::Atenção! Cenas fortes!::

Segundo uma reportagem do G1, a cada 2 segundos no Brasil pelo menos 20 mulheres estão sendo espancadas. Aconteceram mais de 300 casos de feminicídio nos últimos 4 anos no Rio de Janeiro. O fato é que o Brasil sofre de um problema generalizado, enraizado no cerne de sua cultura e de sua sociedade, que precisa parar já. NUNCA mais a alegação de legítima defesa da honra, lei de 1940, deveria poder ser usada para evidenciar que no Brasil a vida de um homem tem mais valor do que a de uma mulher, simplesmente porque NÃO tem. Todas as vidas têm valor de forma igual. Somos todos merecedores de viver, independente da condição de como viemos ao mundo.

Segundo um estudo do Núcleo de Pesquisa de Gênero, Raça e Etnia da Escola de Magistratura do RJ, 94% dos casos de feminicídio surgem do fato de que o homem sente ciúme, não se conforma com o fim de um relacionamento, por medo de traição e por não aceitar uma relação de sua ex-parceira com outra pessoa, como se ela fosse sua posse ou um objeto que não pode mudar de mãos. Como se ela tivesse um dono e não fosse responsável por sua própria vida e por suas decisões. E como se tivesse menos valor numa sociedade machista que tenta muitas vezes fazer ficar difícil que a mulher enxergue seu próprio valor.

No RJ, seguindo a tendência geral, em 80% dos casos o agressor é o marido ou o ex-marido e em 90% dos casos o agressor morava com a vítima. Acreditem ou não, mas 74% das mulheres mortas no RJ eram mães, assim como a juíza Viviane Arronenzi que foi morta com 16 facadas no meio da rua pelo ex-marido, na frente de suas três filhas comuns, que têm entre 7 e 9 anos de idade. Leia mais sobre este caso, ocorrido às vésperas do Natal de 2020, aqui.

Mulheres, é necessário buscar ajuda logo no primeiro sinal de agressão, porque qualquer agressão é inaceitável! Precisamos saber identificar agressões (não só as físicas, evidentes) e não acreditar que podemos mudar alguém e dar ou aceitar desculpas para aquilo que não pode ser tolerado! O feminicídio é lamentável e pode ser evitado, porque na maioria das vezes ele é construído no dia a dia de um casal. Um dos objetivos do meu novo livro HERstory, assim como o das redes de apoio que existem para defender a vida da mulher, é o de levantar a bandeira da sororidade e de funcionar como mãos que se juntam para garantir uma questão simples: fortalecer a mulher para que ela reconheça o direito de fazer o que quiser e ser quem ela bem entender ser.

Todas as mulheres importam, todas as vidas importam. Há 5 mil anos atrás já vivemos em sociedades mais equalitárias, e voltar a viver em sociedade sendo parceiros um do outro, apoiando e dando as mãos uns aos outros é possível. Basta querer. O filho que vê o pai agredindo a mãe não deve se calar. O vizinho que ouve algo não deve se calar. Temos que enfiar mesmo a colher de pau. Tratam-se de vidas que podem ser salvas e atitudes que podem ser mudadas para o bem da sociedade brasileira, para mudar uma cultura machista que já deveria ter ficado para trás na história.

Agora, segure o fôlego para assistir algumas cenas fortes. Uma forma de conscientização é a de se expor à realidade e não ficar tampando o sol com a peneira. O Brasil é um país perigoso para a maioria das mulheres que habitam nele – e elas têm o direito de ir e vir assim como todo e qualquer cidadão do país.

Na minha opinião, os casos de feminicídio ao longo dos últimos anos dentro do Brasil deveriam ser contados e divulgados a nível nacional, para aumentar a conscientização do fato de que a sociedade brasileira tem que colocar um fim à violência exacerbada contra a mulher. Isso a meu ver é cultural e está enraizado na sociedade brasileira machista que precisa urgentemente mudar, porque toda vida importa, a minha e a sua também!

Veja uma lista aqui de onde mulheres vítimas de violência doméstica podem buscar ajuda no RJ.

P.S. – Nota de 27/12/20: Estou perplexa! Foram pelo menos 6 casos de feminicídio durante o Natal no Brasil e a desculpa é que o homem não pode ser contrariado??? Que tal criarem um banco de dados nacional de casos de feminicídio para que seja compreendida a gravidade da situação??? Leia mais sobre os 6 casos aqui.

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