::COVID e lembranças de infância::

Quando eu era pequena, não era difícil acontecer com a minha mãe o que costuma acontecer com o meu marido ou comigo hoje em dia: chegava na sala no final do dia e ela estava dormindo de frente pra tevê.

Enquanto ele durma por cansaço do trabalho ou por causa de alguma noite mal dormida, eu não sei definir direito se o motivo de eu estar dormindo durante o dia é um misto de idade, menopausa ou principalmente por causa da pandemia. Sejamos honestos: ela cansa! Você pára de assistir notícias, fica se perguntando o que está acontecendo aqui e lá (sim, expatriado sofre dobrado, com as notícias do país onde vive e do país de origem). Quando assiste as notícias dá uma misto de pensar que a) já ouvi isso antes b) será que vou ouvir isso amanhã de novo? c) que notícias terríveis, quando isso vai acabar? d) tenho vontade de hibernar e só voltar do sono profundo quando tudo isso acabar! Tem hora que a única pessoa acordada aqui em casa é o Daniel, que ainda não está na idade nem de dormir de dia e nem de ficar sofrendo demais com as atualidades.

Outra coisa que a mamãe costumava fazer e eu achava estranho, mas super engraçado, era colocar coisas no lugar errado, simplesmente porque o braço dela fazia o movimento e a cabeça dela estava em outro lugar naquele momento. Já aconteceu de eu abrir o armário da cozinha lá de casa e achar o controle remoto da tevê lá dentro, deixado por ela. Hoje, na hora do almoço, abri a gaveta das panelas e lá dentro achei uma caixinha de leite. Aqui em casa compramos leite na caixinha, que quando aberto vai para a geladeira. Achei aquilo inusitado e fiquei me perguntando quem tinha colocado aquela caixinha ali, se era o Daniel ou o Matthias. Quando almoçamos perguntei e logo em seguida, pela reação deles, acreditei rapidamente que tinha sido eu mesma, que além de não ter visto o que fiz, tampouco me lembrava do feito! Tenho a quem puxar!…

Outra coisa que tenho a quem puxar é, segundo o Matthias, a força “gavetacional” (e não gravitacional) que as coisas da casa exercem sobre mim, porque elas tendem a ir para dentro de alguma gaveta antes mesmo de eu raciocinar se preciso daquilo ou não. Mamãe também me ensinou esse feito! Filha de peixe!…

Pelo menos tenho a declarar que essas mazelas não se repetem ad infinitum: tanto a minha irmã Rê quanto a minha filha Taísa sairam uma versão bem mais organizada do que eu ou a vovó Eny. Vai ver que mais tarde a Taísa não vai dormir de frente pra tevê, nem colocar coisas sem nem notar em lugares inusitados.

E por falar em mais tarde, no último final de semana achei um conto em uma revista alemã que me deixou bastante pensativa: ele se referia a um COVID-39, tipo o COVID-19 na versão de 20 anos mais tarde!… No conto, espero eu fictício, o autor comentava como era a vida antes do coronavírus e como ela tinha se transformado – e ficado para sempre?!? Espero que não! Assim como nós, seres humanos, temos direito à evolução, espero firmemente que esse bichinho evolua, se transforme em algo domável ou melhor, desapareça por completo do nosso planeta. Será que é desejar demais? Só o futuro dirá!…

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