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::Os direitos da mulher:

08/03/2009

Há dia comemorativo pra tudo, principalmente para aquilo que se lembra em um dia e se tende a esquecer nos outros 364 dias do ano. Assim é, pelo menos ainda, no caso do Dia Internacional da Mulher. Se já tivessemos chegado a uma posição realmente equalitária em relação aos homens, este dia já teria se tornado desnecessário. Eu, pelo menos, não tinha conhecimento, mas o Dia Internacional da Mulher surgiu há 98 anos através da iniciativa da alemã social-democrata Clara Zetkin. Por influência dela, mulheres da Alemanha, Dinamarca, Áustria, Suécia e Suíça se reuniram em março de 1911 para exigir o direito de decisão política, salários iguais e mais direitos para as mulheres nos campos do trabalho e da saúde.

Os direitos iguais entre homens e mulheres existe na Alemanha há 50 anos. No dia 01/07/1958 foram implementadas as primeiras leis de igualdade entre homens e mulheres no país. Até então, ao homem cabia sempre a última palavra. Ele decidia se ela podia trabalhar fora ou se envolver politicamente. Mesmo se a mulher ganhasse algum dinheiro trabalhando fora, o homem tinha o direito de administrar sozinho as finanças da família e só ele podia abrir uma conta de banco. A partir de 1958 a mulher obteve a permissão de administrar seu próprio dinheiro e passou a poder abrir uma conta de banco sem a necessidade de autorização prévia do marido ou do pai. A mulher obteve também o direito de trabalhar fora, contanto que essa atividade estivesse “de acordo com seus deveres como mãe e dona-de-casa”. Até aquela época o homem tinha o direito de pedir demissão – sem necessidade de obedecer prazos contratuais – em nome da mulher. Só desde 1977 foi decidido por lei que as finanças do casal deveriam ser administradas em conjunto pelo homem e pela mulher e que a mulher podia trabalhar fora sem pedir permissão para seu marido. A partir daquele ano passou a não existir mais a divisão de tarefas do casal delimitada por lei.

Com as leis de igualdade foi decidido também que a mulher tinha o direito de continuar a ter o sobrenome de solteira junto do sobrenome do homem. Até 1994 era exigido que a família se decidisse por um sobrenome comum. Desde 1976 foi decidido que o sobrenome da família poderia também ser o sobrenome da mulher. Até hoje as mulheres casadas na Alemanha tendem a assumir o sobrenome do marido, retirando seu sobrenome de solteira. O sobrenome do marido costuma agir como denominador comum para todos os membros da família. Famílias com sobrenomes diferentes costumam enfrentar um certo preconceito na sociedade.

Quanto ao direito de voto, a mulher o obteve por exemplo na Alemanha e na Áustria no ano de 1918, no Brasil desde 1932 e na Suíça só no ano de 1971!

Apesar de tantas leis e tantas decisões com relação à igualdade entre homens e mulheres, não se pode afirmar que vivemos em total igualdade de direitos e deveres. O mundo atual se tornou bastante complexo e o homem também está tendo que se readaptar em seu papel na sociedade, tendo deixado de ser aquele que cuida exclusivamente do sustento da família, tendo passado a buscar por seus direitos de cuidar dos filhos e em muitas vezes querendo dividir os deveres dentro de casa. O certo é que enquanto o Dia Internacional da Mulher existir, haverá desigualdade entre os sexos, pois o final das desigualdades tornaria a data comemorativa completamente desnecessária.

Fontes: Gedanken zum Frauentag (Pensamentos sobre o Dia da Mulher), jornal Südkurier Nr. 55 de 07/03/2009, páginas do SPD-Bochum, Wikipedia, Women’s Suffrage e 1Live.

::Família & política::

19/10/2008

Sabe aquelas festas de família onde você vai obrigada? Pois é, pois é. Ontem fui numa dessas. E através dos lugares pré-definidos para que os convidados se sentassem no local da festa, e pela reação dos demais familiares percebi que estavam me passando a mensagem de que era «família de segunda classe», se vocês entendem o que eu quero dizer. Fiquei com raiva, decepcionada, triste. Mandei inicialmente as mesmas energias ruins que tinha recebido de volta para essas pessoas. Hoje tive a oportunidade de rever a situação com uma amiga minha muito querida e muito esclarecida, espiritualmente falando. Ela me explicou que se fico decepcionada com a reação do outro e coloco juízo de valor em sua atitude, estou devolvendo na mesma moeda, o estou categorizando da mesma forma que ele está fazendo comigo. Posso decidir que, apesar de ter visto a agressão, vou optar por continuar em paz comigo mesma e continuar a ser atenciosa para com o outro. E posso entender que se ele age desta maneira, é porque ele não consegue reagir de outra forma. E, por último, posso fazer uma análise da minha pessoa e me perguntar quando foi que eu coloquei pessoas em segundo plano, quando deixei de dar valor ao meu semelhante. Reconhecer que sou humana e falível, tão falível quanto o outro. Valeu o domingo!

Mudando de assunto, hoje votei pela primeira vez aqui na Alemanha! Apesar de termos somente um candidato a prefeito, ele precisa de um número mínimo de votos para ser eleito. E apesar de eu não concordar com tudo o que ele tem feito, considero-o um bom prefeito. Agora, com a nacionalidade alemã, não só tenho deveres nesse país, mas também direitos como cidadã, e naturalmente não poderia deixar de fazer uso deles.


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