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Posts Tagged ‘copa’

::Divagações de sábado de manhã de meio-brasileira, meio-alemã::

26/07/2014

Inspirada pela minha revista alemã predileta aqui na Alemanha (Der Spiegel), que comprei há umas semanas atrás e que absolutamente não pode ser substituída pela versão online da mesma, que leio toda noite, volto a pensar sobre o Brasil, a Alemanha e o mundo.

O artigo “A nação que está mais leve” (Die entkrampfte Nation, alguém tem uma sugestão melhor de tradução?) comenta que os alemães estão se descobrindo e se reecontrando, a cada Copa, com o passar dos anos, tendo como marco das mudanças a Copa de 2006, que ocorreu em solo alemão.

O povo alemão está aprendendo a se reinventar e pode afirmar o que está bom no país, e reconhece ao mesmo tempo o que não anda bem. Tudo faz parte da nova identidade, que é mais leve e mais desprovida do peso do passado. Eles sabem quem são internamente, mesmo que tenham dificuldade de saber qual é o seu papel no mundo. Ainda que esteja claro que, com Angela Merkel como líder forte, respeitada e atuante, a Alemanha tenha posição de destaque na política internacional. Portanto, eles demonstram no momento um misto de leveza e importância.

O artigo “Viajar, mas não pra longe” (Bloß nicht so weit weg, tradução livre), também da revista Der Spiegel, afirma que apesar dos jovens alemães terem a oportunidade – e condições – de estudar no exterior, muitos deles preferem ficar no país. Para mim isso pode ser um sinal positivo, já que vejo nas novas gerações a leveza descrita no artigo e o reconhecimento de que o país vai bem, obrigado. Por outro lado, o país está ficando cada vez mais multicultural, ainda que temas como diversidade e integração continuem a ser altamente discutidos. Dos jovens que vão ao exterior, muitos voltam afirmando gostar de conhecer o mundo, mas preferem viver na Alemanha, onde uma vida de qualildade é possível para a maioria da população e as escolas são de graça até a universidade.

Antes da queda do muro, os alemães se definiam como alemães do leste, do oeste, orientais, ocidentais, social-capitalistas, comunitas… “Ossis” e “Wessis” falavam do lado de lá e de cá. O muro caiu sem guerras e o país voltou a ser um só, e pode se dar a liberdade desde a Copa de 2006 de mostrar sua bandeira e de mostrar sua felicidade como nação reunificada. No meio do caminho, depois da queda oficial do muro que dividia o país, um muro virtual continuou por vários anos na cabeça dos alemães, que reclamavam uns dos outros e do fato de que a parte ocidental (cada cidadão) teve que ajudar financeiramente a parte oriental a se reerguer, enquanto na parte oriental falava-se do desemprego, das dificuldades encontradas com a reunificação. Algumas décadas depois, algumas diferenças persistem, mas o país pode se orgulhar de ter passado por este processo sem guerras e sem revolução civil. O alemão virou um povo só, não tem mais que se definir pelo lado de onde vem. E isso ajuda no sentiment de leveza.

O povo alemão também virou um povo colorido e multicultural. Segundo dados do OECD a Alemanha é o segundo destino de imigração no mundo, ficando só atrás dos EUA. Atualmente, 400 mil pessoas têm o desejo de ficar por aqui por tempo indeterminado.

Os alemães também refletem sobre seus erros. O fato de um aeroporto ter sido iniciado e nunca ter sido terminado em Berlim, por motivos de corrupção, falta de planejamento e má administração da verba pública os fazem afirmar: sim, nós também somos isso tudo. Ao mesmo tempo que reconhece seus acertos, critica os erros e olha para o passado de forma consciente para evitar a repetição dos grandes erros de um passado tenebroso.

O que é típico da cultura alemã combina com o estado atual do país: em grande parte, o povo é trabalhador e esforçado, disciplinado, (nota minha: vive de forma humilde, simples e prática) e quer crescer, ou pelo menos manter o que atingiu. Uma economia que vai bem contribui para a leveza de seu povo. Atualmente, mais de 42 milhões de pessoas têm um emprego, a maior marca da história do país. Os salários são bons e o poder de compra cresceu. Os juros estão baixíssimos e as pessoas aproveitam para gastar, comprar imóveis, investir na qualidade de vida. Parece que o país vai crescer 2% neste ano de 2014, o que, para uma economia idosa e instalada feito a Alemanha, é um resultado excelente.

O país vai bem e, se pudesse, iria congelar tudo o que tem no momento. Nada de novo, nenhuma nova chanceler no poder e o mínimo de política. Se o país se envolve de forma militar no mundo, então que seja para que soldados alemães se arrisquem ao mínimo e ajudem, podendo voltar depois para casa. Os alemães estão fartos de guerras.

O país se tornou mais leve, sim, mas ainda não sabe direito qual deve ser seu novo papel no mundo. Antes o país ocupava a liderança na Europa, sendo um dos melhores amigos dos EUA. Agora, com os escândalos dos últimos tempos de NSA e espiões tão próximos do poder alemão, tudo mudou.

Assim como os alemães, acho que nós brasileiros também podemos – e devemos – nos reinventar a cada dia. Não podemos ficar parados em cima do status quo de corrupção, egoísmo e da grande tentativa de manobrar massas da mídia brasileira, que representa os ricos desta nação que sempre souberam defender seus interesses. É necessário avaliar o que anda bem, e o que pode ser mudado. É necessário acreditar e apostar na liberdade de expressão dentro de um país dito democrático. Cada um de nós pode pegar na caneta, encostar os dedos no teclado, mãos à obra, em todos os sentidos! E acreditar que com o andar da carruagem o país vai se fazendo, o mundo vai mudando. Espero, pra melhor.

Mas a mudança começa de baixo para cima. Dos atos do dia-a-dia de cada um, em todo e qualquer canto do mundo. E só enxergamos aquilo que existe em nossa realidade. Aí está a razão pela qual vale a pena viajar e conhecer novas culturas, novas formas de resolver os mesmos desafios. Com a ampliação de nossas mentes, muitas coisas passam a existir, novas janelas vão sendo abertas. A perspectiva é válida para cada um nós. É válida para o mundo. Vão ser as trocas de experiência e de conhecimento que vão fazer deste mundo um lugar melhor para todos. Os animais, por exemplo os passarinhos e as borboletas, mais sabidos que nós, já nos mostram o caminho: eles não conhecem as fronteiras que colocamos no papel.

Fonte de inspiração: revista Der Spiegel número 29 de 14.07.14, artigos „Bloß nicht so weit weg“, página 46, e „Die entkrampfte Nation“, página 57.

::Elogios da revista alemã Der Spiegel sobre a Copa no Brasil::

17/07/2014

A reportagem original, de autoria de Sara Peschke, está aqui. Em seguida um resumo da mesma (tradução livre minha):

Quando se pergunta pra um brasileiro onde estão as praias e as pessoas mais bonitas ou as cidades mais interessantes, invariavelmente ele responde que é no Brasil. O que não deixa de ser verdade em um país com dimensões continentais com oito milhões de metros quadrados, que pode deixar um europeu um tanto quanto perdido. Antes da viagem, a autora teve muito respeito deste fato.
A repórter diz que viajou melhor de avião durante a Copa no Brasil do que com os trens alemães da Deutsche Bahn. Ela esperou pouco, não houve atrasos, se ela chegava mais cedo nos aeroportos e havia vaga em um voo mais cedo, ela podia voar sem ter que pagar nada pela troca do horário. Ela também viajou bem de ônibus, taxi e metrô e conclui que os meios de transporte públicos no Brasil são bons.

Ela se surpreendeu com o jeitinho brasileiro e conclui que no fim, tudo acaba dando certo, mesmo que ela não entenda como. Como por exemplo no caso da internet antes da final no Maracanã, que acabou voltando a funcionar 15 minutos antes do início do jogo.

A organização da Copa surpreendeu também positivamente, apesar de tantas críticas antes do início da competição. Mesmo quando a seleção brasileira perdeu, tanto foi dito que tudo poderia acontecer, e quase nada aconteceu de verdade. Depois da Copa, o Brasil pode mostrar ao mundo que pode realmente ser grande. Agora é hora de mostrar isso para cada um dos brasileiros, de todos os cantos do país, que precisam urgentemente desta força.

Fonte: Artigo “WM-Bilanz: Wahre Größe” de 15.07.14 da revista Der Spiegel.

::“Gaúchos andam assim”: o mimimi em torno da comemoração da seleção alemã em Berlim::

17/07/2014

Ia escrever um artigo a este respeito, mas acabo de achar este e como concordo com o conteúdo, o divido com vocês.

Fonte: Diário do Centro do Mundo, autor Kiko Nogueira.

::Você já tem sua camiseta do Brasil para a Copa?::

23/05/2014

Hoje foi a vez de equipar a família toda pra Copa. No nosso caso, isto significa garantir que tenhamos cammisetas do Brasil e da Alemanha pra família toda, o que foi facilmente feito no Lidl com essas ofertas aqui, válidas desde ontem (22/05/14) .

Dose foi ter que ler em cada camiseta que ela se chama em português de Portugal “camisola esportiva”. Ai, ai, isso ainda vai dar o que falar!… E até o Fuleco, o mascote da Copa, está à venda por lá como bicho de pelúcia. Não percam! 😉

E na sua casa, qual é a camiseta que você compra? Só a do Brasil ou, como no meu caso, também a da Alemanha?

::Produtos “brasileiros” n’Alemanha::

21/05/2014

Esta fase pré-Copa tá muito engraçada aqui na Alemanha. Todo e qualquer produto virou produto do Brasil.

Semana passada vi uns chips de uma marca chamada “Mucho Gusto” que estavam sendo vendidos como chips brasileiros. Uai, e eu nem sabia que tínhamos algum tipo de chips que fossem legitimamente do Brasil! Havia também muitos produtos da Espanha, México e da América do Sul sendo oferecidos como produtos brasileiros… Morri de rir e ao mesmo tempo de vergonha, e também de medo dos alemães acreditarem naquela jogada de marketing de mau gosto.

Hoje achei uma nova leva desses produtos, tinha até mexido com frango e com peixe, até de um tipo que não temos no Brasil, mas isso não importa muito. Isso é detalhe. Tinha pizza de sabor feijoada (quem será que teve essa ideia magnífica que transformar a feijoada numa pizza?!?), além disso toalhas e lenços de papel em homenagem ao Brasil ou com motivos tropicais. Taí: gostei dos lencinhos de papel e finalmente a propaganda atingiu seu objetivo. Carreguei um pacote desses pra casa! 😉

::Jornais alemães se enganam com o nome do mascote da Copa::

11/04/2014

Na realidade uma piada e um exemplo de como uma notícia errada pode se espalhar de forma rápida na era da internet:

Uma definição totalmente descabível do que o nome do mascote da Copa do Mundo no Brasil significa na realidade causa confusão na imprensa alemã. O tatu-bola bonitinho, cujo nome é Fuleco, mistura de “futebol” com “ecologia”, foi confundido com outra palavra bem menos honrosa em português. Tudo bem que o nome deixou a desejar, e que possa ser facilmente ligado a outras palavras nem tão simpáticas como “fuleiro”, mas a intenção com certeza foi nobre. Teria sido mais fácil se tivessem dado ao bichinho o nome singelo de “tatu-bola”, não é mesmo?

O jornal alemão Die Welt, um dos mais conhecidos da Alemanha, afirmou há algumas semanas atrás que Fuleco é sinônimo de “ânus” na “linguagem popular do Brasil”. Logo a notícia se alastrou e vários outros jornais, dentro e fora da Alemanha, reproduziram a reportagem sem verificar se era verdade ou não…

Achei que esta frase disse tudo e dá exemplos de muito do que se pode expressar com a dita palavra em alemão: “Ist das Maskottchen der Fußball-Weltmeisterschaft 2014 tatsächlich am, im oder ein “Arsch”, wie so manche deutsche Medien heute behaupten?” (O mascote da Copa Mundial de Futebol 2014 está perdido, dentro do ânus ou é um completo idiota, como a mídia alemã tem sugerido?)…

Fontes: Site “Brasilien WM 2014” e DW Notícias de 01.04.14.

::Meio a meio::

09/06/2008

Meu coração é metade verde e amarelo e a outra metade é preta, vermelha e dourada. Falo isso sem querer ser arrogante ou por outro lado sem me sentir traidora das minhas origens. Moro aqui há 15 anos e sou orgulhosa tanto do Brasil quanto da Alemanha, considero ambas as nações dignas de respeito e de amor e sinto que as duas são diferentes, mas não superiores ou inferiores entre si. Há pontos bons e ruins aqui e lá, não há um país perfeito neste mundo.

GuerreiroDá pra perceber quando assisto a um jogo de futebol, como o que acabou de acontecer hoje da Alemanha contra a Polônia: vibro como se fosse o time brasileiro que estivesse jogando, e tenho orgulho dos jogadores, torço para que eles cheguem a uma boa colocação e, se possível, ganhem o campeonato europeu de futebol, que começou ontem na Suíça e na Áustria. Só quando a Alemanha joga contra o Brasil, nas copas mundiais, é que “mudo de time” e torço de coração para o Brasil, minha pátria amada, lugar onde nasci e de onde vêm minhas raízes e minha cultura, minha visão de mundo. Mas como desta vez a competição é européia, estou torcendo 100% pela Alemanha. Detalhe: No jogo de hoje contra a Polônia havia um brasileiro recém-naturalizado polonês, chamado Roger Guerreiro. Alguém o conhece? Disseram que ele joga há 2 anos e meio em Warschau. Há mais brasileiros no campeonato: jogando no time da Turquia “Mehmet” Marco Aurelio e no time espanhol Marcos Senna. E no time alemão há dois dos melhores jogadores, Klose e Podolski, que nasceram na Polônia e o Podolski foi quem fez os dois gols da vitória do jogo de hoje. Mundo globalizado esse, nao é mesmo?

Mas eu só assisto jogos de futebol de grandes campeonatos. Fora deles, futebol não me interessa nem um pouco. Daí passam a ser 22 bobos correndo atrás de uma bola, pois pra mim futebol está ligado a festa e confraternização entre os povos e um joguinho de campeonato alemão ou brasileiro não chega a tamanha importância, pelo menos no meu modo subjetivo de ver este esporte.

Li nos jornais que fizeram um estudo aqui na Europa, dentre os países participantes do campeonato europeu de futebol, para analisar as preferências entre sexo e futebol. Somente na Itália e em Portugal as pessoas se dizem mais interessadas por sexo, nos demais países ganha o futebol. Será que é porque ele dura mais? Hehehehe… O futebol, desde a última copa mundial, deu ao torcedor alemão o direito de sentir orgulho do país, desde então ele tem a liberdade de poder ter um sentimento nacionalista saudável, o que é muito bom para o país. Todos falam aqui da “fábula do verão de 2006” e querem que ela se repita este ano. E enquanto o número de torcedores do sexo masculino continua mais ou menos o mesmo, o número de torcedoras do sexo feminino aumenta. Será que é porque tem realmente uns homens muito bonitos jogando futebol, vide o goleiro Artur Boruc da Polônia? Mesmo assim, contino não entendendo por que alguns esportes são quase que totalmente masculinos, por que os campeonatos femininos de alguns esportes não recebem a mesma pompa que os campeonatos dos homens. Para mim, tinha que ser tudo meio a meio, fifty-fifty para tudo entre homens e mulheres, em todos os campos possíveis e imagináveis, respeitando naturalmente a constituição física de cada sexo.

Aliás pulando pra este assunto, começaram a surgir alguns livros por aqui que tentam resgatar o nome de mulheres importantes ao longo da história, pois também a História tenta fazer acreditar que só homens ocuparam papéis importantes ao longo dos séculos. Acho isso de resgatar a história feminina super importante, pois a repetição de grandes atos depende também de bons exemplos, que teimam em não nos mostrar. E também com o fim de mostrar que, na realidade, o yin-yang, a convivência construtiva e positiva entre homens e mulheres é que tende a ser boa para ambas as partes. A solução está no meio do caminho. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.


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