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::Consultas médicas / seguro de saúde na Alemanha::

11/01/2011

Na Alemanha todos têm obrigatoriamente um seguro de saúde. Ou ele vai ser o seguro de saúde regular, exigido por lei (gesetzliche Krankenversicherung) ou vai ser privado (private Krankenversicherung). O que determina se a pessoa faz parte de um ou outro tipo de seguro é um montão de leis e, por que não, outras tantas exceções. Falando em geral, o seguro privado é o seguro dos donos de empresa (Selbständige, Freiberufler), funcionários públicos, estudantes e também pode ser o seguro de um assalariado que trabalha na Alemanha e ganha acima de, atualmente em 2011, mais de 49.500€ (salário bruto) por ano, o que é a chamada Jahresarbeitsentgeltgrenze (JAEG): o limite de ganhos anuais para os assalariados que têm seguro de saúde regular do governo. Este valor muda todo ano, então pode ser que um assalariado tenha um seguro privado e depois tenha que voltar a fazer um seguro de saúde regular, de acordo com seu salário anual do ano anterior. Ainda assim, há um terceiro grupo de assegurados: aqueles que poderiam ter um seguro privado, mas ficam no regular por opção própria (freiwillige gesetzliche Krankenversicherung).

O tipo de seguro que a pessoa tem é que vai determinar como serão suas consultas médicas. Já que os médicos tem mais opções pra faturar em cima de assegurados privados, estes têm preferência em toda e qualquer consulta, o que não quer dizer que o nível do seguro regular seja ruim, muito pelo contrário. O nível do atendimento médico na Alemanha é altíssimo, deixa sim muito a desejar no quesito “bom atendimento ao cliente”, mas ainda assim é, em geral, de alto nível. O assegurado privado chega a enfrentar até o problema oposto: como ele é fonte de renda direta para os médicos, há uma tendência maior de “espichar” o atendimento deles, sendo pedidos exames que não são 100% necessários para o diagnóstico de uma doença, só como meio de faturar mesmo em cima da doença alheia.

E como funciona o atendimento? Em geral a pessoa tem que ligar, citar seu seguro de saúde (se for privado) se nunca tiver ido ao dito médico, pedir um horário e o mais difícil: explicar por que precisa do médico e com que urgência. Não é necessário citar que algumas situações podem ser altamente embaraçosas… mas são “ossos do ofício” e quem mora aqui se acostuma com uma certa indiscrição de algumas atendentes. Isso porque as assistentes dos médicos decidem quanto tempo você vai ter que esperar – ou não – até conseguir seu horário. A duração deste tempo de espera pode durar entre algumas horas a alguns meses. Atualmente é necessário esperar-se dentre 2-4 meses para conseguir uma consulta em um médico especialista, e um psicólogo, psiquiatra ou similar tem listas de espera de muito acima de 6 meses.

Geralmente, cada pessoa tem o chamado “Hausarzt“, o médico “da casa”, portanto da família. É ele que cada cidadão aqui visita quando não se sente bem, sendo este o responsável por nos dar uma guia para o atendimento junto a um médico especializado. Isto, claro, caso a pessoa não tenha alta urgência de atendimento médico, quando irá (ou será levada) direto para o hospital (Krankenhaus). As crianças, por sua vez, vão ao “Kinderarzt” (pediatra) e nós mulheres vamos direto ao “Frauenarzt” (ginecologista) sem necessidade de guia anterior.

Para todos os participantes do seguro regular, tem-se que pagar 10 euros por trimestre para o primeiro atendimento no médico “da casa”, e daí lembrar de apresentar este comprovante em outros médicos pra evitar o pagamento dobrado da mesma taxa. Quando recebemos receitas médicas, estas são apresentadas nas farmácias (Apotheken) e pagamos só um valor médio determinado, segundo estou informada, pelo tamanho do remédio. Em geral gasto uma média de mais outros 10 euros com o pagamento de remédios, o que significa que a primeira consulta no trimestre irá custar em média 20 euros, 10 para a consulta e 10 para o remédio (falou a Mineirinha!) 🙂 Claro que há várias exceções, pois como o sistema de saúde é caríssimo e não cobre todos os gastos gerados pelos usuários, a Alemanha tem procurado cortar gastos e vários remédios hoje em dia têm que ser pagos por inteiro, não importanto se você foi ao médico anteriormente ou não. Exemplos deste grupo seriam remédios para doenças comuns tais como dores no corpo, grupe, etc. (p.ex. Aspirina, Paracetamol, Ibuprofen, etc.). Também óculos ou tratamentos dentários são pagos em parte pelo seguro, o restante é pago pelo assegurado. Para terem uma ideia de custos, os óculos do Daniel me custaram aproximadamente 120 euros.

E o que fazer se você tem dificuldades de se expressar em alemão? Em resumo: na dúvida, é melhor ir no “Hausarzt” e pedir pra ele a guia de transferência pro médico especialista, escolher qual será o médico que você vai querer marcar a consulta (por recomendação de amigos e/ou da nossa amiga internet) e dar uma passadinha lá com a guia, marcando a consulta. Há cidades que mantêm listas dos idiomas falados pelos médicos e/ou atendentes da região, e há também em outras cidades o serviço de pessoas que acompanham estrangeiros a atendimento médico para servir como intérpretes. Uma boa opção é pedir para uma amiga ou o marido ser o acompanhante, caso a conversa entre médico e paciente e os termos específicos sejam um impecilho em alemão.

No caso de assegurados privados, o procedimento é diferente: ele recebe as contas das consultas médicas pra pagar, compra seus medicamento pagando os valores completos e tem que coordenar o ressarcimento do valor junto ao seu seguro de saúde. Pra compensar, o seguro de saúde privado tem, em geral, mais regalias, tais como p.ex. atendimento pelo chefe médico no caso de uma operação, quarto individual no hospital, atendimento psicológico, melhor cobertura no caso de tratamentos dentários, etc. Os programas são bastante diversificados, assim como seus custos.

Poderia continar falando deste tema por muitas e muitas linhas… Mas acho melhor parar por aqui e perguntar se ainda ficou alguma dúvida em aberto, se vocês completariam mais alguma coisa muito importante que eu tenha esquecido, e se algum ponto ficou talvez mal explicado. Obrigada à minha leitora assídua, a Roberta, que sugeriu este tema! Agora é sua vez de deixar seu comentário! Obrigada a você também por sua participação!

::No divã do dentista::

19/01/2009

Tirei a sorte grande, pelo menos no que se refere à minha dentista. É que dentistas aqui na Alemanha não têm muito boa fama. São muito rápidos e costumam ver na boca de seus pacientes uma mina de ouro, sugerindo com frequência o tipo de tratamento mais caro, e não preservando o dente até a última instância, muitas vezes dando pouca explicação do que está sendo feito na sua boca e até fazendo coisas inaceitáveis, tal como colar um dente no outro, o que já aconteceu na minha boca. Eu estava com um dentista desse tipo, e logicamente não estava nem um pouco satisfeita.

No final do ano passado, antes de ir para o Brasil, me quebrou a pontinha de uma obturação. Fui ao dentista e qual não foi minha satisfação ao conhecer a nova dentista, que estava substituindo meu antigo dentista e vinha da universidade de Tübingen, tinha muita experiência de pesquisa, queria voltar a atender mais pacientes e me inspirou confiança assim que notei seu jeito decidido e seus olhos de águia, sua maneira direta de falar. Naquela ocasião, ela deu uma olhada na minha boca e disse que a obturação era mesmo velha e muito porosa, e que não era nenhuma novidade ter quebrado. Disse pra ela que a obturação não era velha, pois meu filho tem agora três anos e meio e logo depois de seu nascimento refiz todas as obturações com o dentista que estava deixando aquele consultório. Ela acabara de criticar o trabalho dele, o que não me importou muito, pois eu nunca gostei dele (de sua pessoa) e, por consequência, não gostava muito do seu trabalho.

No Brasil dei uma mordida num côco e acabei voltando pra Alemanha com uma ponta de um dente molar quebrado, passando um pouquinho da gengiva. Cheguei lá no consultório e ele estava completamente reformado! Aliás, isso sempre me intriga aqui: como reformas acontecem rápido e como casas e edifícios surgem do chão como num passe de mágica. Os profissionais da área de construção civil tem muito boa formação e não brinca mesmo em serviço. Pois quanto ao dente, a minha nova dentista não me decepcionou e optou por “reconstruí-lo” com cerâmica, preservando-o. Eu, que nunca gostei e nunca fui com prazer a dentista, deitei-me de frente a ela e entreguei pra ela minha boca e o dente quebrado. Toda situação paciente-médico é sempre mesmo de entrega, de confiança. Umas vezes mais, outras menos. Desta vez mais. O resultado ficou, como estava esperando, muito, muito bom. Voltei pra casa satisfeita, ainda mais por ter reconfirmado minha primeira impressão e ter achado uma boa dentista pra família toda!

::Dentes, dentes…::

10/01/2008

Fui fazer uma coisa que praticamente ninguém faz com vontade. Fui fazer uma operação, ainda que pequena, para tentar salvar um dente que estava com a ponta de sua raiz inflamada, me atacou o nervo da cabeça e estava me deixando desde o começo desta semana com dores de cabeça horríveis. Tive uma sorte tremenda, pois apesar de já ter feito a mesma operação em dois outros dentes, desta vez fui parar em outro cirurgião-dentista, que não conhecia mas achei até bem melhor, com música de meditação para o paciente na hora da operação, com cuidados extra tais como chapa antes e depois da operação pra comparar os resultados, remédio antes da operação para o local não inchar, pano tampando minha visão e deixando só a boca de fora (o que me ajudou a não ver nada do que se passou… sou daquelas que só de ver sangue ou uma agulha entra em pânico…) e o melhor: eles aqui são rápidos demais. Em uma meia-hora já estava tudo pronto! Agradeço muitíssimo a Deus, espero que meu dente possa ser mantido e não desejo a mesma operação pra ninguém!


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