::O Brasil e a Crise do Coronavírus – Por que o Presidente Bolsonaro é o Problema::

Tradução do texto do jornal “Der Tagesspiegel” feita por mim, Sandra Santos

Bolsonaro, presidente de direita, ignora os perigos do coronavírus – por causa disso pode ser que o país se torne o próximo centro da pandemia

Pode ser que a pandemia do coronavírus se torne incontrolável no Brasil. O país pode ficar em uma situação caótica. Há uma razão simples para que isso aconteça: o presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, o chefe de governo de extrema direita do maior país da América Latina anda dando respostas confusas e contraditórias sobre como o governo pretende lidar com a expansão do novo coronavírus.

No último domingo à noite ele contradisse até seu ministro da saúde, Henrique Mandetta, que avisou às pessoas que deveriam evitar aglomerações.

O presidente disse ao canal “CNN Brasil“ que não está correto cancelar os jogos dos campeonatos de futebol no Brasil. Isso ajudaria a criar histeria. A CBF deveria mesmo continuar as vendas de ingressos. “Os cancelamentos não vão parar o vírus“, disse Bolsonaro. „A economia não pode parar“.

Disseminação de teorias da conspiração

Na mesma entrevista o Bolsonaro disseminou teorias de conspiração. Ele comentou que provavelmente alguém “tem interesse econômico nisso daí“. Já em 2009 houve outra epidemia – ele se referia à gripe aviária – mas naquela época não houve nenhum alvoroço por causa dela.

Segundo Bolsonaro, isso provavelmente aconteceu porque naquela época o Partido dos Trabalhadores estava no poder no Brasil, assim como os Democratas nos EUA. Assim ele acabou parafraseando os comentários de Trump que tinham sido feitos alguns dias antes através do canal “Fox News”.

O número de infectados pode crescer muito rápido no Brasil

No momento, mais de 200 pessoas estão infectadas com o Covid-19 no Brasil. Há temores de que o número de infectados possa crescer de forma muito rápida, principalmente, quando o vírus atingir as favelas com muitos moradores vivendo juntos em pouco espaço. Até o momento não há nenhum pacote de medidas coerente da política e dos órgãos responsáveis.

Uma grande multidão de brasileiros e turistas se encontraram no último final de semana em bares, restaurantes e discotecas em várias partes do país. As atrações turísticas, como por exemplo o Pão de Açucar e a estátua do Cristo continuavam com boa frequência de visitação.

Apesar de que alguns estados do país já tenham começado a fechar escolas, museus, bibliotecas e centros culturais, tais como São Paulo e Rio de Janeiro, esta política não vale para todo o restante do país. Além disso, algumas escolas ainda estão abertas para que as crianças mais pobres possam ter acesso, como de costume, a um almoço.

Aperto de mãos: nenhum problema para Donald Trump e Jair Bolsonaro

Em suma, falta liderança política no Brasil com relação à atual crise – apesar de não faltarem especialistas da área da saúde que sugiram que as pessoas fiquem em casa e que diminuam seus contatos sociais. O problema é o presidente Bolsonaro, que não tem capacidade de lidar com os desafios atuais e com a crise, e que de forma semelhante ao presidente dos Estados Unidos Trump, também parece entendê-la como um ataque pessoal a ele mesmo.

Isso ficou especialmente visível no último domingo, quando ele apertou as mãos de muitos dos seus fãs de frente para o palácio presidencial, o que aconteceu algumas horas antes de sua entrevista à CNN e mostrou que ele ignorava por completo todas as regras sugeridas pela Organização Mundial da Saúde.

Para entender a gravidade de seu ato é necessário mencionar que o próprio Bolsonaro pode estar infectado com o novo coronavírus. Seis pessoas com quem ele teve contato testaram positivo para a doença. Dentre eles: seu secretário da comunicação, a advogada dele, o embaixador brasileiro nos EUA, o prefeito de Miami e um senador brasileiro.

Bolsonaro não se interessa para o fato de que ele mesmo pode ser um perigo para outras pessoas

Todas as pessoas citadas acima estavam presentes, quando Bolsonaro se encontrou com Donald Trump no último domingo em seu resort de golf Mar-a-Lago e jantou com ele. É verdade que o primeiro teste do presidente de 64 anos de idade foi negativo. Ainda assim a Organização Mundial da Saúde prescreve em seu protocolo que a pessoa que tiver tido contato com doentes deveria se retirar em quarentena durante 14 dias para evitar que outras pessoas sejam infectadas.

Mas ele não se importa para o fato de que ele mesmo possa ser um perigo para outras pessoas. Ele se importa ainda menos se os cidadãos estão se infectando entre si com o coronavírus. O fato de que seus seguidores também estão cegos, pôde ser observado durante uma manifestação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que é apoiador do atual governo.

Ronaldo Caiado é médico e pediu que os manifestantes fossem para casa. Em seguida, ele foi vaiado. Em uma faixa de um dos fãs do Bolsonaro podia-se ler: “O Covid-19 pode vir. Nós estamos determinados a morrer pelo nosso líder”. O próprio Bolsonaro compartilhou no Twitter fotos e vídeos das manifestações com grande frequência.

O pânico está tomando conta

Sendo que na semana passada, ele mesmo tinha pedido aos seus seguidores para adiar as manifestações. No meio da confusão um líder de uma das grandes igrejas evangélicas do Brasil disse que o vírus não era perigoso. O bispo Macedo diz em um vídeo que o vírus é  “produto da mídia e do capeta”. Os evangélicos estão entre os maiores apoiadores do Bolsonaro.

Fica cada vez mais claro que Bolsonaro é um populista irresponsável que “não leva em conta o bem-estar público, mas sim a sua própria vantagem política”. Esta foi a afirmação do segundo maior jornal brasileiro, “O Globo”, que apoiou o presidente durante muito tempo por razões econômicas.

Fonte: artigo Brasilien und die Coronakrise: Warum Präsident Bolsonaro das Problem ist do jornal alemão Der Tagesspiegel de 16.03.20, 17:15 horas. Autor: Philipp Lichterbeck, que vive desde 2012 no Rio de Janeiro.

P.S.-Ainda não consigo entender por que pessoas com sintomas vindas do exterior devem ficar só uma semana de quarentena em casa, se o período de incubação é de 14 dias?!? Estou muito, muito preocupada! 

Informação oficial da Organização Mundial da Saúde:

A incubação média é de 5,1 dias e 97,5% das pessoas que desenvolvam sintomas o farão dentre 11,5 dias a partir da infecção. Os sintomas serão desenvolvidos, de 101 entre 10 mil casos, dentre os primeiros 14 dias da quarentena. 

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