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::Estudo acusa pessimismo e solidão entre crianças alemãs::

17/01/2010

Ia traduzir e comentar este artigo, que tinha lido no jornal da minha cidade, mas acabo de achá-lo já traduzido no site da Deutsche Welle. Indico como leitura para quem tenha interesse por assuntos atuais da Alemanha, mais especificamente as crianças alemãs.

Os pontos-fortes das observações baseadas na pesquisa são os seguintes:
A gerente da UNICEF na Alemanha, Regine Stachelhaus, diz que “os jovens na Alemanha veem suas perspectivas de futuro de maneira muito mais pessimista que os de outros países industrializados. Quase 25% dos meninos e meninas de 15 anos de idade acham que só conseguirão trabalhos pouco qualificados após se formarem. E isso significa que um em cada quatro jovens vê seu futuro profissional de forma bastante pessimista.” Stachelhaus nota que muitos jovens na Alemanha se consideram marginalizados. Um número alto de estudantes no país afirmou se sentir deslocado, e cerca de um em cada três jovens de 15 anos se sente só. Quanto à questão da satisfação de vida, crianças e adolescentes alemães se encontram entre os últimos, no 18º lugar (de um total de 21 países). Isto também mostra, acredita Stachelhaus, que uma parcela considerável de adolescentes e jovens na Alemanha não se sente aceita.

Fonte: Artigo da Deutsche Welle.
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Conversando com minha filha, de 14 anos, e meu marido, ambos confirmaram que acreditam no resultado da pesquisa. Taísa disse que ela conhece muitos adolescentes alemães que não têm um bom relacionamento com os pais, que praticamente não têm assunto nem com a mãe e que praticamente não passam o tempo juntos. Talvez sejam estranhos vivendo dentro da própria casa… Ela disse que conhece poucas famílias onde as pessoas se gostem, respeitem, se aceitem, convivam bem e até brinquem umas com as outras como aqui em casa. Ela percebe que quanto mais dinheiro as famílias têm, mais distantes vão estar seus membros, pois com “muito dinheiro é mais fácil comprar uma televisão e colocá-la no quarto do filho”, ou é mais fácil saciar a necessidade de carinho e atenção com outros métodos. Ela disse que conhece adolescentes que, se tivessem uma geladeira dentro do quarto, não teriam razão para interagir com outros membros da família, já que “tudo o que precisam fica dentro de suas próprias quatro paredes…” Se o contato verbal já é difícil, o contato físico é praticamente inexistente. E quem não sente falta de um carinho?

Eu disse pra Taísa que acho que aqui na Alemanha há muitas vezes um vazio entre as pessoas. Ela observou que esse vazio é maior no caso dos adultos, que querem ter sempre a razão, são orgulhosos, invejosos e têm dificuldade de aceitar seus próprios erros. Ela notou que em brigas de família, muitas vezes a briga já existe há tanto tempo que se as pessoas forem perguntadas por que motivo brigaram, nem elas mesmas saberão responder esta pergunta, ou responderão cada vez alegando outro motivo. Ela nota que os jovens conseguem se desculpar mais rápido, conversam mais entre si, riem mais, são mais abertos e mais flexíveis. Hoje li uma afirmação da Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança morta no terremoto do Haiti, que me deixou altamente pensativa por sua verdade: “Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças.”


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