Posts Tagged ‘Copa do Mundo’

::Especial de 10 páginas sobre o Brasil no jornal alemão “Die Welt”::

26/09/2011

Saiu um especial sobre o Brasil no jornal “Die Welt” (O Mundo) de 16.09.11 (parte dele aqui) e aqui, que descreveu em 10 páginas o que o Brasil significa economicamente na atual conjuntura mundial e como está o relacionamento Brasil-Alemanha. Faço questão de (tentar) resumir as muitas reportagens, para que vocês possam se orgulhar comigo do nosso país:
– O Brasil é atualmente a 7a. maior economia do mundo, sendo que se acredita em reportagem deste jornal que em poucos anos poderemos ultrapassar a Rússia, a Alemanha e o Japão, conquistando assim o lugar de 4a. maior economia do mundo, só atrás da China, EUA e Índia. Diz-se no jornal que não há dúvida de que “se” isso vá acontecer, a dúvida fica só na pergunta “quando”. Acredita-se que em 10 anos o país ocupará a posição de 5a. maior economia mundial;
– Nos últimos anos, quase 40 milhões de brasileiros passaram a fazer parte da classe média baixa, o que causou um enorme aumento do poder de compra da população. No total, a metade do país já faz parte da classe média;
– O Brasil é 24 vezes maior que a Alemanha em termos de território, sendo que 10% de seus atuais 200 milhões de habitantes têm ascendência alemã;
– Dos quatro países BRIC, o Brasil é o único país de democracia ocidental;
– O jornal chama a atenção para o fato de que é a imprensa brasileira que descobre casos de corrupção, vendo este fato como positivo, pois mostra que a imprensa é forte, tomando o lugar, muitas vezes, da Justiça;
– Logicamente levantam a grande oportunidade para a Alemanha de conquistar maior parcela de negócios dentro do país com a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Brasil;


– As áreas em que vêm grandes chances de cooperação entre o Brasil e Alemanha são: infraestrutura, logística (organização de grandes eventos), segurança, saúde, energias renováveis (ecologia), controle de qualidade, turismo, setor alimentício, finanças e apoio à exploração de minério e petróleo;
– O ano de 2013 será o “Ano da Alemanha no Brasil”, quando a Alemanha pretende mostrar que pode e quer ser parceira em outras áreas além da econômica;

– Foi assinada a pouco tempo uma cooperação entre as cidades do Rio de Janeiro e Colônia – a primeira deste tipo. Espera-se que outras cooperações a nível municipal surjam com o tempo;
– Há 1.200 empresas alemãs no Brasil, 90% delas são empresas de médio porte, que representam juntas 8% do nosso PIB;
– Nosso PIB cresceu 7,5% em 2010 e a prognose para o 1o. semestre de 2011 é de 4,1%;
– O Brasil dispõe de enormes recursos agrários, água, minério e energia e é visto como o celeiro do mundo: os 60 milhões de hectares de terra para plantio podem ser triplicados sem danificar a área do Amazonas;
– Nosso país é o maior exportador/produtor de café, suco de laranja e frango do mundo;
– E o país com a maior diversidade de flora e fauna do mundo, além de apresentar a maior diversidade de espécies animais do planeta;
– A indústria e o setor de serviços são modernos atingindo o 4o. lugar no mundo em termos de mercado para automóveis e o 5o. lugar do mundo para o mercado de celulares, 3o. lugar do mundo no mercado de computadores e 2o. lugar do mundo no mercado de cosméticos;
– Pontos negativos: baixo nivel de liberização da economia, altas barreiras contra produtos importados, sistema de impostos complexo, burocracia indecifrável, vias legais muito demoradas, alto valor do Real e infraestrutura pouco desenvolvida;
– O salário médio mensal, segundo o jornal, em 2010: 985 euros (este dado, além de muitos outros, me surpreendeu);
– Comprado com os outros países BRIC, vê-se o Brasil como politicamente estável, com uma população culturalmente homogênea, o que garante a ausência de movimentos separatistas no futuro, cujo crescimento demográfico é positivo;
– Desde o ano de 2.000 o nosso volume comercial em termos de exportação aumentou em 4 vezes, já que o país tem atendido, dentre outros, as economias em desenvolvimento na região asiática;
– O investimento estrangeiro no Brasil já atinge 400 bilhões de dólares, sendo que 1/3 do mesmo vem da China (48,5 bilhões de dólares), que está tomando o lugar dos EUA e da EU como parceiro comercial mais importante do Brasil;
– As relações comerciais com a Alemanha duplicou nos últimos 10 anos;
– O Brasil é o parceiro comercial mais importante na América do Sul para a Alemanha (40% do total);
– Nos próximos 20 anos estã previsto o investimento de 2,8 trilhões de dólares em infraestrutura. Para os eventos de 2014 e 2016, o país investirá um total de 130 milhões de dólares;
– A presidente Dilma é vista como a 3a. mais influente/poderosa mulher do mundo (segundo a revista americana Forbes – lista atual de 2011), atrás da chanceler alemã Angela Merkel e da política americana Hillary Clinton. Na lista de 2010 a Dilma estava em 16o. lugar. 70% dos brasileiros estão a seu favor;
– Em março de 2012 a Dilma virá à Alemanha, pois o Brasil será o país-parceiro da feira de informática CEBIT;
– Poucos países no mundo oferecem tanta diversidade em termos turísticos: praias fenomenais, paraísos naturais, Floresta Amazônica e Oktoberfest em Blumenau (maior festa alemã do continente americano), dentre tantas outras atrações;
– A região do Amazonas representa com 4,1 milhões de Km² quase 60% da área brasileira e é tão grande quanto os EUA. Da região total, que é essencial para o clima mundial, 2/3 ainda estão intactos;
– As universidades federais e algumas privadas (PUC do Rio de Janeiro) são citadas como tendo um alto nível de ensino;
– Em 2010, 540 estudantes alemães (26% na área de Ciências Exatas/Matemática, 24% na área de Línguas e 23% na área de Direito, Soziologia e Economia) foram estudar no Brasil através da DAAD, dentre os quais 1/7 foi para a USP;
– Áreas que são vistas com bons olhos pelos estudantes alemães: indústria da exploração de petróleo, construção de aeronaves, Medicina dos Trópicos, pesquisa climática, área farmacêutica, arquitetura, planejamento de cidades (85% dos brasileiros vivem em grandes centros urbanos) e ecologia.
– No semestre do inverno de 2009/2010, haviam 2.299 brasileiros estudando na Alemanha;
– O nosso nível de alfabetização atinge atualmente 88%, o que mostra que o setor da educação tem prioridade para o governo brasileiro;
– Na opinião do DAAD: Há pouca competência sobre o Brasil na Alemanha e pouca informação, além dos clichês que todos conhecem, sobre as inúmeras possibilidades que o país oferece;
– 46% da energia gerada no país já é atualmente de fontes renováveis (água, vento e biomassa – bagaço da cana de açúcar);
– O crescimento do Brasil é visto como sustentável, de caráter duradouro.

::Copa do Mundo de Futebol Feminino na Alemanha::

05/07/2011

Hoje foi a 1a. vez que assisti um jogo do atual campeonato e gostei do que vi! A Alemanha ganhou da França de 4 x 2, e jogou bem. Nos últimos dias a equipe alemã estava sendo muito criticada e este parece ter sido o jogo da virada. O futebol feminino parece ganhar um pouco mais de espaço, mas muitos repórteres ainda parecem não saber como lidar com a “coisa”. Depois de ter dado uma olhada no Portal UOL e na página da revista alemã Der Spiegel, parece que a “coisa” tem mais valor aqui na Alemanha, pois o noticiário sobre o atual campeonato mundial feminino de futebol está meio escondido na 1a. página do portal brasileiro. A revista alemã, por sua vez, resume aqui o problema do futebol feminino:

“Frau zu sein ist schwer:
man muss denken wie ein Mann,
sich benehmen wie eine Dame,
aussehen wie ein Mädchen
und schuften wie ein Pferd.
Und für die gleiche Arbeit
ein deutlich niedrigeres Gehalt akzeptieren
wie die männliche Konkurrenz”.

“É difícil ser mulher:
temos que pensar como um homem,
nos comportar como uma dama,
ter o aspecto físico de uma garota
e trabalhar como um cavalo.
E temos que aceitar que para o mesmo trabalho
podemos receber um salário bem mais baixo
que o da concorrência masculina.”

Ainda bem que a diferença de salários encontrada no futebol não se repete em todos os outros campos profissionais! O que seria de nós, não é mesmo? Mas fica uma pergunta no ar: quando será que os esportes femininos terão a mesma importância na mídia quanto os masculinos?

Enquanto isso, os repórteres brasileiros vão descobrindo com a cobertura do atual campeonato que a Alemanha é composta de várias cidades médias e pequenas, existindo poucas cidades cuja concentração de habitantes seja tão grande como nas grandes cidades do Brasil. Leia o artigo aqui (“Brasil deixa o interior, chega à cidade grande e reencontra o verão europeu”).

Aqui outra reportagem da Deutsche Welle sobre a repercussão do time brasileiro na mídia alemã.

Fonte: Der Spiegel, Portal UOL e Deutsche Welle, vários artigos de junho de 2011

::Resultado das eleições na Alemanha::

05/10/2010

Recebi da Rosana Gebauer da DBKV a notícia abaixo. Quem vai receber o mundo no Brasil na Copa de 2014???

Informação enviada por Andrea Schilz, do Conselho de Arnsberg:
 
Dos 8.533 eleitores na Alemanha, compareceram 3.430 às urnas. Os resultados foram os seguintes:
 
Dilma 36,23%
 
Serra 34,57%
 
Marina 24,08%  

::Transmimento de pensação – notas pessoais sobre o Brasil atual::

21/09/2010

Dentre as mil e uma “pensações” durante minha viagem ao Brasil, rascunhei umas indagações que me vinham à cabeça aqui e ali durante a permanência na terrinha:
– O Brasil está inundado de notícias negativas, que formam a opinião do povo e os comandam mentalmente, certamente atormentando-os dia e noite sem nenhuma pausa;
– O Brasil continua com mania de “ser pequeno”, com uma tendência à inferioridade que eu sinceramente não consigo entender. Li várias vezes que “estamos atrasados”, “precisamos melhorar muito”, “lá fora tudo é melhor”, etc., até em quesitos onde o Brasil vai super bem. O Brasil já avançou tanto em tantas áreas, faz parte hoje dos países BRIC e do G20, mas continua achando que muitíssimos outros são melhores do que ele. A não ser nos horários de propaganda gratuita dos partidos (que coisa estranha são aqueles preciosos horários não usados sem programação, com a tela estática!), não vi, ouvi ou li nada sobre tudo de bom que vem acontecendo no país nos últimos anos;
– A noção de cidadania vem chegando a passos pequeninos, mas vem. Ouvi repetidamente os pedidos principais da população: melhoria nos setores da saúde, educação, segurança e infra-estrutura;
– Finalmente uma campanha política sem aquele mar de santinhos de antigamente! No lugar delas, gingles e pessoas pagas segurando bandeiras sem nenhuma emoção, invariavelmente clicando em seus celulares;
– Os conceitos de “meu espaço” e “seu espaço” são quase inexistentes (p.ex. eu na cama tentando dormir e um povo na rua fazendo barulho, gritando, falando altíssimo, etc.);
– O nosso povo é maravilhosamente solidário! Isso é um diferencial e algo característico nosso que não tem preço!
– O nosso país verde tropical está quase sem árvores em perímetro urbano, como se o homem se visse superior à natureza;
– O Brasil está (pelo menos no momento) mais caro do que a Alemanha! E bastante mais caro do que em 2008, mesmo descontando a diferença cambial. Ao perguntar sobre este ponto, fui informada de que os salários aumentaram e a diferença foi repassada para o consumidor final. Menos mal.
– Fabricamos carros capazes de rodar com três combustíveis diferentes! 🙂
– E a música brasileira continua linda, linda, linda!
– A cada vez que vou ao Brasil, poderia engordar e voltar rolando pra Alemanha. Viva nossa cozinha maravilhosamente deliciosa!
– Vi poucos bichos no Brasil (bichos não conhecem fronteiras como nós humanos!);
– Dirigir no Brasil continua sendo uma aventura mortal. Vi até um carro da Polícia Federal ultrapassando em faixa contínua!!!
– Vou morrer sem entender as queimadas destruindo nossas matas. Viajei de Beagá a Porto Seguro (ida e volta) e cansei de ver queimadas por todas as estradas que passei;
– Como sempre contei inúmeros postos desnecessários de trabalho, na maioria das vezes criados para que um funcionário controle o outro e engorde o bolso do patrão ou pra passar uma suposta segurança pro cliente;
– Quem será o presidente que receberá o mundo na Copa de 2014??? Pelo andar da carruagem, será a Dilma, não é mesmo? O que vocês acham dela?
– Há muito mais carros no Brasil atualmente, ônibus e caminhões velhos poluem o ar e espalham mal cheiro por todas as partes. Disseram que em 2009, ao contrário da Alemanha, o governo brasileiro incentivou a compra de um novo carro sem pedir de volta os carros antigos. Perderam uma boa oportunidade pra diminuir a emissão de CO2!
– Há tanto carro rodando nas ruas que não via há séculos (Kombi, Caravan, Brasília, etc.);
– Por que será que apesar de termos espaço e da Copa 2014 estar chegando, só temos rodovias quase que só com uma via? A construção de mais rodovias com 2 vias de cada lado desafogaria o trânsito e tornaria as viagens bem menos perigosas. A limitação do tráfego de caminhões para um determinado horário e/ou dias também poderia ajudar neste quesito;
– A corrupção continua institucionalizada, na base do “rouba, mas faz”;
– Campanhas lindas na tevê, p.ex. “não venda seu voto”, “não vote em candidatos que sujem sua cidade”, “o normal é ser diferente”, etc.
– Será que teremos tempo para expandir a infra-estrutura do país até 2014?
– O Faustão magro já não é mais o mesmo, agora ele virou um “Faustinho”, o Jô também está bem mais magro, o Sílvio Santos (como sempre) não mudou uma palha. O microfone dele continua exatamente no mesmo lugar, hehehe… E que horror aquelas meninas rebolando pra lá e pra cá durante tantos programas na tevê. Isso é coisa do tempo do Chacrinha e deveriam existir atividades muito mais interessantes para essas mulheres (muito bonitas por sinal) do que ficar rebolando na telinha!
– Os pivetinhos sumiram há muito da paisagem urbana, no lugar deles dizem que o tráfico de drogas impera no país;
– O nosso povo é maravilhosamente solidário! Isso é um diferencial e algo característico nosso que não tem preço!
– Rever bons velhos amigos é tudo de bom 🙂
– Como Caetano, às vezes eu me sinto uma estrangeira no Brasil, mas sinto ao mesmo tempo uma falta “danada” de lá também!
Se você leu até aqui, certamente vai ter muito para comentar. Mãos à obra! 🙂

::Fim de um sonho::

08/07/2010

Que pena que a Alemanha perdeu, né? Mas a verdade é que os espanhóis dominaram o jogo e ganharam por merecimento. Como nunca ganharam uma Copa em sua história, esta seria agora uma boa oportunidade que eles deveriam transformar em realidade.

A revista Spiegel, além de outras mídias aqui na Alemanha, comenta que o futebol contribui para mudar a imagem do país no exterior, de pessoas disciplinadas mas sem graça, para pessoas animadas e que gostam de festejar. Ele também contribui para “colorir” o país, pois abrigou 11 jogadores de um total de 23 cuja origem era estrangeira, representando assim a realidade atual do país e consegue portanto passar para o exterior uma imagem de um país mais aberto e moderno, com um novo patriotismo saudável.

O futebol alemão foi elogiado pelos quatro cantos do mundo (até os ingleses simpatizaram com o futebol da Alemanha e reconheceram suas qualidades – veja aqui) e apesar dos jogadores não voltarem pra casa com o 1° lugar, serão com certeza muito festejados quando chegarem aqui. Os alemães acreditam ter jogado bem na Copa e vêm a partida perdida como um ganho de experiência para seu desenvolvimento futuro. A opinião aqui é que os alemães perderam ontem para o melhor time do mundo da atualidade. Que a Espanha ganhe no próximo domingo!

::Sorriso no rosto :-)::

06/07/2010

Foi uma delícia assistir este vídeo, menos pela comemoração brasileira quanto à eliminação da Argentina, mas muito, muito mais pela saudade que bateu do Brasil ao assistir aos melhores momentos do último jogo entre a Alemanha e a Argentina e poder ouvir os comentários cheios de emoção do narrador brasileiro. 🙂
Curtam comigo:

Agradeço ao grupo Brasucas Bodensee pelo envio do vídeo! E vocês sabiam disso? O Klose fez até agora mais gols do que o Pelé e a reportagem acim diz até que ele está próximo de alcançar o Ronaldo. Confiram na RAPortage do grupo Blumentopf (Vaso de Flores) abaixo:

::Alemanha x Argentina::

03/07/2010

A vitória da Alemanha de hoje à tarde foi fantástica, não é mesmo? Nem a própria Alemanha acreditava que ganharia da Argentina com uma goleada de 4:0. A diferença entre os dois times saltou aos olhos do mundo: de um lado os argentinos, liderados pelo Maradona, senhores de si, centro do mundo, invencíveis, com a “mão de Deus”, e do outro a Alemanha, que tem um bom time e que trabalha em conjunto com eficiência e prazer, sinergia pura. O Lahm, o capitão da seleção alemã, acaba de ser entrevistado na tevê e disse que tinha como objetivo oferecr ao país uma tarde de verão com uma boa partida de futebol, se possível com uma vitória, e que isto pôde ser alcançado e portanto ele estava super feliz.

Desta vez, nós estávamos na praia aqui de perto de casa e assistimos o jogo em um bar ao ar livre, tomando uma cervejinha. Perto de nós haviam algumas crianças de uns 10 anos de idade que entendiam muito de futebol e faziam vários comentários, mostrando estar super bem informados. Uma graça! O torcedor alemão assiste o jogo bem mais calmo do que nós brasileiros, só comenta sua opinião com a pessoa ao lado e bate muitas palmas, se levantando e comemorando na hora dos gols. No mais, são quietinhos e silenciosos. Eles batem palmas quando um bom lance acontece, quando um jogador sai, quando o goleiro faz uma boa defesa. Acho que bater palmas é mesmo um ato típico alemão, que vale também para outras ocasiões, como para acompanhar uma música ritmada. Hoje à tarde nós aproveitamos bastante na praia e nadamos antes do começo do jogo e no intervalo do 1° para o 2° tempo. Hoje foi um dos dias mais quentes do ano aqui na Alemanha, por volta de 31°C, mas o sentimento era de que estávamos com mais de 35-37°C. Bom ter um lago por perto para refrescar!

Quando o jogo acabou, a Alemanha se transformou em uma festa só. Todos começaram a comemorar, a buzinar e sorrir, comemorando a vitória. Nas ruas só davam as cores da bandeira. Na rua principal do meu bairro, havia uma bandeira alemã ultra-dimensional e quatro torcedores estavam comemorando com cada carro que passava, fazendo “la ola” pra cada um que passava debaixo da bandeira deles e comemorava junto do grupo.

Independente do resultado, novamente o país ganhou com a Copa do Mundo – vejam como um exemplo o artigo abaixo que acabei de traduzir. Antes disso, curtam comigo o rap anterior à partida de hoje do grupo Blumentopf (Vaso de Flores). Tschüss Maradona! Tchau Maradona! Que venha a Espanha!

::Integração que faz gols::

03/07/2010

No futebol o esforço vale a pena – uma vantagem para imigrantes – por Bernd Ulrich, jornal “Die Zeit” (O Tempo), edição de 24.06.10

Muitos reclamam na Alemanha que os imigrantes têm pouca vontade de se integrar no país e que têm pouca ambição. Com certeza com razão, talvez com muita frequência.

No momento os jovens imigrantes são o tema número 1 do país. Eles se chamam Sami, Mesur, Miroslav, Marco ou Mario. Vamos fazer uma pergunta bem simples: por que a metade da seleção alemã (11 de 23 jogadores) têm origem estrangeira, apesar de que o número de estrangeiros ou descendentes de estrangeiros é cerca de três vezes menor (mais exatamente: 1,125 milhões contra 3,754 milhões de alemães)?

Digamos que pode ser encontrada uma resposta socio-racista para a pergunta: futebol é um esporte para burros, os imigrantes têm em média um nível mais baixo de educação e por consequência têm sucesso nos campos de futebol. Aqui há um erro de interpretação – na verdade esportivo. O futebol só se tornou um esporte capaz de encantar os quatro cantos do mundo porque ele é ao mesmo tempo individual e coletivo, super simples e incrivelmente complexo. Ele sempre foi assim, mas muitos intelectuais e pessoas com alto nível de educação precisaram de muito tempo para aceitar este fato. Uma variante nova é o fato de que as exigências da sistemática de jogo de hoje em dia, além dos negócios relacionados ao esporte, exige jogadores cada vez mais inteligentes. Inteligência e inteligência de jogo se tornaram, cada vez mais, algo bem similar.

A segunda resposta é mais simpática, vamos chamá-la de patriarcal-condescendente: uma vez que os imigrantes têm poucas chances de sucesso na sociedade, eles se concentram no futebol. Isto com certeza é verdade, apesar de que o argumento não condiz com os dos imigrantes que têm pouca ambição e que não querem se integrar. Principalmente quando se considera o que significa tornar-se jogador profissional de futebol. Se tudo dá certo, isto acontece aos 18 ou 19 anos. Até este ponto estes jovens já sentiram mais pressão de desempenho ou devido à concorrência do que a maioria das pessoas no final de suas carreiras. E isto vale mesmo para os jogadores que não chegam à seleção. Os 11 imigrantes, que agora estão jogando pela Alemanha na África do Sul, representam portanto o ápice de uma grande disposição pelo desempenho.

A resposta correta para a pergunta do começo do texto é portanto: o futebol é um negócio que gera bilhões de lucros. Os clubes e treinadores, que se deixam dominar pela discriminação ou que ainda não desenvolveram suficientemente suas habilidades de integração perante imigrantes talentosos, acabam saindo perdendo. (Só para citar um exemplo: até há pouco tempo os treinadores alemães não aceitavam que jovens muçulmanos tomassem banho de shorts depois dos treinos por questões religiosas. Neste meio tempo os treinadores já mudaram sua opinião, e os jovens são deixados em paz).

Para encurtar a história: no futebol o desempenho é analisado de maneira relativamente objetiva e a alta capacidade de integração dos imigrantes é compensada com muito dinheiro.

Por que há 11 imigrantes na seleção alemã de futebol? Porque eles são bons.

Fonte: jornal “Die Zeit” (O Tempo), edição de 24.06.10, tradução: Sandra Santos.

::De luto::

02/07/2010

Não ganhamos hoje à tarde e fiquei toda tristinha, tinha saído com toda a família de verde e amarelo e queria comemorar com amigos, mas não tinha que ser. Fiquei com vergonha daquele cartão vermelho, falta que não deveria de maneira nenhuma ser parte de um jogo de confraternização entre as nações como o de hoje. Amanhã a torcida continua pela Alemanha!

Aqui o grupo de rap Blumentopf (Vaso de Flores) canta em forma de rap sobre cada jogo da Alemanha, cuja música é intitulada “RAPortage” (seria “Reportage” em alemão, mas é uma reportagem em forma de rap) e é um incentivo pra quem quer treinar seu alemão, pois a dicção dos cantores é super clara. Fica a dica:

Mas a verdade é que se a nossa final tivesse sido como a de hoje à noite, da Gana x Uruguai, eu teria tido um “filho verde”. Nossa, meu Deus, que loucura de jogo, tão dramático! Vocês o viram também? Sinto muito por Gana. Na realidade eu desejaria agora que um time que nunca ganhou, ganhasse a Copa pela primeira vez. Aliás esta Copa está cheia de irregularidades e erros. A tragédia e a alegria de dois times, dois lados da mesma moeda: um, Uruguai, que continua na competição apesar de um jogador ter impedido um gol com as mãos, e outro, Gana, que perde, e com o time leva consigo todas as esperanças de um continente. Destino?!?

Fico imaginando como seria uma Copa se não existissem mais países, se o mundo fosse um só. Como seria competir em amizade? Se olhamos bem a fundo para os times de hoje, já não existem times formados por atletas de um só país. A Copa virou uma competição de todas as partes do mundo contra todas as partes do mundo.

P.S-Vocês ficaram sabendo do tal vídeo onde o treinador Löw da Alemanha é filmado “limpando o salão” e comendo sua própria meleca durante o jogo contra a Inglaterra? Lógico que aqui na Alemanha ninguém fala dele…

::Inglaterra x Alemanha::

27/06/2010

O jogo de hoje foi dramático, e foi muito mais do que um simples jogo de futebol. Foi como uma continuação da 2a. Guerra, onde cada parte só tinha um interesse: a vitória. Meu marido comentou que os ingleses vêm a coisa muito mais séria do que os alemães, porque eles comentaram antes do jogo que “os alemães estavam com medo dos leões” (os ingleses) ou que “a máquina de guerra alemã iria entrar em ação”. Um erro do juiz, o que teria significado 2:2 para os ingleses, poderia talvez ter mudado o curso do jogo, mas a vitória folgada dos alemães de 4:1 provou que eles ganharam por merecimento.

Ambos os lados lembraram um erro parecido, na partida do final da Copa do Mundo entre a Alemanha x Inglaterra, nos idos de 1966 (!), daquela vez a favor da Inglaterra. Os comentadores na tevê lamentaram o erro, mas disseram que daquela vez aconteceu a favor dos ingleses, desta vez a favor dos alemães. O erro, onde a bola bate na trave, cai na área do gol e é pega pelo goleiro, tem até nome por aqui e se chama “Wembley Tor” (gol de Wembley), numa referência àquela partida que deu a taça aos ingleses. Mas há um ditado alemão que ilustra bem o acontecido e diz o seguinte: “Man trifft sich immer zwei Mal im Leben” (As pessoas encontram-se duas vezes na vida). Um programa na tevê chegou até a brincar com o fato, mostrando uma linha que fazia um “V” no lugar onde a bola caiu dentro do gol.

Assistimos o jogo de hoje junto da minha cunhada, nossos sobrinhos e meu sogro, fazendo churrasco no jardim do prédio do apartamento dela. Minha cunhada ficou boba com meus pulos, meus gritos e minha torcida pelo time da Alemanha, pois ela não conhecia ainda o estilo brasileiro de torcer, hehehe. Depois da vitória, saímos em dois carros com os meninos e passeamos pela cidade, participando da festa nas ruas. Acho que nunca buzinei tanto assim na Alemanha, fazendo batucada com a buzina. O Daniel adorou, falou que foi “cool”, porque todos tinham bandeiras alemãs nas mãos. Nas ruas vimos pessoas de todo canto, estrangeiros e alemães, vestindo a camiseta da Alemanha e festejando juntas. Meus filhos já vão crescer vendo mais bandeiras e se identificando mais com o país do que as gerações passadas. O Daniel, que tem 5 anos, identifica uma bandeira brasileira ou alemã, há anos, e bem de longe. O futebol aqui continua tendo efeitos positivos, por um lado por unir pessoas de origens diferentes, dando a elas o sentimento de que pertencem à Alemanha e podem se integrar, e por outro lado por permitir que os alemães sintam orgulho pelo país, sentindo patriotismo sem culpa.


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