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::Diário de início da 5a. semana de quarentena::

06/04/2020

Devagar e sempre vou me acostumando de vez ao fato de viver entre as minhas paredes. Faço excursões do quarto pra sala, da sala pra cozinha, da cozinha pro banheiro, e por sorte temos uma varanda onde dá pra tomar um solzinho e ouvir os sons da natureza. Até agora estava frio, abaixo de 10 graus, e com a chegada da Páscoa as temperaturas sobem e daí vai ficar mais difícil de nos manter em isolamento…

Saio pra fazer compras, em média, a cada 10 dias. Sair virou algo estranho onde eu passei a desenvolver um outro tipo de olhar, observando ainda mais tudo à minha volta.

Por sorte temos gatos em casa! Eles nos dão uma super aula de estar em paz, dormir, virar de costas e tomar sol na barriga, dormir de novo, dar uma voltinha, dormir, comer, dormir ou descansar. Gatos são excelentes companheiros de quarentena!

Pessoalmente, não me sinto presa ou isolada. Minha mente é muito livre e sou por natureza uma pessoa irrequieta. Muito pelo contrário, me sinto produtiva e fazendo muita coisa legal. Desde que minha empresa decidiu me colocar de molho por um mês, comecei a escrever um novo livro*, leio muito, escrevo aqui e em outros cantos, falo ou troco mensagens com Deus e o povo. Estou prestando consultorias para algumas pessoas buscando emprego na Alemanha/Europa e arrumei um grupo super interessante pelo Zoom de pessoas em quarentena espalhadas pela Europa. Fiz novas amizades e estou aprendendo muito com elas! A troca tem sido intensa! Vira e mexe faço um workshop ou um curso pela internet e com a quarentena me sinto mais conectada e tenho mais opções do que tinha antes, pelo menos com relação a tudo o que pode acontecer virtualmente. Minha professora de ioga gravou uma aula curtinha de 20 minutos e vira e mexe faço uma aulinha. Ah, e estou com um projeto surpresa com duas amigas, sobre isso eu falo mais tarde! Cenas dos próximos capítulos…

Estou em contato constante com minha família e ainda que não seja a mesma coisa que ver e abraçar, como expatriada já tinha esse costume de me unir às pessoas que amo apesar da distância. Tudo bem.

Vira e mexe dou uma andadinha nas redondezas mas o meu olhar observador me estressa um pouco. Em casa, posso fechar os olhos e mergulhar no som dos passarinhos sem paranoia. Acabo preferindo. Agora há pouco a vizinha do meu andar tocou a campainha. Ela estava preocupada conosco, disse que já não dormia há dois dias muito bem por causa disso. Perguntou se estávamos bem, se precisávamos de alguma coisa, que ela via nossos sapatos do lado de fora e nada se movia do lugar… Agradeci o carinho e ofereci o mesmo, que ela me avise se precisar de algo, já que vamos em dias diferentes às compras. Que conosco estava tudo bem. Achei bonita a preocupação dela!

E quanto ao que deliberadamente não quero fazer? Evito ver muitas imagens dos noticiários, vejo as notícias só uma vez por dia. Antes ficava olhando o tempo todo os números, agora pra mim eles são uma miragem, uma representação da realidade que não podemos quantificar exatamente – e muitos países nem querem por várias questões. Sinto muito pelos mortos e por aqueles que sofrem, mas de alguma maneira acredito que todos deixamos esta Terra quando chegou a nossa hora. Fico preocupada com meus amigos e familiares, mas procuro manter a paz interna. Ganhei máscaras costuradas por minha amiga Chris e continuamos conectadas, eu e minhas amigas, apesar de não nos vermos fisicamente. Torcemos pelo Brasil e que os brasileiros saiam bem dessa pandemia, assim como nós e os demais países. Adoraria que as Nações Unidas organizassem um ¨comando global¨, porque na minha opinião só vamos sair desta bem unidos, como Humanidade.

Sem ver, sinto um avanço espiritual no mundo. Muitos céticos me dizem que o mundo voltará a ser o mesmo assim que tudo voltar ao normal. Mas eu quero acreditar que o mundo estava desbalanceado e que depois da crise poderemos unir as forças femininas e masculinas para, juntos, criarmos um mundo mais solidário, mais reconfortante, que considere o todo holisticamente e não só os mais fortes, que cuide dos mais fracos e que divida de forma mais igualitária aquilo que já produzimos como planeta Terra, porque na realidade já temos tudo para vivermos bem, sermos felizes e avançarmos como Humanidade para um mundo melhor para todos. Eu quero ter fé de que isso é possível, porque nem o capitalismo ou o socialismo provaram ser a receita de bolo perfeita para os dias atuais. Enquanto os países estiverem lutando por máscaras de proteção e competindo entre si, não chegaremos na unidade necessária para as soluções complexas que todos temos que encontrar até que uma vacina seja desenvolvida e esteja disponível. Somos UM e deveríamos agir como tal. As linhas que dividem os países só existem nas nossas cabeças e temos que fazer algo bom juntos antes de mais alguns maus tomarem as rédeas e extrapolarem ainda mais na sua busca pelo poder…

E como tem sido a quarentena pra voc? Qual é a sua experiência? E qual é o mundo que você deseja depois dela?

*Um pouco sobre meu projeto de livro novo: estou escrevendo sobre mulheres e nossos desafios da vida moderna. Quem quiser sugerir tópicos ou leituras, sou TODA ouvidos!

::Simple Diary – um diário simples de felicidades::

18/01/2011

Eu tenho um livrinho amarelo que troquei na Feira de Livros de Frankfurt por um livro meu, direto num estande, que recomendo mais uma vez pra todo mundo. Trata-se do “Keel’s Simple Diary”, um livro cheio de frases começadas, convidativo para anotar bons momentos. Acabo de fazer uma anotação lá, que refere-se toda ao Daniel, meu filho. Ele se desenvolveu muito nos últimos dias e me encheu de felicidade! No sábado, enquanto eu fazia faxina no apartamento, ele começou a pintar aquarelas e, ao receber elogios meus, continuou pintando e pintando. Fez mais de 10 pinturas, cada uma mais bonita e colorida do que a outra. Quando o pai e a irmã chegaram da loja, ele estava todo cheio de si e mostrou suas “obras primas” para o restante da família. Neste mesmo dia, o Matthias brincou com ele, perguntando se ele achava que deveria ser trocado por outra criança ou se estava feliz na nossa família. Ele respondeu que sim, estava feliz. E que se o Matthias o quisesse trocar, deveria comprar uma criança nova. O Matthias, que adora boas respostas, não conseguia parar de rir, enquanto o Daniel exclamava: “Eu não sei do que vocês estão rindo. Eu não achei graça nenhuma!”. Esta passagem, contada em português, pode não soar legal nem tampouco engraçada em português, pois o humor alemão é muito diferente do nosso. Mas eu, que tantos anos depois entendo um pouquinho do humor daqui, também não consegui me segurar com as respostas do Daniel e dei boas risadas! 🙂 Na semana passada a minha vizinha, casada com um português, veio me visitar e perguntar se o Daniel queria ir a aulas de português (de Portugal) com o filho dela. O pai os levaria e eu os buscaria. Gostei da ideia, mas fiquei um pouco receosa se seria mesmo uma boa pro Daniel, uma vez que ele tem dificuldade exatamente na fala, e se seria bom misturar os dois idiomas no aprendizado da escrita. Decidi que iria tentar uma vez, e esperar por sua reação, pois sou da opinião de que o melhor momento para aprender algo, é quando queremos aprender. Qual não foi minha felicidade ao ir buscá-los hoje na aula (que é mantida pelo governo português aqui na minha região, dado o grande número de imigrantes portugueses), e ver que ele tinha feito aproximadamente umas 10 folhas de atividades, envolvendo letras e quantidades, tendo desenhado e colorido muito! Ganhei mesmo meu dia, e estes momentos felizes já foram devidamente anotados no meu livrinho amarelo, que já tenho há mais de um ano e já tem algumas páginas preenchidas por mim, repletas de bons momentos. 🙂

::Pensamentos & passeios::

03/08/2008

Eu tenho cadernos de pensamentos e diários desde que me entendo por gente. Quando era pequena juntava pensamentos dos colegas da classe, juntava figurinha do “Amar é”, mais tarde passei a juntar ditados. Cresci numa família onde se dizia pelo menos um ditado por dia. Acabo de ler um dos cadernos de pensamentos mais bonitos que tenho, tudo junto é como que quase uma catarse, como se eu estivesse fazendo sessão de análise comigo mesma. É bom e importante ler muito daquilo de novo e ver que algumas coisas eu já entendi, outras já tinha entendido e esqueci novamente. Preciso me reorientar, decidir novamente alguns novos/velhos rumos.

Este final de semana foi fantástico. Fizemos passeios, visitamos família e amigos, fomos a lugares bonitos. Fez um super bem pra alma. Vou guardar algumas destas imagens no coração pra sempre. Bom também foi reconhecer que o amigo do meu amigo é um amigo em potencial. E assim foi em dois casos. E isso foi muito bom! Estas férias prometem!


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