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::Odisséia Apollo::

09/08/2019

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Seguir meu instinto nem sempre é fácil quando se trata de viver na Alemanha…

Sou cliente da ótica Apollo tem mais de 20 anos e na realidade nunca tinha saído insatisfeita de lá. Há pouco tempo percebi que não estava mais vendo lá tão bem com meus óculos e decidi dar uma passada lá pra fazer um teste e mandar fazer óculos novos. Mal sabia eu que uma odisséia estava por começar…

Fui três vezes à ótica e voltei de lá com três resultados diferentes, também diferentes do grau dos óculos que uso no momento. A funcionária me perguntou se eu tinha dormido direito, se tomava remédio, se tinha diabetes… Me pediu pra ir ao oftalmologista.

Liguei pro médico e queriam me dar um horário pra daqui a alguns meses… Perguntei quando era o horário do atendimento de emergência: segunda, quarta e sexta de onze aom meio dia. Era uma segunda, umas 10h da manhã. Disse que não podia esperar tanto, tinha dores de cabeça e estava preocupada com tantos resultados diferentes, precisava de novos óculos. Iria naquela segunda mesmo. Ouvi umas tentativas da atendente de se livrar de mim. Repeti que iria estar lá às 11h. Cheguei no horário e fui atendida ao meio dia. De lá fui direto pra ótica, recebendo a confirmação de que agora poderia fazer os novos óculos. Ufa! Só que o computador deles não estava funcionando e deveria voltar outro dia.

Nesse meio tempo fui à minha médica e ela pediu um exame de sangue detalhado. O resultado saiu alguns dias depois: não tenho diabetes. Ainda assim não descobri por que os meus exames de vista estavam tão contraditórios… O oftalmologista tampouco detectou alguma doença nos meus olhos, além do fato de eu precisar de correção ótica.

Voltei outro dia na loja e fiz o pedido de três óculos, um bifocal, um pro trabalho, pra trabalhar no computador, e um de sol bifocal. Envelhecer não é balela!… Mais alguns dias se passaram, os óculos chegaram e fui lá buscá-los. De uma hora pra outra o valor do pedido mudou, e depois de argumentar um pouco, desisti de gastar meu tempo com uma conversa tão desagradável, paguei o valor do pedido e fui pra casa, insatisfeita.

A partir daí voltei lá mais algumas vezes porque os óculos escorregavam, mas o pior foram os óculos pra usar no trabalho, que me davam dor de cabeça e com os quais não conseguia ver além de um metro de distância. Queriam me fazer acreditar que o problema era meu, meu problema de visão tinha piorado e agora teria que ficar trocando de óculos o dia todo quando me levantasse da mesa do escritório… Tentei falar com funcionárias diferentes em horários diferentes, mas elas continuavam irredutíveis. Eu já usava óculos assim antes, que eram bem mais confortáveis, e a resposta que elas me davam não me convencia.

Na enésima vez que voltei na loja, pra mim a décima, decidi que ou fariam óculos novos, ou eu os iria devolver e iria mudar de ótica. Finalmente revi a pessoa que tinha me vendido os óculos. Por sorte, encontrei uma amiga, a Chris, que também me contou que o rapaz era o gerente daquela filial. Era a minha chance! Primeiro disse que era cliente há 20 anos e estava pensando em ir visitar o concorrente porque não estava satisfeita, e que os funcionários queriam me fazer acreditar que o problema era meu, sendo que eu estava ficando com dores de cabeça ao tentar usar os óculos do trabalho. Finalmente ele fez um novo teste de vista, ouviu minhas necessidades e disse que faria novas lentes, com as quais eu iria ver quatro metros ao meu redor. Depois eu reclamei do valor dos óculos, dizendo que acabei pagando um valor superior ao acordado. Ele me devolveu o dinheiro, em espécie. Depois reclamei dos óculos que continuavam escorregando. Ele mudou a borrachinha que apóia os óculos no nariz e desde então sou feliz dona de óculos que praticamente não escorregam mais.

A odisséia Apollo chegou ao fim! Quando quase já estava desistindo de resolver a situação, o reencontro com o gerente fez com que tudo chegasse a um resultado satisfatório. Dessa vez a Apollo não me satisfez 100%, porque não foi fácil receber o que pretendia…. Nem sempre o cliente tem razão, nem mesmo na Alemanha, mas seguir meu instinto foi o mais importante pra chegar ao fim desse impasse.


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