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::Os anjos dos expatriados e um acidente de bicicleta::

19/02/2010

Lendo um post lindo e motivante da Eve, me lembrei do meu primeiro dia na Alemanha, quando não teria conseguido mesmo dar os primeiros passos sem o auxílio deles – dos anjos dos expatriados.

Quando a gente menos espera, lá estão eles, quebrando vários galhos e nos impulsionando pra frente. Eu não sabia usar os carrinhos do aeroporto de Frankfurt, que se movem quando você põe uma moedinha nele E empurra o lugar que se põe as mãos (“Griff“, como se chama isso em português?) pra baixo. E lá estava eu, com tudo no carrinho, moedinha no lugar, mas não conseguia mover o carrinho. Alguém chegou e me ajudou. E muitos outros “alguéns” foram aparecendo naquele dia, pra comprar a passagem de trem na máquina, pra descer com as pesadíssimas malas pra plataforma de embarque… Viva os anjinhos dos expatriados! Quando foi a última vez que eles aparecem para você?

Pra mim foi hoje de manhã mesmo. A Taísa me ligou, alguns minutos depois de ter saído de casa, aos prantos, avisando que tinha caído da bicicleta e perguntando se podia voltar pra casa. Um segundo depois eu já estava ligando pro meu trabalho pra avisar que chegaria mais tarde pois iria com ela pro hospital, e também liguei pra escola dela avisando que ela tinha tido um acidente. Ao vê-la e dar uma espiada no joelho, cujo sangue tinha vazado para a calça jeans ralada, vi que o machucado não era grande e prestei-lhe primeiros socorros, como boa Ersthelferin (prestadora de primeiros socorros) que sou. Queria levá-la para o hospital para ter certeza que o osso do joelho estava intacto, mas na hora ela não quis ir. Indo pro trabalho, pensei na diferença entre o “ist vom Fahrrad gestürzt” e o nosso “caiu da bicicleta” (e não “ist vom Fahrrad gefallen“) e agradeci por não ter acontecido nada sério com ela. Ela caiu num lugar que estava cheio de sal, que é usado para proteger o chão da neve e na realidade com o propósito de tornar o caminho mais seguro, mas no caso dela funcionou ao contrário.

À tarde ela me ligou falando que o joelho continuava doendo e que queria ir ao médico. Marquei consulta e pedi pro Matthias ir com ela, pois já tinha outro compromisso no mesmo horário, junto do Daniel. Eles chegaram com boas notícias: o médico disse que o joelho dela está intacto, que ela tem um “joelho-modelo” e que – o que ela não gostou muito – o joelho dela está quase chegando no tamanho adulto. Ele disse que ela pode crescer ainda uns 6 cm, pois há vários locais no corpo que indicam o crescimento de uma pessoa. Disso ela gostou!

Importante: se você sofrer um acidente no caminho para a escola ou para o trabalho (ou de lá no caminho pra casa) na Alemanha, não se esqueça de comentar este fato com o médico que te atender. Ele vai repassar a informação para a Berufsgenossenschaft (corporação profissional responsável pelo seguro de acidentes obrigatório), que vai cobrir toda e qualquer consequência advinda do acidente. Se a pessoa ficar impossibilitada de trabalhar, p.ex., ela pode vir a receber uma indenização deste seguro.


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