Posts Tagged ‘ataque’

::A insegurança nossa de cada dia::

24/07/2017

Prometi pra mim mesma que vou voltar a escrever no blog com mais frequência. Logo hoje que comecei a observar que passavam muitos helicópteros na minha cabeça, durante o trabalho, e logo depois um colega veio me contar que um homem tinha invadido uma seguradora com uma motosserra, agredido cinco pessoas, deixando uma delas gravemente ferida. E isso bem perto da cidade onde trabalho.

Em poucos minutos eu já sabia detalhes do acontecido. O tragicômico é que se você busca por notícias em vários idiomas e em vários países, fica sabendo de detalhes diferentes da mesma notícia. Aqui na Alemanha ou na Suíça, por exemplo, muitas vezes não se anuncia o nome de uma pessoa que cometeu um crime, ou somente o nome com uma letra adicional do começo do sobrenome. Agora que estão buscando abertamente pelo foragido, decidiram anunciar o nome completo dele, data de nascimento, o máximo de informação de que dispunham. Mas antes disso na CNN o nome completo dele já estava sendo divulgado. Outra coisa curiosa foi como as primeiras pessoas ficaram sabendo do acontecido, lá no trabalho. Um colega, cuja mãe mora no Canadá, foi contatado por ela perguntando se estava tudo bem. Pouco tempo depois, o marido de uma colega francesa ligava preocupado.

Vi a foto da pessoa que tinha sido a autora daquela loucura, que foi fortemente informada como não ser um ataque terrorista. Ele estava foragido, fiquei sabendo da marca, cor e modelo do carro que dirigia, mostraram umas fotos suas, dizendo que ele tinha cortado os cabelos e estava careca. Ouvi uma representante da polícia dando detalhes do crime, e fiquei até um pouco orgulhosa de entender tudo, pois se tratava de alemão suíço, outro departamento pra quem fala alemão padrão.

Por um milisegundo pensei se poderia ir embora pra casa, se os trens não teriam parado de circular. Antes de sair, a notícia que eu não queria ler: talvez o foragido estivesse indo pra Alemanha… Exatamente pra onde eu estava indo!… Acabei tendo uma sorte danada, pois ao deixar o escritório, me encontrei com um colega, que me acompanhou até a estação de trem. Lá chegando, encontrei com um outro colega, que na realidade é meu vizinho e me acompanhou até eu chegar em casa. As reações, durante o caminho, foram mesmo assim inevitáveis: uma pessoa passou por mim correndo, fazendo esporte como mil e outras pessoas sempre fazem à beira do rio Reno, mas eu me assustei com ela. No caminho, começamos a conversar sobre o meu spray de pimenta e eu não o localizei na minha bolsa, mas imediatamente depois que entrei dentro de casa, e ele voltou pra dentro dela, por precaução. Dentro do trem e ainda na estação, eu observei todos os passageiros. E assim que cruzamos a fronteira, procurei pelos policiais alemães. Ao achá-los, com roupas à prova de bala e armas bem grandes, um alívio interno e um sentimento (falso) de segurança se instalaram. Na Suíça, a decisão da polícia tinha sido de ficar à paisana, para não afugentar o foragido, que era considerado perigoso e já tinha tido problemas por porte de arma ilegal por duas vezes nos últimos anos, mas que ainda não cumpriu pena, pois não tem endereço fixo e mora nas florestas…

Assim que coloquei a chave no cadeado da minha porta e entrei em casa, veio aquele alívio final: lar, doce lar!…

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::100% contra nazistas::

25/02/2009

Um bom conhecido meu ficou esta semana de molho em casa, impossibilitado de trabalhar. Ele foi agredido por dois homens, aparentemente de tendência neonazista, na cidade de Constança, durante as festividades de carnaval daquela cidade no final de semana passada. Meu conhecido tem ascendência estrangeira e possui passaporte alemão. Foi indagado pelos agressores de onde vem, e respondeu “da Alemanha”. Os agressores debocharam dele e anunciaram que iriam bater na cara dele, ao que ele respondeu com “e eu vou bater na sua”, em tom de brincadeira, pensando que os dois homens não poderiam estar falando aquilo a sério e notando que não apresentavam nenhuma aparência do neonazista “típico” (careca, botas, roupas escuras, etc. Aliás, pelo que andei lendo, eles não se vestem mais só assim 😦 ). Um deles tentou acertar o rosto dele, ele desviou, ao que o outro, um homem de aparentemente 30 anos e uns 100 kgs. de peso, puxou o braço do meu conhecido até o deslocar por completo do corpo. Enquanto ele me contava do acontecido, disse ter ficado satisfeito por não ter tido seus amigos e sua namorada por perto, pois eles poderiam ter se envolvido em uma briga com maiores consequências para tentar defendê-lo. Ele disse nunca ter tido que passar por uma situação como esta, onde outras pessoas assumem ter o direito de invadir seu espaço e de agredir sua integridade como ser humano. Se mostrou também decepcionado com a polícia alemã, que dado o fato de ele ter um passaporte alemão, não registrou o ocorrido como um ataque racista (o que para as estatísticas oficiais é bom, pois o índice de ataques racistas é reduzido, e por outro lado é ruim, pois não há uma estatística realmente representativa do número de ocorridos por localidade). Ele me contou que saiu do local literalmente “carregando” o seu braço, junto da namorada, pois este estava preso ao corpo só através dos músculos e dos tendões. Eu pedi que ele vá mais uma vez à polícia, pois através de um retrato falado ele pode impedir que esses sujeitos venham a agredir outras pessoas, que eles julgam poder desconsiderar por não caberem em seu padrão de respeito.

Arrepios! Lendo um pouquinho da página do partido de extrema-direita NPD daqui da região, vejo que esse grupo tenta combater os males da globalização dentro do país (criminalidade, drogas, perda de valores, desemprego de jovens, perda de perspectiva, etc.) oferecendo como solução a “união dos alemães” contra a “utopia” de uma sociedade multicultural e tolerante… Esse partido deveria ser proibido de vez dentro da Alemanha! Contra este tipo de pensamento, recomendo, assim como a minha xará Sandra do blog Conectando Europa e Brasil, um DVD gratuito, o “Kein Bock auf Nazis” (Nenhuma vontade de nazistas, ou 100% contra nazistas).


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