Posts Tagged ‘costumes’

::Como eu mudei depois de mudar para a Alemanha::

19/04/2015

Inspirada no texto que republiquei no meu mural do Facebook, pensei que seria uma boa ideia escrever um texto meu sobre como eu mudei depois de morar na Alemanha. Claro que esta avaliação será só pela metade, porque depois de meia vida aqui talvez já tenha incorporado tanta coisa que já me parece normal, que não a notaria sem que me alertassem deste fato, tirando claro os cabelos grisalhos, as rugas e o ganho de peso com a idade. Portanto, se me conhece e quer me lembrar de algum aspecto que porventura não tenha comentado aqui, deixe seu comentário abaixo, ok? Pois então vamos lá!

Beijinhos e cumprimentos

Com certeza eu beijo menos no rosto e cumprimento muito mais falando do que pegando nas pessoas. Deixei também de encostar nas pessoas ao falar com elas, o que logo de princípio irritava muito meu namorado na época.

Lanches e usados

Fazer “farofa”, levando comida ou lanches ao sair de casa, era inaceitável lá em casa. Vivendo na Alemanha passei a ver que esta atitude é louvável, economiza dinheiro, faz com que nos alimentemos de coisas mais saudáveis e na hora que bem quisermos.

Não cresci em um meio onde a compra ou troca de usados fosse normal. Hoje em dia já participei de várias festinhas onde o único objetivo era a troca entre amigas de roupas e acessórios, sem gastar dinheiro nenhum. Acostumei-me a vender e comprar roupas usadas para meus filhos. Faço também muitas doações aqui, o que já era normal no Brasil, mas aqui às vezes é mais difícil achar pra quem doar.

Espiritualidade

Cresci como católica, mas aqui aprendi a conhecer e respeitar todas as religiões. Aprendi que um ateu que age com civilidade e respeito é mais religioso do que um evangélico ou católico que cumpre o que sua religião exige, mas desrespeita o próximo na primeira oportunidade possível.

Origens e nacionalidades

No Brasil nunca ficamos refletindo sobre a origem das pessoas, sobre a nacionalidade de suas famílias, mas isto aqui na Alemanha é imperativo, pois todos querem saber. Também porque o método de tratamento formal é feito só pelo sobrenome, o que leva as pessoas a colocarem perguntas sobre as origens, o marido (se se tratar de uma mulher casada que tenha trocado o nome) e até se a pessoa for alemã, querem saber de que parte da Alemanha a pessoa vem.

Cidade grande x bicho do mato

Morava em uma cidade com 3,5 milhões de habitantes e para mim era impossível pensar em viver no interior. Hoje moro em uma pequena cidade pertinho de um lago lindo no sul da Alemanha e gosto das vantagens de morar assim, porque tudo é pertinho, gasto pouco tempo me locomovendo para a escola, trabalho, etc., vivo mais próxima à natureza, respiro um ar mais puro e tenho acesso a tudo o que preciso para viver, mesmo tendo feito a opção ser “bicho de mato”.

Preconceitos

Eu não sou livre de preconceitos (quem me dera!), mas no Brasil era definitivamente mais preconceituosa do que aqui. Com certeza porque aqui tenho a oportunidade de conviver e interagir com pessoas de muitas partes do mundo, provar de comidas diferentes e refletir sobre meus preconceitos e os preconceitos de outras pessoas.

Introspecção e (in)tolerância ao barulho

A Alemanha é muito silenciosa, com pouquíssimos barulhos em locais públicos, as pessoas falam mais baixo, a buzina só pode ser usada em caso de emergência… Tudo isso pode incomodar demais um brasileiro em busca de agitação. Eu, da minha parte, faço uso do meu lado introspectivo e aprendi a gostar do silêncio. Mas quando uma festinha boa aparece por aí, com ou sem música, eu adoro também!

Direitos do cidadão e conceito de cidadania

Lembro de andar em Belo Horizonte com o direito do consumidor debaixo dos braços para tentar fazer valer meus direitos em uma loja de sapatos, sendo quase vista como uma ET por agir assim. Aqui todos conhecem seus direitos e costumam fazer uso deles com frequência.

O conceito de cidadania é bem visível aqui. Os bens públicos são conservados e ninguém costuma deixar lixo em lugares públicos. Acho isso o máximo!

Brasil e o valor dos mais simples

Morando na Alemanha, passei a conhecer mais do Brasil além do que conhecia. Vi e li muita coisa que me fez repensar sobre vários conceitos antes ganhos sobre meu país. Passei a ver coisas que para mim antes eram normais, desde que moro aqui como equivocadas, como p.ex. o tratamento às empregadas (almoço em mesas separadas, elevador de empregada, etc.). Sendo obrigada a colocar a mão na massa, cuidar da casa e fazer tudo sozinha, aprendi a ter respeito com cada ser humano e pela função que ele exerce na sociedade. Voltando ao quesito preconceito, aprendi que muitas vezes os mais simples podem ter melhor caráter do que os mais cultos.

Simplicidade

Na Alemanha o esbanjamento é bem diferente do visto no Brasil. Praticamente não há casas planejadas por decoradores, as festas são simples (e ainda assim muito caras), mas investe-se p.ex. em bons carros e em viagens. Mesmo assim, há uma tendência grande da nova geração de consumidores alemães de optar conscientemente contra a compra de um carro, e se for possível de usar os meios de transportes públicos. Isto menos pela falta de recursos, mas mais pela consciência ecológica.

Animais

Eu não tinha ligação nenhuma com animais no Brasil. Hoje vivo com dois gatos em casa e respeito aqueles que cuidam e lutam pelos direitos dos animais. Aprendi com uma amiga minha que disse que se só houvessem pessoas que se importam com pessoas, quem cuidaria dos bichinhos e bichanos? É bom que cada um tenha interesses diferentes, assim todos são considerados. Vivendo e aprendendo!

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::Feliz 2011!::

02/01/2011

Como vocês passaram a noite de ontem? Eu estava numa festa multicultural, com gente de todo canto do mundo, muitos casais binacionais, dentre eles muitos brasileiros, festejando a passagem do ano. Eram quase 60 pessoas batendo papo, comendo, bebendo, dançando, rindo, brincando, jogando videogames e comemorando juntos. Dentre eles, um casal que recentemente comprou meu livro e que por coincidência fez amizade com uma amiga em comum, que os convidou para a mesma festa. 🙂 O Matthias levou muitos jogos de videogame da loja pra festa e junto de um outro convidado montaram uma pista de dança com um equipamento digno de uma discoteca! Misturamos a tradição alemã de soltar fogos e brindar a chegada do novo ano com champagne com nossa alegria, agitação e uma energia pra dar e vender, cuja melhor representante era a dona da festa, minha querida amiga Ceci. Os comes e bebes eram tão internacionais e diversificados quanto os convidados. Estava tudo uma delícia, a festa foi um barato! Obrigada à Ceci pelo convite, uma passagem de ano melhor do que esta aqui na Alemanha ainda está por vir, pois foi mesmo super legal.

Um momento bonito foi na hora da queima dos fogos, quando os convidados saíram no jardim com cálices de champagne com falsos cubos de gelo que eram iluminados intermitentemente pelas cores azul, vermelha e verde. Vocês já viram esse tipo de “gelo”? Ele é feito na China, foi vendido no Brasil e enviado pela mãe de uma das brasileiras presentes pra alegrar nosso Ano Novo! Deu quase uma volta ao mundo! Adorei! Outro momento simbólico foi a queima do “Ano Velho”, um boneco de pano que na Colômbia simboliza as coisas ruins do ano passado, para que entremos o ano de 2011 com o pé quente e levando só pensamentos positivos conosco!

Pessoalmente, pra mim o ano de 2010 foi um ano de muitas conquistas e muitos objetivos alcançados, e portanto tenho muitíssimo a agradecer. Espero que você também tenha tido uma boa virada de ano e que possa se inspirar e dar partida no ano de 2011 pelo discurso do Lula, que achei por bem publicar aqui por ser um momento histórico do nosso país, e por ele ser um exemplo de humildade, coragem e força de vontade. Termino com aquela musiquinha, desejando paz e alegria em 2011 para todos: Feliz Ano Novo, adeus Ano Velho, que tudo se realize, no ano que vai nascer! Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender!

::Mercado das pulgas::

07/09/2008

Ontem participei de um mercado das pulgas (Flohmarkt/Trödelmarkt) junto com a minha filha. O princípio é simples: você junta toda a bagulhada que não quer ou não precisa mais em casa e leva num dia e local combinados pra vender. Até que valeu a pena: em 6 horas ganhamos 50 euros e o investimento foi de 5 euros para 4 metros de rua.

Mas o único problema que tenho com mercados das pulgas é ter que acordar cedo. Tem mercado das pulgas onde as pessoas já chegam de madrugada (ou até dormem no lugar!) pra marcar um bom lugar. Nós chegamos ontem lá às 8h da manhã, o que pras pessoas que participam desses mercados já é “tarde” e com a ajuda de uma amiga consegui um lugar relativamente bom, à sombra das árvores.

Na realidade, pra quem participa do mercado, este local é um local de troca: você vende suas coisas por quase nada, e compra outras (que realmente precisa) também por pouco dinheiro. Voltamos pra casa ainda com o carro cheio, mas a Taísa estava de posse de 7 novos livros semi-novos no valor de 50 euros, comprados por 7 euros, e o Daniel tinha ganhado um livro (com som!) sobre locomotivas, um ônibus com passageiros e um trator pra brincar na areia, além de três conjuntos de cueca e camiseta super coloridos. Valeu!

Na realidade eu brinquei que se alguém chegasse e anunciasse que levaria tudo, eu ainda daria 5 euros pra pessoa e voltaria feliz pra casa com as mãos abanando… hehehehehe… Mas a verdade é que eu não daria minhas coisas de graça pra um “vendedor profissional de mercado das pulgas” (sim, isto existe!), mas sim pra alguém que estivesse realmente necessitado. Há duas semanas atrás coloquei um anúncio no jornal, tendo investido do próprio bolso com este intuito de dar minhas coisas pra pessoas necessitadas. Resultado: uma família alemã com um carrão veio aqui e levou grande parte das minhas coisas, de graça, e logo depois um “vendedor profissional” veio e disse que levaria tudo pra casa dele, com o que eu naturalmente não concordei. Aprendi com esta tentativa de “ajudar o próximo” que na Alemanha existem pessoas pobres e necessitadas, mas estas não gostam de aparecer. E que os alemães em geral não gostam de receber ajuda de outras pessoas, eles preferem pedir ajuda ao governo ou comprar as coisas que precisam pechinchando, como no caso dos mercados das pulgas onde eles se permitem pechinchar abertamente.

::Passeio de domingo::

15/06/2008

Freilichtmuseum Neuhausen ob Eck

Visitei hoje um museu ao ar livre na cidade de Neuhausen ob Eck. Há sete museus deste tipo só aqui no estado de Baden-Württemberg. O museu de Neuhausen ob Eck é composto de 24 casas antigas típicas daqui do sul da Alemanha, que foram transportadas para dentro do areal do museu e ornamentadas como eram no local original. Meu sentimento era de como estivesse fazendo uma viagem ao tempo e visitando novamente minha vó, que morava na roça no interior de Minas, em Viçosa, sem energia elétrica, se alimentando das plantações, animais e da farinha de trigo que moía no moinho. No museu de hoje dá pra ver como eram as casas, as escolas e as profissões daqui nos séculos passados. Naturalmente muitas profissões já nem existem mais. No museu há também várias pessoas demonstrando como era a vida campesina e as profissões da Alemanha de antigamente. O museu está comemorando 20 anos e a festa de hoje foi com preços de 20 anos atrás, tanto do ingresso quanto de tudo que estava sendo vendido dentro do museu, inclusive comidas e bebidas típicas. A visita valeu a pena!

::Saudade da Aiesec::

03/06/2008

…“Once upon a time… speaking of the very early days, some young minds, young business students, felt that time had come after a terrible war to devote their intelligence and energy and imagination to the promotion of peace through true international understanding. The AIESEC vision was born as an original and at the time unique kind of contribution for international understanding…”Jean Choplin, co-founder of AIESEC, PCCP 1950/51

A associação de estudantes através da qual eu vim pra Alemanha está completando 60 anos. A festa de aniversário da AIESEC, no próximo Congresso Internacional, será em São Paulo, de 22 a 24 de agosto. Eu, que já estive em Congressos Internacionais da AIESEC na França e aqui na Alemanha enquanto estudava, relembro com prazer meus anos como membro ativo e todas as recordações boas, fascinantes, excepcionais e absolutamente inesquecíveis voltam à tona. Meus olhos brilham. Eu adoraria poder estar em São Paulo para participar das comemorações!

P.S.-Tenho notado que muitas pessoas visitam meu blog à procura de informações sobre a Alemanha. Se alguém quiser sugerir algum tema para os próximos posts, agradeço de antemão.

::Carnaval na Alemanha::

23/03/2006

Hoje acabou o carnaval e para o alemão o período carnavalesco sempre começa no dia 11.11 às 11:11 horas. No meio da semana passada a cidade onde moro ficou lotada, todos estavam tradicionalmente fantasiados de branco com lenços vermelhos e com a cara pintada de branco. É o carnaval de rua, tradição daqui.

Minha filha vai pra escola também fantasiada, pois o carnaval também é comemorado dentro das escolas. Este ano ela foi de cowgirl, ano passado ela se fantasiou de bruxa com o rosto bem pintadinho de preto, boca, olhos e uma aranha com teia na bochecha. Eu tinha comprado pra ela de segunda mão uma fantasia muito bonita, costurada em casa por uma outra mãe zelosa. Esse ano consegui uma fantasia linda no e-bay, por sorte! No meio da manhã as crianças são “libertadas” pelos blocos carnavalescos, que passam de escola em escola para que os professores e os alunos saiam de férias escolares e entrem no ritmo de carnaval.

Esse ano eu invariavelmente não estava animada com carnaval e só comemorei com meus colegas de trabalho na quinta-feira, que aqui se chama “Schmotzige Dunschtig” (quinta-feira suja). Na empresa, antes recebíamos a visita de grupos carnavalescos da redondeza, agora costuma haver uma festinha com comes & bebes a partir das 11h da manhã e uma parte dos funcionários vão a rigor, fantasiados. Neste dia, pode-se cortar a gravata do gerente geral, talvez porque neste dia ele não manda nada, os que mandam são os carnavalescos.

O carnaval não existe na Alemanha toda. Quando morava no norte do país, só constatava que era mesmo época de carnaval através dos noticiários. Algumas das maiores regiões em termos de carnaval são a cidade de Colônia e o sul da Alemanha. O carnaval aqui no sul é levado muito a sério e as pessoas chegam a planejar muito e a gastar fortunas com as fantasias, que são muitas vezes também bastante pesadas (máscaras ou a completa fantasia de vários materiais como tecido, feltro, pele de animais ou até completamente de madeira, com peso de até 20-25 kgs.). A maioria das máscaras mostram caras bastante feias, o que explica a origem do carnaval daqui, de querer afugentar o inverno.

Para um brasileiro, pode-se dizer que existem dois grandes problemas para participar da festa: o frio (e muitas vezes ainda acompanhado de um vento forte, que faz com que o frio piore e muito!) e o ritmo das músicas, se é que aquilo pode ser chamado de ritmo. Como estou na fronteira com a Suíça, já constatei que os suíços conseguem fazer música com um pouco mais de ritmo, mas a batida alemã deixa muito a desejar…

Eu, como nunca gostei muito de carnaval, participo pouco ou quase nada das festividades. Aqui o povo diz “Narri, narro” quando se vê, para se cumprimentar. É engraçado sair de manhã pro trabalho e dar de cara com um urso polar ou uma bruxa, um monstro ou sei lá mais o que pelas ruas da cidade. O carnaval acontece não só nas ruas, mas também há bailes muito tradicionais e a festa rola solta!… Nos desfiles, quando os blocos carnavalescos passam, eles também cumprimentam o público, fazem algumas brincadeiras, distribuem balas para todas crianças e ainda sobra muita guloseima para os adultos. Não há como negar que principalmente para as crianças o carnaval é uma época mágica em que elas podem entrar no mundo da fantasia e teatralizar suas vidas, representando vários papéis diferentes. Narri, narro!

::Costumes e Tradições – Época natalina::

01/12/2004

O Natal na Alemanha, segundo os donos de supermercado por aqui, já começa no final do verão (final de agosto/meio de setembro), quando todos começam a oferecer produtos natalinos como se já estivéssemos bem pertinho do final do ano. E não é que os donos de supermercado têm certa razão? De uma hora pra outra passa o outono, o inverno chega e com ele os dias ficam cada vez mais curtos. A escuridão do inverno, que já impera a partir das 5 horas da tarde, é um prato cheio para a iluminação de natal. Com a chegada da neve, então, tudo fica branquinho, misturado ao brilho da iluminação de Natal. Tudo super romântico!

Época natalina é época de biscoitinhos de Natal de todos e dos mais variados tipos, época de encontros com amigos, época de fazer balanço do ano que se passou e época muito propícia para donativos dirigidos a instituições de caridade, um prato cheio para os alemães que queiram se livrar daquele conhecido peso de consciência de final de ano. Também é época de correria para cumprir tudo aquilo o que se propôs realizar até o final do ano, visitar todas as pessoas que se quer visitar e é época de comprar o máximo de presentes – que, em grande parte, impreterivelmente serão devolvidos ou trocados nas lojas, que abrem quase que só para este intuito, logo depois do Natal. Época natalina também é época de ir a todos os Mercados de Natal das redondezas, ver neles o artesanato da região, levar as crianças para andar de carosssel, experimentar algumas comidas típicas (tipo Schupfnudel – um tipo de macarrão com chucrute – uma delícia!) e tomar o máximo de Glühwein (um vinho quente e misturado com temperos, que lembra muito o nosso quentão das festas juninas).

Pode-se dizer, por via das dúvidas, que o espírito natalino já começa a ser vivenciado no meio de novembro, na festa de São Martim. Nesta festa, quando crianças saem às ruas carregando suas lanternas acesas e coloridas (geralmente feitas por elas nos jardins de infância da cidade), elas aprendem que São Martim dividiu seu manto com uma pessoa que estava passando frio, praticando caridade e compaixão.

No dia 6 de dezembro chega o tão aguardado dia de Nicolaus, que mais parece um papa magrelo vestido de Papai Noel. As crianças ganham saquinhos com guloseimas, além de nozes e mexiricas ou maçãs pela passagem da data. No ambiente de trabalho, os colegas costumam também trocar pequenos presentes, chocolates ou frutas.

Antes do final de novembro, coroas de advento são vendidas com decoração natalina e as imprescindíveis quatro velas, que representam as quatro semanas que antecedem o Natal. O primeiro advento é comemorado no final de novembro, e a cada semana uma vela vai se unindo à outra, até a chegada do Natal.

Outra maneira de comemorar a entrada do advento é através de um calendário de advento, que contém 24 portinhas, geralmente recheadas com chocolate ou com um pequeno presente. A cada dia se abre uma janelinha e lá se vai um chocolatinho!….

As casas alemãs são muito decoradas para esta época do ano. Tudo brilha, muita janela pisca, mil luzinhas pra lá e pra cá e até jardins inteiros são decorados durante todo o mês de dezembro.

Quem traz os presentes de Natal aqui para a Alemanha? O Papai Noel, claro. E além dele, dizem também aqui que o Menino Jesus traz presentes. Na casa dos meus sogros, a chegada d’Ele é anunciada através do toque de um sininho e só depois de Sua passagem é que podemos entrar na sala para ver o que Ele deixou de presente debaixo da árvore…

Os alemães inventaram o antídoto do Papai Noel, que é o Knecht Ruprecht. Ele sabe de tudo de ruim que uma pessoa fez durante o ano e se julgar necessário, esta pessoa ganha umas chapuletadas no bumbum com uma vassoura de galhos e fica sem presente!

Ah, e a árvore! Aqui as árvores de Natal são árvores de verdade, que são pinheiros plantados em vaso, trazidos pra dentro de casa, plantados no jardim ou como alternativa vendidos somente em sua parte superior, o topo de um grande pinheiro, que é cuidadosamente cortado e, se necessário, reflorestado para que no ano posterior não faltem árvores de Natal em toda a Europa. Em um dia determinado pela prefeitura, todos jogam seus pinheiros fora e o caminhão da prefeitura passa coletando as bravas protetoras de mil e um presentes natalinos.

Taísa, minha filha de 9 anos, ainda tem certeza absoluta de que o Papai Noel existe – e ela consegue explicar isso com toda a lógica do mundo. Segundo ela, uma amiguinha dela saiu de casa com sua mãe e as duas trancaram todas as portas e todas as janelas, tendo verificado que tudo estava fechadinho antes de sairem. Ao voltarem, encontraram vários presentes debaixo da árvore de Natal. Por isso, não há dúvidas de que o velhinho realmente existe!…

::Costumes e tradições – Primeiro dia de aula na Alemanha::

19/09/2004

O primeiro dia de aula da primeira série de colégio na Alemanha é uma verdadeira festa!

A peça principal é um cone todo enfeitado e colorido, na maioria das vezes tão grande quanto os novos estudantes mirins, lotado de brinquedos e guloseimas. Estes são os presentes da família e dos amigos para o novo estudante. Além do cone, chamado de Schultüte (saco escolar), a criança leva para a escola sua mochila nas costas e também vai acompanhada de seus pais e familiares mais próximos.

Acontece então uma festinha muito legal onde os alunos das séries mais adiantadas dão as boas-vindas às crianças, assim como o diretor se apresenta, além de apresentar as professoras da primeira série. Por fim os alunos são encaminhados para a sala, para o primeiro dia de aula. Este primeiro dia nada mais é do que uma apresentação da professora e da sala em si, onde vão ser realizadas as aulas durante um ano ou vários anos seguidos (minha filha se encontra na terceira série e continua com a mesma sala e a mesma professora desde há três anos seguidos!).

O legal do cone é que ele é um marco para a sociedade alemã de que a criança está iniciando uma nova fase em sua vida. É um símbolo realmente marcante que independe de palavras e define por si só o acontecimento, deixando-o gravado na memória das pessoas através de fotos, filmagens, etc. Mas tem-se que observar o consumismo! Hoje participei de uma dessas festas onde uma criança havia ganho 3 (!) desses sacos, cheios de presentes, balas e bonbons. Onde está o limite? Ou melhor: qual é o limite?

A mochila é outro caso a parte. É um artigo absolutamente caro, mas é muito recomendável que se adquira uma mochila de boa qualidade pois a criança a utilizará por muitos anos escolares. A mochila tende a ficar muito pesada para as crianças, e por isso são observados detalhes estéticos, ergonômicos, espaciais, faixas luminosas para que a mochila brilhe nos dias mais escuros do inverno, etc. Só hoje vim a ver uma das crianças puxando finalmente uma mochila com rodinhas, o que já deveria existir aqui há muito tempo, pois não me admira que muitos alemães tenham problemas de coluna na idade adulta, levando-se em conta que eles carregam muito material escolar nas costas por muitos anos seguidos durante a infância.

O diretor da escola mostrou hoje na festinha a mochila com a qual havia iniciado seus estudos. Era uma mochila de couro, surrada, com um pequeno quadro negro dentro dela, além de um paninho para apagar o que havia sido escrito. Achei muito interessante sua observação de que “naqueles tempos” não havia muitos recursos, nem cadernos e que as crianças deveriam se conscientizar de que hoje elas podem ir à escola com um material e uma mochila de alta qualidade.

Depois da festa, a família sai da escola e vai comemorar em conjunto com a criança e seus amigos, em casa ou nos restaurantes da cidade. O orgulho delas está visível em cada olhar…

::Costumes e tradições – 1° de Maio::

03/05/2004

Na Alemanha, como em todo e qualquer país do mundo, há muitos costumes e tradições que não se encontram escritos ou descritos em praticamente nenhum lugar. Com a convivência e com o passar dos anos, vai-se descobrindo muita coisa que é assim porque sempre foi e continuará sendo, por muitos e muitos anos.

Por exemplo: o 1° de maio, um feriado nacional (que neste ano caiu, infelizmente, num sábado). 1° de maio é o Dia dos Trabalhadores, e o que mais? Para os alemães, esta data é sinônimo de passeios longos na natureza, de churrascos ao ar livre e é até desculpa oficial para os homens beberem bastante, assim como no Dia dos Pais. Há muitos grupos que escolhem uma rota de alguns ou muitos quilômetros, reunem-se com amigos e saem para festejar a tradição do feriado.

O 1° de maio deste ano também foi a data em que 10 novos países da Europa (República Tcheca, Hungria, Polônia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Malta e Chipre) entraram na União Européia. Motivo de festa para alguns, mas para outros não. Os jornais e revistas estão cheios de reportagens sobre os novos países, sua cultura, economia, etc. e sobre várias possíveis vantagens e desvantagens da ampliação da Europa unida. Desde ontem, em um total de 25 países, área 25% maior, 20% a mais de população, num total de 450 milhões de pessoas.

Mas voltando à tradição do “Wandern“, dos passeios ao ar livre, o que é que isso significa exatamente? Primeira tentativa de elucidar a questão, vamos ver o que o dicionário nos diz: andar a pé, marchar; pedestrianismo, excursionismo; deslocamento. O alemão é um povo muito apaixonado pela natureza, que tem bastante respeito pelo meio-ambiente, aprecia e cuida muito do ar, da água, do verde, da terra, das plantas e das árvores. Agora no início da primavera é comum ver vários jardins muito bem cuidados, cheios de flores, gramas e plantas. Tudo muito limpinho e muito bonito. Há várias leis que protegem o meio-ambiente, desde aquelas ligadas à ocupação do solo como outras que determinam quantas árvores podem ser cortadas em uma determinada área, e quantas outras devem ser replantadas, para possibilitar o equilíbrio do ambiente em questão.

Passear ao ar livre significa encontrar amigos e passar algumas horas agradáveis com eles. Admirar a natureza e fazer um churrasco na floresta. Aproveitar um dia bonito e fazer algo pelo corpo. Meditar. Entrar em sintonia com o universo. É tempo de agradecer e de orar. De conversar e de ficar mudo perante a beleza do verde praticamente intocado.

Eu também fui dar um passeio ontem ao ar livre com um grupo de 18 pessoas, praticamente na fronteira da Alemanha com a Suíça. Andamos 20 km. Foi ótimo! E você, também saiu ontem para curtir a natureza?


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