Posts Tagged ‘Belo Horizonte’

::Meio aqui e meio lá::

25/02/2010

Estou aqui, mas minha alma já está se preparando pra ir de férias pro Brasil. Nem comprei as passagens ainda, mas sei que vou passar o mês de agosto deste ano na terrinha.

Caso conheçam ou tenham contato com:
– livrarias;
– escolas de idioma;
– ou cidades com forte imigração alemã
que possam vir a ter interesse em fazer um evento de divulgação do meu livro, é só entrar em contato! Será um prazer. 🙂

::O sotaque das mineiras::

22/02/2009

Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou contos – não é, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas próprias palavras. Ele não é mineiro, mas mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. A crônica abaixo foi enviada pra mim por e-mail pela Rosanna Gebauer e fui informada de que sua fonte é o livro ‘As coisas simpáticas da vida’, Landy Editora, São Paulo (SP) – 2005, pág. 82

Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?

(F.P.B. Netto)

Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil.

Cadê os lingüistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras?

É um absurdo. Existem livros sobre tudo; não tem (ou não conheço) um sobre o falar ingênuo deste povo doce. Escritores, ô de casa, cadê vocês? Escrevam sobre isto, se já escreveram me mandem, que espero ansioso.

Um simples “mas” é uma coisa no Rio Grande do Sul. É tudo menos um “mas” nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende… Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é…

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: “pó parar”. Não dizem: onde eu estou?, dizem: “ôndôtô?”). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem — lingüisticamente falando — apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.

Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro — metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido…

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: “cê tá boa?” Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).

O verbo “mexer”, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:

— Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.

Esse “aqui” é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem “apaixonado por”. Dizem, sabe-se lá por que, “apaixonado com”. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: “Ah, eu apaixonei com ele…”. Ou: “sou doida com ele” (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: “E aí, vão?”. Traduzo: “E aí, vamos?”. Não caia na besteira de esperar um “vamos” completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:

— Eu preciso de ir.

Onde os mineiros arrumaram esse “de”, aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam… Você não precisa ir, você “precisa de ir”. Você não precisa viajar, você “precisa de viajar”. Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:

— Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:

— Ai, gente, que dó.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.

Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro “caça confusão”. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele “vive caçando confusão”.

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: “Ô, é sem noção”. Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o “Ô” no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Ouço a leitora chiar:

— Capaz…

Vocês já ouviram esse “capaz”? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer “tá fácil que eu faça isso”, com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um “capaz…” como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: “ô dó dôcê”. Entendeu agora?

Não? Deixa para lá. É parecido com o “nem…”. Já ouviu o “nem…”? Completo ele fica:

— Ah, nem…

O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: “Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?”. Resposta: “nem…” Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: “você não vai?”. A pergunta, mineiramente falando, seria: “cê não anima de ir”? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem…

Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto:

— Você quer que eu “dou” um exemplo…

Eu sei, eu sei, a gramática não tolera esses abusos mineiros de conjugação. Mas que são uma gracinha, ah isso lá são.

Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado. Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.

Falando em “ei…”. As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o “ei” no lugar do “oi”. Você liga, e elas atendem lindamente: “eiiii!!!”, com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade…

Tem tantos outros… O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.

Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:

— Ah, fui lá comprar umas coisas…

— Que’s coisa? — ela retrucará.

Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um “pelas metade”, no lugar de “pela metade”. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:

— Ele pôs a culpa “ni mim”.

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem, uma senhora docemente me consolou: “preocupa não, bobo!”. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: “não se preocupe”, ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. e diz tudo.

Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: “tchau pro cê”, “tchau pro cês”. É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, minha filha, é prôcê, não é pra outra, entendeu?

::GAC-Grupo de Amigos da Criança::

26/01/2009

Durante minha viagem recente ao Brasil, um dos lugares que tive mais prazer de ter visitado foi o projeto GAC-Grupo de Amigos da Criança (apoiado pela ONG alemã Kinderhorizonte e.V.), que fica na favela Morro do Papagaio em Belo Horizonte. Eu e meu marido somos padrinhos de duas crianças da idade dos nossos filhos. Não houve nada mais recompensante e que enchesse mais o meu coração de alegria do que constatar com meus próprios olhos que lá a nossa pequena contribuição está sendo bem investida e que as crianças estão se ocupando de atividades legais, sendo mantidas longe da criminalidade, enquanto seus pais estão trabalhando e recebendo seu salário honestamente. Na minha opinião é importante para o Brasil que crianças, mesmo as faveladas como no caso do GAC, cresçam com o máximo de sentimento de cidadania. E isso é muito mais possível através deste projeto, que chega a fazer milagre cuidando de 220 crianças com apenas 18 funcionários.

Eu, que já ajudava o GAC e vou destinar 10% do lucro do livro Mineirinha n’Alemanha para eles, ainda quero chamar a atenção de todos para a possibilidade de apadrinhar uma criança ou de contribuir de qualquer outra forma com o projeto GAC e com suas creches. A ONG alemã Kinderhorizonte e.V. cuida do contato entre os padrinhos-apadrinhados e se compõe de pessoas totalmente altruístas, que cuidam de tudo relacionado ao projeto sem nenhum ganho financeiro. Um outro ponto positivo do projeto é que uma parte dos alemães que dele participam mora em Belo Horizonte e portanto há visita periódica no GAC e em suas creches. Desta forma é possível acompanhar como a contribuição da ONG Kinderhorizonte está sendo investida e participar ativamente das atividades, festas e de um pouco do dia-a-dia do projeto. Outro ponto importantíssimo, que me convenceu a apoiá-los mesmo antes de conhecê-los pessoalmente, é que este projeto não desperdiça nada com propaganda ou com envio de material para os apadrinhados. O contato com os padrinhos é mantido mensalmente e é feito completamente por e-mail, assim como ocorre com a comunicação entre padrinhos e apadrinhados, fazendo com que o que é investido seja completamente repassado para o projeto. O GAC acaba de perder uma verba mensal que vinha recebendo da LVA e está precisando urgentemente da ajuda de outras pessoas e organizações para manter os custos mensais com as crianças e os funcionários do projeto. Participe você também: por um brilho no olhar das crianças! Fotos da minha visita ao GAC podem ser vistas aqui no Flickr.

::Convite do lançamento no Bar Inusitado::

14/12/2008

cartaz-livro-mineirinha-nalemanha1

::35 anos da AIESEC Belo Horizonte::

05/11/2008

O comitê da AIESEC (Associação de Estudantes de Ciências Econômicas e Comerciais) de Belo Horizonte, do qual participei por 4 anos e através do qual vim fazer o meu estágio aqui na Alemanha, está completando 35 anos. Parabéns, AIESEC Beagá! Através do video dá pra fazer uma viagem ao tempo, relembrando meus tempos de faculdade e de AIESEC:


::A town where all the world is a bar::

20/04/2008

Boteco em Beagá

Testando meu novo blog! Acabo de achar uma matéria imperdível sobre Beagá e não posso deixar de guardar o link dela aqui.


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