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Posts Tagged ‘Espanha’

::Espanha divulga 5 mil sobrenomes que podem ser habilitados a pedir a cidadania espanhola::

29/03/2014

Muito diferentemente dos alemães, que conhecem detalhadamente sua ascendência e conseguem preservar assim sua história mesmo estando fora da Alemanha, muitos de nós, brasileiros, não sabemos ao certo detalhes de nossas origens.

Quanto a mim, quando me perguntam sobre isso, digo que tenho ascendência portuguesa, espanhola, francesa (a avó da minha avó por parte paterna era francesa) e, pela herança dos meus cachos, também africana.
Qual não foi minha surpresa ao ler neste artigo que posso ser descendente de judeus sefarditas, (originários de Portugal e Espanha)! Eles foram expulsos da Península Ibérica durante a inquisição espanhola (1478-1834) e fugiram para várias partes do mundo, dentre elas o norte da África e para o Novo Mundo, principalmente Brasil e México.

O governo da Espanha tem atualmente um projeto que pretende reconhecer os judeus, dando-lhes cidadania espanhola. Se eu não tivesse cidadania alemã, certamente iria verificar esta possibilidade. Afinal, nunca se sabe o dia de amanhã, não é mesmo? Veja se o seu nome também faz parte deste grupo aqui.

Por último, aqui um texto bastante interessante sobre a influência judáica na cultura mineira.

::Diário de um alemão::

07/09/2011

Nasci numa família até legal, mas por falta de espaço na casa da minha mãe fui levado, junto do meu irmão, pr’um orfanato. Lá acabamos não ficando muito tempo. Por sorte uma outra família nos escolheu e nos levou pra casa deles. Porém, a sorte não nos acompanhou por muito tempo, pois pouco depois perdi meu irmão através de um acidente e fiquei sozinho naquele apê, logo durante um mês em que uma parte da família estava passando férias no Brasil. Quando voltaram, não suportaram minha tristeza e me apareceram com um novo camarada com quem tive que dividir meu pedaço, pra quem deram o nome de Aladar. Ele não conseguiu ficar muito tempo comigo, pois eu fiz a vida dele virar um inferno. Se ele achava que seria fácil tomar meu espaço, ele estava completamente enganado! Mostrei logo pra ele quem era o rei da praça. Depois de uma operação e um tempo no hospital, resolveram devolvê-lo pra casa de onde tinha vindo. Até cheguei a ouvir que lá ele se transformou e virou outro, calmo, saudável… também pudera, ele não tinha mais que dividir o mesmo teto comigo. Mas tudo isso não chegou a me importar muito, pois afinal eu tinha recuperado o que era meu.

Algumas vezes a vida voltou a ser dura pra mim. Quando tive que ir parar no hospital e voltei de lá sem um pedaço de mim, isso foi mesmo um grande trauma na minha vida. Me colocaram numa caixa e me levaram pr’aquele espaço de horror! Desde então, toda vez que vejo a caixa, parto do pressuposto de que o pior pode acontecer novamente. E isso tudo só por causa de uma pequena rebelião da minha parte! Minha família não entende mesmo nada de genética!

O tempo passou, e outra vez chorei inconsolavelmente quando tive que entrar novamente naquela caixa, mas percebi que todas as minhas lágrimas tinham sido em vão: daquela vez eles só queriam me levar para uma nova casa. Gostei de primeira do lugar, mas depois de algum tempo veio a próxima novidade: minha dona começou a ficar com a barriga cada vez maior, inchou que nem uma azeitona, virou um barril de água que parecia poder explodir a qualquer momento, e por fim ela sumiu por alguns dias, voltando com um ser indescritivelmente incomodante, que me tomou noites de sono e me enchia cada vez mais a paciência quanto mais ele crescia. Por fim acabei aceitando que com o passar dos anos os meninos da minha casa também têm direito a um lugar ao sol, apesar de achar que o sol deveria brilhar, por direito adquirido desde o nascimento, mais pra mim do que pra eles. E principalmente mais pra mim do que pr’aquele pestinha, com quem só consegui fazer amizade depois de vários anos de penúria.

Mas eu não posso reclamar mesmo da minha sorte. A minha família me trata bem, eles me dão comida duas vezes por dia, e se eu encher bastante o saco deles, fingindo que a idade não me permite mais saber se já comi ou não, e principalmente se encher o saco de um de cada vez, acabo ganhando comida mais vezes ao dia. Mas eu tenho que confessar que sou bem chato pra bebida, só gosto de água com sabão ou de privada, pois água “normal” é muito normal pra mim – e de normal eu não tenho nada. Eu passo os dias meditando e dormindo, sou independente e sei tomar banho sozinho. Cuido muito bem de mim e na realidade na hierarquia da minha casa só aceito o meu dono acima de mim, depois de mim vem minha dona e logo depois os filhos dela. Eu tive sorte de crescer ouvindo dois idiomas, alemão e português. Não é todo mundo que ganha um presente destes já de berço, né? Eu reconheço bem este fato. Com o tempo, além da meditação, aprendi um pouco de Reiki, e assim sei retribuir um pouco do carinho que ganho deles, fazendo massagem, prestando Primeiros Socorros e reorganizando o nível de energia da minha família. Sim, eu sou um pouco durão, mas eu tenho que admitir que amo esta família que me pegou no orfanato e desde então sempre me fez sentir uma parte integrante deles. Recebo suas visitas ao lado dos donos da casa, ganho carinho, tenho minha paz e meu espaço. Afinal, a vida até que é bela!

De vez em quando meus donos me aprontam uma ou outra, daí a decepção é às vezes bem grande, às vezes eu posso até suportar. Muitas vezes a decepção é grande para os dois lados, pois eles me deixam sozinho e quando voltam, se assustam com o que aprontei. Quando somem por alguns dias e deixam tudo organizado para o meu bem estar, não tenho muito o que reclamar. Mas quantas vezes já os recebi de cara fechada e precisei de alguns dias pra que eu pudesse voltar ao normal! Com o tempo eles aprenderam e ficaram mais experientes, e eu também fui ficando velho, e tenho a dizer que desta vez eles foram mais espertos do que eu.

A caixa apareceu novamente e eu não queria entrar nela de jeito nenhum, mas por fim não me restou outra alternativa. Eu já estava mesmo notando que eles estavam arrumando as malas, e já tinha entendido que eles iam me levar pra outro canto. Depois de algumas curvas e muito choro fui parar na casa de uma menina até legal, que tentou várias vezes puxar conversa comigo, mas pra mostrar pra ela e pro mundo meu descontentamento eu passei uns 5 dias sem comer. A greve de fome não adiantou nada: eles não voltaram. Por fim eu desisti de passar fome e voltei a comer como antes. A água dela não era a mesma como a lá de casa. A decepção pelo tratamento diferente do que eu antes estava acostumado foi grande, mas tive que me redimir e tomar água normal. Aaaaaarrrrrgggghhh! Não teve outro jeito. Com o tempo descobri que ela tinha uma varandinha e como minha família não voltava mesmo, resolvi ir dar uma espiada no que tinha lá fora pra observar. Durante os primeiros dias até que tinha sol, mas depois a chuva voltou e, como diz meu dono, “neste ano o verão foi numa quinta-feira”. Pensei na minha vida, meditei, fiquei puto, fiquei calmo, chovia, fazia sol, comia, dormia, meditava, dormia, comia, meditava, os dias passavam e minha família não voltava. Cheguei a desistir de voltar a vê-los. Será que eu tinha ido longe demais? Também eu deveria ter percebido a ação deles: a mudança foi feita com todos os meus pertences. Será que eles tinham desistido mesmo de mim? A dúvida chegou a me desorientar e as sessões de meditação foram ficando cada vez mais complicadas e superficiais. Saí do meu centro.

Porém, quando eu não tinha mais esperanças, eles reapareceram! Entrar novamente naquela caixa não foi um problema grande pra mim, o choro no meio do caminho era por causa do meu trauma do hospital. Eu nunca sei se vão me levar pra lá de novo… Mas não: no meio do caminho já pude me reorientar, estava escuro mas eu sabia que estava voltando pra casa. Enquanto voltava, ouvia deles os relatos sobre as férias na Espanha: bom apartamento, boa praia, comida gostosa, visita ao castelo da esposa de um pintor famoso, bons vinhos, bons passeios…. Nem se admira que minha família estivesse mais calma e acima de tudo: com a pele mais escura! Mas eles nunca chegarão ao meu brilho, isso não. Por fim, resolvi deixar todas as mágoas do passado pra trás: ao entrar novamente no meu lar, só sei destribuir carinho pra todo lado, dormir nos meus lugares prediletos, a minha água é a melhor do planeta, a meditação voltou a surtir efeito. De volta pro lar, sou Tiggre, ou Tiggi para os íntimos, o gato mais feliz do planeta!

::Final de férias, início de memórias…::

05/09/2011

::Fim de um sonho::

08/07/2010

Que pena que a Alemanha perdeu, né? Mas a verdade é que os espanhóis dominaram o jogo e ganharam por merecimento. Como nunca ganharam uma Copa em sua história, esta seria agora uma boa oportunidade que eles deveriam transformar em realidade.

A revista Spiegel, além de outras mídias aqui na Alemanha, comenta que o futebol contribui para mudar a imagem do país no exterior, de pessoas disciplinadas mas sem graça, para pessoas animadas e que gostam de festejar. Ele também contribui para “colorir” o país, pois abrigou 11 jogadores de um total de 23 cuja origem era estrangeira, representando assim a realidade atual do país e consegue portanto passar para o exterior uma imagem de um país mais aberto e moderno, com um novo patriotismo saudável.

O futebol alemão foi elogiado pelos quatro cantos do mundo (até os ingleses simpatizaram com o futebol da Alemanha e reconheceram suas qualidades – veja aqui) e apesar dos jogadores não voltarem pra casa com o 1° lugar, serão com certeza muito festejados quando chegarem aqui. Os alemães acreditam ter jogado bem na Copa e vêm a partida perdida como um ganho de experiência para seu desenvolvimento futuro. A opinião aqui é que os alemães perderam ontem para o melhor time do mundo da atualidade. Que a Espanha ganhe no próximo domingo!

::360 graus – ida e volta à Espanha::

08/06/2009

Tô de volta da Espanha, chegamos no sábado à noite. Acho que toda vez que volto de uma viagem fico um pouco depressiva. Por um lado, porque eu amo viajar. E por outro, porque quando chego em casa de uma viagem tem um bolão de roupa pra lavar, a casa por arrumar, as pendências para colocar em dia… e com as “maravilhas do mundo moderno”, nossa querida internet, acho que chega até a ser “normal” eu me sentir muito atrasada em relação ao tempo “perdido” durante as férias, com tanta notícia por ler e tanto e-mail por responder. Achei quase 500 (!) e-mails no meu computador em casa e 250 (!) e-mails no trabalho, misturados num mundo só deles de e-mails prestáveis (com conteúdo, além de pedidos do livro) e imprestáveis (spams), tirando a pilha de cartas, revistas e jornais por ler, coisas para consertar… Bahhhhhh! E o pior é que o meu computador aqui em casa é bem velhinho e tudo tem que ser feito bem devagarzinho, senão ele não aguenta a barra!

Ao chegar hoje em casa do trabalho, o Matthias teve a idéia de irmos no Media Markt, pois nosso telefone de casa, pra variar, pifou (ou foram só as pilhas que acabaram, ainda temos que descobrir exatamente o motivo de estarmos “incomunicáveis” no momento). E como eu poderia prever, achei mil e uma coisinhas lá naquela loja de eletro-eletrônicos que mais parece um paraíso para quem gosta de técnica (ou para quem só gosta de usá-la, feito eu). O Daniel ganhou finalmente o filme que ele pediu de presente de aniversário, o Matthias comprou as pilhas que precisávamos e um filme, e eu, logo depois de dar uma passadinha na seção “folclore”, onde sempre há alguns CDs de música brasileira… fiquei lá, grudada nos computadores, mesmo sem ter planejado uma compra logo agora, ainda mais agora que acabamos de chegar de férias. Mas…. Como o Media Markt está com uma promoção de 30 meses sem juros, e como eu achei “o” computador dos meus sonhos, resolvi me deixar ser seduzida por aquele que será meu companheiro de escrita de agora pra frente. Mas a sedução está sendo lenta, daquelas boas. Pois o problema é que não pude trazê-lo pra casa, já que tinha retirado meus cartões de banco de dentro da carteira na Espanha, como medida de precaução, e não tive como comprovar minha conta de banco, sendo que teremos que voltar lá amanhã para buscá-lo. Já comecei a pensar em um nome pra ele (apaixonada, eu?!?), pois na nossa família todos que são “queridos”, sendo animal, gente ou coisa, têm nome, como todos carros que os meus pais tiveram, os animais do sítio do meu pai (ele tinha uma cabra chamada “Gretchen”, quem se lembra daquela cantora? ;-)), o meu carro (“Brasileirinho”, por ter as cores do Brasil, sendo verde/amarelo por fora e azul por dentro) e por aí vai. O Matthias sabe que escolho minhas coisas pelas cores, e não pela potência ou qualidades técnicas, mas assim como quando escolhi meu carro e me apaixonei por suas cores, tendo um amigo do lado para me dizer que a potência e o custo-benefício estavam bons, tive hoje o Matthias para me dizer que meu próximo computador poderá me acompanhar por alguns anos. Ele já tinha me avisado que este aqui, um PC de uns 6 anos, já morreu e eu não o deixava partir e eu tenho que lhe dar razão.

E como foi a Espanha? Ótima! Estivemos entre a fronteira da França e Barcelona, na região da Catalunia. Adoro aquele jeito internacional daquele povo, que fala catalão mas traduz tudo sempre para o espanhol, francês e alemão, sendo que nas duas últimas línguas por causa dos turistas. Aquela é a região onde o Salvador Dalí nasceu, e eu sou louca por sua arte, sempre se reinventando em si própria. Finalmente visitamos sua casa em Portlligat, pertinho da “Ouro Preto com mar”, a cidade de Cadaqués. Neste dia tivemos um pequeno acidente com o carro, mas como diz a minha mãe, quem não tem nada para perder, perde a vida”. Estava ventando muito na região, o vento Tramontana, que é o vento que vem dos Pirineus, fazia com que não pudéssemos curtir muito uma praia, mas nos dava de presente um sol azulaço e muito, muito, muito sol. Acho que recarreguei as baterias para todo o ano, de tanto sol que pegamos. E o melhor foi que bem no comecinho das férias fomos por dois dias a um parque de diversões imenso e muito legal, o PortAventura perto de Tarragona, e por termos aproveitado as muitas atrações (inclusive uma montanha russa com 7 loopings) e muitos shows lindos dos parques temáticos do Mediterrâneo, Polinésia, China, México e Western, achamos que nossas férias deram uma “espichada” e ficou parecendo que estivemos 4 semanas fora. Quase no finalzinho visitamos um outro parque chamado Family Fun Park, onde também passamos um dia legal com a família do Matthias, que mora em parte lá e nos recebeu super super bem.

Constatei que a Espanha tem um brilho e um sol que me estavam fazendo muita falta. As cores são mais intensas, o dia é muito mais claro, e eu sou totalmente dependente de cores e de luz. Talvez por minha alma cigana já estar precisando de mudar de perspectiva, pensei até que gostaria de morar lá (nem que fosse por uns meses durante o ano). E os vinhos, os frutos do mar, os azeites de oliva, a salsicha Fuet, os bocadillos (sanduíches deliciosos para todos os gostos)??? Compramos dois vinhos brancos, um que me fazia dormir logo depois de dar duas ou três bicadas no copo, que eu aliás só bebia misturado com muita água, e outro moscatel, que me deixava feliz e levinha. Se eu morasse na Espanha, iria beber muito mais vinho! A Espanha, como não poderia deixar de ser, está passando pela mesma crise e pelos mesmos problemas enfrentados aqui na Alemanha: alta taxa de desemprego, principalmente de jovens (um a cada três está desempregado), inflação, problemas ligados à imigração, crise no setor imobiliário… Lendo os jornais, percebi que lá há muito mais mortes e agressões entre casais. Quase todo dia se podia ler sobre um homem que agrediu – ou matou – sua mulher. Quis saber por que, e me disseram que o espanhol (sem generalizações, claro) ainda é muito machista.

Minhas férias em relação ao mundo começaram a terminar no dia em que fiquei sabendo da caída do avião da Air France. Na última vez que fomos ao Brasil, também fizemos a viagem com esta companhia, mas pela rota São Paulo-Paris. Mesmo assim dá um frio na barriga pensar que poderíamos ter sido nós os mortos naquele acidente. Uma alemã daqui de pertinho do Bodensee estava no avião, uma espanhola da região da Catalunia, que voltava de sua lua de mel no Brasil, também estava naquele avião. O mundo dividiu a dor e o medo também passou pertinho, mesmo para mim que sempre tive muitíssimo prazer em voar. Li demais e me informei sobre muitíssimos detalhes dos perigos da aviação, e na realidade acho que a Air France ainda tem muito a pesquisar e explicar, para que possamos saber realmente as causas do acidente. As 32 nacionalidades envolvidas no acidente e as pessoas que foram separadas de seus entes queridos de maneira tão trágica merecem explicações exatas do que aconteceu durante aquele voo. Felizmente, com a liberdade de imprensa de hoje em dia, chegar-se-á aos fatos, espero. O fato é que no momento perdi a confiança de voar com Airbus, até que se prove que este tipo de avião é realmente seguro.

O Matthias me contou hoje que um vizinho do nosso prédio ficou todo feliz e aliviado ao ver nosso carro chegando no sábado, pois ele ouviu do acidente com a Air France e teve medo de que tivéssemos ido de férias para o Brasil. Bonitinha a atenção dele, não é mesmo? 🙂


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