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Apoio do blog Expatriadas: Expatriação na Estante: Mineirinha n’Alemanha::

24/04/2012

Mineirinha n'Alemanha Sandra SantosOlá, X!
A gente navega, navega, mas como faz falta folhear…
Por isso essa parada na Estante.
Que tal pegar sua bebida predileta e aninhar-se no seu canto favorito? É que essa dica é bem minerinha, sabe.
O livro Mineirinha n’Alemanha é cria de blog. Mas a viagem “expatriática” da autora começou quando a internet ainda engatinhava.
Um estágio em comércio exterior levou – ou trouxe, dependendo do ponto de vista – Sandra Santos para a Europa há 18 anos.
Desde então, a mãe, esposa, profissional e expatriada vem vivendo e aprendendo. Então, por que não dividir essa bagagem, uai?
Para mais impressões e outras informações, dê uma passada no Mineirinha n’Alemanha.

Leia a entrevista completa aqui.

Ainda que com certo atraso, obrigada Carmen! 🙂

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::6a. entrevista: Ana Cristina de Minas :-)::

07/03/2010

A seguir mais uma entrevista com uma leitora do “Mineirinha n’Alemanha”, a Ana Cristina, também das montanhas de Minas como eu. A entrevista é longa, mas vale a pena cada linha pela experiência de vida e pelo exemplo de sempre enfrentar as tribulações da vida com um sorriso no rosto, com gosto pela vida e pelo viver. Acho que a Ana Cristina deve ser uma das poucas mineiras, senão a única, com um fogão à lenha em casa na Alemanha! Descubra esta e outras peculiaridades desta pessoa linda e positiva através das perguntas abaixo. Ana Cristina: muito obrigada pela oportunidade de tê-la entrevistado!

– Faça por favor uma apresentação de você por você mesma.

Sou Ana Cristina Magalhães Müller. Este é meu nome de casada. Há um ano atrás me chamava Ana Cristina Gonçalves Magalhães. Como me casei mantive o sobrenome de meu pai e acrescentei do meu marido; Müller. Até que gostei, M.M. rsssss.

Sou especialista em Pedagogia Empresarial pela PUC de BH. Trabalhei aproximadamente 2 anos e meio com projetos pedagógicos em algumas empresas no Brasil. Não obtive sucesso devido à vários problemas, tanto no campo profissional quanto social.

Nasci no interior de Minas Gerais. Sou a mais nova de uma família de nove mulheres. É, nove mulheres. Meu único irmão morreu aos 23 anos quando eu tinha 8 anos de idade. Meu pai, também faleceu quando tinha 12 anos de idade. Assim, restaram somente as mulheres em minha casa. Nao é fácil crescer no meio de tantas mulheres. Às vezes me fazia falta a presença de homem no lar. Por outro lado, é interessante viver entre calcinhas sem cuecas rssss…

Apesar das perdas precoces, elas não deixaram muitas sequelas. Confesso que numa determinada época da minha vida recorri à terapia. Muito boa por sinal. Me ajudou mto, inclusive a perceber que não havia perdoado meu pai por ele ter ido embora e ter me deixado aos 12 anos de idade. Egoísmo da minha parte, mas são sentimentos e às vezes precisamos de bons profissionais para enxergamos o quanto temos de bom e o quanto temos de ruim. Afinal, somos humanos e é normal nos surpreendermos com nossos próprios sentimentos. Como dizia nosso Mestre maior Jesus Cristo, conhecer-nos a nós mesmos é importante para nossa tranquilidade existencial. Assim eu fiz, procurei esses anjos profissionais que me orientaram melhor e pude me conhecer um pouco mais.

Desta forma fui crescendo entre mulheres. Logo em seguida vieram alguns homens como os cunhados, sobrinhos etc… Entao, entre apanhar, cair, chorar, sorrir, fui aprendendo e descobrindo o mundo ao meu redor.

É meio embaraçoso falar da gente mesmo. Mas, hoje, posso parafrasear uma observação que fizeram ao meu respeito e, acredito, é a minha cara rsssss… Uma vez me disseram que sou uma pessoa que gosta da vida, que gosta de viver. Concordei e hoje concordo ainda mais rssss… Realmente, sou uma pessoa que gosta do mistério da vida. Da sua elegância em nos trapacear de vez em quando. Gosto da maneira como ela nos surpreende, gosto do seu gingado, da sua ciranda. Gosto de quando ela chega de mansinho e nos diz, calma, que agora o “bicho vai pegar” rsssssssss… E depois ela vem e nos diz que agora é tempo de calmaria. Isto é fantástico. Eu nao tenho definição certa sobre mim. Sou a vida! Estarei sorrindo quando ela estiver de bem comigo mesmo. Estarei de pirraça quando ela disser que tem que ser do jeito dela, pois vou querer que seja do meu jeito e estarei super feliz quando ela me trouxer uma surpresa. É isto, eu sou a vida com ou sem muitas complicações às vezes!

– Como surgiu a oportunidade de você vir morar na Alemanha?

Minha oportunidade de vir para Alemanha surgiu com o encontro entre eu e meu marido, numas férias em Paraty, RJ. Eu nunca pensei em morar fora do Brasil. Salvo uma vez em que eu e minha colega pensamos em nos mudarmos para Portugal. Mas nosso colega nos disse que não seria bom negócio, pois em Portugal havia muito preconceito com brasileiras. Depois disto, nao pensei mais a respeito a não ser quando conheci meu marido.



– Sua história de vida é muito marcante e nos ensina a viver o dia de hoje, além de ter perseverança. Conte um pouquinho dela pra nós.

Dizem que viver não é fácil. Realmente, é preciso aprender a viver, com já dizia o poeta. Mas viver tem seus encantos, apesar dos tropeços que a vida às vezes nos proporciona.

A vida me surpreendeu há alguns anos atrás. Ela foi responsável por eu morar agora na Alemanha. Contarei um pouco deste drama onde tudo começou a mudar quando conheci meu marido, em dezembro de 2006. Nesta época tinha oito meses que meu namorado havia morrido.

G. era o nome dele. Ele era viúvo quando a gente começou a namorar. O problema é que era uma viuvez recente. Tinha somente um mês que a mulher dele tinha morrido quando nós começamos a nos relacionar. Imaginem a confusão que deu. O interior todo falou de nós dois. A família da ex dele, entao, vix Maria, até amantes nós viramos. O bom é que, enquanto o povo falava, a gente namorava. Se no Brasil fizesse o frio daqui, iríamos namorar dobrado.

Nós nos apaixonamos (coisa gostosa esta viu, apaixonar, bão dimais sô rssss), deixamos o povo falar e fomos viver nossa vida. O porém é que a situação dele era complicada. Ele tinha uma menina de dois ou três anos de idade. Chama-se C.M, tinha câncer no cérebro. Nós, ou melhor, mais ele, tivemos que ter muito jogo de cintura com a família da ex, e eles não foram nem um tanto simpáticos com a nossa situação. Também né, a gente queria demais, caso eles concordassem com nossa estória romântica: um mês de viuvez e o cara já começa a namorar. Normal, mas no interior de Minas Gerais, Brasil, os costumes são meios que radiciais, vamos dizer assim. Nesta época fui trabalhar na FIEMG, em Governador Valadares.

O pessoal de Valadares havia me entrevistado uns três meses antes da gente começar a namorar. Já nem esperava mais a contratação e quando ela veio, danou-se, não queria mais trabalhar em GV. Mas decidimos que seria melhor, pois, assim, com a gente afastado um pouco, poderiamos alcalmar os nervos dos ex parentes dele. Assim fizemos.

Como tudo na vida é passageiro, nossa estória não foi diferente. O que é bom dura pouco, já se falava o ditado. Então, em fevereiro ele começou a passar mal. Apareceram uns furúnculos e ele apresentava febre alta. Foi ao médico e o diagnóstico: leucemia! O que era fantástico, virou um… sei lá. Uma confusão. A luz se apagou e comecei a enxergar meio nebuloso. Perguntas? Imaginem quantas eu fazia…

Meu contrato na FIEMG estava acabando e eles queriam prolongá-lo. Eu deveria decidir se ficaria ou não. Qual foi a situação? Se correr o bicho pega se ficar o bicho come. Então o que fazer? Tentei ser prática como sempre fui e deixei a intuição agir. Simplesmente disse pra mim mesma que vida é vida e trabalho se consegue outro depois.

Assim eu fiz, nao renovei meu contrato e fiquei com ele. Nao esqueço a carinha dele quando cheguei ao hospital e disse que não prolongaria o contrato. Ficou feliz da vida rsss… Uma gracinha!!! Sei que eu ficava de Valadares à BH, BH à Valares. Acompanhei o caso desde o início. Claro né, estava com ele rssss… Falo que nós casamos e só Deus sabia. No hospital nós nos divertíamos muito. Riamos pra caramba. Falávamos bobagem que nem posso narrar aqui. Tem uma da freira que nós rimos muito. Ele me xingou né, mas foi muito divertido kkkkkk… Nem parecia que ele corria risco de vida. Nós fizemos o ambiente que estava pesado se tornar um pouco mais leve. Isto foi muito bom, tanto pra mim quanto pra ele, afinal os médicos da alegria nao estão aí por acaso, existe algo de muito positivo nisto e como tem!

O G. era uma pessoa que sabia ver o lado positivo da vida. Amputou a perna aos 15 anos de idade e nem por isso deixou-se abater. Trabalhava muito. Era representante e sócio de uma Metalúrgica. Aprendi muito com o ele. Digo que o G. foi meu maior mestre em vida. Umas das coisas que aprendi foi a ter fé em Deus. É irônico, mas se eu não tivesse passado pelo que eu passei com o G, eu não estaria hoje na Alemanha. Pude aprender e crer que tudo gira através de uma obra maior. Nada acontece por acaso e pude ver isto perfeitamente.

Quando se doma a morte, como muitos já domaram, a vida se torna mais fácil. Apesar dos momentos de tédios que ainda temos. Somos humanos e estamos aprendendo sempre e aprender dói. Entao, não tem como ficarmos sem dor. Mas a gente aprende a ter mais confianca em Deus, no seu poder e glória e, principalmente, em sua providência Divina. Isto é, para mim, o Milagre. Lógico que tem pessoas que não precisam domar a morte pra aprender, sem dúvida nenhuma. Porém eu tive e aprendi com isto, graças a Deus, porque passar por uma lição e não aprender é complicado.

Bem vamos para um outro capítulo.

O G. faleceu em abril de 2006. Nós ficamos juntos 4 meses. A filha dele faleceu, se não me engano, em abril também. Inicio de abril e ele no final de abril. Irônico, mas toda a família viajou.

Quando terminou tudo e vi que tinha feito o que Deus me determinou naquele momento, fiquei perdida. Perdidinha da Silva. Como havia deixado meu emprego em Valadares, voltei pra minha cidade natal. Fiquei sem serviço, devendo, frustrada, carente, desamparada… Dei um tempo pra mim. Precisava disto e tracei alguns objetivos pra alcançar. Foram planos pequenos, pois ate então não podia exigir muito de mim. Normal, uma perda destas, por mais que se confia e crê… não é possível manter o barco no leme certo não!

Assim fui remando o barco devagar e numa destas destas remadas encontrei o Joerg, um alemão perdido em uma balsa em Paraty kkkk… No momento em que iria desistir do sexo oposto, me apareceu o Joerg e resolvi tentar mais uma vez. Então, resultou que estou aqui, na Alemanha, aprendendo de novo, nascendo de novo. Fácil? Não, não é. Às vezes dá um certo desânimo ter que começar tudo de novo. A sensação de impotência aqui é grande demais pra mim. Não sei nem procurar emprego!!! Isso peeesaaaaaaaaa!!! Mas, tento manter a calma. Afinal, acredito que isto será fichinha perto do que passei aí em cima. Contudo, se depois da tempestade vem a bonança, espero colher os frutos aqui, pois na Alemanha acontecerão as cenas do próximo capítulo!

– O que mais lhe chamou a atenção ao chegar na Alemanha pela primeira vez?

Quando a gente chega aqui pela primeira vez, tudo é deslumbrante, super interessante.
Cheguei aqui no inverno de 2007. Não nevou muito neste ano. Mas o que me chamou muito a atenção foi a organização das ruas. Todas pavimentadas, limpas. Barulho? Não se ouvia nem barulho de mosquito rssss…

Observei que havia um respeito com o ser humano diferente do Brasil. Porque notei isto? Onde morava, apesar de ser interior de MG, hoje em dia os jovem colocam umas músicas horríveis bem em praça pública. E muitas vezes a polícia não pune como se deveria. Isto é muito desagradável. E os velhinhos que moram perto! Um grande desrespeito, na minha opinião, não só com as pessoas mais idosas, mas também com o ser humano em geral. Isto é um absurdo. Ao notar que aqui não tem esse tipo de algazarra, gostei, achei super bacana!

Notei, também, que alguns costumes aqui são iguais aos do interior de Minas Gerais. Como, por exemplo, recolher lenha, trabalhos nas hortas, cultivo dos jardins, etc. Só não vi vacas desta primeira vez rsss… Gostei muito quando ouvi o sino da igreja bater em Schweinber, so faltou a oração do Angelus pra ficar igual ao interior onde morava rssss… Um dos costumes que achei interessante foi o culto aos mortos. Cada família cumpre, religiosamente, as visitas aos seus entes queridos que se foram. Eu não gosto de cemitério. Apesar de existirem pessoas no Brasil que cultuam seus mortos, acredito que nós aceitamos melhor a partida de um ente querido do que eles. Observei que nossa mistura cultural nos permite visarmos outros conceitos, principalmente os religiosos. Contudo, notei que, apesar das diferenças culturais, muitas coisas me lembraram o interior onde nasci.

– Você já fez um curso e integração? Caso positivo, conte um pouco dele pra nós. Caso
negativo, ira fazê-lo em breve?

Comecei o curso na VHS (nota da Mineirinha: Volkshochschule, a “escola do povo” acessível a toda e qualquer pessoa na Alemanha). O curso de integração é bom e é importante pra nós estrangeiros. Para quem quer se socializar qualitativamente na Alemanha é preciso aprender a língua. Este curso nos dá esta oportunidade. Faço apenas uma observação como pedagoga. Acredito que eles deveriam fazer uma seleção da turma. Por exemplo, na minha sala a maioria consegue entender bem o alemão. São alunos que possuem entre 5 a 11 anos de Alemanha. Mas existem outras pessoas, um pequeno numero que não conseguem acompanhar por nao ter noção nenhuma da língua. Lógico que se elas não se esforçarem não conseguirão terminar o curso, isto é óbvio. Se a escola fizesse uma seleção, na minha opinião, evitaria que estas pessoas com dificuldades maiores ficassem constrangidas em sala de aula. Contudo, apesar de ser cansativo (normal né, sNo Brasil o cinco horas de aula rsss…), o curso é bom. A metodologia e didática dos professores ajuda a não ficar muito tedioso, mas precisamos estudar muitoooooo.

– Qual foi a sua maior dificuldade aqui na Alemanha nos primeiros tempos?

Eu estou aqui faz um ano apenas. Para mim ainda é o começo do começo rsss… Tenho muitas dificuldades com a língua. Apesar que consigo me comunicar um pouco, ainda tenho dificuldades de adaptação. Às vezes me sinto um peixe for a d’água. A desaculturação é um processo lento e dolorido. Para cada pessoa isto se dá de forma diferente. Mas acredito que todos passam por perturbações semelhantes.

No início de novembro de 2008 lembro-me que assustei quando deparei com a escuridão do inverno. Meu Deus o que é que é isso??? Perguntei rssss… Nesse ano o inverno foi puxado, não aguentava mais ver neve. Que saudades do sol!

Um dos fatores que pesa pra mim até mais que a falta dos familiares é a questão profissional. A sensação de analfabetismo me incomoda muito. Sei que escolhi viver aqui e preciso me conformar em começar tudo de novo. Mas, confesso que esta questão me incomoda e que é dificílimo pra mim. Mas saberei, se Deus quiser, administrar com sabedoria. Tentarei não me cobrar muito e viverei um dia de cada vez. Respeitarei meu tempo de adaptação e me sentirei realizada profissionalmente mesmo que deva trabalhar em outro campo profissional. Afinal, o trabalho é digno em qualquer área desde que seja, desde que feito com amor e responsabilidade.

– Do que você gosta mais aqui na Alemanha?

Apesar não gostar de frio, a paisagem no inverno é linda. Gosto muito da preguiça do sol nesta época do ano. A neve, então, é fantática. Gosto de perceber a transformação da natureza. Até as pessoas se transformam dependendo da estação do ano. Isto é muito interessante! Gosto da organização social. Gosto de como os governantes administram as cidades. É interessante perceber que não há muita diferença social, que o capitalismo aqui, digamos, é funcional. Entretanto, apesar de saber que por trás existem coisas que desconhecemos, gosto de como os representantes administram o dinheiro público na Alemanha.

– E o que lhe faz muita falta lá da terrinha, além da comida mineira feita no fogão à lenha?

Ultimamente toda a natureza de Minas me faz falta. O sol, as cachoeiras, o cheiro de terra molhada. O barulho da chuva no telhado. Tudo isto me faz falta. Sei que aqui tem estes fenômenos. Mas nossa chuva, nossas águas, nosso sol tem um tempero diferente. Como já dizia o poeta: “nossa terra tem Palmeiras, onde canta o Sabiá, as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá…”

Sinto muita falta de todo este mundo natural à minha volta. As montanhas de Minas, suas formas e cores. Sinto falta do canto das cigarras. Minha família então! Saudades das reuniões entre família e amigos ao redor do fogão à lenha. Do ritual ao preparar uma refeição que só o mineiro sabe fazer. Enfim, saudades de tudo que deixei pra trás. Apesar de saber que sempre voltarei à minha pátria amada, alguma coisa sei que mudou, que não será como antes e que sempre se traduzirá como saudade!

– Você tinha me contado que tem um fogão à lenha. Como ele veio vir “passear” aqui na Alemanha?

O fogão à lenha foi presente de um grande amigo do meu marido. É um fogão típico da Alemanha. Ele é todo de alumínio e funciona à lenha.

Cozinhei nele uma vez. Dá pra matar a saudade de Minas. Pena que ele funcionará somente no verão. Tivemos que instalá-lo no pequeno pátio que temos em casa, pois daria muito trabalho se o instalássemos na cozinha. Mas ele está bem “agasalhado” para enfrentar o inverno e as chuvas da Alemanha rsss….

– Como você descobriu a Mineirinha?

Descobri acessando o Google. Nao me lembro bem o que digitei. Deve ter sido algo como dificuldades de se viver no exterior ou pessoas no exterior, não sei. Então encontrei o livro e o blog. Entrei, li alguns trechos, me interessei e comprei.

– Como foi a experiência de ler o livro? Ele te acrescentou alguma coisa?

Sim, o livro me acrescentou muito. Pude perceber que algumas das perturbações sentimentais pela quais eu passava eram normais. O livro me deu dicas muito interessantes e me mostrou que é possível se realizar profissionalmente na Alemanha, apesar das dificuldades. Vi que devemos estar atentas com relação aos abusos por parte de nossos companheiros, tanto em termos físicos quanto psicológicos. Contudo com a leitura do Mineirinha pude perceber, também, que optei por ser uma cidadã do mundo e que, apesar das dificuldades, é possível construir uma vida com dignidade, sem dúvida!

– Quais são os seus próximos planos?

Meus planos no momento são estudar alemão. Me dedicar e esforçar muito para aprender o máximo da língua. Tirar a carteira de habilitação. Então, mais no futuro batalhar para conseguir um trabalho em que eu possa me sentir bem. Penso em lecionar. Sei que é possível dar aulas de português para alemães ou até mesmo para crianças binacionais. Gosto de ensinar e sei que me realizaria caso atingir este objetivo. Acredito que consigo sim, se Deus quiser!

– Se quiser deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!

Para os leitores da Mineirinha…
Sei que cada um de nós que lemos a Mineirinha temos algo em comum. Sei que a maioria deixou para trás algo de muito valor e a vida costuma cobrar um preço. Às vezes esse preço é alto demais e faz com que entremos em um estado meio depressivo de vez em quando. Sei que a saudade dói e dói muito. Sei, também, que soa meio estranho ao saber que temos que recomeçar. Mas o que é o começo se a vida em si nos propõe a recomeçar sempre!

Portanto, proponho a nós, leitores da Mineirinha, que caminhemos pelos encantos da vida. Se estamos aqui foi porque escolhemos e o principal: foi permitido por Deus. “Nenhuma folha de nenhuma árvore cai sem a permissão Divina.” Perdoem-me os céticos, mas acredito que o fator “Crer” nos ajuda muito a enfrentarmos as tormentas existencias. Afinal a vida não é feita só de maravilhas, como já disse, ela sabe nos surpreender.

Um grande abraço a todos e que Deus possa estar no coração de cada um de vocês, os abençoando e protegendo sempre!

::5a. entrevista – Má e Rô::

30/11/2009

Depois de uma pequena pausa, volto a publicar uma entrevista com meus leitores. Já tinham até me puxado a orelha e perguntado quando iria publicar uma nova entrevista! Desta vez, lhes apresento um casal “café com leite”, que eu já tive a oportunidade de conhecer ao vivo e do qual gostei de cara: Má e Rô. É uma entrevista longa, mas cujo conteúdo é super diversificado e muitíssimo interessante, inclusive com um projeto comunitário relacionado ao Brasil. Vale a pena ler! Curtam comigo!

– Façam uma curta apresentação de vocês por vocês mesmos.

Somos o famoso casal “café-com-leite”. Isso mesmo, uma paulistana com um mineiro de Belo Horizonte. Eu por mim mesma: Maira Engelmann, paulistana, 30 anos (depois da entrevista s o “tempômetro” rodou pra 3.1), formada em Engenharia Química, mestranda em MBA Marketing Internacional na Universidade de Reutlingen (Alemanha), apaixonada pela vida, pelo Brasil e pelo marido. Meu marido por mim: Rodrigo Luis de Gouvea, 32 anos, formado em Engenharia Mecânica (sim, família engenhoca), funcionário da MAHLE em Stuttgart (Alemanha), apaixonado por viagens, pelo Brasil e (eu sei que sim) por mim.

– Como surgiu a oportunidade de vocês virem morar na Alemanha?
Após alguns anos trabalhando na empresa alemã MAHLE no Brasil (SP), meu marido foi convidado para trabalhar na matriz em Stuttgart. Quando ele me disse sobre a possibilidade não hesitei em “jogar tudo pro alto” (emprego, independência financeira e etc), pois enxerguei na oportunidade dele, uma oportunidade para mim também, uma vez que qualquer experiência fora do nosso país é sempre enriquecedora e sempre uma oportunidade pra redirecionar o leme da nossa vida.

– Seu blog chama a atenção pelas alto astral, pelas fotos lindas e pelo nome criativo. Como tem sido a experiência de escrever um blog longe de casa?
Sinceramente, sem o blog tudo seria bem mais difícil e muito menos divertido. Quando decidi vir para a Alemanha acompanhando meu marido, comecei a pensar em todas as possibilidades do mundo para que eu não “esmorecece”, principalmente porque a primeira vez que vim para cá foi justamente no inverno. Conversando com uma grande amiga que tem um blog, descobri nesse canal de comunicação virtual um caminho e foi então que começou a história do “Retratos e Relatos”. Ele “nasceu” em 2006 e só tem me dado alegrias desde então, pois através dele conheci muita gente especial (inclusive a Mineirinha) que tem me ajudado muito a manter a inspiração e a paixão por relatar algumas das experiências que estamos vivendo desde que chegamos aqui. Enfim, o que começou como uma forma de “contato” com familiares e amigos do Brasil, se tornou uma forma de conhecer e ajudar brasileiros no mundo todo.

– Qual é o lugar predileto de vocês, depois de tantas viagens? Cite o link dele para as fotos do seu blog.
O melhor lugar do mundo é aquele onde a gente se sente em casa, ou seja, aquele lugar onde você se sente integrado, se identificando com a cultura e se sentindo à vontade com o povo local. Dentro dessa minha definição eu citaria não um lugar, mas vários lugares onde nos sentimos, por motivos variados, em casa: Brasil (SP, MG, RJ e Fernando de Noronha), Transilvânia (Romênia), Escócia (Europa), Quênia (África), Annecy (Franca), Viena (Áustria), Berlim (Alemanha), Amsterdam (Holanda), Dolomiten (Itália) e Roma (Itália). Mas ainda essa semana estamos indo para a Noruega e acredito, depois das fotos que vimos, que entrará com certeza para esta lista. Aqui nesse link tem um índice que direciona para cada viagem. Pra quem quiser se inspirar, é só navegar.

– O seu sobrenome tem muita pinta de alemão. Qual é sua ascendência?
Pinta? Ele é totalmente e lindamente alemão. Pois é, quando morava no Brasil era um problema, mas sempre fui apaixonada pelo meu sobrenome e até por isso o mantive mesmo depois de casada. Minha bisavó era alemã. Aliás, acho que meus problemas com alemães começaram com minha bisavó, pois, segundo minha mãe e minha avó, nós brigávamos muito. Enfim, acho que já estava planejado pra mim ter que me adaptar à cultura alemã e, após quase 3 anos por aqui, acredito que estou cumprindo bem meu “carma”. (((-:

– Como foi a experiência de tentar uma vaga de mestrado na Alemanha? Conte um pouquinho do “empurrãozinho” da Mineirinha. 🙂
Quando cheguei na Alemanha só tinha uma certeza: precisava estabelecer metas. O pontapé inicial foi, lógico, aprender a língua alemã e logo depois já comecei desesperadamente a buscar um curso de pós-graduação. Tentei um na minha área de formação (Engenharia Química), mas não fui aceita graças à Deus, pois foi uma tentativa totalmente impulsiva e desesperada por algo que eu, de verdade, nao queria. Depois decidi me preparar melhor para tentar algum mestrado em alemão mesmo, ou seja, precisava conseguir uma boa nota no TestDaf. Após um ano de curso intensivo de alemão, fiquei mais meio ano estudando sozinha em casa e me preparando para o teste. Durante esse tempo fiquei fazendo listas do que eu gosto e do que eu não gosto, pra tentar traçar minhas novas metas e, de repente, em meio a uma crise existencial, uma amiga minha me indicou o mestrado que estou cursando atualmente. Foi então que minha vontade aumentou e ganhei mais forças para conseguir passar no teste de proficiência em alemao. Logo na primeira prova já tirei notas boas e que, no final, foram suficientes para garantir minha chance pela vaga no mestrado. Mas o TestDaf era só um detalhe dentro de todo o processo de seleção. Precisei apresentar meus diplomas e históricos traduzidos e autenticados do ginásio e da universidade, meu currículo, uma carta de apresentação e ainda participar de uma entrevista em inglês e alemão com dois entrevistadores. A Mineirinha me ajudou muito a adequar meu currículo e minha carta de apresentação aos moldes alemães, pois esse processo é muito importante, uma vez que estes documentos sao responsáveis pela “primeira impressão”, logo são eles que irão definir se você será ou não chamado para a próxima e mais difícil etapa: a entrevista. Para o alemão é preciso objetividade e quem não domina muito bem uma língua tem muita dificuldade em escrever em poucas palavras aquilo que deseja transmitir e, neste ponto é importante ter alguém que tenha domínio da língua e que, acima de tudo, conheça bem a cultura alemã, entendendo exatamente o que eles esperam ler ou ver. Enfim, a experiência de ter conseguido a vaga no MBA que estou cursando foi e está sendo desafiadora, mas o sentimento da conquista a cada obstáculo ultrapassado me mostra que valeu muito a pena toda a ansiedade e noites mal dormidas.

– E como está sendo a experiência do Mestrado? O que você aprendeu no primeiro semestre e o que lhe empolgou mais?
A experiência está sendo MARAVILHOSA. Ela está sendo maravilhosa em um sentido diferente do que todos imaginam quando lêem essa afirmação, ou seja, ela não está sendo maravilhosa porque está sendo feliz ou perfeita, mas sim pelo que estou aprendendo e vivendo através dela. Chorei quase toda semana durante o primeiro semestre, mas também ri em todas elas, venci em todas elas, cresci em todas elas, aprendi muito em todas elas e me superei em todas elas. Nao foi difícil, foi MUITO difícil. Como eu já disse anteriormente, só tinha estudado um ano de alemão na escola e meio ano em casa pra passar no TestDaf e fora isso só treinava meu alemão nas poucas vezes que encontrava alemães ou meus colegas estrangeiros. E, de repente, passei a ter que falar e ouvir alemão todos os dias e, pior, em contextos completamente específicos e desconhecidos pra mim. Nas primeiras aulas eu só ouvia “blablablabla” e saindo de lá só pensava em chegar em casa e abrir o berreiro. Mas aos poucos fui começando a perceber que nem mesmo os alemães estavam entendendo tudo e isso, acreditem, me fez muito bem. Passado um mês, me senti muito mais “entrosada” e percebi que meu alemão tinha se desenvolvido em silêncio, pois eu não percebia nenhum progresso, mas meus colegas (principalmente os estrangeiros) sempre me mostravam que eu estava sim progredindo. Nos últimos meses comecei a ficar mais próxima dos alemães, o que considero uma das conquistas mais difíceis e gratificantes, pois na minha turma os bichinhos sao bem fechados e arrogantes. O que eu mais gostei até agora foi ter aprendido muito mais sobre os alemães através do ponto de vista deles, ter a oportunidade de conhecer e conviver com diversas culturas dentro de alguns metros quadrados e, lógico, das aulas relacionadas à minha área de interesse, Marketing.

– Só a título de curiosidade, quantas nacionalidades estão reunidas na sua sala de Mestrado?
Como diria você e meu marido mineirinho: “Nossinhora!!!”. Sério, é muita gente de muito lugar diferente, isso é apaixonante e um alívio. Um alívio, pois assim o curso fica mais divertido, interessante e você (como estrangeiro) nao se sente tão deslocado ou sozinho. Só pra vocês terem uma ideia da diversidade, tem gente dos seguintes países: China, Índia, Rússia, Bielorússia, Egito, Cazaquistão, Ucrânia, Bulgária, Camarões, Romênia, Coréia do Sul, Equador, Grécia, Alemanha e Brasil.

– Qual foi a maior dificuldade de vocês aqui na Alemanha nos primeiros tempos?
Meus hormônios (rs) e minha incapacidade de comunicação. Meus hormônios quase deixaram meu marido louco e minha incapacidade de comunicação quase me levou também à loucura. Meu humor sofreu uma alteração jamais vista na medicina, pois era tanta variação que eu cheguei a pensar em procurar um centro espírita pra ver se eu não estava sendo possuída. Mas, sem dúvida, a dificuldade de comunicação no começo foi a parte mais traumática, pois quem me conhece sabe que sou HIPER-comunicativa e por isso acabei desenvolvendo com minhas colegas do curso de alemão um novo vocabulário e uma nova linguagem corporal para conseguirmos nos comunicar sem usar o inglês (nos proibimos totalmente, pois sabíamos que era importante). Resultado: em quatro meses eu já estava falando pelos cotovelos, mesmo que tudo errado. (rs)

– Do que vocês gostam mais aqui da Alemanha? Qual é o local predileto de vocês aqui?

Pra nós a maior vantagem não só da Alemanha, mas principalmente da cidade onde moramos (Stuttgart) é que estamos localizados geograficamente em um ponto ótimo para viajar de carro pela Europa. Mas dentro da Alemanha mesmo o que amamos é (básico) o sentimento de segurança, a infraestrutura incrível e, principalmente, os Biergartens (bares em jardins) e os morangos. Mas, é lógico, que nossos locais prediletos são, é lógico, os Biergartens. (rs)

– E o que faz muita falta pra vocês (estando aqui) lá do Brasil?
As pessoas (insubstituíveis), a espontaneidade, as cores, as roupas (aqui em Stuttgart é um show de horrores), os sabores, os cobradores de ônibus (adorava papear com eles), os odores e água de coco no coco geladinha. (rs)

– Como vocês descobriram a Mineirinha? E o livro dela?

A Mineirinha foi descoberta graças a um feliz acaso virtual, quando eu estava buscando ajuda sobre algo no “Google”. Já o livro foi ela mesma quem me disse sobre ele e não perdi tempo, encomendei o meu rapidinho.

– De que parte do livro vcs mais gostaram?

“Como se sente uma pessoa que muda de país?”, pois você escreveu exatamente o que eu penso e, sinto que se todas as pessoas entenderem as coisas da forma que você colocou, elas poderão aproveitar muito mais a oportunidade maravilhosa que é poder mudar de país nem que seja por pouco tempo.

– Contem um pouquinho deste projeto super criativo do livro “Brasil por brasileiros”!

Esse projeto se tornou a “menina dos meus olhos”. É realmente um projeto inovador, baseado em transparência e coletividade. É assim que podemos definir o projeto do livro ilustrado ainda “sem nome”, chamado nesse período de gestação de “Brasil por brasileiros”. “Brasil por brasileiros” é um nome que, apesar de não ser já o nome definitivo do livro, já nos diz o que é esse projeto. O projeto desse livro é baseado principalmente na premissa de que não há ninguém melhor no mundo para apresentar nosso país através de fotos e relatos do que nós, os brasileiros. E o nosso livro vai além disso, pois ele também irá trazer o que é o Brasil visto por brasileiros de todas as dobras do nosso país. Sim, é nesse ponto que o projeto traz sua idéia de coletividade, afinal a visão que se tem de Brasil no sul, no norte, no leste e no oeste é completamente diferente e muitas vezes inversa e controversa. É um livro que vem sendo projetado e idealizado já coletivamente. No começo era apenas uma idéia crua e sem forma, mas agora com a participação de diversos brasileiros comuns de diferentes eixos do país, a ideia já está amadurecendo e tomando formas variadas e coloridas. Será um livro ilustrado colorido e apaixonante. O fato de ser colorido nao é um desejo estético, mas sim proposital e indispensável, pois as cores fazem o Brasil, ou seja, se queremos mostrar o Brasil, precisamos apresentá-lo com todas sua cores. Apaixonante, pois em cada foto iremos trazer sentimentos e histórias, ou seja, nao serão “apenas” fotos que você vê e diz que são lindas. Serão fotos seguidas de sentimentos e histórias, fazendo com que o leitor aprenda mais sobre nós, sobre nossa cultura e sobre nossa forma de sentir e de viver. Temos hoje mais de 500 fotos já pré-selecionadas de mais de 1000 recebidas e estas já estao sendo publicadas para apreciação e inspiração no Flickr. Ainda não são as fotos definitivas, pois sei que ainda iremos receber muitas outras e, principalmente, sei que muitos outros brasileiros irão logo se juntar a nós, trazendo muito mais imagens e relatos. O objetivo principal do livro não é trazer apenas o que é belo, mas sim trazer tudo que é representativo dentro da nossa realidade. Esse não é um livro para atrair turistas que desejam ver apenas coisas belas, é um livro para ensinar aos turistas estrangeiros e não estrangeiros um pouco mais sobre o que é de verdade o Brasil. Sim, o objetivo não é atrair ninguém de fora, mas sim mostrar aos próprios brasileiros nossa diversidade e riqueza, aumentando dessa forma o respeito entre os eixos e o interesse em criar uma união, partindo da verdade mais pura e importante de que SOMOS TODOS BRASILEIROS. Para saber mais, vocês podem acessar o site oficial do projeto e, caso se identifiquem com o objetivo, sejam bem-vindos para participar e contribuir com suas fotos e relatos!

– Se quiserem deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!
Nossa, nós buscamos tanta coisa que fica até difícil lembrar de todas agora. Mas o mais importante nesse momento seria encontrarmos pessoas que estejam dispostas a participar e divulgar o projeto do livro descrito na pergunta acima. Procuramos desde participantes que queiram enviar fotos até profissionais relacionados à area de diagramação do livro. Além disso, procuro contatos com editoras interessadas em publicar essa obra e empresas dispostas a patrocinar o projeto. E, por último, qualquer dica relacionada ao projeto será SUPER bem-vinda.

– O que foi que a Alemanha (ou o povo alemão) lhes ensinou de mais importante até agora?
Acredito que já aprendi muita coisa com o povo alemão até agora. Aprendi com eles coisas que nós não temos muito em nossa cultura e que eu quero levar comigo, mas também aprendi muita coisa que quero deixar bem longe de mim, caso contrário vou perder muitos amigos quando voltar para o Brasil (rs). Mas, agora falando mais sério, acredito que me tornei muito mais direta através da convivência com a cultura local. Isso é maravilhoso! Eu, em comparação com muitos brasileiros, sempre fui um pouco “alemã” nesse quesito, mas agora sinto que estou mais e gosto disso. Mas procuro manter um nível saudável nessa característica, pois como tudo na vida, devemos evitar o extremo. Também aprendi muito sobre a importância de pensar em vários “cenários” na hora de tomar qualquer decisão, pois isso evita fracassos inesperados, mas aqui também é preciso “medir a dose”, pois essa característica costuma diminuir o delicioso “efeito surpresa” na nossa vida e isso eu não posso deixar acontecer. Uma coisa ótima, principalmente para brasileiros aqui, é poder aprender a ser menos emotivo, pois SIM, somos geralmente MUITO emotivos e sempre levamos as coisas para o lado pessoal. Já os alemães brigam, mas logo em seguida já estão como há 10 minutos atrás, como se nada tivesse acontecido. Aqui a gente tem que aprender a separar realmente as coisas, pois ouvimos frequentemente o que não queremos e da forma que detestamos, ou seja, totalmente insensível e tosca, mas mesmo que você chore, será ignorado e se não diminuir sua alta-sensibilidade vai ficar sem amigos e desidratado de tanto chorar.

– Lá na frente quando você pensar na sua vida na Alemanha, do que talvez vai sentir falta?
Dos amigos que fiz, inclusive da Mineirinha.

Aqui o link da Maira no blog dela (Retratos e Relatos), anunciando a entrevista.

E aqui o link de quando ela fez propaganda do livro da Mineirinha na época do lancamento, em dezembro de 2008. 😀

::Entrevista Delirantemente Feliz! :-)::

31/08/2009

Eis aqui a entrevista com a Liza do blog Liza Delirantemente Feliz. Tive a oportunidade de conhecê-la, junto de sua família, no domingo passado, quando organizamos um brunch brasileiro aqui no Bodensee. A Liza é dona de uma voz doce, é meiga e tem uma família muito bonita. Ah, sim, também muito importante: ela tem todo o jeito de uma cozinheira de mão cheia! A coxinha dela fez o maior sucesso no nosso brunch e acabou rapidinho!… Então vamos ver o que ela e seu marido relatam sobre a vida na Alemanha:

– Façam uma pequena apresentação de vcs por vcs mesmos:
Alberto, 28 anos, engenheiro eletrônico, mestre em microssistemas, atualmente trabalhando como pesquisador numa universidade no sul da Alemanha. Liza, 31 anos, quase turismóloga (faltando 2 semestres para formar), atualmente mãe, dona-de-casa e estudante de alemão. Miguelzinho, 1 ano e meio, o mais novo membro da familia.

Mineirinha n'Alemanha
– Como surgiu a oportunidade de vcs virem morar na Alemanha?

Meu marido, recém formado em engenharia eletrônica pela PUC Minas, recebeu um convite para fazer mestrado em engenharia de microssistemas numa universidade no sul da Alemanha. Só tinhamos 1 ano e meio de namoro e a proposta de vir junto para cá me pegou de surpresa. Decidi encarar junto com ele essa grande mudança nas nossas vidas. Foi então que começamos uma nova jornada num país totalmente desconhecido, trazendo na bagagem muitos sonhos e muitos medos.

– Seu blog chama a atenção pelo nome super positivo. De onde saiu a ideia do nome?
Com 2 meses de namoro eu e o Alberto fizemos uma pequena viagem e nao me esqueço do dia em que ele disse que queria me fazer absurdamente, intensamente e delirantemente feliz. Ele realmente conseguiu cumprir aquela promessa e hoje posso dizer que me sinto assim, delirantemente feliz. Claro que tenho problemas e momentos difíceis, mas eu aprendi que a felicidade não depende de fatores externos e que é uma escolha que depende exclusivamente de nós mesmos.

– Como é a experiência de ter um filho pequeno na Alemanha?

Acho a Alemanha um país maravilhoso para se criar um filho. É um país que oferece segurança, saúde e educação, de uma maneira muito diferente do Brasil. Nao precisamos pagar medicamentos para ele e ainda recebemos ajuda do governo, mesmo ele sendo brasileiro. Recentemente ele entrou no Kinderbetreuung (jardim de infância), também pago pelo governo para que eu possa estudar, e só tenho elogios para a forma como ele é tratado lá, o que me dá tranquilidade para estudar. Confesso que no início me senti um pouco insegura, achei que não daria conta de criar um bebê num país tão diferente do meu, longe da minha família e sem contar com a ajuda de ninguém. Mas tenho certeza que não poderia oferecer um lugar melhor para ele crescer.

– E como está sendo a experiência de participar de um curso de integração? Quanto tempo ele dura, como é dividido e o que vc poderá fazer quando ele terminar?
O curso de integração é exigência do governo para que estrangeiros que residem na Alemanha desde 2005. O governo financia parte do curso para quem tem condições financeiras (o aluno paga apenas 1 euro por hora-aula) e oferece o curso integralmente para quem não tem trabalho ou recebe pouco. A duração do curso varia muito. Há casos de estudantes que optam por um curso mais lento, com apenas duas aulas por semana. Nesse caso o curso pode durar 2 anos. Mas normalmente, os cursos duram 8 meses, com aulas de segunda a sexta na parte da manhã. O curso é dividido em 6 módulos de 100 horas cada para o ensino do idioma (nível A1 ao nível B1) mais 45 horas para o curso de orientação. Caso o aluno consiga no final do curso o certificado B1, o governo devolve metade do dinheiro pago. Com o certificado B1 fica mais fácil conseguir um Ausbildung (curso profissionalizante) e já é um começo para quem pretende estudar aqui. Já vi casos de pessoas que apenas com o nivel B1 conseguiram vaga numa universidade para cursos de graduação e mestrado.

– Só a título de curiosidade, quantas nacionalidades estão reunidas no seu curso?
Sao 14 nacionalidades: 4 russos, 2 paquistaneses, 1 peruana, 1 tunisiana, 1 francesa, 1 sérvia, 1 iraquiano, 1 africano, 1 polonesa, 1 albanesa, 1 tailandesa, 1 cazaque, 1 turco e 1 brasileira.

– Qual foi a maior dificuldade de vcs aqui na Alemanha nos primeiros tempos?
As nossas maiores dificuldades sempre foram ligadas ao idioma. Também foi muito difícil lidar com a diferença do clima e com a saudade da familia (com essa dificuldade convivemos e temos certeza que conviveremos sempre).

– Do que vcs gostam mais aqui da Alemanha?
Nada melhor do que viver num país onde voce não tem que sentir medo de sair e não voltar para casa, um lugar onde seu filho pode brincar na pracinha, como faziamos antigamente no Brasil. Nada melhor que não ter que provar para as pessoas que voce está dizendo a verdade, por que é isso que elas esperam de você. Os alemães partem do principio que voce é honesto e dão sempre um voto de confiança nisso. Nada melhor do que viver num país que investe nas ideias e que valoriza a educação. Claro que a Alemanha não é um país perfeito, mas morar aqui tem sido um presente nas nossas vidas.

– E o que lhes faz muita falta pra vcs aqui lá do Brasil?
Além da família e amigos, o que mais faz falta é a comida mineira e o clima.

– Como vcs descobriram a Mineirinha?

Através do meu blog acabei descobrindo a Mineirinha. Posso dizer que foi um grande achado, além de encontrar dicas sobre a vida na Alemanha, encontramos uma pessoa super bacana, dona de um coração enorme e sempre disponível para ajudar.

– Como foi a experiência de ler o livro a dois? O que vocês acharam do livro?
O Alberto, que não gosta de ler, se interessou logo de cara pelo livro e o devorou em poucos dias. De vez em quando o livro desaparecia e reaparecia depois milagrosamente nas coisas dele. A opção foi ler o livro juntos. Adoramos a leitura, pois além de ser um livro delicioso, tivemos a oportunidade de trocar nossas opiniões sobre diversos assuntos. Desde então tornou-se nosso livro de cabeceira e o indico para qualquer um que goste da Alemanha, que pensa em morar aqui ou fora do Brasil ou para aqueles que buscam uma boa leitura.

– A Mineirinha auxiliou o seu marido a confeccionar seu currículo e cartas de apresentação em inglês e alemão. De sua opinião sobre este serviço prestado por ela.
Esse foi o depoimento do meu marido sobre o trabalho da Sandra: “Mesmo depois de viver aqui por 3 anos, posso dizer que fazer um curriculo e uma carta de apresentação dentro dos padrões alemães é extremamente difícil. Primeiro pelas dificuldades da língua e segundo por que um estrangeiro nunca sabe ao certo o que uma empresa alemã espera de um futuro empregado. Foi aí que a Sandra surgiu, traduzindo os meus documentos, os colocando dentro do padrão alemão, me proporcionando agora uma maior chance no mercado de trabalho. Estou muito satisfeito com o trabalho que ela prestou por sua dedicação, profissionalismo, competência, pontualidade e disponibilidade em ajudar.” O que posso dizer é que o trabalho dela aliado à dedicação e esforço do meu marido (é importante dizer que aqui eles valorizam muito as notas, entao vale a pena se dedicar) tem nos aberto muitas portas.

– Quais são os próximos planos da “Família Delirantemente Feliz”?
O contrato do Alberto com a universidade vai até o próximo ano. Temos alguns planos para depois que incluem permanecer na Alemanha, mas por enquanto são apenas planos aguardando a resposta de Deus, afinal é dele sempre a decisão aqui em casa.

– Se quiserem deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!
Morar fora do Brasil, num país tão diferente do nosso, longe da família e amigos não é uma tarefa fácil. O que ajuda é poder contar com pessoas no caminho, dispostas a compartilhar experiências. Que possamos estar sempre abertos e dispostos a ajudar, conscientes que colhemos sempre aquilo que plantamos.

Liza, Alberto e Miguelzinho: obrigada pela participação e pelo carinho!

::Entrevista com a Mineirinha no dia 29.08.2009::

28/08/2009

A Mineirinha vai ser entrevistada novamente! A entrevista vai ser na Rádio Triângula no sábado, dia 29.08.09 às 16 horas. Podem assistir ao vivo no livestream da http://www.tidenet.de. Cliquem no MP3.

As informações sobre como acessar a rádio e sobre a entrevista podem ser lidas também em alemão no blog Going Global D, da entrevistadora Petra Sorge dos Santos.

Petra, obrigada desde já pela entrevista e pelo apoio! 🙂

::Update da entrevista com Klaus e Dalvanira::

14/08/2009

Estamos em Munique até o final das férias no domingo visitando minha irmã Rê, seu marido Rô e nosso sobrinho fofinho, o Dominic. Enquanto isso, aqui uma foto como update da entrevista com o Klaus e Dalvanira tirada em Viena nos jardins do castelo de Schönbrunn, pra vcs matarem a curiosidade junto comigo da carinha simpática dos dois:

Mineirinha n'Alemanha_Klaus e Dalvanira

::Com vocês, Paulo e Evelyne!::

06/08/2009

A seguir uma nova entrevista cujos participantes são especiais para mim. Do Paulo eu recebi o primeiro feedback de um leitor alemão e sua esposa brasileira, Evelyne, me deu a boa ideia de arquivar as entrevistas aqui no blog, além de tantas outras opiniões e retornos positivos, enfim muitas demonstrações de carinho, como esta aqui:

“Acho que você está abrindo mais uma porta para brasileiros e alemães se conhecerem e se integrarem. Adoramos a iniciativa.
Não sei como está pensando em estruturar isso no seu blog, mas, sugiro que você dedique uma página só para isso. Verá como será exponencial.”

Vamos às perguntas:
Poderiam fazer uma curta apresentação de vcs por vcs mesmos?
Evelyne, brasileirinha nascida no sul, mas que mora na terra do sol e da praia, Bahia, 27 anos, formada em Administração, MBA em Marketing, consultora de RSE (Responsabilidade Social Empresarial), sagitariana, alegre, espontânea e, quase sempre, chata na TPM.

Paulo, 53, nascido alemão, hoje alemão-baiano, professor de tecnologia, economia e educação física, analista de sistemas, ex-coordenador de TI de uma rede brasileira de microcrédito e diretor de uma empresa de software. Cheguei ao Brasil em 1994, através do DED (Deutscher Entwicklungsdienst)… e fiquei. Curioso, interessado, crítico, às vezes calmo, às vezes comunicativo, às vezes engraçado, às vezes chato. Há dois tipos de alemães, os teimosos e os muito teimosos. Eu só sou teimoso. Além disso, sou o melhor pai do mundo, pelo menos na opinião dos meus filhos, adotados aqui na Bahia.

Em resumo, um casal nada convencional.

eu e meu amor-1

Como vcs se conheceram?
Saí de um emprego, e indicada por um amigo também alemão, fui parar na empresa que Paulo tinha acabado de abrir. Ele era meu chefe, depois namorado, depois sócio e, agora, marido. Estamos juntos a pouco mais de cinco anos. Bastante tempo para quem não botava fé. Nosso lema é contrariar. Rsss

Vc já veio à Alemanha, Evelyne?
A primeira vez que estive na Alemanha foi em maio de 2008. Depois de mais de 4 anos de relacionamento ainda não conhecia a família dele. Foram 30 dias de ótimas férias, inesquecíveis. Na ocasião, conheci Berlim, Potsdam, Hannover, Osnabrück, Münster, Hameln e outras cidadezinhas graciosas. Berlim foi amor à primeira vista. Na primavera/verão, quem não se apaixona?
Depois, voltamos em dezembro, no frio mais frio dos últimos tempos para acompanhar a filha dele que fez uma cirurgia para que pudesse ter a oportunidade de andar. Depois de anos na cadeira de rodas, ela já dá os primeiros e longos passos. Eu fiquei um mês e Paulo, três. Muita saudade, porém por um ótimo motivo.

O que o Paulo mais admira na cultura brasileira? E o que te chama a atenção positivamente na cultura alemã?
Paulo: A habilidade de comunicação e a facilidade de fazer contatos, a hospitalidade, a alegria e leveza que aparentemente supera todos os obstáculos. Ver o copo meio cheio e não meio vazio e um contraste incrível em relação aos alemães, que conseguem complicar a própria vida pela perfeição e preocupação.

Evelyne: O que me chama mais atenção na cultura alemã é a civilidade e o respeito ao próximo. Ninguém acelera o carro no sinal quando fica verde só porque tem um pedestre atravessando a rua, para mostrar quem tem o poder, como acontece muitas vezes aqui no Brasil. Claro que a Alemanha não está livre de gente assim, mas a proporção é bem menor, creio eu.

Qual foi o maior choque cultural do Paulo em relação ao Brasil?
Os extremos e a desigualdade da sociedade, o caos e a poluição sonora e ambiental nas cidades e aceitação da corrupção e violência combinado com uma paranóia exagerada.
Quando cheguei ao Brasil, fiquei apavorado com os muros altos e as grades nas residências e pensei que todo mundo vive na prisão. Hoje, infelizmente, já me acostumei com isto.

E o seu choque cultural, em relação ao Paulo?
Meu choque cultural em relação ao Paulo??? Ele não cumprir horários como eu sempre acreditei que os alemães fizessem. Eu dou um desconto. Depois de tanto tempo, já virou baiano.

Do que o Paulo sente mais falta da Alemanha, morando no Brasil?
Os cheiros da primavera e outono, o respeito ao próximo, comida grega, Leberwurst (salsicha de fígado) e a possibilidade de tomar banho com água quente e com pressão.

Como ficaram sabendo do livro “Mineirinha n’Alemanha”?
Depois da nossa viagem em maio, Paulo decidiu voltar para a Alemanha e eu decidi ir junto, por acreditar que seria uma experiência valorosa para mim, além de saber que não consigo ficar sem ele (Ownnnn!). Aí, ele começou a procurar emprego e eu comecei a pesquisar sobre experiências de brasileiros na Alemanha. Encontrei o site “Viver na Alemanha” e, através dele, cheguei ao seu blog. Do blog para o livro foi bem fácil. =D
(Comentário de Paulo: Acho que foi o contrário. Ela decidiu e eu vou acompanhá-la.)
(Comentário meu: Dá licença, Sandra. Acho que temos que ter uma DR, voltamos depois dos comerciais…)

O que diriam sobre o livro/recado de vcs para outros leitores.
Evelyne: É uma quebra de tabus. Brasileiro tem uma visão pré-definida de alemão, e vice-versa. Mas, essa visão é baseada em preconceitos antigos. A sociedade evoluiu, de um lado e de outro, por isso, houve mudanças. Achamos que o livro é interessante para apresentar novas visões ou justificar antigas.

Paulo: Comprem, leiam, aprendam e divirtam-se! O livro passa a percepção da Alemanha por uma brasileira, que conseguiu se integrar muito bem neste país e conviver com um povo com cultura bastante diferente. Curiosa e sem preconceitos ela relata os pontos fortes e fracos da sociedade alemã e dos estrangeiros que vivem nela, sem abrir as gavetas de bom e ruim.

Vcs são da opinião de que o livro deveria ser traduzido para o alemão. Por quê?
Hummm. Acho que Paulo já falou isso para você e eu não conseguiria reproduzir com a perfeição que ele o fez. Se quiser, pode publicar alguns trechos do e-mail dele que eu assino embaixo, do lado, em cima…

Nota da Mineirinha: o feedback do Paulo é para mim tão especial, que será parte do meu livro, quando ele for traduzido em alemão. Coloco aqui uma pequena parte do mesmo, para vcs terem uma ideia do que ele escreveu sobre o livro:

„Es macht Spaß, vom deutschen Alltag aus dem Blickwinkel einer Ausländerin zu lesen. Von Dingen, über die ein Deutscher in Deutschland nicht nachdenkt, weil sie einfach total normal für ihn sind. Von deutschen Verhaltensweisen, die für einen Brasilianer undenkbar sind. Von Lösungsansätzen mit unterschiedlicher Logik, die vermutlich zum gleichen Ziel führen würden. Von zwischenmenschlicher Kommunikation, die nicht nur wegen sprachlicher Hindernisse zu einem Desaster werden kann.

Interessant und wichtig ist es auch zu wissen, dass es neben dem typischen Klischee auch genug Ausländer in Deutschland gibt, die da so gar nicht nicht in die Schublade passen. Und zu erkennen, dass jemand wie du vielleicht in meiner Nachbarschaft lebt. Jemand, den ich gerne kennen lernen würde und der mein Leben bereichert. Und dem ich mit meinen Möglichkeiten vielleicht auch helfen kann, sich in seiner neuen Welt besser zurechtzufinden“.

“Dá prazer ler sobre o dia-a-dia na Alemanha contado sob a perspectiva de uma estrangeira. Ler sobre coisas que um alemão na Alemanha nem chega a pensar, pois para ele elas são normais. Sobre reações de alemães que são inimagináveis para brasileiros. Sobre soluções com uma lógica diferente, que provavelmente fariam com que o mesmo objetivo fosse alcançado. Sobre a comunicação interpessoal, que pode virar um desastre, não só por causa de dificuldades linguísticas.

É interessante e importante saber que além do clichê típico há muitos estrangeiros na Alemanha que não batem com a opinião da maioria. E descobrir que talvez uma pessoa como vc mora perto da minha vizinhança. Alguém que eu gostaria de conhecere e que poderia enriquecer minha vida. E que eu talvez pudesse ajudar a se ajustar à sua nova vida”.

Burkhard é um nome muito difícil de ser pronunciado por brasileiros. Como surgiu a ideia do codinome “Paulo” no Brasil? 😉
Pois é, e ainda para os pequenos agricultores no sertão baiano, com quem eu inicialmente trabalhei. Meu sobrenome é Puwalla e tem origem polonesa. Vem de Powel = Paulo e o …la, dizem, é a forma diminuitiva, ou seja Paulinho. Só que tenho 1,85cm. Então ficou o Paulo.

Qual é a motivação de vcs para morar na/voltar para a Alemanha?
Para Evelyne é uma possibilidade de experiência nova e um desafio pessoal. Acho que ela vai se dar razoavelmente bem, pois tem muitas características tipicamente alemãs, talvez mais do que eu. Eu tenho a impressão que 15 anos no Brasil são suficientes. Gostaria de viver uns anos mais perto da minha família e velhos amigos, mostrar o meu país para minha mulher brasileira e curtir a vida organizada na Alemanha, já sabendo que em pouco tempo me encherá o saco.

::MP3 da entrevista com a Mineirinha::

31/07/2009

O tradutor Fabio, do blog Fidus Interpres, teve a bondade e o carinho de reeditar o noticiário de ontem da rádio Deutsche Welle e de disponibilizá-lo como MP3, pelo que agradeço imensamente! Para quem perdeu a entrevista de ontem, eis aqui o link para o artigo do blog dele com o arquivo MP3.

::Dia 30/07, quinta-feira: Entrevista com a Mineirinha na Rádio Deutsche Welle::

30/07/2009

Fui entrevistada ontem à noite pelo repórter da rádio Deutsche Welle. Para ouvir o programa, clique aqui e em seguida no link à direita, DW-RADIO, emissão da noite (19:30 TUC).

A programação desta rádio é direcionada a ouvintes de todos os países de língua portuguesa na África, Ásia, Europa e América do Sul. Segundo o repórter que me entrevistou, o conteúdo da rádio é divulgado também por várias rádios brasileiras com interesse direcionado à Alemanha. „A rede de correspondentes da DW-RADIO em português funciona em onze países e assegura uma cobertura internacional dos temas em destaque – da Alemanha a Portugal, de Cabo Verde a Moçambique e de Timor Leste ao Brasil“.

Não perca a entrevista! O programa começa às 21:30 horas na Alemanha, às 18:30 horas no Brasil e pode ser acessado na internet durante 24 horas por dia.

::Troca-troca de livros – Parte II::

27/07/2009

A segunda pessoa envolvida no troca-troca de livros foi o Klaus, um leitor alemão com alma de brasileiro que mora na Paraíba. Quis o destino que o livro dele fosse passear em Lemgo antes de chegar a Berlim ;-), onde ele está no momento passando férias com sua esposa brasileira, a Dalvanira. Nao pude resistir à tentação de entrevistá-los também e se conseguir uma foto dos dois, vou colocá-la aqui neste post mais tarde. A entrevista está metade em alemão/metade em português, e a parte em alemão foi devidamente traduzida por mim. Aliás, a partir de agora todas as entrevistas serão arquivadas através do link à direita do blog, intitulado “Entrevistas”, por sugestão da leitora baiana Evelyne, cuja entrevista já está esperando na fila pra ser publicada! 🙂 Muito obrigada pela ideia, Evelyne!

A segunda entrevista da série ficou também super interessante. Confiram vocês mesmos!

Uma apresentação de vc por vc mesmo:
Oi, meu nome é Klaus R.C.Ciesielski, eu venho de Berlim e moro agora no Brasil no estado da Paraíba, na cidade de Campina Grande, no nordeste do nosso país.

Como vc tomou a decisão de emigrar para o Brasil?
Desde 1988 vinha trabalhando, além da minha profissão oficial, também como agente de viagens especializado no Brasil e acompanhava meus grupos durante muitas semanas no país. Durante a viagem do ano de 2005 tive um AVC (acidente vascular cerebral) e por causa da doença tive que parar de trabalhar por completo. Durante aquela viagem conheci também minha agora esposa Dalvanira, uma brasileira, depois de termos trocado muitos e-mails durante alguns meses através da internet. Através de sua ajuda fui levado imediatamente para o hospital e assim pude me recuperar muito rapidamente. Agradeço a Deus por nao ter nenhuma sequela do acidente. Depois desta viagem eu me preparei em Berlim para me mudar para o Brasil em 2006. Sempre tinha sido um sonho meu poder viver no meu querido Brasil.

Wie fiel bei dir die Entscheidung, nach Brasilien auszuwandern?
Hallo, mein Name ist Klaus R.C.Ciesielski, ich komme ursprünglich aus Berlin und lebe
jetzt in Brasilien, im Bundesstaat Paraíba, in der Stadt Campina Grande,
im Nordosten unseres Landes.

Ja, wie bin ich nach Brasilien gekommen?
Ich war seit 1988 nebenbei Reiseveranstalter für Brasilien und habe in den Jahren auch meine Gruppen immer auch in den vier Wochen durch das Land begleitet. Auf der Reise 2005 bekam ich dann meinen zweiten leichten Schlaganfall und musste leider meinen Hauptberuf und den Tourismus aufgeben. Auf dieser Reise habe ich auch meine Frau Dalvanira, eine Brasilianerin, das erste Mal getroffen, nachdem wir uns schon vorher einige Monate im Internet geschrieben haben. Durch ihre schnelle Entscheidung kam ich rechtzeitig ins Krankenhaus und alles war sehr schnell überstanden. Gott sei Dank ist nichts übriggeblieben. Nach der Reise habe ich in Berlin alles geregelt und seit 2006 lebe ich jetzt hier im Nordosten Brasiliens. Es war immer mein Traum, in meinem geliebten Brasilien zu leben.

Quais foram os choques culturais que vc vivenciou lá durante o primeiro tempo?
Na realidade eu não vivenciei nenhum choque, porque eu já tinha visitado muitas vezes o Brasil e já conhecia bem o país. Eu me adaptei muito rápido e nunca achei que tivesse tomado a decisão errada ao me mudar para lá. Para mim eu simplesmente fiz uma mudança em 2006, nao foi uma emigração no sentido exato da palavra. Foi fácil para mim me adaptar, pois à minha volta tive muitas pessoas que constantemente me auxiliaram a me sentir em casa no Brasil.

Welche Schocks hast du während der ersten Zeit dort erlebt?
Es gab für mich keine Schocks, weil ich von den vielen Reisen nach Brasilien doch schon einiges kannte. Ich habe mich sehr schnell eingelebt und es gab keine Zeit, in der ich meine Entscheidung bedauert habe. Es war im Grunde genommen 2006 lediglich ein Umzug, es gab keine Auswanderung in dem sonst üblichen Sinne. Ich habe mich sehr schnell eingelebt und ich habe es sehr leicht damit gehabt. Rund um mich herum hatte ich Menschen, die es mir ermöglicht haben, mich in Brasilien sehr schnell zu Hause zu fühlen.

Do que vc mais sente falta daqui da Alemanha morando no Brasil?
Eu sinto falta da amizade que me liga ao meu time de futebol em Berlim. Eu era o diretor do time e já tinha jogado futebol durante anos a fio e me sentia muito bem naquele time. No Brasil tenho dois times onde atuo, mas eles não me dão a mesma satisfação que tive com o futebol em Berlim. O futebol tem um significado bastante diferente entre o Brasil e a Alemanha. Eu consigo me entender muito bem com os jogadores antes e depois das partidas, mas as reações durante o jogo são muito diferentes para mim. Dentro do time não há infelizmente a união que eu gosto e da qual preciso.
Eu também sinto falta dos meus filhos, que moram em Berlim e na Inglaterra, mas através da internet temos um contato frequente e dois dos meus filhos já foram me visitar no Brasil.

Was vermisst du sehr aus Deutschland in Brasilien?
Mir fehlt sehr die Freundschaft, die mich mit meiner Fußball-Mannschaft in Berlin verbindet. Ich war dort Vorsitzender und ich habe dort einige Jahre gespielt und mich innerhalb dieser Mannschaft auch sehr wohlgefühlt. Die beiden Mannschaften, in denen ich seit 2007 in Brasilien spiele, geben mir dieses Gefühl der Zufriedenheit nicht. Zu groß ist der Unterschied in der Auffassung vom Fußballspiel in Deutschland und Brasilien. Mit den Spielern in Brasilien verstehe ich mich vor dem Spiel und nach dem Spiel sehr gut, aber auf dem Platz sind doch die Vorstellungen vom Fußball sehr unterschiedlich. Es gibt leider in Brasilien für mich innerhalb der Mannschaften nicht den Zusammenhalt, den ich gut finde und wie ich ihn für meine Zufriedenheit brauche.
Mir fehlen meine Kinder, die in Berlin und in England leben, aber durch das Internet sind wir eigentlich ständig in guten Verbindung und zwei meiner Kinder haben uns auch schon in Brasilien besucht.


Como vc descobriu a Mineirinha?

Eu estava no Xing procurando por contatos relacionados ao Brasil e encontrei o seu perfil por lá.

Wie hast du die Mineirinha entdeckt?
Im Xing habe ich Kontakte mit Brasilien gesucht und bin dabei
auf dein Profil getroffen.


Qual é a opinião da sua esposa com relação ao meu livro?
Welche Eindrücke hat mein Buch bei deiner Frau hinterlassen?

Olá, aqui é Dalvanira, a esposa do Klaus.

Encontrei em suas experiências as mesmas situações que vivi nos primeiros momentos aqui na Alemanha. Somos de um país liberal, aqui as regras rígidas a princípio me assustaram um pouco pelo fato de termos ideias, vontades e ideologias diferentes.

Os costumes realmente geram conflito. Como sou adaptável posso dizer que não tive conflito cultural. Fui educada em colégio de freiras, e portanto em um ambiente onde também existem regras e ordem. Sou casada com um alemão carinhoso, amável e brasileiro de coração, que chega a contradizer a própria cultura. Lembrando do seu relato das brasileiras que não tiveram a mesma sorte que eu.

Aprendi muitas coisas ao ler o seu sábio livro. Ao mesmo tempo descubri novas qualidades da cultura e das pessoas, com mais definição.

Tenho convivido com pessoas de maneira diferente levando em conta o seu relato ligado às diferenças do contato verbal e visual. Parabenizo todos os seus relatos por expresso.

Quanto à dificudade do idioma sofro muito. Uma observação: você dá a orientação de assistir tv, ouvir música e/ou rádio, e eu passei a segui-la imediatamente! Ouvir mais e tentar entender. A declinação é a minha dificudade como também de todos que desejam aprender esse idioma tão lindo e difícil.

Irei divulgar seu livro que será um guia de grande valor para todos que desejam morar ou fazer turismo neste país maravilhoso, rico em cultura e disciplina. Desejo sucesso, lhe aconselho escrever vários livros. SUCESSO!!!

Klaus e Dalvanira
Berlim, 26.07.2009

Obrigadíssima pela entrevista, Klaus e Dalvanira! Que vcs continuem tendo uma boa estadia por aqui!

P.S.-Update em 14.08.09: Aqui vcs podem ver uma foto dos dois!


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