Archive for the ‘Pessoal’ Category

::A insegurança nossa de cada dia::

24/07/2017

Prometi pra mim mesma que vou voltar a escrever no blog com mais frequência. Logo hoje que comecei a observar que passavam muitos helicópteros na minha cabeça, durante o trabalho, e logo depois um colega veio me contar que um homem tinha invadido uma seguradora com uma motosserra, agredido cinco pessoas, deixando uma delas gravemente ferida. E isso bem perto da cidade onde trabalho.

Em poucos minutos eu já sabia detalhes do acontecido. O tragicômico é que se você busca por notícias em vários idiomas e em vários países, fica sabendo de detalhes diferentes da mesma notícia. Aqui na Alemanha ou na Suíça, por exemplo, muitas vezes não se anuncia o nome de uma pessoa que cometeu um crime, ou somente o nome com uma letra adicional do começo do sobrenome. Agora que estão buscando abertamente pelo foragido, decidiram anunciar o nome completo dele, data de nascimento, o máximo de informação de que dispunham. Mas antes disso na CNN o nome completo dele já estava sendo divulgado. Outra coisa curiosa foi como as primeiras pessoas ficaram sabendo do acontecido, lá no trabalho. Um colega, cuja mãe mora no Canadá, foi contatado por ela perguntando se estava tudo bem. Pouco tempo depois, o marido de uma colega francesa ligava preocupado.

Vi a foto da pessoa que tinha sido a autora daquela loucura, que foi fortemente informada como não ser um ataque terrorista. Ele estava foragido, fiquei sabendo da marca, cor e modelo do carro que dirigia, mostraram umas fotos suas, dizendo que ele tinha cortado os cabelos e estava careca. Ouvi uma representante da polícia dando detalhes do crime, e fiquei até um pouco orgulhosa de entender tudo, pois se tratava de alemão suíço, outro departamento pra quem fala alemão padrão.

Por um milisegundo pensei se poderia ir embora pra casa, se os trens não teriam parado de circular. Antes de sair, a notícia que eu não queria ler: talvez o foragido estivesse indo pra Alemanha… Exatamente pra onde eu estava indo!… Acabei tendo uma sorte danada, pois ao deixar o escritório, me encontrei com um colega, que me acompanhou até a estação de trem. Lá chegando, encontrei com um outro colega, que na realidade é meu vizinho e me acompanhou até eu chegar em casa. As reações, durante o caminho, foram mesmo assim inevitáveis: uma pessoa passou por mim correndo, fazendo esporte como mil e outras pessoas sempre fazem à beira do rio Reno, mas eu me assustei com ela. No caminho, começamos a conversar sobre o meu spray de pimenta e eu não o localizei na minha bolsa, mas imediatamente depois que entrei dentro de casa, e ele voltou pra dentro dela, por precaução. Dentro do trem e ainda na estação, eu observei todos os passageiros. E assim que cruzamos a fronteira, procurei pelos policiais alemães. Ao achá-los, com roupas à prova de bala e armas bem grandes, um alívio interno e um sentimento (falso) de segurança se instalaram. Na Suíça, a decisão da polícia tinha sido de ficar à paisana, para não afugentar o foragido, que era considerado perigoso e já tinha tido problemas por porte de arma ilegal por duas vezes nos últimos anos, mas que ainda não cumpriu pena, pois não tem endereço fixo e mora nas florestas…

Assim que coloquei a chave no cadeado da minha porta e entrei em casa, veio aquele alívio final: lar, doce lar!…

::Viajando e pensando sobre a vida::

25/05/2017

Se você for notar em todo país que chegar, mesmo não entendendo o idioma local, vai ver que as pessoas agem e sentem da mesma forma que você e podem até estar grupadas da mesma forma do seu país de origem. Há os que servem e os que são servidos. Os que venceram na vida e os que vivem à margem da vida. Há as famílias, atarefadas no seu mundo de crianças, fraldas, correrias, parquinhos, balões, sorvetes, sujeiras e afins. Há os homens e mulheres de negócio, vendo o mundo sob seus óculos do luxo à la Louis Vuitton. Há os vendedores de rua e sua interpretação do que é típico de seu país, do que é vendível para os olhos do consumidor. Há velhinhos em seu passo manso, com tempo pra tudo. Há os jovens, impulsionando as cidades com seu vigor, cor e sabor, visualmente lindos com pouca história e rugas pra carregar. Há gente de todas as idades e crenças buscando o sol.

Todos esses grupinhos coexistem no mesmo local, mas muitas vezes nem se notam, cada um segue sua rota. Cada um interpreta a vida da sua maneira, carrega suas dúvidas e crenças, mas a verdade é que todos buscam as mesmas coisas: alguém que goste deles como são, um teto sobre suas cabeças, um trabalho que lhes dê o pão de cada dia, um sentido para suas existências. Daí entendemos rápido que somos todos irmãos, passageiros do mesmo barco chamado Terra, perdidos num pontinho do universo, enxergando a realidade sob nossa perspectiva individual e chamando-a de verdade. Existem muitos bilhões de verdades andando por aí!…

::Por que ser feminista?::

12/03/2017

Quando eu era criança, queria falar tantas línguas quanto o Papa João Paulo II, que falava 40 línguas, e visitar todos os países do mundo, como ele visitava. Com o tempo, descobri que o Papa da minha infância lia o som dos idiomas, mas não falava tantas línguas, e decidi também que não quero visitar países onde mulheres tenham menos direitos do que homens. Alguns poderiam argumentar que esses países são poucos, outros poderiam dizer que são “só” os países muçulmanos, mas acabo de achar uma lista enorme de países onde a mulher vale bem menos do que o homem… Assim fica difícil viajar!… Pensando pelo lado positivo, espero que essas discrepâncias diminuam com o tempo e que a igualdade entre os sexos seja cada vez mais alcançada! A verdade é que em pleno século 21, onde os homens querem conquistar o espaço e estabelecer vida em Marte, muit@s ainda questionam e perguntam sobre o sentido do feminismo, e ainda há muito por conquistar para nós, mulheres.

Muito do que podemos hoje e consideramos claros direitos adquiridos do sexo feminino, foram direitos conquistados com o passar do tempo, frutos de muitas discussões e lutas, como por exemplo: o direito ao voto, ao divórcio, a frequentar uma universidade, trabalhar, ter conta própria no banco, dirigir, decidir se queremos ou não fazer sexo (também dentro do casamento)… a lista seria interminável se contássemos as desigualdades que ainda existem nos dias de hoje, nos quatro cantos do mundo: desigualdade de gênero, de salários, na divisão do trabalho doméstico, no tempo investido (e não remunerado) com o cuidado de familiares, a dependência feminina até a aposentadoria, para aquelas que não têm um salário próprio…

Enquanto isso, na Suíça, li recentemente um artigo dizendo que a atuação feminista das mulheres, como p.ex. as ações durante o Dia Internacional da Mulher, deixa os homens inseguros. Muitos deles, por não saberem direito mais como se portar perante uma mulher, preferem assistir filmes pornográficos no lugar de manter um relacionamento!… Mas a resposta, na realidade, é bem simples: um “não” significa um “não”!… Como dizia a minha avó: “quando um não quer, dois não brigam (ou brincam)”!… Cada par define o que está bem para eles  e os deixa felizes, definindo suas regras e compromissos aceitos entre as partes.

Vamos às leis absurdas que ainda imperam no mundo contra as mulheres:

– Uma mulher tem que permitir “sexo ilimitado” ao marido, assim que ela completar 15 anos na Índia e 13 anos em Singapura! No Yemen, onde o casamento entre crianças é algo muito comum, não existe nem uma idade mínima para tanto. Isso quer dizer que se um homem violentar sua mulher nesses países, ele não cometeu nenhum crime perante a lei;

– Na Tansânia, uma menina de 15 anos pode se casar com o consentimento de seus pais, ou até com 14 anos através de decisão judicial, se “razões importantes “ puderem ser consideradas, enquanto que meninos  só podem se casar aos 18 anos;

– Na Jordânia ou no Líbano, só é dada a nacionalidade automática destes países a filhos cujo pai seja jordaniano ou libanês. A nacionalidade da mãe não é levada em conta e não é transferida automaticamente ao seu filho. Se uma mãe jordaniana for casada com um homem de outra nacionalidade, seus filhos não terão o direito de receber a nacionalidade da mãe e perderão direitos como o de concorrer a empregos públicos ou ligados ao sistema de saúde e escolar;

– Em Malta, se uma mulher for raptada e decidir se casar com o agressor, este não precisará ser julgado perante a lei e não irá cumprir pena de prisão;

–  No Líbano, se uma mulher for raptada ou estuprada e o agressor se casar com ela em seguida, ele também estará livre de julgamento;

– Ainda há 46 países do mundo que consideram que a mulher é um acessório masculino e que só pode agir na esfera do seu consentimento, não lhes oferecendo proteção contra a violência doméstica. Na Nigéria um homem tem até o direito de bater em sua esposa, com o objetivo de castigo e repreensão, desde que desse castigo não resultem “danos irreparáveis e permanentes”. Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa (estudo de 2010 feito pela Asociación de la Encuesta Mundial de Valores). Atualmente, a violência doméstica mata cinco mulheres por hora (!) diariamente em todo o mundo;

– No Chile, na Tunísia e na Inglaterra, em caso de herança, o homem recebe mais do que a mulher. Na Tunísia, uma lei de 1956 prevê que um filho homem recebe o dobro da herança de uma filha mulher. Na Inglaterra, a casa da família será passada para o primeiro filho homem do casal, independente do número de filhas mulheres que tiverem nascido antes. Somente em 2012 (!) houve uma alteração na sucessão ao trono, que será dada ao primeiro filho do casal, independente de seu sexo;

– Na República dos Camarões, dentro um total de 18 países, um homem pode impedir que uma mulher trabalhe se ele for da opinião de que a atividade dela não irá contribuir para o bem da família. Uma lei como essa não é só discriminatória, mas impede que a mulher tenha renda independente e fuja da espiral da dependência e pobreza;

– Em 29 países do mundo, na Ásia e na África, o clítoris de meninas e mulheres é cortado como costume ancestral. Mais de 125 milhões de mulheres já foram vítimas dessa prática;

– A Arábia Saudita é o único país do mundo onde mulheres não podem dirigir carros!

O feminicídio é o ato máximo da violência contra a mulher, que não está só relacionado a violências externas (agressão, espancamento, estupro, assassinato, etc.) mas também a violências psicológicas (humilhação, coação, manipulação, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, vigilância constante, limitação do direito de ir e vir, etc.). No ano de 2015, o Brasil foi classificado como o quinto país com maior taxa de homicídio de mulheres. Segundo pesquisa da Datafolha, 33% da população brasileira diz acreditar que a vítima tem culpa em casos de estupro. Uma tristeza mundial: uma em cada cinco mulheres de até 18 anos já foi vítima de violência. Veja todas as formas de violência contra a mulher aqui.

Se você conhecer mais alguma lei ou proibição absurda contra mulheres, não deixe de incluí-la nos comentários. Se tiver algo a completar ou corrigir, agradeço por sua contribuição! Repasse este post, para que mais e mais mulheres entendam que precisamos ser amigas e irmãs umas das outras, lutando e defendendo o feminismo e a sororidade (irmadade entre mulheres). Muito obrigada!

Fontes: Jornal 20 Minutos da Suíça de 10/03/17, artigoTreibt Feminismus-Hype Männer in die Porno-Falle?”; website Global Citizen, artigo10 völlig absurde, frauenverachtende Gesetze, die auch heute noch existieren”, website La Informacion, artigo “La ablacion del clítoris se practica en 29 países de Asia y África”; website http://www.compromissoeatitude.org.br, artigo “Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa”; website http://www.agenciabrasil.ebc.com.br, artigo “Violência doméstica mata cinco mulheres por hora diariamente em todo o mundo”; página www.ultimosegundo.ig.com.br, artigo “Meus pais me ameaçavam com motossera”: veja casos de violência contra a mulher”, página www.cnj.jus.br, artigo “Formas de violência”.

::Trabalhar ou não trabalhar na Alemanha – eis a questão::

24/02/2017

Um texto escrito para brasileiras na Alemanha

Saiu um estudo recente da OECD mostrando que a Alemanha é um dos países onde as mulheres mais trabalham em período parcial. Na Alemanha, 70% das mulheres trabalham, e dentre elas, 30% em período integral e 40% em período parcial. Uma taxa de trabalho em regime parcial maior do que na Alemanha (dentre os países que fazem parte da OECD) só pode ser encontrada na Holanda e na Áustria. A bem da verdade, em alguns países como nos EUA ou na Suíça esta opção de trabalho parcial, além de muitas outras que facilitam a reinserção da mulher no mercado de trabalho, praticamente não existem, e muitas mulheres acabam parando de trabalhar por não terem condições de encontrar uma maneira de se reequilibrarem na corda bamba da vida como mães e profissionais.

Com relação à possibilidade de trabalho parcial na Alemanha, há muitas observações, a seguir:

– Esse é um direito garantido por lei na Alemanha para empresas acima de 15 empregados (Teilzeitgesetz). Uma mãe (ou pai) que requer, depois do Elternzeit (licença de 1-3 anos que se pode tirar para cuidar do filho), um regime de trabalho parcial, só pode ter seu pedido negado pela empresa por motivo de força maior;

– O mercado de trabalho alemão é realmente muito flexível e existem empregos de todos os tipos e constelações imagináveis, de poucas horas, algumas horas em alguns dias da semana ou no final de semana, com período limitado de duração, etc. – cada um monta seu esquema da maneira que lhe apetece;

– Observe-se que trabalhos em regime parcial são muito concorridos! Há muitas mães, muitas delas altamente qualificadas, buscando o mesmo tipo de trabalho: de preferência 4 horas por dia, durante o período da manhã;

– Como é de se esperar, o salário oferecido para trabalhos em regime de tempo parcial não é significativo e muitas vezes até menor (em termos de salário pago por hora) do que o salário pago para pessoas trabalhando em tempo integral. Portanto, caso apresente sua proposta de redução de carga horária, observe a regra de três!

– A consequência lógica, no caso de um salário baixo, é que as contribuições para a aposentadoria também serão baixas, e aí moram perigos bastante grandes! Há casos de separação onde a mulher fica desamparada no presente e a aposentadoria mais tarde terá um valor reduzido, muitas vezes não sendo suficiente para (sobre)viver. Acompanhei também o caso de uma senhora que sempre trabalhou em período parcial, seu marido faleceu aos 60 anos e ela se viu de um dia para o outro com uma renda bastante reduzida, pois como viúva tinha direito a parte da aposentadoria do marido, que ainda não tinha completado os anos necessários para uma aposentadoria normal, e o que ela recebia como salário em tempo parcial ainda era tomado em consideração para o cálculo de sua aposentadoria como viúva!

– Por último, acrescentaria a lógica de que um trabalho em período parcial ajuda a driblar o dia-a-dia, mas pode impedir o crescimento profissional, pois tarefas mais complexas geralmente exigem mais dedicação do funcionário. E sem o desenvolvimento profissional, o salário tende a ser o mesmo por muitos e muitos anos, com pouquíssima probabilidade de aumento de remuneração.

Mesmo tendo consciência de todos esses pontos, eu trabalhei durante os primeiros anos de vida do meu segundo filho no regime de 80% (de segunda a sexta, de 8 da manhã às 2h da tarde). Considero que foi um período muito bom, que me permitiu acompanhar meu filho de perto, me deu tempo para observar e realmente aprender a acompanhar as mudanças da natureza e me fez aprender a respeitar todas as mães: as que ficam em casa por opção, as que vão trabalhar em tempo parcial e as que, como eu, voltam a trabalhar em período integral.

As dificuldades encontradas por uma mãe que quer voltar ao trabalho, ainda mais em um país estrangeiro, são enormes. O idioma, a cultura, o sentimento de culpa, as dúvidas… A lista seria interminável. Eu diria que há vários pontos que contribuem para a decisão de voltar ao trabalho, mesmo tendo filhos pequenos:

– Você não perderá o contato com seus colegas e se manterá em dia com relação à tecnologia e aos sistemas empregados na empresa;

– Se manterá atualizada na sua área;

– Não terá que explicar um buraco no seu currículo mais tarde;

– Continuará contribuindo para sua aposentadoria;

– Terá chances contínuas de aumentos salariais;

– Manterá (nem que seja em parte) sua independência financeira;

– Encontrará, mesmo que depois de muita procura, paciência e grande antecedência de planejamento, uma rede para dar suporte ao dia-a-dia e aos períodos de emergência, formada por jardim de infância, creche, KiTa, Tagesbetreuung (cuidado diário depois do final das aulas com acompanhamento escolar e almoço), escola, professores, Tagesmütter (mães que se dispõem a cuidar de outros filhos, se formam e se organizam em associações), ajuda governamental nas férias escolares, parentes, amigos, etc. Já dizia um ditado africano que para se cuidar de um filho, precisa-se de um povoado inteiro! E mesmo o governo alemão dá bastante suporte através de programas como o Elterngeld, 10 dias de licença por ano no caso de filhos doentes (comprovadas pelo médico), previstos por lei tanto para mães quanto para pais, além de vários outros programas e leis.

Assim que tiver tomado a decisão do que é melhor para a sua vida, junto do seu parceiro, e de como irá organizar seu dia a dia, como e quando irá trabalhar, terá por certo que ter respostas afiadas e treinadas para todo tipo de pessoa que quiser se intrometer em sua vida e lhe ensinar o jeito «certo» de viver. Quando eu trabalhava em tempo parcial, vivia recebendo comentários de funcionários que queriam também sair mais cedo do trabalho, e me diziam que eu tinha uma «vida boa». Até que eu disse que todo funcionário tinha o direito de solicitar um trabalho em meio período, mas tinha também que aceitar metade do salário. Pronto, os comentários chatos se foram!… E quando trabalhava em tempo integral e meus filhos ainda eram pequenos, recebia comentários do tipo «coitada de você, que tem que trabalhar!» e minha invariável resposta era «coitada por que, se eu trabalho porque gosto?» Terá que organizar seu dia a dia para dias normais e alguns tantos anormais, tais como doenças, imprevistos, etc. Alguns dias não vão dar certo e seus planos vão ir por água abaixo, portanto será necessário aceitar que não há planos sem falha e não há perfeito sem defeito. Terá que relativizar seu sentimento de culpa, crescer na adversidade e descobrirá que todo ser humano tem suas dúvidas, mesmo as mães que ficam em casa, não só as que deixam seus filhos na escola todo dia para ir trabalhar. Terá que se organizar para garantir a comunicação dentro de casa, os momentos qualitativos (e não quantitativos) com seus filhos e a divisão de tarefas com seu parceiro. Não será uma questão dele lhe «ajudar» em casa, pois divide o mesmo chão com você, assim como seus filhos. Juntos, em casa, serão um time cooperativo onde todo mundo tem que ajudar.

Eu tenho plena consciência de que escolhi um caminho árduo, mas que vejo ser recompensado pela independência dos meus filhos e pelo meu desenvolvimento profissional. Tenho plena consciência também de que vários caminhos levam a Roma e não há um jeito único e certo de viver e de educar filhos. Respeito todas as opções, ao mesmo tempo que dou grande força para as mulheres que querem crescer profissionalmente e conquistar seu lugar ao sol como mães e profissionais, pois tempo trabalhado significa maior independência financeira hoje e sempre, além de garantia de aposentadoria mais tarde.

Fonte: Artigo do jornal Die Zeit sobre o estudo da OECD datado de 20/02/17, primeiramente lido e discutido no grupo Mães Brasileiras na Alemanha do Facebook.

::Paixão alemã::

25/10/2016

tigre

Lá pelos idos do ano de 2000, depois que cheguei a ter medo de que o mundo iria acabar na virada do ano, ao voltar de uma viagem do Brasil fui intimada pelo meu marido de outrora para ir escolher um gato pra nossa família. Até então, gato não era o que eu exatamente poderia chamar de “amigo”: tinha tido alergia a gatos quando criança e não consegui me aproximar de animal nenhum durante toda a minha infância e adolescência – eles lá, eu cá. Tinha aprendido que nós, humanos, estávamos (muito!) acima deles.

Os gatos chegaram na nossa casa, irmãos, bem nenenzinhos, e como dupla permaneceram por muito pouco tempo, pois um deles morreu em seguida. Por ter pena do gato sozinho, tentamos arrumar companhia para o gato principal, mas a primeira tentativa não deu certo. Perdi meu peso na consciência depois de entender que gato gosta de ficar sozinho e, além do mais, dorme durante grande parte do dia. Durante esse período de peso na consciência, chegamos a tentar levar o gato, que era essencialmente de apartamento, pra passear, mas não funcionou. Nem coleira, nem passeio. O gato rastejou no chão e parecia carregar mil livros no lombo… Quando queria passear, ele subia no telhado da casa e poderia ser visto do outro lado, tomando sol ou caçando passarinhos…

Nosso gato principal viveu vários momentos legais conosco. Foi fantasiado numa festa de Halloween e ganhou uma lanterna na cabeça pra correr atrás do próprio ponto de luz. Corria e batia na parede atrás de um reflexo de relógio e foi lançado da cama para nosso armário no quarto quando meu marido se sentiu incomodado por ele (e eu cheguei a pensar que era nosso filho voando pelo quarto)…

Meditava e tomava muito sol. Soube aproveitar a vida, ao lado de muitos que o amaram. Fazia massagens e praticava reiki. Era terapeuta! Antes mesmo de sabermos de um ponto que doía no nosso corpo, ele mostrava o local, fazia massagem e aplicava energia curativa.

Junto de um novo gatinho que recebemos depois que ele já era vovô, fez cocô pela casa toda, até no meio dos colchões da minha cama de casal e debaixo do tapete que tinha ganhado de presente de casamento. Os dois pintaram o sete, fizeram xixi por todo canto, espalharam partes do lixo pela casa e destruíram parte dos meus móveis. Depois de destruir grande parte deles, o Tigre, Tigrinho, “Tigger” ou Tiggi em alemão, ganhou um novo local para afiar suas unhas…

Ficou traumatizado depois que o levamos no veterinário pra ser castrado. Teve duas casas. Acompanhou muitas mudanças, altos e baixos, achou que tinha ficado sozinho pra sempre toda vez que viajamos, viu um neném vir ao mundo e fez greve de fome porque não queria aceitar dividir a atenção de sua dona com ele (ou será que ele era o verdadeiro dono do pedaço?). Passou vários anos em pé de guerra com meu filho e depois de uns cinco anos os dois finalmente fizeram amizade.

Teve uma saúde de ferro, que só foi abalada por um livro grosso que, por azar, caiu nas suas costas e machucou seus nervos. Lutou contra a homeopatia prescrita pela dona, cuspindo cada bolinha dificilmente enfiada em sua boca, e, sem querer, quase foi morto por Paracetamol. Por sorte olhei antes no Google: gato + Paracetamol = morte.

Foi e sempre será um gato insubstituível, companheiro de meus filhos e de toda a família, leal, caridoso, sábio, terapeuta, zen. Tem cadeirinha cativa na primeira fileira do meu coração e pra mim vale muito, muito mais do que muitos seres de duas patas, senhores de si, espalhados por este mundo lindo e cruel.

Mostrava o caráter das visitas. Recepcionava meu filho na porta de casa. Esquentou as mãos da minha irmã por vários dias seguidos no inverno. Cuidava da gente quando estávamos em casa. Sentava em cima do celular ou do teclado pra ganhar carinho. Refazia a energia do ambiente. Sumia quando lhe dava na telha. Caiu do telhado ou fugiu pela porta algumas vezes, mas sempre voltou pra casa.

Viveu por 17 anos e nos acompanhou por quase 16 anos e meio, durante quase toda a minha vida na Alemanha. Morreu de morte natural, depois que conseguiu se despedir de todos os cantos da casa e de todos os integrantes da família, e vai viver pra sempre na nossa memória. Somos muito gratos por sua existência e por termos podido dividi-la com ele! Que ele esteja em um lugar especial reservado aos bons, quer sejam homens, quer sejam animais.

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Aqui um pouco mais de suas peripécias. Aqui algo para rir um pouco, especialmente para aqueles que têm gatos em casa.

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Há dois meios de refúgio contra as misérias da vida: música e gatos.
Albert Schweitzer

Gatos são poemas ambulantes.
Kligerman Murray

Eu conheci muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria de gatos é infinitamente superior.
Hippolyte Taine

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção.
Artur da Távola

No princípio, Deus criou o homem, mas ao vê-lo tão fraco, deu-lhe o gato.
Warren Eckstein

De todas as criaturas de Deus, somente uma não pode ser castigada. Essa é o gato. Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.
Mark Twain

Mulheres e gatos agem como bem entendem. Homens e cães deveriam relaxar e acostumar-se com isso.
Robert A. Heinlein

::10 Confissões de Terça-Feira::

25/10/2016

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Já saí em matéria de jornal no Japão

Tenho vários amigos virtuais (e reais!) pelo mundo

Tinha um gato sábio e terapeuta (ele me tinha em seu reino)

Conheço gente que vê aura (de várias cores e tamanhos)

Às vezes, penso numa pessoa e ela aparece

Já encontrei por acaso uma chinesa que conhecia, totalmente sem planejar, num parque em São Diego nos EUA (logo depois de ter pedido pra escrever os nomes do povo daqui de casa em chinês pra uma outra chinesa desconhecida…)

Vejo sinais em borboletas, borboletas como sinais

Abro livros no meio, procuro e leio “recados”

Leio vários livros ao mesmo tempo

Minha multiplicidade me faz ser voada (e aceitar que sou um simples ser humano cheio de pontos enigmáticos e erros diários)

 

::Viajando de trem pela Floresta Negra::

05/10/2016

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Se você nunca tiver feito essa viagem, não deixe de fazê-la o quanto antes: pegue um trem no extremo sul da Alemanha, por exemplo na região do Lago de Constança, e vá até Offenburg, na fronteira com a França, bem pertinho de Strassburgo.

É uma viagem inesquecível! Você vai passar por 33 túneis, entender por que a Floresta Negra tem esse nome (devido à densidade de árvores umas perto das outras, a floresta fica mesmo negra), além de admirar as paisagens, cidadezinhas e arquitetura da região.

Em maio, o verde já está radiante. Em dezembro, de preferência com neve, é como se vc estivesse em um conto de fadas, tudo branquinho à sua volta, paz total. Vai passar pela cidade cuja estação de trem é a mais alta da Alemanha (St. Georgen, que fica a 899 metros acima do nível do mar) e se admirar com a quantidade de placas solares que povoam os detalhes ígremes da região. Vai se admirar com castelos no alto das montanhas (a primeira coisa que me deixou boquiaberta quando cheguei na Alemanha). Vai passar por lindas planilhas e depois se perguntar como foi que se animaram a construir cidades nos vales mais profundos da floresta, se expandindo montanha acima.

É realmente um verdadeiro espetáculo para os olhos! Vale super a pena e é uma das minhas viagens favoritas. Fica a dica!

::Morre uma estrela::

21/06/2016

Quando me separei do meu ex-marido, finalmente me vi livre e voltei a ser dona da minha própria vida novamente, recuperando aos poucos minha auto-estima, meu nome, minha identidade… Foi, dentre outros, no livro desta grande escritora que descansei minha alma e juntei forças para continuar acreditando no amor, apesar de tudo. Por acaso fiquei sabendo que ela morreu ontem. E gostaria de prestar uma singela homenagem, apesar de não concordar com parte do que ela defendia. Não sou adepta nem do aborto e muito menos da eutanásia. Mas quem disse que tenho que concordar com tudo para considerar uma outra pessoa digna de respeito e admiração?

Fazendo uma pequena pesquisa na internet, descobri que há um filme baseado em um de seus maiores sucessos: Sal sobre a nossa pele, que tenho que ver! Alguém o conhece? Parece que quando esse livro foi lançado, em alemão Salz auf unserer Haut, em 1988, ele foi um escândalo e tanto!…

Que ela, Benoîte Groult, possa descansar em paz. Alguns de seus pensamentos, que devem servir para nós de lembrança de que a vida de muitas mulheres já foi muito, muito mais desigual que a nossa, mas estamos longe de atingir a sociedade egualitária que nos é de direito:

I was a Latin teacher, but being born a woman, I was considered incapable. Of course, I lived most of my married life before contraception and experienced the dark ages of illegal abortion. I had to ask my husband’s authorization to open a bank account to put in the money I had earned by my own work. And many other incapacities.

Eu era uma professora de latim, mas por ser mulher, era considerada incapaz. Claro que me casei antes da pílula anticoncepcional e experimentei a era negra do aborto ilegal. Tive que pedir licença ao meu marido para abrir uma conta de banco para guardar o dinheiro que eu recebia com o esforço do meu próprio trabalho. Além de muitas outras incapacidades.

Letzten Endes kommt es einzig darauf an, dass man seine Kinder liebt. Doch wenn man zu Hause eingesperrt ist, fängt man irgendwann an, die Kinder zu hassen. Ich hätte jeden Job angenommen, um nicht 24 Stunden am Tag auf mein Muttersein beschränkt zu sein.

No final das contas o mais importante é que amemos nossos filhos. Pois quando estamos presas às nossas casas, podemos começar a odiar nossas crianças. Eu teria aceitado qualquer tipo de trabalho para não ficar presa às atividades maternais durante 24 horas por dia.

Als ich 25 war und als Journalistin arbeitete, hatte ich immer noch kein Wahlrecht! In Deutschland konnten Frauen schon in den zwanziger Jahren wählen, das Wahlrecht für Frauen wurde in Frankreich erst 1944 eingeführt. 

Quando eu tinha 25 anos de idade e trabalhava como jornalista, não tinha o direito de voto! Na Alemanha as mulheres já tinham conquistado esse direito nos anos vinte, enquanto o direito ao voto feminino na França só foi institucionalizado em 1944.

Vermutlich muss man geraume Zeit in der Haut eines Menschen verbringen, der einem nicht ähnelt, ehe man zu dem wird, der man ist. Oder vielleicht hat man auch all diese vielfältigen Figuren in sich und muss von einer befreien, ehe man zur nächsten werden kann.

Talvez seja necessário viver a vida de outra pessoa por determinado tempo, para que possamos nos tornar quem somos. Ou talvez todas essas figuras vivam dentro de nós e temos que nos libertar de uma, para que a outra se torne realidade.

 

Groult era uma das feministas mais conhecidas da França. Enquanto François Mitterand estava no poder, ela liderou uma comissão que buscava denominações femininas para profissões até então só masculinas. Ela lutou pelo direito do aborto, da pílula anticoncepcional e mais tarde pelo direito à eutanásia.

Segundo ela mesma, Groult se tornou feminista contra sua própria vontade, porque teve muita dificuldade de ser feminina. Ela continuou como feminista, porque as mulheres alcançaram muitos avanços no âmbito privado, mas muito poucos no campo político. No começo dos anos 90 ela reconheceu que o movimento feminino estava perdendo forças. Em 1992, em Paris, ela declarou ao jornal “Stuttgarter Nachrichten” (Notícias de Estugarda), que o “feminismo estava fora de moda e o poder tinha voltado às mãos dos homens como há 20 anos atrás”.

A autora foi casada três vezes, teve um amante durante cinco décadas e no anel de seu último casamento tinha gravado, a pedido do marido que propôs um relacionamento aberto, “liberdade, igualdade e fidelidade”. Eles consideravam ser possível ter uma vida independente, inclusive sexualmente, enquanto demonstravam fidelidade em outros níveis e respeito um ao outro.

Groult morreu aos 96 anos na noite de terça-feira, 20 de junho de 2016, enquanto dormia. Como desejou, segundo informações de sua filha, sem dores. Do contrário, ela teria optado pela eutanásia, pois achava que a vida só valia a pena se pudesse ser vivida de maneira digna.

Que ela sirva de exemplo e inspiração para nós, para que não constatemos como ela, daqui a 20 anos, que não houve avanço nenhum para as mulheres. Pois, se não prestarmos atenção ao andar da carruagem, até corremos o risco de perder o que já alcançamos. Que saibamos agir nesse mundo de mídia social, onde é tão fácil aprender, elogiar e ofender, evitando toda e qualquer oportunidade onde a mulher é vendida como um produto de decoração, um ornamento bonito, um ser impensante mas bonitinho que esta ali, parado, sem voz, quieto no seu lugar, ou, no máximo, dançando como nas tardes de domingo da tevê brasileira. No dia a dia, temos que nos unir evitando piadinhas de mau gosto que denigrem a loira, logicamente burra, a dona de casa, com mãos pequenas para alcançar todo e qualquer cantinho, e tantas outras funções femininas. Dou graças a Deus por não ter vindo ao mundo na época em que uma mulher não tinha direitos que hoje são considerados óbvios, tampouco queria ter visto uma sociedade como a de Muhammad Ali, onde um negro não tinha o direito de pedir um café num bar da cidade, mas se olharmos bem para a nossa atualidade, veremos que ainda há muitas, insuportáveis aberrações, o mundo anda louco, e o machismo impera, calado e senhor de si, certo de seu poder.

P.S.: Se alguém quiser usar esta plataforma para homenagear alguma mulher, favor deixar um comentário abaixo. Eu e muitas outras leitoras, com certeza também leitores, agradecemos!

P.S.2-Por acaso, hoje, depois de 2.769 anos, uma mulher tomou o poder de Roma e será prefeita da cidade. Os nossos parabéns pra ela!

Fontes: página da autora no Facebook, reportagem da revista Spiegel e Brigitte Woman, página da Wikipedia.

::Re-nasce uma ativista – pelos direitos das mulheres, e pelo fim da cultura mundial do estupro::

14/06/2016

Desde meus tempos de universitária e aieseca não reconhecia um chamado tão claro quanto o de agora. Quanto mais leio e me informo, mais vejo que a situação da mulher no mundo ainda deixa muito a desejar. Ainda somos vítima de MUITA discriminação! Estamos ainda muitíssimo longe de existir de forma igualitária e de dividir a Terra de igual pra igual com os homens. Uma constatação triste, mas 100% verdadeira nos dias atuais, onde há casos de estupro sendo discutidos aos quatro ventos: a cultura do estupro é universal. No Brasil uma moça de 16 anos é estuprada por mais de 30 homens e estes só estão sendo julgados depois que uma delegada assumiu o caso; nos EUA uma moça foi estuprada dentro da universidade de Stanford, inconsciente, e o rapaz, reconhecido como estudante daquela universidade, bom nadador, leva pena leve de apenas seis meses (que poderia ter chegado a seis anos, por lei), porque, segundo o juiz, uma pena pior poderia ter consequências ruins para sua vida futura. Na Alemanha, a modelo Gina-Lisa Lohfink vai à Justiça contra dois estupradores, e de vítima passa a acusada, lutando no momento para não pagar uma multa de 24 mil euros por ter descrito que supõe ter sido dopada antes do estupro. O que aconteceu com ela foi em 2012, e há quatro (!) anos a fio um vídeo que os dois rapazes fizeram do estupro roda a internet e já foi clicado milhões de vezes, destruindo uma pessoa por dentro… E no Qatar uma holandesa foi estuprada, foi à Polícia e está presa no momento, pois no país o sexo é proibido antes do matrimônio… Quantas vezes mais veremos exemplos absurdos como estes???

GC

Portanto, estou buscando formas de agir em nome de minhas convicções. Re-nasce uma ativista, em idade adulta. Achei um grupo com o qual me identifiquei: Global Citizen. Se tiverem mais ideias de como podemos investir em causas atuais, agradeço pela sugestão.

Aqui o manifesto da Global Citizen traduzido agora para o português por mim:

Eu juro atuar contra leis que descriminem meninas e mulheres.

Muito poucas delas podem ir à escola ou têm acesso a um sistema de saúde, encontram um emprego que pague adequadamente ou têm direito a ser donas de terra. Eu me nego a aceitar esta desigualdade.

Uma em cada três mulheres sofrem violência durante suas vidas e milhões de meninas são casadas contra sua vontade. Mas isso não tem que ser assim.

Eu acredito em um mundo, no qual a metade da população não está submetida a leis sexistas e meninas têm a possibilidade de crescerem de forma saudável, podendo estudar e se tornar mulheres fortes.

Descriminação perante a lei é um dos maiores danos contra mulheres e meninas, pois o Estado não lhes oferece a proteção necessária. Em nome de uma igualdade de verdade não pode haver diferença entre homens e mulheres.

Mas leis não mudam sozinhas. Portanto temos que apoiar aqueles que lutam sem cessar por um mundo igualitário entre homens e mulheres, e temos que construir um movimento global. Eu declaro minha participação global ao Global Citizens e me coloco contra as leis que discriminam mulheres.

Vamos participar? Clique aqui.

::Saudade::

20/04/2016

Saudade é uma palavra densa

Profunda no significado

Quanto menos a gente pensa

Se vê por ela fisgado

 

Uma noite, tudo em paz

Tudo por mim conhecido

Em menos de um segundo

Vejo-me pego e vencido

 

Um sentimento de perda

Um vão, um adeus

Invariavelmente aquela cerca

Dita o que é de Deus

 

Uma lágrima no olho

Doces lembranças

Parte do meu miolo

Muitas esperanças

 

Inspirada por Rainer Maria Rilke


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