessoal.

Um pouco mais sobre o livro:

Este livro é para mulheres, principalmente aquelas em busca delas mesmas e de uma ocupação profissional que faça a diferença em suas vidas.

Simples, concisa, de leitura rápida, mas intensa, o objetivo da obra é que a leitora faça um mergulho profundo dentro de si mesma, voltando à superfície com reflexões importantes para sua vida.

A ideia do livro surgiu da minha experiência de expatriada, vez que já acompanhei vários casos de mulheres que tiveram que se reinventar profissionalmente no exterior, muitas vezes por estarem impossibilitadas de seguir o caminho profissional de seus países de origem. O livro também serve de termômetro para quem está entre uma e outra fase da vida, para se repensar, se recalibrar, e continuar seu caminho, onde quer que ela esteja no mundo. O meu desejo é que possa contribuir na caminhada dessas mulheres para se tornarem quem são de verdade.

Sobre a autora:

Sandra Santos nasceu em 1970, é mineira de Belo Horizonte-MG e mora na Alemanha desde 1993. Desde então já trabalhou em diversas empresas de médio e grande porte na Alemanha e na Suíça, entre 2005-18 na área de Recursos Humanos. Ela também é Business Coach, consultora, escritora, blogueira e fundadora da Connex Consulting. Em 2008, ela lançou seu primeiro livro, o Mineirinha n’Alemanha. Em 2017, veio o “(Re)descobrindo quem é você” e em 2019 o livro de “Poesias da Mineirinha n’Alemanha”.

“Minha realização é trabalhar como uma ponte, unindo e intermediando pessoas, culturas e informações. Meu objetivo maior é contribuir para soluções do tipo win-win, onde ambas as partes saem ganhando”.


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