Posts Tagged ‘África do Sul’

::Fim de um sonho::

08/07/2010

Que pena que a Alemanha perdeu, né? Mas a verdade é que os espanhóis dominaram o jogo e ganharam por merecimento. Como nunca ganharam uma Copa em sua história, esta seria agora uma boa oportunidade que eles deveriam transformar em realidade.

A revista Spiegel, além de outras mídias aqui na Alemanha, comenta que o futebol contribui para mudar a imagem do país no exterior, de pessoas disciplinadas mas sem graça, para pessoas animadas e que gostam de festejar. Ele também contribui para “colorir” o país, pois abrigou 11 jogadores de um total de 23 cuja origem era estrangeira, representando assim a realidade atual do país e consegue portanto passar para o exterior uma imagem de um país mais aberto e moderno, com um novo patriotismo saudável.

O futebol alemão foi elogiado pelos quatro cantos do mundo (até os ingleses simpatizaram com o futebol da Alemanha e reconheceram suas qualidades – veja aqui) e apesar dos jogadores não voltarem pra casa com o 1° lugar, serão com certeza muito festejados quando chegarem aqui. Os alemães acreditam ter jogado bem na Copa e vêm a partida perdida como um ganho de experiência para seu desenvolvimento futuro. A opinião aqui é que os alemães perderam ontem para o melhor time do mundo da atualidade. Que a Espanha ganhe no próximo domingo!

::Sorriso no rosto :-)::

06/07/2010

Foi uma delícia assistir este vídeo, menos pela comemoração brasileira quanto à eliminação da Argentina, mas muito, muito mais pela saudade que bateu do Brasil ao assistir aos melhores momentos do último jogo entre a Alemanha e a Argentina e poder ouvir os comentários cheios de emoção do narrador brasileiro. 🙂
Curtam comigo:

Agradeço ao grupo Brasucas Bodensee pelo envio do vídeo! E vocês sabiam disso? O Klose fez até agora mais gols do que o Pelé e a reportagem acim diz até que ele está próximo de alcançar o Ronaldo. Confiram na RAPortage do grupo Blumentopf (Vaso de Flores) abaixo:

::Alemanha x Argentina::

03/07/2010

A vitória da Alemanha de hoje à tarde foi fantástica, não é mesmo? Nem a própria Alemanha acreditava que ganharia da Argentina com uma goleada de 4:0. A diferença entre os dois times saltou aos olhos do mundo: de um lado os argentinos, liderados pelo Maradona, senhores de si, centro do mundo, invencíveis, com a “mão de Deus”, e do outro a Alemanha, que tem um bom time e que trabalha em conjunto com eficiência e prazer, sinergia pura. O Lahm, o capitão da seleção alemã, acaba de ser entrevistado na tevê e disse que tinha como objetivo oferecr ao país uma tarde de verão com uma boa partida de futebol, se possível com uma vitória, e que isto pôde ser alcançado e portanto ele estava super feliz.

Desta vez, nós estávamos na praia aqui de perto de casa e assistimos o jogo em um bar ao ar livre, tomando uma cervejinha. Perto de nós haviam algumas crianças de uns 10 anos de idade que entendiam muito de futebol e faziam vários comentários, mostrando estar super bem informados. Uma graça! O torcedor alemão assiste o jogo bem mais calmo do que nós brasileiros, só comenta sua opinião com a pessoa ao lado e bate muitas palmas, se levantando e comemorando na hora dos gols. No mais, são quietinhos e silenciosos. Eles batem palmas quando um bom lance acontece, quando um jogador sai, quando o goleiro faz uma boa defesa. Acho que bater palmas é mesmo um ato típico alemão, que vale também para outras ocasiões, como para acompanhar uma música ritmada. Hoje à tarde nós aproveitamos bastante na praia e nadamos antes do começo do jogo e no intervalo do 1° para o 2° tempo. Hoje foi um dos dias mais quentes do ano aqui na Alemanha, por volta de 31°C, mas o sentimento era de que estávamos com mais de 35-37°C. Bom ter um lago por perto para refrescar!

Quando o jogo acabou, a Alemanha se transformou em uma festa só. Todos começaram a comemorar, a buzinar e sorrir, comemorando a vitória. Nas ruas só davam as cores da bandeira. Na rua principal do meu bairro, havia uma bandeira alemã ultra-dimensional e quatro torcedores estavam comemorando com cada carro que passava, fazendo “la ola” pra cada um que passava debaixo da bandeira deles e comemorava junto do grupo.

Independente do resultado, novamente o país ganhou com a Copa do Mundo – vejam como um exemplo o artigo abaixo que acabei de traduzir. Antes disso, curtam comigo o rap anterior à partida de hoje do grupo Blumentopf (Vaso de Flores). Tschüss Maradona! Tchau Maradona! Que venha a Espanha!

::Integração que faz gols::

03/07/2010

No futebol o esforço vale a pena – uma vantagem para imigrantes – por Bernd Ulrich, jornal “Die Zeit” (O Tempo), edição de 24.06.10

Muitos reclamam na Alemanha que os imigrantes têm pouca vontade de se integrar no país e que têm pouca ambição. Com certeza com razão, talvez com muita frequência.

No momento os jovens imigrantes são o tema número 1 do país. Eles se chamam Sami, Mesur, Miroslav, Marco ou Mario. Vamos fazer uma pergunta bem simples: por que a metade da seleção alemã (11 de 23 jogadores) têm origem estrangeira, apesar de que o número de estrangeiros ou descendentes de estrangeiros é cerca de três vezes menor (mais exatamente: 1,125 milhões contra 3,754 milhões de alemães)?

Digamos que pode ser encontrada uma resposta socio-racista para a pergunta: futebol é um esporte para burros, os imigrantes têm em média um nível mais baixo de educação e por consequência têm sucesso nos campos de futebol. Aqui há um erro de interpretação – na verdade esportivo. O futebol só se tornou um esporte capaz de encantar os quatro cantos do mundo porque ele é ao mesmo tempo individual e coletivo, super simples e incrivelmente complexo. Ele sempre foi assim, mas muitos intelectuais e pessoas com alto nível de educação precisaram de muito tempo para aceitar este fato. Uma variante nova é o fato de que as exigências da sistemática de jogo de hoje em dia, além dos negócios relacionados ao esporte, exige jogadores cada vez mais inteligentes. Inteligência e inteligência de jogo se tornaram, cada vez mais, algo bem similar.

A segunda resposta é mais simpática, vamos chamá-la de patriarcal-condescendente: uma vez que os imigrantes têm poucas chances de sucesso na sociedade, eles se concentram no futebol. Isto com certeza é verdade, apesar de que o argumento não condiz com os dos imigrantes que têm pouca ambição e que não querem se integrar. Principalmente quando se considera o que significa tornar-se jogador profissional de futebol. Se tudo dá certo, isto acontece aos 18 ou 19 anos. Até este ponto estes jovens já sentiram mais pressão de desempenho ou devido à concorrência do que a maioria das pessoas no final de suas carreiras. E isto vale mesmo para os jogadores que não chegam à seleção. Os 11 imigrantes, que agora estão jogando pela Alemanha na África do Sul, representam portanto o ápice de uma grande disposição pelo desempenho.

A resposta correta para a pergunta do começo do texto é portanto: o futebol é um negócio que gera bilhões de lucros. Os clubes e treinadores, que se deixam dominar pela discriminação ou que ainda não desenvolveram suficientemente suas habilidades de integração perante imigrantes talentosos, acabam saindo perdendo. (Só para citar um exemplo: até há pouco tempo os treinadores alemães não aceitavam que jovens muçulmanos tomassem banho de shorts depois dos treinos por questões religiosas. Neste meio tempo os treinadores já mudaram sua opinião, e os jovens são deixados em paz).

Para encurtar a história: no futebol o desempenho é analisado de maneira relativamente objetiva e a alta capacidade de integração dos imigrantes é compensada com muito dinheiro.

Por que há 11 imigrantes na seleção alemã de futebol? Porque eles são bons.

Fonte: jornal “Die Zeit” (O Tempo), edição de 24.06.10, tradução: Sandra Santos.

::Inglaterra x Alemanha::

27/06/2010

O jogo de hoje foi dramático, e foi muito mais do que um simples jogo de futebol. Foi como uma continuação da 2a. Guerra, onde cada parte só tinha um interesse: a vitória. Meu marido comentou que os ingleses vêm a coisa muito mais séria do que os alemães, porque eles comentaram antes do jogo que “os alemães estavam com medo dos leões” (os ingleses) ou que “a máquina de guerra alemã iria entrar em ação”. Um erro do juiz, o que teria significado 2:2 para os ingleses, poderia talvez ter mudado o curso do jogo, mas a vitória folgada dos alemães de 4:1 provou que eles ganharam por merecimento.

Ambos os lados lembraram um erro parecido, na partida do final da Copa do Mundo entre a Alemanha x Inglaterra, nos idos de 1966 (!), daquela vez a favor da Inglaterra. Os comentadores na tevê lamentaram o erro, mas disseram que daquela vez aconteceu a favor dos ingleses, desta vez a favor dos alemães. O erro, onde a bola bate na trave, cai na área do gol e é pega pelo goleiro, tem até nome por aqui e se chama “Wembley Tor” (gol de Wembley), numa referência àquela partida que deu a taça aos ingleses. Mas há um ditado alemão que ilustra bem o acontecido e diz o seguinte: “Man trifft sich immer zwei Mal im Leben” (As pessoas encontram-se duas vezes na vida). Um programa na tevê chegou até a brincar com o fato, mostrando uma linha que fazia um “V” no lugar onde a bola caiu dentro do gol.

Assistimos o jogo de hoje junto da minha cunhada, nossos sobrinhos e meu sogro, fazendo churrasco no jardim do prédio do apartamento dela. Minha cunhada ficou boba com meus pulos, meus gritos e minha torcida pelo time da Alemanha, pois ela não conhecia ainda o estilo brasileiro de torcer, hehehe. Depois da vitória, saímos em dois carros com os meninos e passeamos pela cidade, participando da festa nas ruas. Acho que nunca buzinei tanto assim na Alemanha, fazendo batucada com a buzina. O Daniel adorou, falou que foi “cool”, porque todos tinham bandeiras alemãs nas mãos. Nas ruas vimos pessoas de todo canto, estrangeiros e alemães, vestindo a camiseta da Alemanha e festejando juntas. Meus filhos já vão crescer vendo mais bandeiras e se identificando mais com o país do que as gerações passadas. O Daniel, que tem 5 anos, identifica uma bandeira brasileira ou alemã, há anos, e bem de longe. O futebol aqui continua tendo efeitos positivos, por um lado por unir pessoas de origens diferentes, dando a elas o sentimento de que pertencem à Alemanha e podem se integrar, e por outro lado por permitir que os alemães sintam orgulho pelo país, sentindo patriotismo sem culpa.


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