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::360 graus – ida e volta à Espanha::

08/06/2009

Tô de volta da Espanha, chegamos no sábado à noite. Acho que toda vez que volto de uma viagem fico um pouco depressiva. Por um lado, porque eu amo viajar. E por outro, porque quando chego em casa de uma viagem tem um bolão de roupa pra lavar, a casa por arrumar, as pendências para colocar em dia… e com as “maravilhas do mundo moderno”, nossa querida internet, acho que chega até a ser “normal” eu me sentir muito atrasada em relação ao tempo “perdido” durante as férias, com tanta notícia por ler e tanto e-mail por responder. Achei quase 500 (!) e-mails no meu computador em casa e 250 (!) e-mails no trabalho, misturados num mundo só deles de e-mails prestáveis (com conteúdo, além de pedidos do livro) e imprestáveis (spams), tirando a pilha de cartas, revistas e jornais por ler, coisas para consertar… Bahhhhhh! E o pior é que o meu computador aqui em casa é bem velhinho e tudo tem que ser feito bem devagarzinho, senão ele não aguenta a barra!

Ao chegar hoje em casa do trabalho, o Matthias teve a idéia de irmos no Media Markt, pois nosso telefone de casa, pra variar, pifou (ou foram só as pilhas que acabaram, ainda temos que descobrir exatamente o motivo de estarmos “incomunicáveis” no momento). E como eu poderia prever, achei mil e uma coisinhas lá naquela loja de eletro-eletrônicos que mais parece um paraíso para quem gosta de técnica (ou para quem só gosta de usá-la, feito eu). O Daniel ganhou finalmente o filme que ele pediu de presente de aniversário, o Matthias comprou as pilhas que precisávamos e um filme, e eu, logo depois de dar uma passadinha na seção “folclore”, onde sempre há alguns CDs de música brasileira… fiquei lá, grudada nos computadores, mesmo sem ter planejado uma compra logo agora, ainda mais agora que acabamos de chegar de férias. Mas…. Como o Media Markt está com uma promoção de 30 meses sem juros, e como eu achei “o” computador dos meus sonhos, resolvi me deixar ser seduzida por aquele que será meu companheiro de escrita de agora pra frente. Mas a sedução está sendo lenta, daquelas boas. Pois o problema é que não pude trazê-lo pra casa, já que tinha retirado meus cartões de banco de dentro da carteira na Espanha, como medida de precaução, e não tive como comprovar minha conta de banco, sendo que teremos que voltar lá amanhã para buscá-lo. Já comecei a pensar em um nome pra ele (apaixonada, eu?!?), pois na nossa família todos que são “queridos”, sendo animal, gente ou coisa, têm nome, como todos carros que os meus pais tiveram, os animais do sítio do meu pai (ele tinha uma cabra chamada “Gretchen”, quem se lembra daquela cantora? ;-)), o meu carro (“Brasileirinho”, por ter as cores do Brasil, sendo verde/amarelo por fora e azul por dentro) e por aí vai. O Matthias sabe que escolho minhas coisas pelas cores, e não pela potência ou qualidades técnicas, mas assim como quando escolhi meu carro e me apaixonei por suas cores, tendo um amigo do lado para me dizer que a potência e o custo-benefício estavam bons, tive hoje o Matthias para me dizer que meu próximo computador poderá me acompanhar por alguns anos. Ele já tinha me avisado que este aqui, um PC de uns 6 anos, já morreu e eu não o deixava partir e eu tenho que lhe dar razão.

E como foi a Espanha? Ótima! Estivemos entre a fronteira da França e Barcelona, na região da Catalunia. Adoro aquele jeito internacional daquele povo, que fala catalão mas traduz tudo sempre para o espanhol, francês e alemão, sendo que nas duas últimas línguas por causa dos turistas. Aquela é a região onde o Salvador Dalí nasceu, e eu sou louca por sua arte, sempre se reinventando em si própria. Finalmente visitamos sua casa em Portlligat, pertinho da “Ouro Preto com mar”, a cidade de Cadaqués. Neste dia tivemos um pequeno acidente com o carro, mas como diz a minha mãe, quem não tem nada para perder, perde a vida”. Estava ventando muito na região, o vento Tramontana, que é o vento que vem dos Pirineus, fazia com que não pudéssemos curtir muito uma praia, mas nos dava de presente um sol azulaço e muito, muito, muito sol. Acho que recarreguei as baterias para todo o ano, de tanto sol que pegamos. E o melhor foi que bem no comecinho das férias fomos por dois dias a um parque de diversões imenso e muito legal, o PortAventura perto de Tarragona, e por termos aproveitado as muitas atrações (inclusive uma montanha russa com 7 loopings) e muitos shows lindos dos parques temáticos do Mediterrâneo, Polinésia, China, México e Western, achamos que nossas férias deram uma “espichada” e ficou parecendo que estivemos 4 semanas fora. Quase no finalzinho visitamos um outro parque chamado Family Fun Park, onde também passamos um dia legal com a família do Matthias, que mora em parte lá e nos recebeu super super bem.

Constatei que a Espanha tem um brilho e um sol que me estavam fazendo muita falta. As cores são mais intensas, o dia é muito mais claro, e eu sou totalmente dependente de cores e de luz. Talvez por minha alma cigana já estar precisando de mudar de perspectiva, pensei até que gostaria de morar lá (nem que fosse por uns meses durante o ano). E os vinhos, os frutos do mar, os azeites de oliva, a salsicha Fuet, os bocadillos (sanduíches deliciosos para todos os gostos)??? Compramos dois vinhos brancos, um que me fazia dormir logo depois de dar duas ou três bicadas no copo, que eu aliás só bebia misturado com muita água, e outro moscatel, que me deixava feliz e levinha. Se eu morasse na Espanha, iria beber muito mais vinho! A Espanha, como não poderia deixar de ser, está passando pela mesma crise e pelos mesmos problemas enfrentados aqui na Alemanha: alta taxa de desemprego, principalmente de jovens (um a cada três está desempregado), inflação, problemas ligados à imigração, crise no setor imobiliário… Lendo os jornais, percebi que lá há muito mais mortes e agressões entre casais. Quase todo dia se podia ler sobre um homem que agrediu – ou matou – sua mulher. Quis saber por que, e me disseram que o espanhol (sem generalizações, claro) ainda é muito machista.

Minhas férias em relação ao mundo começaram a terminar no dia em que fiquei sabendo da caída do avião da Air France. Na última vez que fomos ao Brasil, também fizemos a viagem com esta companhia, mas pela rota São Paulo-Paris. Mesmo assim dá um frio na barriga pensar que poderíamos ter sido nós os mortos naquele acidente. Uma alemã daqui de pertinho do Bodensee estava no avião, uma espanhola da região da Catalunia, que voltava de sua lua de mel no Brasil, também estava naquele avião. O mundo dividiu a dor e o medo também passou pertinho, mesmo para mim que sempre tive muitíssimo prazer em voar. Li demais e me informei sobre muitíssimos detalhes dos perigos da aviação, e na realidade acho que a Air France ainda tem muito a pesquisar e explicar, para que possamos saber realmente as causas do acidente. As 32 nacionalidades envolvidas no acidente e as pessoas que foram separadas de seus entes queridos de maneira tão trágica merecem explicações exatas do que aconteceu durante aquele voo. Felizmente, com a liberdade de imprensa de hoje em dia, chegar-se-á aos fatos, espero. O fato é que no momento perdi a confiança de voar com Airbus, até que se prove que este tipo de avião é realmente seguro.

O Matthias me contou hoje que um vizinho do nosso prédio ficou todo feliz e aliviado ao ver nosso carro chegando no sábado, pois ele ouviu do acidente com a Air France e teve medo de que tivéssemos ido de férias para o Brasil. Bonitinha a atenção dele, não é mesmo? 🙂


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