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::Caso Eloá mostra “nossa monstruosidade”::

25/10/2008

Sobre o caso da morte da menina Eloá, uma análise do terapeuta familiar Paulo Fernando Pereira de Souza, de uma reportagem da UOL que resume tudo o que penso sobre o lamentável ocorrido:

“Para que alguém se exiba, é preciso platéia. E eles se sentem como personagens de um espetáculo. Do mesmo modo, me espanta que ninguém tenha vergonha de ver Lindemberg sair sem ferimentos aparentes da cena e depois aparecer com sinais de ter sido espancado, já sob custódia do Estado. E ninguém fala nada. A polícia pode até achar que fez o melhor que pode, mas não dá para se sentir orgulhosa do resultado. Foi um fracasso. Também não imagino que uma emissora saia comemorando o furo jornalístico de entrevistar Lindemberg durante o seqüestro, porque é a história de uma tragédia.

A única parte meritória é a doação de órgãos, de resto também explorada como espetáculo pela mídia. Desse “monte de merda” brota uma humanidade, um ponto de luz, um momento em que a ação não é voltada para o próprio umbigo, e a gente percebe quantas pessoas, tão distantes umas das outras, são tocadas pela história”.

Todas as vezes que a ação do ser humano é dominada por seu ego, o resultado é desastroso. A mídia alemã passou uma única vez por uma situação parecida, há 20 anos atrás, quando dois desempregados resolveram roubar um banco, pediram um carro e levaram junto deles duas funcionárias com reféns. A mídia cobriu tudo de perto, a polícia não deu trela para os bandidos despreparados. Eles foram entrevistados enquanto apontavam o revólver para uma das reféns, foram perseguidos por estradas, meios de transporte, etc. durante 54 horas. O resultado foi uma tragédia: eles foram presos, mas uma das reféns conseguiu pular do carro e se salvou, a outra foi morta pelos bandidos. Pelo menos a mídia alemã não tem vergonha de apontar com um grande dedo de “mea culpa” para si mesma e também para os policiais envolvidos. Como aqui nada importante costuma cair em esquecimento, este caso foi mostrado este ano, quando completou 20 anos de “aniversário”, para que todos vejam os erros que foram cometidos na época.

Por coincidência e como paralelo ao caso brasileiro, erros advindos do ego dos policiais e dos jornalistas envolvidos, além da platéia formada frente ao apartamento da menina e frente às TV’s brasileiras.

::Pergunta do dia::

28/04/2008

Depois de ler a notícia da mulher que vinha sendo martirizada por seu pai durante 24 anos, escondida em um porão na Áustria junto de 3 filhos tidos com o pai(!), além de outros 3 que viviam no andar de cima em liberdade, e lembrando também da história de 2006 da Natascha Kampusch, que tinha conseguido fugir depois de 8 anos de cativeiro e provocado a morte do agressor, coloquei pra mim a seguinte questão: quantas mulheres são mantidas em regime de cativeiro dentro da Áustria? E no mundo?


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