Posts Tagged ‘acidente’

::E-Bike com salsicha::

11/08/2019

No ano passado experimentei meu primeiro passeio com uma bicicleta elétrica alugada, feito junto da minha família e por ocasião da visita da Raquel (www.canalbackpackingalone.com), que aliás já está me devendo outra visita em breve!

Em seguida, meu marido comprou uma bicicleta elétrica, que ele usa para ir ao trabalho e com a qual já andou mais de mil quilômetros, meu filho usa sua bicicleta normal para ir para a escola, faça chuva, neve ou faça sol, e eu continuava não motorizada, aguardando uma boa oferta ou oportunidade de comprar a minha tão sonhada bicicleta elétrica.

Quando a oportunidade apareceu, eu pensava que era só ir numa loja, dizer o que queria, experimentar dois, três modelos e sair dali guiando minha bicicleta pra casa. Ledo engano! Eu sou baixinha, não há muitos modelos no meu tamanho, há muitos detalhes a serem considerados e acabei saindo da primeira loja sem bicicleta, um tanto quanto frustrada.

Nova tentativa, várias bicicletas testadas, uma bicicleta na oferta e finalmente encontrei minha nova companheira de aventuras! Ela me pôs muito mais em contato com a natureza, me deu mais liberdade, diminuiu as distâncias e fez com que o ir e vir ficasse ainda mais gostoso! Recomendo! Foi definitivamente a melhor compra deste ano!Em alguns meses, já andei mais de 250 km com ela, apesar de que já tenha colecionado dois acidentes, que já deram à minha bicicleta um aspecto de bicicleta usada e com algumas boas marcas de uso. Antes ela do que eu!

No primeiro acidente, um ciclista profissional em alta velocidade me cortou numa curva. Se meu marido não tivesse me avisado, eu teria sido atingida em cheio! Dei um freada de forma um tanto quanto brusca e caí pro lado. A bateria, que não estava colocada de forma correta no seu suporte, se soltou da bicicleta e fez um voo próprio. Voltou ao seu lugar cheia de pequenas e médias marcas. Eu saí ilesa, como que por milagre. Antes ela do que eu!

No dia do segundo acidente, chovia o tempo todo. Quando parou de chover, tivemos a ideia de ir visitar minha cunhada. Numa rampa só de ciclistas, fui desafiada pelo meu filho pela pergunta de „quem chega lá no alto primeiro”, coloquei uma marcha muito leve e aumentei a potência elétrica da bicicleta, e acabei dando uma boa escorregada na curva. Quebrei o suporte da iluminação fronteira da bicicleta, estraguei um pouco um dos pedais, girei o guidon e… esfolei ambos os joelhos, que incharam e ardiam aos montes. Chegando na minha cunhada, expliquei o que tinha acontecido e pedi gelo. Ela me disse que não tinha. Eu pedi então uma bolsinha de gel (Kühlpack), que toda mãe ou avó tem em seu refrigerador para pequenos acidentes domésticos. Ela me disse que não tinha nenhum. Eu pedi pra ela qualquer coisa gelada, pois precisava de tentar diminuir o inchaço dos dois joelhos. Eis que ela tirou do refrigerador uma salsicha típica alemã (Bratwurst), guardada dentro de uma bolsa de plástico. Foi com ela que eu prestei os Primeiros Socorros ao meu corpo, e devido à sua forma de sorriso, ela se acoplou perfeitamente ao meu joelho inchado… Depois de um tempo em uso, ela já estava pronta para ir para a panela. Bom, antes ela, do que eu!…

silhouette of person riding on commuter bike

Foto por Flo Maderebner em Pexels.com

 

::Viagem a Bamberg, uma cerveja diferente e uma enquete::

11/03/2010

No final de semana passado estivemos em Bamberg, patrimônio cultural da humanidade que fica na Baviera (Franken). Íamos de carro, mas depois de 50 Km e de não conseguirmos ver mais absolutamente NADA além de 360° de neve (até a rodovia desapareceu sob a neve!), fomos obrigados a voltar e mudar a alternativa para uma viagem de trem.

Eu duvidava que viajar de trem fosse ser possível no sábado passado, pois a nevasca, o frio e o vento eram tantos, que o nosso limpador de para-brisas estava se congelando, apesar de termos o carro aquecido do lado de dentro a 22,5°C. Meio incrédulos, compramos as passagens e embarcamos, depois das 3 horas da nossa “voltinha” de carro.

A viagem foi incrível! Primeiro porque o Matthias estava inspirado e quase me matou de rir. Aqui em casa ele se chama de “Big Kahuna” (vulgo o “chefe” da casa) e eu sou pra ele a “kleine Kahine” (pequena Kahine – segundo ele, “chefe” e “sub-chefe” em havaiano)… Bom, então eu parei de frente pra estação ferroviária da 1a. cidade que conseguimos alcançar depois que desistimos de fazer a viagem de carro, e pedi pra ele sair pra dar uma olhada nos horários dos trens. Só que o frio era imenso, além da neve, do vento, de tudo afinal. Ele perguntou pra mim:
– Mas por que eu é que tenho que sair lá fora pra fazer isso?
– Porque você é o “big Kahuna”!
– Humpf! Selective “big Kahuna”… (sou o chefe só de forma seletiva…)
Ele foi e voltou com os horários. E se bem que é verdade mesmo: eu sou a chefa, e ele também é, quando o momento é apropriado, hehehe…

Depois eu enchi o saco dele pelo sobrenome dele. Imaginem, ele odeia neve e se chama “Schnee”. Olha a ironia! Comentando sobre isso, em Bamberg me contaram que um conhecido se chamava “Winter” (inverno), se casou e mudou seu nome para “Heiß” (quente). Boa mudança, né?

Eu continuava a tagarelar e o Matthias não parava de tirar sarro da minha cara, porque na correria pra pegar o trem tinha deixado tudo o que tinha trazido pra ler pra trás. Sem ter o que fazer, comecei a limpar minha bolsa. Claro que ele fez altos comentários sobre, segundo ele, minha “Atomikkofferchen” (malinha atômica), hehehehe…

Depois ele perguntou se eu estava me sentindo bem sem ter papel por perto, e se era pra ele ir ao banheiro e pegar um pedaço de papel higiênico pra mim, pra eu me sentir melhor… Minha acusação:
Du bist frech wie Oskar! (tipo: você é sem-vergonha feito o Oskar – pra quem gosta de idiomatismos (Redewendungen), aqui uma boa lista com informações sobre este e várias outras expressões comuns da língua alemã.

Na falta do que ler, eu falava na viagem sem parar. Enquanto que o Matthias estava doido pra dormir. Por fim me convenceu argumentando que no próximo trem não teríamos assentos tão bons como no ICE. E nisto ele tem razão, pois não há mesmo viagem melhor de trem na Alemanha do que em um ICE. Deixei ele dormir e tentei dormir também, ou fechei os olhos por alguns minutos…

Fui acordada por – acreditem se quiser – um céu azulaço e SOL batendo em mim! Tudo parecia um sonho, o tipo de paisagem que eu mais amo: céu azul, sem nuvens, muito sol e a neve brilhando. Não parecia mesmo que tínhamos acabado de sair de uma nevasca… Muito doido. Mas mesmo assim o último final de semana vai entrar pra história como o que eu mais vi neve durante todo o caminho de trem passando por grande parte do sul da Alemanha…

Adorei Bamberg! Já tinha ido lá outra vez e não tinha tido a oportunidade de conhecer a parte histórica, e portanto tinha achado a cidade feia. Mas desta vez reconheci que ela tem seu charme, tem uma parte histórica linda (a mais bem preservada da Alemanha!) e à noite tem bastante movimento por lá! Fizemos um passeio pelas ruas da cidade, aprendendo sobre sua história e seu passado. E depois fomos a uma das cervejarias da cidade (Schenkerla) e tomamos um tipo de cerveja que eu nunca tinha experimentado antes: cerveja com gosto de salsicha defumada (Rauchbier)! Ela tem sua origem por causa da época do jejum, onde não se pode comer nada, mas beber (ainda mais com um gostinho de salsicha, hehehe) é permitido! Imaginem, tenho que dizer que o gosto é bastante sui generis, por ser uma cerveja escura de malte defumado. Pra quem quiser provar a cerveja, aqui mais informações sobre a cervejaria que visitamos, que serve aliás muita comida típica e gostosa da região, e vende a cerveja no mundo todo, inclusive no Brasil através deste site aqui.

Saindo da cervejaria, fomos num bar onde estava tocando jazz. De repente a Taísa ligou. Ela estava desesperada ao telefone, dizendo que tinha acontecido uma coisa horrível. Eu comecei a me preparar, achando que ela estava mal ou tinha acontecido um acidente com ela, com medo de não poder ajudá-la à distância. Felizmente o dano foi só material: o Tigger (nosso gato) derrubou um vaso enorme em cima do nosso fogão e quebrou a parte da frente do painel em mil pedacinhos… Hoje já pedi um novo painel para o nosso fogão, até mais moderno, e vou tentar recuperar o valor através do seguro contra danos domésticos (Haushaltsversicherung), apesar de eu achar que isso não vai funcionar, pois seguros são conhecidos por praticamente nunca valerem quando se precisa deles… Mas… vale a pena tentar, não é mesmo? Cerankochfeldplatte Unfall Mineirinha n'Alemanha

Este passeio foi o 1° que fizemos sozinhos desde o nascimento do Daniel, que passou o final de semana na casa da tia. Como o tempo passa rápido, não é mesmo? Foi legal pra, passado o susto do começo da viagem, recarregarmos as baterias e descansarmos “só” como casal, apesar das dificuldades com a neve e do susto com o telefonema da Taísa.

Semana passada fui também à Nürnberg e agora tenho três cartões postais comigo, que quero dividir com vocês. Vou começar por um cartão postal, à escolha de quem ganhar o sorteio, e depois sorteio os outros dois. Para tanto, criei pela 1a. vez uma enquete. Prometo que envio o cartão postal pra qualquer lugar do mundo! Participe clicando abaixo e deixe seu comentário registrando sua participação!

::Os anjos dos expatriados e um acidente de bicicleta::

19/02/2010

Lendo um post lindo e motivante da Eve, me lembrei do meu primeiro dia na Alemanha, quando não teria conseguido mesmo dar os primeiros passos sem o auxílio deles – dos anjos dos expatriados.

Quando a gente menos espera, lá estão eles, quebrando vários galhos e nos impulsionando pra frente. Eu não sabia usar os carrinhos do aeroporto de Frankfurt, que se movem quando você põe uma moedinha nele E empurra o lugar que se põe as mãos (“Griff“, como se chama isso em português?) pra baixo. E lá estava eu, com tudo no carrinho, moedinha no lugar, mas não conseguia mover o carrinho. Alguém chegou e me ajudou. E muitos outros “alguéns” foram aparecendo naquele dia, pra comprar a passagem de trem na máquina, pra descer com as pesadíssimas malas pra plataforma de embarque… Viva os anjinhos dos expatriados! Quando foi a última vez que eles aparecem para você?

Pra mim foi hoje de manhã mesmo. A Taísa me ligou, alguns minutos depois de ter saído de casa, aos prantos, avisando que tinha caído da bicicleta e perguntando se podia voltar pra casa. Um segundo depois eu já estava ligando pro meu trabalho pra avisar que chegaria mais tarde pois iria com ela pro hospital, e também liguei pra escola dela avisando que ela tinha tido um acidente. Ao vê-la e dar uma espiada no joelho, cujo sangue tinha vazado para a calça jeans ralada, vi que o machucado não era grande e prestei-lhe primeiros socorros, como boa Ersthelferin (prestadora de primeiros socorros) que sou. Queria levá-la para o hospital para ter certeza que o osso do joelho estava intacto, mas na hora ela não quis ir. Indo pro trabalho, pensei na diferença entre o “ist vom Fahrrad gestürzt” e o nosso “caiu da bicicleta” (e não “ist vom Fahrrad gefallen“) e agradeci por não ter acontecido nada sério com ela. Ela caiu num lugar que estava cheio de sal, que é usado para proteger o chão da neve e na realidade com o propósito de tornar o caminho mais seguro, mas no caso dela funcionou ao contrário.

À tarde ela me ligou falando que o joelho continuava doendo e que queria ir ao médico. Marquei consulta e pedi pro Matthias ir com ela, pois já tinha outro compromisso no mesmo horário, junto do Daniel. Eles chegaram com boas notícias: o médico disse que o joelho dela está intacto, que ela tem um “joelho-modelo” e que – o que ela não gostou muito – o joelho dela está quase chegando no tamanho adulto. Ele disse que ela pode crescer ainda uns 6 cm, pois há vários locais no corpo que indicam o crescimento de uma pessoa. Disso ela gostou!

Importante: se você sofrer um acidente no caminho para a escola ou para o trabalho (ou de lá no caminho pra casa) na Alemanha, não se esqueça de comentar este fato com o médico que te atender. Ele vai repassar a informação para a Berufsgenossenschaft (corporação profissional responsável pelo seguro de acidentes obrigatório), que vai cobrir toda e qualquer consequência advinda do acidente. Se a pessoa ficar impossibilitada de trabalhar, p.ex., ela pode vir a receber uma indenização deste seguro.

::360 graus – ida e volta à Espanha::

08/06/2009

Tô de volta da Espanha, chegamos no sábado à noite. Acho que toda vez que volto de uma viagem fico um pouco depressiva. Por um lado, porque eu amo viajar. E por outro, porque quando chego em casa de uma viagem tem um bolão de roupa pra lavar, a casa por arrumar, as pendências para colocar em dia… e com as “maravilhas do mundo moderno”, nossa querida internet, acho que chega até a ser “normal” eu me sentir muito atrasada em relação ao tempo “perdido” durante as férias, com tanta notícia por ler e tanto e-mail por responder. Achei quase 500 (!) e-mails no meu computador em casa e 250 (!) e-mails no trabalho, misturados num mundo só deles de e-mails prestáveis (com conteúdo, além de pedidos do livro) e imprestáveis (spams), tirando a pilha de cartas, revistas e jornais por ler, coisas para consertar… Bahhhhhh! E o pior é que o meu computador aqui em casa é bem velhinho e tudo tem que ser feito bem devagarzinho, senão ele não aguenta a barra!

Ao chegar hoje em casa do trabalho, o Matthias teve a idéia de irmos no Media Markt, pois nosso telefone de casa, pra variar, pifou (ou foram só as pilhas que acabaram, ainda temos que descobrir exatamente o motivo de estarmos “incomunicáveis” no momento). E como eu poderia prever, achei mil e uma coisinhas lá naquela loja de eletro-eletrônicos que mais parece um paraíso para quem gosta de técnica (ou para quem só gosta de usá-la, feito eu). O Daniel ganhou finalmente o filme que ele pediu de presente de aniversário, o Matthias comprou as pilhas que precisávamos e um filme, e eu, logo depois de dar uma passadinha na seção “folclore”, onde sempre há alguns CDs de música brasileira… fiquei lá, grudada nos computadores, mesmo sem ter planejado uma compra logo agora, ainda mais agora que acabamos de chegar de férias. Mas…. Como o Media Markt está com uma promoção de 30 meses sem juros, e como eu achei “o” computador dos meus sonhos, resolvi me deixar ser seduzida por aquele que será meu companheiro de escrita de agora pra frente. Mas a sedução está sendo lenta, daquelas boas. Pois o problema é que não pude trazê-lo pra casa, já que tinha retirado meus cartões de banco de dentro da carteira na Espanha, como medida de precaução, e não tive como comprovar minha conta de banco, sendo que teremos que voltar lá amanhã para buscá-lo. Já comecei a pensar em um nome pra ele (apaixonada, eu?!?), pois na nossa família todos que são “queridos”, sendo animal, gente ou coisa, têm nome, como todos carros que os meus pais tiveram, os animais do sítio do meu pai (ele tinha uma cabra chamada “Gretchen”, quem se lembra daquela cantora? ;-)), o meu carro (“Brasileirinho”, por ter as cores do Brasil, sendo verde/amarelo por fora e azul por dentro) e por aí vai. O Matthias sabe que escolho minhas coisas pelas cores, e não pela potência ou qualidades técnicas, mas assim como quando escolhi meu carro e me apaixonei por suas cores, tendo um amigo do lado para me dizer que a potência e o custo-benefício estavam bons, tive hoje o Matthias para me dizer que meu próximo computador poderá me acompanhar por alguns anos. Ele já tinha me avisado que este aqui, um PC de uns 6 anos, já morreu e eu não o deixava partir e eu tenho que lhe dar razão.

E como foi a Espanha? Ótima! Estivemos entre a fronteira da França e Barcelona, na região da Catalunia. Adoro aquele jeito internacional daquele povo, que fala catalão mas traduz tudo sempre para o espanhol, francês e alemão, sendo que nas duas últimas línguas por causa dos turistas. Aquela é a região onde o Salvador Dalí nasceu, e eu sou louca por sua arte, sempre se reinventando em si própria. Finalmente visitamos sua casa em Portlligat, pertinho da “Ouro Preto com mar”, a cidade de Cadaqués. Neste dia tivemos um pequeno acidente com o carro, mas como diz a minha mãe, quem não tem nada para perder, perde a vida”. Estava ventando muito na região, o vento Tramontana, que é o vento que vem dos Pirineus, fazia com que não pudéssemos curtir muito uma praia, mas nos dava de presente um sol azulaço e muito, muito, muito sol. Acho que recarreguei as baterias para todo o ano, de tanto sol que pegamos. E o melhor foi que bem no comecinho das férias fomos por dois dias a um parque de diversões imenso e muito legal, o PortAventura perto de Tarragona, e por termos aproveitado as muitas atrações (inclusive uma montanha russa com 7 loopings) e muitos shows lindos dos parques temáticos do Mediterrâneo, Polinésia, China, México e Western, achamos que nossas férias deram uma “espichada” e ficou parecendo que estivemos 4 semanas fora. Quase no finalzinho visitamos um outro parque chamado Family Fun Park, onde também passamos um dia legal com a família do Matthias, que mora em parte lá e nos recebeu super super bem.

Constatei que a Espanha tem um brilho e um sol que me estavam fazendo muita falta. As cores são mais intensas, o dia é muito mais claro, e eu sou totalmente dependente de cores e de luz. Talvez por minha alma cigana já estar precisando de mudar de perspectiva, pensei até que gostaria de morar lá (nem que fosse por uns meses durante o ano). E os vinhos, os frutos do mar, os azeites de oliva, a salsicha Fuet, os bocadillos (sanduíches deliciosos para todos os gostos)??? Compramos dois vinhos brancos, um que me fazia dormir logo depois de dar duas ou três bicadas no copo, que eu aliás só bebia misturado com muita água, e outro moscatel, que me deixava feliz e levinha. Se eu morasse na Espanha, iria beber muito mais vinho! A Espanha, como não poderia deixar de ser, está passando pela mesma crise e pelos mesmos problemas enfrentados aqui na Alemanha: alta taxa de desemprego, principalmente de jovens (um a cada três está desempregado), inflação, problemas ligados à imigração, crise no setor imobiliário… Lendo os jornais, percebi que lá há muito mais mortes e agressões entre casais. Quase todo dia se podia ler sobre um homem que agrediu – ou matou – sua mulher. Quis saber por que, e me disseram que o espanhol (sem generalizações, claro) ainda é muito machista.

Minhas férias em relação ao mundo começaram a terminar no dia em que fiquei sabendo da caída do avião da Air France. Na última vez que fomos ao Brasil, também fizemos a viagem com esta companhia, mas pela rota São Paulo-Paris. Mesmo assim dá um frio na barriga pensar que poderíamos ter sido nós os mortos naquele acidente. Uma alemã daqui de pertinho do Bodensee estava no avião, uma espanhola da região da Catalunia, que voltava de sua lua de mel no Brasil, também estava naquele avião. O mundo dividiu a dor e o medo também passou pertinho, mesmo para mim que sempre tive muitíssimo prazer em voar. Li demais e me informei sobre muitíssimos detalhes dos perigos da aviação, e na realidade acho que a Air France ainda tem muito a pesquisar e explicar, para que possamos saber realmente as causas do acidente. As 32 nacionalidades envolvidas no acidente e as pessoas que foram separadas de seus entes queridos de maneira tão trágica merecem explicações exatas do que aconteceu durante aquele voo. Felizmente, com a liberdade de imprensa de hoje em dia, chegar-se-á aos fatos, espero. O fato é que no momento perdi a confiança de voar com Airbus, até que se prove que este tipo de avião é realmente seguro.

O Matthias me contou hoje que um vizinho do nosso prédio ficou todo feliz e aliviado ao ver nosso carro chegando no sábado, pois ele ouviu do acidente com a Air France e teve medo de que tivéssemos ido de férias para o Brasil. Bonitinha a atenção dele, não é mesmo? 🙂

::A primeira bicicleta a gente nunca esquece::

26/04/2009

O Daniel ganhou a primeira bicicleta com pedais de presente. Bicicleta com pedais? Sim, a bicicleta anterior era sem pedais e tinha sido um presente da vovó do Brasil. Ela parece ser um artigo pouco conhecido no Brasil, se não estou enganada. Na Alemanha há vários modelos diferentes de bicicletas sem pedais que podem ser vistos no site da Amazon. Achei uma bicicleta parecida de madeira no Brasil que se chama “Bichiclo” aqui.

Sempre me disseram aqui na Alemanha que através da bicicleta sem pedais a criança aprenderia a ter equilíbrio bem mais rápido e não iria precisar de bicicleta com rodinha, e isso realmente é verdade: ele aprendeu a andar de bicicleta em poucas horas! Só não sabe ainda frear direito, o que estamos treinando com ele… O mais curioso é que o capacete protetor dele foi mais caro do que a própria bicicleta, pois por conhecer meu filho e seu jeito destemido comprei um bom capacete, novinho em folha, e a bicicleta foi de segunda mão, porque ela vai servir só para alguns meses neste ano e depois vai ser passada pra frente. Para quem por ventura ainda não conheça as palavras : Laufrad (literalmente “roda para andar”) é a bicicleta sem pedais, Fahrrad (“roda para conduzir”) é a com pedais e Kinderfahrradhelm (capacete de bicicleta para crianças) significa capacete protetor.

Se você está também procurando uma boa bicicleta usada para curtir o sol na Alemanha, agora nesta época há bons mercados de bicicleta usadas, pequenos anúncios nos jornais e mesmo em lojas especializadas é possível perguntar por bicicletas de segunda mão, como no caso da bicicleta do Dani, que foi encontrada numa dessas lojas. Bons passeios!

P.S.-Escrevi este texto ontem à noite e deixei para publicá-lo hoje. O capacete já mostrou sua utilidade hoje, pois o Daniel desceu uma rampa bem longa de bicicleta, bateu o rosto de frente no portão de uma garagem e chegou em casa com o Matthias e com a Taísa chorando até, com a boca e o nariz todo ensanguentados!… Felizmente, além de um corte de 1 cm por dentro dos lábios, não aconteceu nada mais!… Ele chegou até a desmaiar depois do choque, e agradeço por nao tê-lo visto mais uma vez inconsciente, por nao ter visto o acidente e acima de tudo por ele não ter perdido dentes! O mais incrível é que passada uma hora, onde ele ficou deitado com gelo na boca, chorou ainda em estado de choque e só podia tomar bebidas com um canudinho, o papai perguntou se ele queria andar de bicicleta e ele respondeu imediatamente que sim!…

::Chuva n’Alemanha::

28/07/2008

Hoje à tarde choveu uns 20 minutos. Foi uma chuva fortíssima, caiu até granizo e o vento estava muito forte, quebrou até um galho de uma árvore enorme do nosso jardim. Como o lago está super cheio, pensei com meus botões: “o lago vai ficar mais cheio ainda!”. Passados alguns minutos tocaram insistentemente no interfone daqui de casa. Ouvi só o vizinho chato gritando, achei que a garagem estava aberta, pedi a Taísa ir lá fechar. Que nada! Descemos todos e a garagem estava com uns 25 cm de água, o que significa que todo o subsolo estava debaixo d’água. Todos os vizinhos ajudaram a tirar a água da garagem e de todo o subsolo de todas as formas possíveis: com bomba de água, baldinho, pazinha, pá de neve, rodo, esfregão… Depois foi a vez do corredor. Por último, o porão, onde a água chegou a uns 10 cm. Lá dei de cara com minhas lembranças. Uma caixa inteira de fotos estava toda ensopada. Outra caixa com coisas da minha irmã, há anos lá embaixo desde que ela se mudou daqui. Tirei 4 baldes d’água de lá secando os cantos com as mãos, pois no subsolo todinho nao há um ralo para escoar a água, só do lado de fora da garagem. Nós, os vizinhos do prédio, dissemos uns pros outros que hoje foi nossa “festa de verão”.

Pra completar o Daniel escorregou na água de costas e bateu a cabeça no chão. Passados alguns minutos o Matthias e a Taísa vieram me mostrar, vi que o corte era grande e pedi pra eles o levarem pro hospital. Lá, perguntaram por que ele esteve lá da outra vez, no acidente quando parou de respirar por alguns segundos. Não deram pontos, mas rasparam, desinfeccionaram e colaram o corte. Ele reagiu tão bem que ganhou até um certificado de bom comportamento e 3 seringas pra brincar. Quando eles voltaram eu estava no 4° balde no porão, pensando nas minhas fotos. A reação do Matthias me ensina sempre e muito: tudo o que a água destruiu nao é nada que o dinheiro não possa comprar.


%d blogueiros gostam disto: