Archive for the ‘Atualidades’ Category

::Irgendwas – Alguma coisa::

03/06/2017

Tem muito tempo que não publico uma letra de música. Por acaso achei essa hoje à noite e sabia que tinha que fazer a tradução e publicá-la aqui no blog! Tem tudo a ver com o mundo atual. Tem duas versões muito bonitas dela. Uma aqui e outra aqui, essa última uma versão acústica. A Yvonne Catterfeld é uma cantora muito conhecida e famosa na Alemanha. O Benjio, o autor da letra e a voz masculina do dueto, ainda é um rapper desconhecido para o grande público alemão, mas promete!

Irgendwas – Yvonne Catterfeld feat. Bengio (Tradução para o português logo abaixo – Sandra Santos)

Irgendwas, das bleibt, irgendwas, das reicht
Irgendwas, das zeigt, dass wir richtig sind
Bis wir etwas finden, was sich gut anfühlt
Was sich lohnt zu teil’n, würden gern sowas spür’n
Suchen überall, finden scheinbar nichts
Was uns halten kann, was uns das verspricht
Was wir wirklich woll’n, wonach wir alle suchen
Kriegen nie genug, denn wir woll’n immer mehr
Können uns erklär’n, wieso die Erde dreht
Schauen im Weltall nach, uns reicht nicht ein Planet
Bauen Denkmäler, wir wär’n gern für immer jung
Sammeln Fotos, aber uns fehlt die Erinnerung
Verkaufen uns für dumm und machen Geld daraus
Erfinden jedes Jahr was Neues, was die Welt nicht braucht
Denn es geht immer noch ein bisschen mehr
Auch wenn keiner mehr den Sinn erklärt

(Refrain – 2x)
Sind auf der Suche nach irgendwas
Sind auf der Suche nach etwas mehr
Sind auf der Suche nach irgendwas
Nur was es ist, kann keiner erklär’n
Hauptsache, ein bisschen mehr

Irgendwer, der bleibt, irgendwer, der zeigt
Dass er scheinbar weiß, wer wir wirklich sind
Wenn wir ihn dann finden, können wir nicht bleiben
Wollen uns nicht binden, weil wir dann vielleicht
Etwas verpassen könn’n, was irgendwo noch ist
Was wir sonst vermissen, weil es nicht uns gehört
Hinterlassen Abdrücke wie auf frischem Teer
Die nächste Generation kommt nicht mehr hinterher
Immer noch höher, wir müssen immer noch weiter
Wir werden immer noch schneller, denn uns läuft langsam die Zeit ab
Wir brauchen mehr, mehr, wissen nicht mehr, wer
Wir wirklich sind, verlieren die Ehrfurcht
Vor so viel Ding’n, wir haben verlernt
Wie man etwas teilt, obwohl wir alle so entstanden sind
Es geht immer noch ein bisschen mehr
Auch wenn keiner mehr den Sinn erklärt

(Refrain – 2x)

°°°°°

Alguma coisa

Alguma coisa que fique, alguma coisa que seja suficiente

Alguma coisa que mostre que estamos certos

Até que achemos algo que pareça ser bom

Que valha a pena dividir, adoraríamos sentir isso

Procuramos por todo lado, mas parece que não achamos nada

Que possa nos segurar, que nos prometa isso

Algo que nós queiramos de verdade, algo que todos nós procuremos

Nunca recebemos o suficiente porque sempre queremos mais

Podemos explicar porque a Terra gira

Olhamos no universo, pra nós não basta só um planeta

Construímos estátuas, gostaríamos de ficar jovens pra sempre

Juntamos fotos, mas nos falta a lembrança

Vendemos a ideia de que somos bobos e fazemos dinheiro através disso

Inventamos a cada ano algo novo de que o mundo não precisa

Porque sempre é possível ter um pouco mais

Mesmo que ninguém consiga mais explicar o sentido

 

(Refrão – 2 x)

Estamos buscando algo

Estamos buscando um pouco mais

Estamos buscando algo

Mas o que é, ninguém consegue explicar

O mais importante é que seja um pouco mais

 

Alguém que fique, alguém que mostre

Que parece que ele sabe quem somos de verdade

Quando o achamos, não podemos ficar

Não queremos nos prender, porque talvez

Iremos perder alguma outra coisa que esteja por aí

Algo de que ainda sentimos falta porque não nos pertence

Deixamos marcas como no asfalto fresco

A próxima geração não vai conseguir nos acompanhar

Sempre mais alto, nós temos sempre que continuar

Nós nos tornamos cada vez mais rápidos, porque o tempo voa

Nós precisamos de mais, mais, não sabemos mais quem

Somos de verdade, perdemos o respeito

Por tantas coisas, esquecemos

Como dividir algo, apesar de que todos nós tenhamos surgido dessa forma

Sempre vai ser possível ir um pouco além

Mesmo que ninguém consiga explicar o sentido

 

(Refrão – 2x)

::Recorde no número de vagas em aberto na Alemanha::

12/05/2017

Saiu no jornal FAZ e vou fazer um pequeno resumo da reportagem: no momento há um recorde no número de vagas de emprego a serem preenchidas na Alemanha na área técnica de nível superior, o que aqui é resumido através da sigla MINT – Mathematik, Informatik, Naturwissenschaften und Technik (Matemática, Informática, Ciências Naturais e Técnica. Há um total de 237.500 vagas em aberto, 38,6% a mais do que em 2016. Desde 2013 a participação de mão de obra estrangeira nessa área cresceu 43%. Se não fosse isso, a falta de mão de obra qualificada na Alemanha estaria em patamares muitíssimo mais altos.

Fonte: artigo do jornal FAZ lido em 12/05/17: “Rekordlücke: 237.500 MINT-Arbeitskräfte fehlen”

::Por que ser feminista?::

12/03/2017

Quando eu era criança, queria falar tantas línguas quanto o Papa João Paulo II, que falava 40 línguas, e visitar todos os países do mundo, como ele visitava. Com o tempo, descobri que o Papa da minha infância lia o som dos idiomas, mas não falava tantas línguas, e decidi também que não quero visitar países onde mulheres tenham menos direitos do que homens. Alguns poderiam argumentar que esses países são poucos, outros poderiam dizer que são “só” os países muçulmanos, mas acabo de achar uma lista enorme de países onde a mulher vale bem menos do que o homem… Assim fica difícil viajar!… Pensando pelo lado positivo, espero que essas discrepâncias diminuam com o tempo e que a igualdade entre os sexos seja cada vez mais alcançada! A verdade é que em pleno século 21, onde os homens querem conquistar o espaço e estabelecer vida em Marte, muit@s ainda questionam e perguntam sobre o sentido do feminismo, e ainda há muito por conquistar para nós, mulheres.

Muito do que podemos hoje e consideramos claros direitos adquiridos do sexo feminino, foram direitos conquistados com o passar do tempo, frutos de muitas discussões e lutas, como por exemplo: o direito ao voto, ao divórcio, a frequentar uma universidade, trabalhar, ter conta própria no banco, dirigir, decidir se queremos ou não fazer sexo (também dentro do casamento)… a lista seria interminável se contássemos as desigualdades que ainda existem nos dias de hoje, nos quatro cantos do mundo: desigualdade de gênero, de salários, na divisão do trabalho doméstico, no tempo investido (e não remunerado) com o cuidado de familiares, a dependência feminina até a aposentadoria, para aquelas que não têm um salário próprio…

Enquanto isso, na Suíça, li recentemente um artigo dizendo que a atuação feminista das mulheres, como p.ex. as ações durante o Dia Internacional da Mulher, deixa os homens inseguros. Muitos deles, por não saberem direito mais como se portar perante uma mulher, preferem assistir filmes pornográficos no lugar de manter um relacionamento!… Mas a resposta, na realidade, é bem simples: um “não” significa um “não”!… Como dizia a minha avó: “quando um não quer, dois não brigam (ou brincam)”!… Cada par define o que está bem para eles  e os deixa felizes, definindo suas regras e compromissos aceitos entre as partes.

Vamos às leis absurdas que ainda imperam no mundo contra as mulheres:

– Uma mulher tem que permitir “sexo ilimitado” ao marido, assim que ela completar 15 anos na Índia e 13 anos em Singapura! No Yemen, onde o casamento entre crianças é algo muito comum, não existe nem uma idade mínima para tanto. Isso quer dizer que se um homem violentar sua mulher nesses países, ele não cometeu nenhum crime perante a lei;

– Na Tansânia, uma menina de 15 anos pode se casar com o consentimento de seus pais, ou até com 14 anos através de decisão judicial, se “razões importantes “ puderem ser consideradas, enquanto que meninos  só podem se casar aos 18 anos;

– Na Jordânia ou no Líbano, só é dada a nacionalidade automática destes países a filhos cujo pai seja jordaniano ou libanês. A nacionalidade da mãe não é levada em conta e não é transferida automaticamente ao seu filho. Se uma mãe jordaniana for casada com um homem de outra nacionalidade, seus filhos não terão o direito de receber a nacionalidade da mãe e perderão direitos como o de concorrer a empregos públicos ou ligados ao sistema de saúde e escolar;

– Em Malta, se uma mulher for raptada e decidir se casar com o agressor, este não precisará ser julgado perante a lei e não irá cumprir pena de prisão;

–  No Líbano, se uma mulher for raptada ou estuprada e o agressor se casar com ela em seguida, ele também estará livre de julgamento;

– Ainda há 46 países do mundo que consideram que a mulher é um acessório masculino e que só pode agir na esfera do seu consentimento, não lhes oferecendo proteção contra a violência doméstica. Na Nigéria um homem tem até o direito de bater em sua esposa, com o objetivo de castigo e repreensão, desde que desse castigo não resultem “danos irreparáveis e permanentes”. Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa (estudo de 2010 feito pela Asociación de la Encuesta Mundial de Valores). Atualmente, a violência doméstica mata cinco mulheres por hora (!) diariamente em todo o mundo;

– No Chile, na Tunísia e na Inglaterra, em caso de herança, o homem recebe mais do que a mulher. Na Tunísia, uma lei de 1956 prevê que um filho homem recebe o dobro da herança de uma filha mulher. Na Inglaterra, a casa da família será passada para o primeiro filho homem do casal, independente do número de filhas mulheres que tiverem nascido antes. Somente em 2012 (!) houve uma alteração na sucessão ao trono, que será dada ao primeiro filho do casal, independente de seu sexo;

– Na República dos Camarões, dentro um total de 18 países, um homem pode impedir que uma mulher trabalhe se ele for da opinião de que a atividade dela não irá contribuir para o bem da família. Uma lei como essa não é só discriminatória, mas impede que a mulher tenha renda independente e fuja da espiral da dependência e pobreza;

– Em 29 países do mundo, na Ásia e na África, o clítoris de meninas e mulheres é cortado como costume ancestral. Mais de 125 milhões de mulheres já foram vítimas dessa prática;

– A Arábia Saudita é o único país do mundo onde mulheres não podem dirigir carros!

O feminicídio é o ato máximo da violência contra a mulher, que não está só relacionado a violências externas (agressão, espancamento, estupro, assassinato, etc.) mas também a violências psicológicas (humilhação, coação, manipulação, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, vigilância constante, limitação do direito de ir e vir, etc.). No ano de 2015, o Brasil foi classificado como o quinto país com maior taxa de homicídio de mulheres. Segundo pesquisa da Datafolha, 33% da população brasileira diz acreditar que a vítima tem culpa em casos de estupro. Uma tristeza mundial: uma em cada cinco mulheres de até 18 anos já foi vítima de violência. Veja todas as formas de violência contra a mulher aqui.

Se você conhecer mais alguma lei ou proibição absurda contra mulheres, não deixe de incluí-la nos comentários. Se tiver algo a completar ou corrigir, agradeço por sua contribuição! Repasse este post, para que mais e mais mulheres entendam que precisamos ser amigas e irmãs umas das outras, lutando e defendendo o feminismo e a sororidade (irmadade entre mulheres). Muito obrigada!

Fontes: Jornal 20 Minutos da Suíça de 10/03/17, artigoTreibt Feminismus-Hype Männer in die Porno-Falle?”; website Global Citizen, artigo10 völlig absurde, frauenverachtende Gesetze, die auch heute noch existieren”, website La Informacion, artigo “La ablacion del clítoris se practica en 29 países de Asia y África”; website http://www.compromissoeatitude.org.br, artigo “Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa”; website http://www.agenciabrasil.ebc.com.br, artigo “Violência doméstica mata cinco mulheres por hora diariamente em todo o mundo”; página www.ultimosegundo.ig.com.br, artigo “Meus pais me ameaçavam com motossera”: veja casos de violência contra a mulher”, página www.cnj.jus.br, artigo “Formas de violência”.

::Trabalhar ou não trabalhar na Alemanha – eis a questão::

24/02/2017

Um texto escrito para brasileiras na Alemanha

Saiu um estudo recente da OECD mostrando que a Alemanha é um dos países onde as mulheres mais trabalham em período parcial. Na Alemanha, 70% das mulheres trabalham, e dentre elas, 30% em período integral e 40% em período parcial. Uma taxa de trabalho em regime parcial maior do que na Alemanha (dentre os países que fazem parte da OECD) só pode ser encontrada na Holanda e na Áustria. A bem da verdade, em alguns países como nos EUA ou na Suíça esta opção de trabalho parcial, além de muitas outras que facilitam a reinserção da mulher no mercado de trabalho, praticamente não existem, e muitas mulheres acabam parando de trabalhar por não terem condições de encontrar uma maneira de se reequilibrarem na corda bamba da vida como mães e profissionais.

Com relação à possibilidade de trabalho parcial na Alemanha, há muitas observações, a seguir:

– Esse é um direito garantido por lei na Alemanha para empresas acima de 15 empregados (Teilzeitgesetz). Uma mãe (ou pai) que requer, depois do Elternzeit (licença de 1-3 anos que se pode tirar para cuidar do filho), um regime de trabalho parcial, só pode ter seu pedido negado pela empresa por motivo de força maior;

– O mercado de trabalho alemão é realmente muito flexível e existem empregos de todos os tipos e constelações imagináveis, de poucas horas, algumas horas em alguns dias da semana ou no final de semana, com período limitado de duração, etc. – cada um monta seu esquema da maneira que lhe apetece;

– Observe-se que trabalhos em regime parcial são muito concorridos! Há muitas mães, muitas delas altamente qualificadas, buscando o mesmo tipo de trabalho: de preferência 4 horas por dia, durante o período da manhã;

– Como é de se esperar, o salário oferecido para trabalhos em regime de tempo parcial não é significativo e muitas vezes até menor (em termos de salário pago por hora) do que o salário pago para pessoas trabalhando em tempo integral. Portanto, caso apresente sua proposta de redução de carga horária, observe a regra de três!

– A consequência lógica, no caso de um salário baixo, é que as contribuições para a aposentadoria também serão baixas, e aí moram perigos bastante grandes! Há casos de separação onde a mulher fica desamparada no presente e a aposentadoria mais tarde terá um valor reduzido, muitas vezes não sendo suficiente para (sobre)viver. Acompanhei também o caso de uma senhora que sempre trabalhou em período parcial, seu marido faleceu aos 60 anos e ela se viu de um dia para o outro com uma renda bastante reduzida, pois como viúva tinha direito a parte da aposentadoria do marido, que ainda não tinha completado os anos necessários para uma aposentadoria normal, e o que ela recebia como salário em tempo parcial ainda era tomado em consideração para o cálculo de sua aposentadoria como viúva!

– Por último, acrescentaria a lógica de que um trabalho em período parcial ajuda a driblar o dia-a-dia, mas pode impedir o crescimento profissional, pois tarefas mais complexas geralmente exigem mais dedicação do funcionário. E sem o desenvolvimento profissional, o salário tende a ser o mesmo por muitos e muitos anos, com pouquíssima probabilidade de aumento de remuneração.

Mesmo tendo consciência de todos esses pontos, eu trabalhei durante os primeiros anos de vida do meu segundo filho no regime de 80% (de segunda a sexta, de 8 da manhã às 2h da tarde). Considero que foi um período muito bom, que me permitiu acompanhar meu filho de perto, me deu tempo para observar e realmente aprender a acompanhar as mudanças da natureza e me fez aprender a respeitar todas as mães: as que ficam em casa por opção, as que vão trabalhar em tempo parcial e as que, como eu, voltam a trabalhar em período integral.

As dificuldades encontradas por uma mãe que quer voltar ao trabalho, ainda mais em um país estrangeiro, são enormes. O idioma, a cultura, o sentimento de culpa, as dúvidas… A lista seria interminável. Eu diria que há vários pontos que contribuem para a decisão de voltar ao trabalho, mesmo tendo filhos pequenos:

– Você não perderá o contato com seus colegas e se manterá em dia com relação à tecnologia e aos sistemas empregados na empresa;

– Se manterá atualizada na sua área;

– Não terá que explicar um buraco no seu currículo mais tarde;

– Continuará contribuindo para sua aposentadoria;

– Terá chances contínuas de aumentos salariais;

– Manterá (nem que seja em parte) sua independência financeira;

– Encontrará, mesmo que depois de muita procura, paciência e grande antecedência de planejamento, uma rede para dar suporte ao dia-a-dia e aos períodos de emergência, formada por jardim de infância, creche, KiTa, Tagesbetreuung (cuidado diário depois do final das aulas com acompanhamento escolar e almoço), escola, professores, Tagesmütter (mães que se dispõem a cuidar de outros filhos, se formam e se organizam em associações), ajuda governamental nas férias escolares, parentes, amigos, etc. Já dizia um ditado africano que para se cuidar de um filho, precisa-se de um povoado inteiro! E mesmo o governo alemão dá bastante suporte através de programas como o Elterngeld, 10 dias de licença por ano no caso de filhos doentes (comprovadas pelo médico), previstos por lei tanto para mães quanto para pais, além de vários outros programas e leis.

Assim que tiver tomado a decisão do que é melhor para a sua vida, junto do seu parceiro, e de como irá organizar seu dia a dia, como e quando irá trabalhar, terá por certo que ter respostas afiadas e treinadas para todo tipo de pessoa que quiser se intrometer em sua vida e lhe ensinar o jeito «certo» de viver. Quando eu trabalhava em tempo parcial, vivia recebendo comentários de funcionários que queriam também sair mais cedo do trabalho, e me diziam que eu tinha uma «vida boa». Até que eu disse que todo funcionário tinha o direito de solicitar um trabalho em meio período, mas tinha também que aceitar metade do salário. Pronto, os comentários chatos se foram!… E quando trabalhava em tempo integral e meus filhos ainda eram pequenos, recebia comentários do tipo «coitada de você, que tem que trabalhar!» e minha invariável resposta era «coitada por que, se eu trabalho porque gosto?» Terá que organizar seu dia a dia para dias normais e alguns tantos anormais, tais como doenças, imprevistos, etc. Alguns dias não vão dar certo e seus planos vão ir por água abaixo, portanto será necessário aceitar que não há planos sem falha e não há perfeito sem defeito. Terá que relativizar seu sentimento de culpa, crescer na adversidade e descobrirá que todo ser humano tem suas dúvidas, mesmo as mães que ficam em casa, não só as que deixam seus filhos na escola todo dia para ir trabalhar. Terá que se organizar para garantir a comunicação dentro de casa, os momentos qualitativos (e não quantitativos) com seus filhos e a divisão de tarefas com seu parceiro. Não será uma questão dele lhe «ajudar» em casa, pois divide o mesmo chão com você, assim como seus filhos. Juntos, em casa, serão um time cooperativo onde todo mundo tem que ajudar.

Eu tenho plena consciência de que escolhi um caminho árduo, mas que vejo ser recompensado pela independência dos meus filhos e pelo meu desenvolvimento profissional. Tenho plena consciência também de que vários caminhos levam a Roma e não há um jeito único e certo de viver e de educar filhos. Respeito todas as opções, ao mesmo tempo que dou grande força para as mulheres que querem crescer profissionalmente e conquistar seu lugar ao sol como mães e profissionais, pois tempo trabalhado significa maior independência financeira hoje e sempre, além de garantia de aposentadoria mais tarde.

Fonte: Artigo do jornal Die Zeit sobre o estudo da OECD datado de 20/02/17, primeiramente lido e discutido no grupo Mães Brasileiras na Alemanha do Facebook.

::Imigração e mercado de trabalho na Alemanha – dados de 2015::

05/10/2016

Aqui um artigo super atual sobre a imigração e a prognose do nível de mão de obra para o futuro da Alemanha. Abaixo um resumo do artigo – tradução minha:

Em 2015, 2,1 milhões de pessoas imigraram para a Alemamha. Destes, quase um milhão de pessoas vieram da Comunidade Europeia e/ou solicitaram asilo. Somente 82.000 pessoas vieram de fora da Europa e destas, somente 5.867 através do Blue Card, por terem um alto nível de qualificação. Destas, somente 192 usaram a possibilidade de pedir um visto de 6 meses para a busca de emprego.

Em contrapartida, um milhão de alemães deixaram o país no mesmo ano. E o país volta a discutir sobre a possibilidade de instituir quotas para a imigração de mão de obra qualificada, baseadas em diplomas, conhecimento do idioma e experiência profissional. A proposta seria de que os selecionados recebessem um visto de um ano para a busca de emprego.

Está claro que a Alemanha precisa de pessoal qualificado, ainda mais quando se analisa o desenvolvimento demográfico do país. Mesmo que 200.000 pessoas imigrassem para a Alemanha por ano até 2030, o nível de mão de obra cairia ainda assim em 5 milhões ou ficaria 10% menor. Mesmo que o país consiga qualificar os asilados que acabam de chegar no país, ainda assim faltaria mão de obra para as empresas na Alemanha.

Fonte: artigo “Deutschland zieht kaum Fachkräfte an“ do jornal FAZ de 04.10.16

::Morre uma estrela::

21/06/2016

Quando me separei do meu ex-marido, finalmente me vi livre e voltei a ser dona da minha própria vida novamente, recuperando aos poucos minha auto-estima, meu nome, minha identidade… Foi, dentre outros, no livro desta grande escritora que descansei minha alma e juntei forças para continuar acreditando no amor, apesar de tudo. Por acaso fiquei sabendo que ela morreu ontem. E gostaria de prestar uma singela homenagem, apesar de não concordar com parte do que ela defendia. Não sou adepta nem do aborto e muito menos da eutanásia. Mas quem disse que tenho que concordar com tudo para considerar uma outra pessoa digna de respeito e admiração?

Fazendo uma pequena pesquisa na internet, descobri que há um filme baseado em um de seus maiores sucessos: Sal sobre a nossa pele, que tenho que ver! Alguém o conhece? Parece que quando esse livro foi lançado, em alemão Salz auf unserer Haut, em 1988, ele foi um escândalo e tanto!…

Que ela, Benoîte Groult, possa descansar em paz. Alguns de seus pensamentos, que devem servir para nós de lembrança de que a vida de muitas mulheres já foi muito, muito mais desigual que a nossa, mas estamos longe de atingir a sociedade egualitária que nos é de direito:

I was a Latin teacher, but being born a woman, I was considered incapable. Of course, I lived most of my married life before contraception and experienced the dark ages of illegal abortion. I had to ask my husband’s authorization to open a bank account to put in the money I had earned by my own work. And many other incapacities.

Eu era uma professora de latim, mas por ser mulher, era considerada incapaz. Claro que me casei antes da pílula anticoncepcional e experimentei a era negra do aborto ilegal. Tive que pedir licença ao meu marido para abrir uma conta de banco para guardar o dinheiro que eu recebia com o esforço do meu próprio trabalho. Além de muitas outras incapacidades.

Letzten Endes kommt es einzig darauf an, dass man seine Kinder liebt. Doch wenn man zu Hause eingesperrt ist, fängt man irgendwann an, die Kinder zu hassen. Ich hätte jeden Job angenommen, um nicht 24 Stunden am Tag auf mein Muttersein beschränkt zu sein.

No final das contas o mais importante é que amemos nossos filhos. Pois quando estamos presas às nossas casas, podemos começar a odiar nossas crianças. Eu teria aceitado qualquer tipo de trabalho para não ficar presa às atividades maternais durante 24 horas por dia.

Als ich 25 war und als Journalistin arbeitete, hatte ich immer noch kein Wahlrecht! In Deutschland konnten Frauen schon in den zwanziger Jahren wählen, das Wahlrecht für Frauen wurde in Frankreich erst 1944 eingeführt. 

Quando eu tinha 25 anos de idade e trabalhava como jornalista, não tinha o direito de voto! Na Alemanha as mulheres já tinham conquistado esse direito nos anos vinte, enquanto o direito ao voto feminino na França só foi institucionalizado em 1944.

Vermutlich muss man geraume Zeit in der Haut eines Menschen verbringen, der einem nicht ähnelt, ehe man zu dem wird, der man ist. Oder vielleicht hat man auch all diese vielfältigen Figuren in sich und muss von einer befreien, ehe man zur nächsten werden kann.

Talvez seja necessário viver a vida de outra pessoa por determinado tempo, para que possamos nos tornar quem somos. Ou talvez todas essas figuras vivam dentro de nós e temos que nos libertar de uma, para que a outra se torne realidade.

 

Groult era uma das feministas mais conhecidas da França. Enquanto François Mitterand estava no poder, ela liderou uma comissão que buscava denominações femininas para profissões até então só masculinas. Ela lutou pelo direito do aborto, da pílula anticoncepcional e mais tarde pelo direito à eutanásia.

Segundo ela mesma, Groult se tornou feminista contra sua própria vontade, porque teve muita dificuldade de ser feminina. Ela continuou como feminista, porque as mulheres alcançaram muitos avanços no âmbito privado, mas muito poucos no campo político. No começo dos anos 90 ela reconheceu que o movimento feminino estava perdendo forças. Em 1992, em Paris, ela declarou ao jornal “Stuttgarter Nachrichten” (Notícias de Estugarda), que o “feminismo estava fora de moda e o poder tinha voltado às mãos dos homens como há 20 anos atrás”.

A autora foi casada três vezes, teve um amante durante cinco décadas e no anel de seu último casamento tinha gravado, a pedido do marido que propôs um relacionamento aberto, “liberdade, igualdade e fidelidade”. Eles consideravam ser possível ter uma vida independente, inclusive sexualmente, enquanto demonstravam fidelidade em outros níveis e respeito um ao outro.

Groult morreu aos 96 anos na noite de terça-feira, 20 de junho de 2016, enquanto dormia. Como desejou, segundo informações de sua filha, sem dores. Do contrário, ela teria optado pela eutanásia, pois achava que a vida só valia a pena se pudesse ser vivida de maneira digna.

Que ela sirva de exemplo e inspiração para nós, para que não constatemos como ela, daqui a 20 anos, que não houve avanço nenhum para as mulheres. Pois, se não prestarmos atenção ao andar da carruagem, até corremos o risco de perder o que já alcançamos. Que saibamos agir nesse mundo de mídia social, onde é tão fácil aprender, elogiar e ofender, evitando toda e qualquer oportunidade onde a mulher é vendida como um produto de decoração, um ornamento bonito, um ser impensante mas bonitinho que esta ali, parado, sem voz, quieto no seu lugar, ou, no máximo, dançando como nas tardes de domingo da tevê brasileira. No dia a dia, temos que nos unir evitando piadinhas de mau gosto que denigrem a loira, logicamente burra, a dona de casa, com mãos pequenas para alcançar todo e qualquer cantinho, e tantas outras funções femininas. Dou graças a Deus por não ter vindo ao mundo na época em que uma mulher não tinha direitos que hoje são considerados óbvios, tampouco queria ter visto uma sociedade como a de Muhammad Ali, onde um negro não tinha o direito de pedir um café num bar da cidade, mas se olharmos bem para a nossa atualidade, veremos que ainda há muitas, insuportáveis aberrações, o mundo anda louco, e o machismo impera, calado e senhor de si, certo de seu poder.

P.S.: Se alguém quiser usar esta plataforma para homenagear alguma mulher, favor deixar um comentário abaixo. Eu e muitas outras leitoras, com certeza também leitores, agradecemos!

P.S.2-Por acaso, hoje, depois de 2.769 anos, uma mulher tomou o poder de Roma e será prefeita da cidade. Os nossos parabéns pra ela!

Fontes: página da autora no Facebook, reportagem da revista Spiegel e Brigitte Woman, página da Wikipedia.

::Re-nasce uma ativista – pelos direitos das mulheres, e pelo fim da cultura mundial do estupro::

14/06/2016

Desde meus tempos de universitária e aieseca não reconhecia um chamado tão claro quanto o de agora. Quanto mais leio e me informo, mais vejo que a situação da mulher no mundo ainda deixa muito a desejar. Ainda somos vítima de MUITA discriminação! Estamos ainda muitíssimo longe de existir de forma igualitária e de dividir a Terra de igual pra igual com os homens. Uma constatação triste, mas 100% verdadeira nos dias atuais, onde há casos de estupro sendo discutidos aos quatro ventos: a cultura do estupro é universal. No Brasil uma moça de 16 anos é estuprada por mais de 30 homens e estes só estão sendo julgados depois que uma delegada assumiu o caso; nos EUA uma moça foi estuprada dentro da universidade de Stanford, inconsciente, e o rapaz, reconhecido como estudante daquela universidade, bom nadador, leva pena leve de apenas seis meses (que poderia ter chegado a seis anos, por lei), porque, segundo o juiz, uma pena pior poderia ter consequências ruins para sua vida futura. Na Alemanha, a modelo Gina-Lisa Lohfink vai à Justiça contra dois estupradores, e de vítima passa a acusada, lutando no momento para não pagar uma multa de 24 mil euros por ter descrito que supõe ter sido dopada antes do estupro. O que aconteceu com ela foi em 2012, e há quatro (!) anos a fio um vídeo que os dois rapazes fizeram do estupro roda a internet e já foi clicado milhões de vezes, destruindo uma pessoa por dentro… E no Qatar uma holandesa foi estuprada, foi à Polícia e está presa no momento, pois no país o sexo é proibido antes do matrimônio… Quantas vezes mais veremos exemplos absurdos como estes???

GC

Portanto, estou buscando formas de agir em nome de minhas convicções. Re-nasce uma ativista, em idade adulta. Achei um grupo com o qual me identifiquei: Global Citizen. Se tiverem mais ideias de como podemos investir em causas atuais, agradeço pela sugestão.

Aqui o manifesto da Global Citizen traduzido agora para o português por mim:

Eu juro atuar contra leis que descriminem meninas e mulheres.

Muito poucas delas podem ir à escola ou têm acesso a um sistema de saúde, encontram um emprego que pague adequadamente ou têm direito a ser donas de terra. Eu me nego a aceitar esta desigualdade.

Uma em cada três mulheres sofrem violência durante suas vidas e milhões de meninas são casadas contra sua vontade. Mas isso não tem que ser assim.

Eu acredito em um mundo, no qual a metade da população não está submetida a leis sexistas e meninas têm a possibilidade de crescerem de forma saudável, podendo estudar e se tornar mulheres fortes.

Descriminação perante a lei é um dos maiores danos contra mulheres e meninas, pois o Estado não lhes oferece a proteção necessária. Em nome de uma igualdade de verdade não pode haver diferença entre homens e mulheres.

Mas leis não mudam sozinhas. Portanto temos que apoiar aqueles que lutam sem cessar por um mundo igualitário entre homens e mulheres, e temos que construir um movimento global. Eu declaro minha participação global ao Global Citizens e me coloco contra as leis que discriminam mulheres.

Vamos participar? Clique aqui.

::Mulheres admiráveis – a gata de Schrödinger::

16/05/2016

gato-quantica

Estava tentando engordar minha lista com mulhers admiráveis, que inclui algumas mulheres da minha família, Marilyn Monroe, Michelle Obama, Sheryl Sandberg, Angela Merkel, Hypatia, Hildegard von Bingen, dentre outras… Enquanto procurava, “por acaso” achei mais uma mulher admirável na internet, uma mineira que trabalha em Viena e é a responsável pela descoberta da “gata de Schrödinger”, a física Ph.D. Gabriela Barreto Lemos. Leia mais sobre ela aqui.

O mais bonito e emocionante nessa história é que ela descobriu algo que não consegue ainda explicar racionalmente em todos os seus detalhes. Sentiu que conseguiria fazer o que queria, mas não consegue explicar direito por que o gato reaparece na outra sala. Mas sua intuição disse que ela conseguiria fazer o experimento funcionar. Pensando num aspecto mais espiritual, a descoberta física prova que tudo está interconectado. Já tinha tomado a decisão de que incluiria esta hístoria no meu blog, quando “por acaso” reli um texto, final da novela Jóia Rara, que nem vi e nunca vi mais gorda, mas que fala exatamente sobre o que quis dizer com isso, quando reafirmo que estamos todos ligados uns aos outros:

— “Estamos aqui para falar da paz. Muitos seres estão sofrendo neste planeta por falta de paz. Ninguém fica em paz, nem quem sofre, nem quem causa a dor. A paz só existe no amor ao outro. E quem é o outro que devemos amar? Esses outros, meus amigos, somos nós mesmos. Nesta sala, cidade, país, planeta, galáxia, universo. Acreditem, tudo está interligado, somos todos uma teia, um corpo, num enorme tecido de vida. A ciência está chegando à conclusão de que as barreias fisicas que nos separam não existem, estamos todos juntos, somos todos uma coisa só. Devemos acredtiar que nosso pensamento negativo faz mal para o nosso vizinho. E que nosso sorriso aqui vai alegrar alguém do outro lado do mundo. A paz é uma decisão de cada um de nós, porque cada um tem dentro de si o amor, que é a verdadeira joia rara da vida”.

E o entrelaçamento quântico de pessoas que se amam e sentem muitas saudades umas das outras? Isso explicaria a telepatia, o fato de uma pessoa se sentir ligada à outra, de uma pensar na outra e ela de repente ligar pra ela, etc. e tal. Ah, tá bom vai, viajei na maionese!… Mas se você tiver mais sugestões de mulheres extraordinárias que podem entrar na minha lista, estou à disposição e aceito sugestões. Deixe seu comentário abaixo!

Fonte reportagens da O Globo e da Super Interessante.

::Mundo louco x mundo lindo::

29/03/2016

Num dia louco feito o de hoje onde, fica difícil acompanhar (e acreditar) nas atualidades.

Mulher passa 4 horas nadando atrás de navio

Uma mulher de 65 anos pula no mar atrás de um navio, achando que vai encontrar o marido com quem tinha brigado. Ela é resgatada 4 horas depois, passando muito frio nas águas de 18 graus da costa da ilha de Madeira, agarrada a uma malinha. O marido não se encontrava mais no navio; ele tinha ido, logo depois da briga, para o aeroporto, e voltado pra Bristol, na Inglaterra, onde morava.

Leis severas

Um homem rico na Suíça ultrapassa com seu carro esporte duas vezes a velocidade permitida (100 km/h ao invés de 60 km/h e 154 km/h ao invés de 120 km/h) e paga primeiro uma multa de 600 francos suíços, depois outra de 9.000 francos suíços e por último tem que entregar sua carteira de motorista por dois anos para as autoridades. Ele afirma não se importar com esse fato, pois o transporte público no país é muito bom e quando não está andando de trem ou de ônibus, tem seu chauffeur próprio. Lá as leis valem para todo ser mortal, não importando o poder aquisitivo ou a classe social da pessoa…

Tay – Inteligência Artificial espelha o extremismo dos dias de hoje

Tay

A Microsoft resolve fazer um experimento de Inteligência Artificial e coloca o robô Tay no Twitter, para bater papo, se divertir e aprender com os internautas. Tinham anunciado que ele poderia receber e comentar fotos, contar piadas e entreter a comunidade. Tay começa o dia saudando os internautas e dizendo o quanto os preza. Em menos de 24 horas, a exemplo do extremismo que assola a internet, ele se torna sexista e nazista, afirma que o Holocausto nunca aconteceu, elogia Hitler, fala mal do feminismo e incita o extermínio do México. A Microsoft tem que tirar Tay às pressas do ar, pedindo desculpas e afirmando que as ideias dele não são as mesmas da empresa. Tay aprendeu, em pouquíssimo tempo, a se deixar influenciar como uma criança sem opinião própria e provou o que a grande massa tem de pior…

Bélgica & Lahore – terrorismo e capitalismo

Em menos de uma semana, vimos dois atentados terroristas acontecerem, dentro do aeroporto e do metrô de Bruxelas, na Bélgica, matando mais de 30 e deixando mais de 300 feridos, e no feriado da Páscoa num parquinho com crianças cristãs em Lahore, no Paquistão, matando 70 pessoas, dentro elas 35 crianças e ferindo 340 outras… Como se a loucura dos dias atuais já não tivesse chegado ao limite máximo, trocamos o medo antigo da Guerra Fria, de uma Super Potência com um provável botão para acionar a bomba atômica, por todo e qualquer ser humano desacreditado e desiludido, que não conseguiu se integrar onde está, é ou está doente, psicopata, e não vê perspectiva para sua vida a não ser a de se explodir ou meter um avião na rocha, levando consigo centenas de inocentes… Um único ser humano se tornou uma arma eficaz e barata, a consciência (o a falta dela) está no comando.

Nem em uma hora dessas pára-se de tentar encontrar meios de fazer dinheiro. Por escolha própria, porque não quero virar produto pro Facebook, me nego a informar pro sistema onde moro. Por isso, eu e muitas outras pessoas bem longe de Lahore, espalhadas por todo o mundo, recebemos uma mensagem perguntando se estávamos passando bem, nos convidando a visitar o programa para assinalar que estamos vivos. Vai ver que a intenção era a de fazer com que os que não tinham determinado onde moram, o façam nesta ocasião, consequentemente aumentando o valor da empresa. Por via das dúvidas, o que pode ser interpretado como uma brincadeira de mau gosto e também como um ato solidário, virou uma pane declarada e o Facebook a anunciou, pedindo desculpas pelo ocorrido…

Enquanto isso, na Turquia…

O Erdogan acha que pode limitar a liberdade da imprensa, não só dentro da Turquia, mas também fora dela. Naquele país, quem tem opinião própria vai parar atrás das grades, e o embaixador alemão acaba de ser intimado para visitar Erdogan depois de uma sátira lançada pelo canal de tevê alemão NDR. Nela, afirma-se a verdade (falta de liberdade de expressão, prisão de repórteres, regalias do governo, pessos maltradas pela polícia, dentre tantas outras aberrações) e espera-se que, se ninguém pode ter opinião própria dentro da Turquia, que não venham com essa de propagar a verdade fora de lá… E o pior é que o governo alemão não comentou nada oficialmente depois do ocorrido, pois depende da Turquia nas negociações ligadas aos refugiados…

60 milhões de pessoas estão se movimentando pelo mundo no momento, em busca de um lugar melhor, mais calmo e mais digno pra viver. Muitas delas vieram desde o ano passado aqui para a Alemanha, pelo que eu tenho que tirar o chapéu para a chanceler Angela Merkel, que não mudou de opinião nem depois de ter sido criticada praticamente pelo país inteiro e de ter corrido o risco de perder seu posto de chanceler. A consciência foi posta acima do poder. Palmas para ela.

Tiro o chapéu e não saberia nem o que fazer mais, além de manter uma admiração profunda pelo Papa Francisco, que busca a linguagem do amor, acima de todas as religiões, e lava os pés de 12 refugiados de várias nacionalidades na Páscoa, contribuindo para o entendimento entre os povos e dando um exemplo de humildade e amor ao próximo. Mesmo que a igreja tenha sido reformada 30 anos em 3 anos, desde que ele ocupa o cargo, dentre tantas outras reformas necessárias falta ainda ele liberar os postos de liderança dentro da Igreja Católica para as mulheres. Por que não há (ainda) mulher padre, mulher bispo e mulher papa? Por quanto tempo?

Num mundo conturbado como o de hoje, tempos que voltar a atenção para as pequenas coisas e tentar nos concentrar no bem, quer seja ele conhecido ou desconhecido. Fecho esse post agradecendo a um desconhecido que achou a carteira do meu marido, perdida há algumas semanas na Baviera, e dela tirou somente o dinheiro, devolvendo o restante do conteúdo para a prefeitura da cidade onde a mesma tinha sido perdida, que por sua vez a enviou para a nossa cidade. Tudo o que foi deixado dentro da carteira vale uns 500 euros, inclusive um cartão anual para andar de trem, mais de 60 euros de tíquetes restaurante, documentos, fotos, sem falar na carteira em si, novinha, de couro. Existem muitas pessoas de bem. E nós, a cada segundo, temos a opção de ver o mundo sob o ângulo negativo ou positivo, de tentar sermos pessimistas ou positivistas, de incitar o mau ou de fazer o bem.  O livre arbítrio é todo nosso.

Fontes: praticamente todos os meios de comunicação da atualidade, dentre eles Twitter, Facebook, YouTube, revista Spiegel, jornal FAZ (Frankfurter Allgemeine Zeitung), website da Telekom, programa Extra 3 da NDR.

::Dia Internacional da Mulher::

07/03/2016

Amanhã é o Dia Internacional da Mulher e muitos dirão que uma data comemorativa como essa já está ultrapassada, mas é aí que muitos se enganam.

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Talvez digamos isso porque não temos consciência completa de que só existe data comemorativa para minorias, e somos claramente uma delas. Apesar de já representarmos na atualidade mais da metade das pessoas que frequentam uma universidade, seja em curso de bacharelado, mestrado ou doutorado, não formamos nem 15% do grupo de liderança das empresas, mesmo que vários estudos já tenham provado e todos saibam que empresas diversas, com mais de 30% de mulheres ocupando cargos de liderança, tendem a ter mais sucesso.

Eu era contras as quotas de toda e qualquer espécie, contra as quotas que foram adotadas no Brasil para a entrada na universidade, e apesar de adotar uma posição feminista, também era contra as quotas que estão sendo discutidas e adotadas aqui na Europa com relação à mulher em cargo de liderança para empresas de capital aberto. Isso porque eu busco Justiça, trabalho na área de recrutamento e seleção e sempre fui a favor de que o melhor candidato ocupe uma vaga em aberto, seja ele homem ou mulher. Esta foi a minha postura até o dia em que troquei ideias com um colega de trabalho, que já acompanha há 30 anos as discussões acerca da mulher no mundo dos negócios e diz que já está cansado de presenciar tanta discussão e tão pouca ação. Ele é a favor das quotas por um determinado período de tempo, pois só uma medida drástica como essa poderá modificar o cenário existente onde as mulheres são responsáveis por 70% das decisões de compra, mas ocupam a maioria dos cargos com menor poder de decisão e chegam a ganhar menos pelo mesmo trabalho desempenhado por um homem. Enquanto nos esforçamos em ser boas funcionárias e em agradar a chefia, admitindo honestamente o que sabemos e o que não sabemos numa entrevista de emprego, muitos homens estão ocupados se catapultando ou se mantendo no auge do poder, mantendo o estatus quo que tão bem conhecemos.

the-intern-200x300Nós, mulheres, temos ainda um defeito horrível de procurar sempre em nós a culpa para tudo o que não anda bem. Como no caso da personagem Jules Ostin do filme “Um Senhor Estagiário” (The Intern), que apesar de ter sucesso como CEO de uma start-up de moda e driblar seus dias entre o sono, escritório, trabalho em casa e os papeis de profissional, esposa e mãe, se dá toda a culpa e começa a buscar um sucessor, propondo-se a se desligar em parte de seu grande sonho e do sucesso empresarial conquistado, quando descobre que o marido a está traindo. Sugiro que o filme seja visto pelo maior número possível de mulheres, pois precisamos de mulheres neste mundo que admitam ter sonhos e que lutem por eles, que não se escondam atrás deles ou o escondam debaixo dos cobertores, se fazendo menores do que são. Precisamos de investir um tempo revendo o que já conquistamos nas últimas décadas mas também precisamos de coragem pra abrir a boca quando algo não vai bem, dentro ou fora do ambiente de trabalho. O preconceito, as tramas do poder, os comentários maliciosos, as “chegadas pra lá” não são uma exceção e não vão parar de existir só porque nós as ignorarmos. E, acima de tudo, temos que admitir que não somos nenhuma Mulher Maravilha, mas sim pessoas de carne e osso com muitos erros e limitações. Não podemos querer ser perfeitas e nos cobrar o impossível como mães, mulheres e profissionais, pois isso só nos levará à amargura. Precisamos dividir os fardos e os prazeres dentro e fora de casa. Que saibamos comemorar o Dia Internacional da Mulher e esperemos que um dia não exista razão para uma data comemorativa como essa, pois a mulher terá alcançado o espaço que lhe é de direito. Que tenhamos coragem pra sonhar… como eu sonhei, por exemplo, em um dia poder ver a Madonna, o Papa Francisco ou a Angela Merkel ao vivo e a cores, e que tenhamos fé, persistência e resiliência pra acreditar que nossos sonhos podem se tornar realidade. Eu, ainda que tenha que admitir que seja um tanto quanto teimosa e fora do normal, vi os três e quero continuar a sonhar.

P.S. – Dicas de mulher pra mulher:

MAKERS – The largest video collection of women´s histories

20 Inspiring TED Talks every woman should watch

Male Champions of Change

Se tiver dicas, deixe-as por favor nos comentários. Eu e as outras mulheres agradecemos!

P.S. 2 – Leia também aqui “Os direitos da mulher” e aqui “A Alemanha é uma sociedade machista?”


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