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Posts Tagged ‘demografia’

::A Alemanha está envelhecendo::

08/03/2004

A Alemanha está com grandes problemas que estão interligados entre si: sua população está envelhecendo a velocidades assustadoras (no momento o grupo dos habitantes acima de 60 anos acabou de ultrapassar o grupo dos habitantes abaixo de 20) e as mulheres na Alemanha dão à vida, em média, só 1,37 crianças (essas estatísticas não deixam de ser engraçadas, apesar do fundo sério de verdade).

Já escrevi e repito que o país precisaria de 4milhões de imigrantes por ano, qualificados e participantes da população economicamente ativa, para equilibrar a estrutura demográfica do país e salvar o sistema social alemão.

A consequência, como não poderia de ser, é que não será possível manter o sistema da previdência e de aposentadoria tal como ele é mantido hoje em dia. Por um lado, a expectativa de vida está cada vez maior e, por outro lado, a sociedade alemã apóia as famílias de maneira insatisfatória, razão pela qual elas decidem ter poucos filhos. Na França existem escolas de período integral e na Escandinávia uma mulher pode ficar em casa com seu filho pequeno recebendo, se não me engano, 80% do salário durante os primeiros anos de vida da criança, enquanto que aqui na Alemanha, na minha opinião, o sistema contribui firmemente para que a mulher saia do mercado de trabalho e não volte nunca mais a participar dele, pelo menos em período integral.

A liçenca-maternidade é de dois meses antes e dois meses depois do nascimento da criança. Na teoria, tanto mães quanto pais podem tirar a liçenca-educação (válida para os três primeiros anos de vida do filho), mas a grande maioria das mulheres acaba ficando em casa, durante três anos. Depois deste período, muitas delas se acostumam à vida de mães e donas-de-casa e optam pelo segundo filho, deixando definitivamente de participar da população economicamente ativa.

Não há creches no estado onde moro, Baden-Württemberg, para crianças abaixo de três anos de idade, e na minha cidade há só uma creche em período integral para crianças acima de três anos. A escola então é uma grande batalha: os horários são totalmente desconectados, a cada dia as aulas começam num horário diferente e só com a ajuda de uma equipe extra de educadores, que oferece tipo uma creche no período da manhã, antes das aulas, e também depois das aulas, no período da tarde, além da ajuda da família que mora por perto, é que é possível ser mãe e trabalhar em período integral aqui na Alemanha.

O país não está preparado para receber estrangeiros em grande quantidade, esta é uma grande verdade. Se na Holanda existe um programa para receber os estrangeiros que vão morar no país, incluindo aulas do idioma, e em páginas oficiais de países escandinavos fazem propaganda aberta de que precisam de estrangeiros qualificados, aqui a verdade é a mesma, mas ninguém fala sobre o assunto.

As explicações para tanto são, de certa forma, históricas. Depois do fardo da Segunda Guerra Mundial e da perseguição aos judeus, os alemães acham que não podem ter sentimento nacionalista e quase nunca vêem o amor à bandeira como algo positivo. O governo alemão ajuda muitos estrangeiros tais como exilados políticos, dando casa, comida e ajuda financeira, tem uma política não declarada de imigração, mas não se vê no direito e nem no dever de divulgar as regras dessa política. A população em geral confunde a visão do estrangeiro: em sua maioria, ela acha que ele só irá “sugar” do sistema, não pagando impostos e não contribuindo para ele como um cidadão normal… Conclusão: seria bom que muitos imigrantes qualificados viessem para a Alemanha, mas não há uma política aberta que apóia e integra esses possíves imigrantes, eles não acontecem em grande número, o que acaba sendo ruim para o próprio país.

Por outro lado, em vista aos altos gastos com o sistema social alemão, parece-me que chegam a perceber que o sistema deixa a desejar em relação ao cuidado com famílias e suas crianças, mas como já estão gastando acima do que podem, não pensam em ampliar o sistema neste sentido. Ou se pensam, pelo menos no momento, fica só no pensamento. Estas duas medidas contribuiriam bastante para deixar o país prosperar de forma saudável, mas infelizmente elas parecem estar muito longe de se tornar realidade.

::A Alemanha depende dos imigrantes::

26/01/2004

Talvez muitos não saibam, até mesmo muitos imigrantes que moram aqui na Alemanha, mas este país precisa também de nós, imigrantes com boa qualificação profissional, assim como nós precisamos dele.

O sistema social alemão está passando por uma forte crise, baseada no problema de que a população alemã está cada vez mais velha e as famílias estão se tornando cada vez menores (baixa taxa de natalidade). Em consequência disso, há menos trabalhadores contribuindo para manter o sistema social e garantir que ele possa funcionar.

Em época de vacas magras como a de agora, de crise econômica e altas taxas de desemprego, uma das válvulas de escape mais fácil é a de colocar a culpa nos estrangeiros, acusando-os de que eles se aproveitam do sistema social e de que tomam empregos dos alemães, o que não é a verdade. A verdade é que existem muitas vagas qualificadas que não podem ser preenchidas, porque não existem alemães qualificados para tanto. Como exemplo, uma ferramenta de suprir a necessidade de pessoal qualificado na área de informática foi a que o governo alemão lançou há alguns anos: um sistema de “green card” para estrangeiros vindos de fora da Comunidade Européia.

O programa não deu lá muito certo porque a crise do setor afetou também o número de vagas em aberto, além disso ele envolve muita burocracia, leis complicadas, sem falar nas dificuldades de adaptação comumente enfrentadas pelos estrangeiros aqui. O saldo foi de 13.500 contratações para uma oferta incial de 20.000 “green cards”. Além deste setor, ainda há vários aonde a mão-de-obra alemã não consegue cobrir o número de vagas em aberto. Dado importante: para conseguir manter o sistema social vigente, a Alemanha precisaria de pelo menos 4 milhões de novos imigrantes por ano.

Ao mesmo tempo em que os empresários alemães lutam para conseguir empregar estrangeiros, muitos alemães jovens deixam o seu país rumo aos EUA, Canadá ou Austrália, por acreditarem que lá encontrarão menos crise e melhor qualidade de vida.

A receita é simples: se fosse possível o aumento da taxa economicamente ativa com imigrantes jovens e qualificados, seria mais provável a diminuição dos encargos sociais no país, o que seria bom pra todos.

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01.08.12 – Veja também uma nota atual sobre o cartão azul UE e oportunidade de headhunting agenciado por mim neste post.


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