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::Zwiebellook e o frio na Alemanha::

06/02/2012

Morando na Alemanha há quase 20 anos, naturalmente já me acostumei com o frio. Mas desde que cheguei aqui nunca tinha enfrentado tanto frio como agora! Ontem bati todos os meus recordes pessoais, tendo sentido 14°C abaixo de zero à 1h da madruga… Mas a sorte é que o tempo está seco, então não se sente tanto frio quanto como se o frio estivesse sendo combinado com alta umidade no ar, o que para minha alegria não era/é o caso…

Até agora, todos os anos em que o frio chegou a tanto extremo como agora, estava no Brasil e tive a sorte de não o sentir na pele. Este inverno vai ficar na minha memória! Já chegam a quase 300 o número de mortos em toda a Europa, geralmente pessoas que vivem nas ruas e morreram literalmente de frio. Esta semana iríamos receber uma estudante italiana aqui em casa, que ficou impossibilitada de viajar porque a Itália está enfrentando muita neve e frio também. Os prefeitos pediram que as pessoas ficassem em casa e as aulas foram suspensar por lá. O mesmo não acontece por aqui, todos vão para a escola e para o trabalho como se nada tivesse acontecido. A única dependência fica sendo a dos meios de locomoção, que por um motivo ou outro podem fazer greve e nos deixar na mão. Todos os dias comentam nos noticiários de rádio que várias pessoas não conseguem usar seus carros porque eles os deixam na mão devido às baixas temperaturas. Por sorte, isso não me aconteceu – pelo menos ainda não! Viva o “Tudo Azul” (apelido do meu carrinho)!!!

Minhas técnicas pra enfrentar o frio são simples, mas eficazes: o frio sempre nos pega nas extremidades, então é importante proteger bem os pés, as mãos, o pescoço e a cabeça. O sapato é peça primordial pra quem quer ter paz no inverno, pois não dá pra ser feliz com os pés doendo de frio! Se a sola não for lisa, você ainda contribui pra não escorregar na neve. E em termos de roupas, é importante vestir a primeira camada de algodão e depois dela várias camadas à gosto, no melhor estilo Zwiebellook (estilo cebola) pra ir tirando as camadas – ou aumentando-as – conforme a necessidade. Uma boa jaqueta de inverno (de preferência com capuz) completa a indumentária. E como diz minha sogra: “Não há tempo ruim, só há pessoas vestidas com a roupa errada”.

Boa semana pra todos!

::Onde está o mal?::

27/07/2011

O final de semana passado me marcou por vários motivos. O primeiro, o principal, pela mente insana do norueguês que passou quase 10 anos planejando um ato de terror, motivado pela fobia contra muçulmanos e estrangeiros que ocupam a Europa, que ele quer deixar “limpa” de novo sem nós (eu e você que está lendo este texto e mais alguns outros por aí). O que mais me deixou literalmente boba foi o fato dele ter resolvido matar tantos jovens só com o objetivo de se auto-promover. Por ter incluído no seu minucioso planejamento o fato de não ter se matado como todos os outros loucos anteriores e por ter escrito um “manifesto” de mais de 1.500 páginas, ele conseguiu lançar uma campanha de marketing das mais inusitadas e, infelizmente, cujo sucesso repercutiu em todo o planeta. Foi por isso que ele conseguiu afirmar que o ato cometido foi “cruel, mas necessário”. Como o tal do “manifesto” do rapaz foi espalhado por ele 7.000 vezes na net antes dele sair para matar pessoas a torto e direito, não foi difícil achá-lo e ler algumas partes do mesmo, onde ele explica que não há igualdade entre os seres humanos, dá uma aula de maldades e convoca outros loucos a seguir seu exemplo. Lendo aquela loucura toda, entendi que pra ele valeu a pena fazer o que fez, pois se projetou no “mundo do mal” para um dos primeiros lugares do planeta, e para nós, cidadãos do mundo, um dos últimos. Uma busca pelo nome dele no Google aponta: hoje há 10.400.000 páginas sobre ele. Que pena!… A Noruega ficou embasbacada ao perceber que o mal não vinha de fora, mas tinha nascido e tinha sido criado, educado e formado dentro do país. O mal já estava lá o tempo todo e eles não sabiam. Independentemente de sua origem, quem poderia imaginar que um ser humano pudesse ser capaz de uma barbaridade dessas, ainda mais cometida contra jovens inocentes, acertando em cheio o cerne de uma sociedade aberta, multicultural e democrática? A parte curiosa da coisa fica o nome do infeliz: ele se chama “Anders“, o que significa “diferente” em alemão. Põe diferente nisso!

Enquanto pensava nisso tudo, no sábado o mal apareceu pra mim, ainda que bem de leve. Eu também nem pensava mais que ele morava bem ao lado e fui, como em todo sábado, fazer compras no supermercado com o Daniel, que me chamava aqui, me mostrava algo lá, como em todo sábado. No final das compras coloquei, com a ajuda dele, tudo na esteira e senti minhas pernas tremerem ao notar que minha carteira tinha sido roubada de dentro da minha bolsa! Lá se foram dinheiro, cartões de banco e documentos, e no lugar da carteira ficaram alguns telefonemas para bloquear os cartões, uma ida à polícia local e a certeza de que não voltarei a viver tão “leve, livre e solta” como antes. A preocupação com meus pertences tomou conta do meu sábado à tarde, ainda que por outro lado reconheci ter tido sorte no azar, pois tudo poderia naturalmente ter sido mil vezes pior. Desejei que o autor do roubo esteja realmente precisando do dinheiro, e desejei reencontrar meus objetos pessoais, fotos da família e lembranças da juventude que carregava comigo há tantas décadas.

Por fim, a notícia da Amy Winehouse me fez também pensar que o mal mora dentro de nós mesmos, muitas vezes na incapacidade humana de evitar ou parar coisas que não fazem bem ao corpo e ao espírito tais como cigarro, álcool e drogas, que matam e levam do mundo pessoas com um talento tão grande quanto o dela. Que ela esteja num lugar bem legal, cantando para os anjos e vivendo mais sossegada do que foi possível viver aqui, sortuda por ter alcançado tanto sucesso, mas sem sorte por ter sido vítima do mesmo.

O mal está em todas as partes. E quando menos esperamos, ele volta a dar as caras. Por outro lado, o mesmo se dá com o bem. Que pensemos nisto!


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