Posts Tagged ‘família’

::Trabalhar ou não trabalhar na Alemanha – eis a questão::

24/02/2017

Um texto escrito para brasileiras na Alemanha

Saiu um estudo recente da OECD mostrando que a Alemanha é um dos países onde as mulheres mais trabalham em período parcial. Na Alemanha, 70% das mulheres trabalham, e dentre elas, 30% em período integral e 40% em período parcial. Uma taxa de trabalho em regime parcial maior do que na Alemanha (dentre os países que fazem parte da OECD) só pode ser encontrada na Holanda e na Áustria. A bem da verdade, em alguns países como nos EUA ou na Suíça esta opção de trabalho parcial, além de muitas outras que facilitam a reinserção da mulher no mercado de trabalho, praticamente não existem, e muitas mulheres acabam parando de trabalhar por não terem condições de encontrar uma maneira de se reequilibrarem na corda bamba da vida como mães e profissionais.

Com relação à possibilidade de trabalho parcial na Alemanha, há muitas observações, a seguir:

– Esse é um direito garantido por lei na Alemanha para empresas acima de 15 empregados (Teilzeitgesetz). Uma mãe (ou pai) que requer, depois do Elternzeit (licença de 1-3 anos que se pode tirar para cuidar do filho), um regime de trabalho parcial, só pode ter seu pedido negado pela empresa por motivo de força maior;

– O mercado de trabalho alemão é realmente muito flexível e existem empregos de todos os tipos e constelações imagináveis, de poucas horas, algumas horas em alguns dias da semana ou no final de semana, com período limitado de duração, etc. – cada um monta seu esquema da maneira que lhe apetece;

– Observe-se que trabalhos em regime parcial são muito concorridos! Há muitas mães, muitas delas altamente qualificadas, buscando o mesmo tipo de trabalho: de preferência 4 horas por dia, durante o período da manhã;

– Como é de se esperar, o salário oferecido para trabalhos em regime de tempo parcial não é significativo e muitas vezes até menor (em termos de salário pago por hora) do que o salário pago para pessoas trabalhando em tempo integral. Portanto, caso apresente sua proposta de redução de carga horária, observe a regra de três!

– A consequência lógica, no caso de um salário baixo, é que as contribuições para a aposentadoria também serão baixas, e aí moram perigos bastante grandes! Há casos de separação onde a mulher fica desamparada no presente e a aposentadoria mais tarde terá um valor reduzido, muitas vezes não sendo suficiente para (sobre)viver. Acompanhei também o caso de uma senhora que sempre trabalhou em período parcial, seu marido faleceu aos 60 anos e ela se viu de um dia para o outro com uma renda bastante reduzida, pois como viúva tinha direito a parte da aposentadoria do marido, que ainda não tinha completado os anos necessários para uma aposentadoria normal, e o que ela recebia como salário em tempo parcial ainda era tomado em consideração para o cálculo de sua aposentadoria como viúva!

– Por último, acrescentaria a lógica de que um trabalho em período parcial ajuda a driblar o dia-a-dia, mas pode impedir o crescimento profissional, pois tarefas mais complexas geralmente exigem mais dedicação do funcionário. E sem o desenvolvimento profissional, o salário tende a ser o mesmo por muitos e muitos anos, com pouquíssima probabilidade de aumento de remuneração.

Mesmo tendo consciência de todos esses pontos, eu trabalhei durante os primeiros anos de vida do meu segundo filho no regime de 80% (de segunda a sexta, de 8 da manhã às 2h da tarde). Considero que foi um período muito bom, que me permitiu acompanhar meu filho de perto, me deu tempo para observar e realmente aprender a acompanhar as mudanças da natureza e me fez aprender a respeitar todas as mães: as que ficam em casa por opção, as que vão trabalhar em tempo parcial e as que, como eu, voltam a trabalhar em período integral.

As dificuldades encontradas por uma mãe que quer voltar ao trabalho, ainda mais em um país estrangeiro, são enormes. O idioma, a cultura, o sentimento de culpa, as dúvidas… A lista seria interminável. Eu diria que há vários pontos que contribuem para a decisão de voltar ao trabalho, mesmo tendo filhos pequenos:

– Você não perderá o contato com seus colegas e se manterá em dia com relação à tecnologia e aos sistemas empregados na empresa;

– Se manterá atualizada na sua área;

– Não terá que explicar um buraco no seu currículo mais tarde;

– Continuará contribuindo para sua aposentadoria;

– Terá chances contínuas de aumentos salariais;

– Manterá (nem que seja em parte) sua independência financeira;

– Encontrará, mesmo que depois de muita procura, paciência e grande antecedência de planejamento, uma rede para dar suporte ao dia-a-dia e aos períodos de emergência, formada por jardim de infância, creche, KiTa, Tagesbetreuung (cuidado diário depois do final das aulas com acompanhamento escolar e almoço), escola, professores, Tagesmütter (mães que se dispõem a cuidar de outros filhos, se formam e se organizam em associações), ajuda governamental nas férias escolares, parentes, amigos, etc. Já dizia um ditado africano que para se cuidar de um filho, precisa-se de um povoado inteiro! E mesmo o governo alemão dá bastante suporte através de programas como o Elterngeld, 10 dias de licença por ano no caso de filhos doentes (comprovadas pelo médico), previstos por lei tanto para mães quanto para pais, além de vários outros programas e leis.

Assim que tiver tomado a decisão do que é melhor para a sua vida, junto do seu parceiro, e de como irá organizar seu dia a dia, como e quando irá trabalhar, terá por certo que ter respostas afiadas e treinadas para todo tipo de pessoa que quiser se intrometer em sua vida e lhe ensinar o jeito «certo» de viver. Quando eu trabalhava em tempo parcial, vivia recebendo comentários de funcionários que queriam também sair mais cedo do trabalho, e me diziam que eu tinha uma «vida boa». Até que eu disse que todo funcionário tinha o direito de solicitar um trabalho em meio período, mas tinha também que aceitar metade do salário. Pronto, os comentários chatos se foram!… E quando trabalhava em tempo integral e meus filhos ainda eram pequenos, recebia comentários do tipo «coitada de você, que tem que trabalhar!» e minha invariável resposta era «coitada por que, se eu trabalho porque gosto?» Terá que organizar seu dia a dia para dias normais e alguns tantos anormais, tais como doenças, imprevistos, etc. Alguns dias não vão dar certo e seus planos vão ir por água abaixo, portanto será necessário aceitar que não há planos sem falha e não há perfeito sem defeito. Terá que relativizar seu sentimento de culpa, crescer na adversidade e descobrirá que todo ser humano tem suas dúvidas, mesmo as mães que ficam em casa, não só as que deixam seus filhos na escola todo dia para ir trabalhar. Terá que se organizar para garantir a comunicação dentro de casa, os momentos qualitativos (e não quantitativos) com seus filhos e a divisão de tarefas com seu parceiro. Não será uma questão dele lhe «ajudar» em casa, pois divide o mesmo chão com você, assim como seus filhos. Juntos, em casa, serão um time cooperativo onde todo mundo tem que ajudar.

Eu tenho plena consciência de que escolhi um caminho árduo, mas que vejo ser recompensado pela independência dos meus filhos e pelo meu desenvolvimento profissional. Tenho plena consciência também de que vários caminhos levam a Roma e não há um jeito único e certo de viver e de educar filhos. Respeito todas as opções, ao mesmo tempo que dou grande força para as mulheres que querem crescer profissionalmente e conquistar seu lugar ao sol como mães e profissionais, pois tempo trabalhado significa maior independência financeira hoje e sempre, além de garantia de aposentadoria mais tarde.

Fonte: Artigo do jornal Die Zeit sobre o estudo da OECD datado de 20/02/17, primeiramente lido e discutido no grupo Mães Brasileiras na Alemanha do Facebook.

::Eterna dor de expatriado::

16/04/2016

Achei esse poema na internet, cujo título na realidade é “Me perdoem por estar tão longe”, mas tomei a liberdade de intitular este post como “Eterna dor de expatriado”, pois foi esse sentimento, nu e cru, que o poema me passou. E que acho que muitos vão sentir o mesmo…

Poema de Ruth Manus

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Me perdoem por estar tão longe

E por tentar estar presente com tão pouco. 

Venho pedir que me desculpem

Por todos os dias em que eu não estou

Por todos aniversário aos quais eu não vou

Pelas tantas vezes em que a ligação falhou

Por ter que ser tão menos do que realmente sou

 

Venho dizer o quanto sinto

Por todos os almoços em que meu lugar sobra

Por ainda não ter visitado a casa nova

Por não ter ajudado com as coisas da obra

Por tantas vezes colocar o amor de vocês à prova

 

Eu juro que queria

Queria ter ajudado a sarar todas as doenças

Queria poder ser verdadeira presença

Queria segurar aquelas sacolas imensas

Queria fazer massagem nas suas costas tão tensas

 

Venho me desculpar

Por todos os copos de água que eu não busquei

Por toda louça suja que eu não lavei

Por todas as piadas que eu não contei

Por todas as dores que eu não abracei

 

Eu juro que queria

Segurar os cabelos de quem vomitava

Segurar o elevador para quem demorava

Segurar a onda de quem tanto chorava

Segurar as mãos sem precisar dizer nada

 

Me perdoem

Por ser uma imagem na tela do celular

Por ser um áudio que eu nunca termino de gravar

Por ser uma história que nunca dá tempo de contar

Por ser uma ausência com a qual vocês aprenderam a lidar

 

Me desculpem

Pelos tropeços dos quais não ri

Pelos pensamentos que eu não li

Me desculpem

Por saber o quanto minha falta dói por aí

E por não saber fingir

Que ela não dói

Igualmente

Sempre

E tanto

Aqui.

 

::Início do ano letivo na Alemanha::

19/09/2014

Enquanto os escoceses estavam decidindo sobre o destino da Escócia, ontem e hoje foi o início do ano letivo aqui na Alemanha, que vai até o final de julho do ano que vem. Este ano tem muita gente conhecida indo pra escola, inclusive meu sobrinho fofo, além do Miguelzinho, filho da minha amiga blogueira Liza Delirantemente Feliz e de seis colegas de trabalho, três dos quais na mesma escola e na mesma sala! A garotada ganha esses cones enormes, cheios de guloseimas e presentinhos e no primeiro dia de aula as crianças a partir do segundo ano primário fazem uma homenagem aos recém-chegados. Depois os alunos vão para a sala de aula e os adultos ficam esperando por eles, p.ex. tomando café e comendo bolo. E quando os “baixinhos” voltam, as famílias costumam tirar fotos em conjunto e muitas se reúnem em casa ou em restaurantes com familiäres e amigos para comemorar o dia. É uma festa só! Mas também é como os alemães costumam dizer: “Jetzt fängt der Ernst des Lebens an!” (Agora vai começar a parte séria da vida!).

Se quiser ler mais sobre este e outros detalhes da cultura alemã, e saber como é viver e trabalhar na Alemanha, indico o meu livro, o Mineirinha n’Alemanha, reunião de mais de 20 anos de Alemanha e de 10 anos como escritora e blogueira. O livro está disponível tanto no Brasil quanto na Alemanha, e pode também ser enviado pelos Correios para qualquer canto do mundo, além de ser oferecido também no formato e-book.

::Pensamento do dia – Das fronteiras físicas e imagináveis::

11/07/2012

“Meu sonho é apagar as linhas dos mapas, derrubar fronteiras, muros, barreiras que separam pessoas, países, mundos, corações. É morar numa casa única, de respeito, comunhão e amor, onde quer que estejamos.”

Lílian Miranda Costa, minha prima-irmã

“Mein Traum ist die Linien der Landkarten, Grenzen und Mauer zu löschen weil diese Menschen, Länder, Welten und Herzen trennen (können). Ich würde gerne in einem einzigen Haus (Welt) leben, mit Respekt, ehrlichem Austausch und Liebe, unabhängig davon wo wir uns befinden”.

Lílian Miranda Costa, meine Cousine-Schwester

P.S.-Não fiquei muito satisfeita com a tradução em alemão. Se tiver sugestões, elas serão muito bem-vindas!

::Domingo de neblina forte::

16/01/2011

A Taísa me pediu pra levá-la na casa de uma amiga. O gatinho da amiga morreu ontem à noite, ela está inconsolável e ainda tem que preparar uma tradução do inglês pro alemão pra escola e precisa da ajuda da minha filha.

No caminho, brinquei com minha filha e disse que na realidade quem tinha que ser levada e buscada lá pra casa seria a amiga e não ela, pois é ela que precisa da Taísa, e não o contrário. Mas os pais desta amiguinha da Taísa são meio complicados e não a ajudam em muita coisa, o gatinho dela morreu, eu gosto muito dela… Então saí de casa, no meio de uma neblina sem visão nenhuma a mais de 10 metros de distância, pra levá-la de carro na casa da amiga do outro lado da cidade. Que presente! Ao sair, o sol era uma bola branca, escondida por trás da neblina que envolve no momento a região do Lago de Constança. Um pouco mais a frente, vi o céu azulzinho despontando do lado direito, oposto ao lago. No caminho, eu e a Taísa conversamos sobre animais. Ela disse que imagina que vai chorar muito mais do que sua amiga quando o Tigre nos deixar. Eu disse que o Tigre (ou Tigger, seu nome em alemão, nosso gatinho) me ensinou muita coisa, dentre elas que um animal é sim tão importante quanto um ser humano, o que pra mim, fruto da minha educação no Brasil, antes dele não era verdade. A Taísa comentou que pra ela vale o que o filme “Marley & Eu” mostra: que os bichos amam sem esperar nada em troca, sem analisar antes se a pessoa é ou não digna de seu amor, independente da condição social, roupas, atitudes, etc. Ela concluiu que vendo-se por este lado, um animal é mais até do que um ser humano, porque somos cheios de preconceitos. Meus olhos se encheram d’água com este comentário dela!

Ao voltar pra casa, fiz o que sempre gosto de fazer: me deixar levar pela minha vontade do momento, e voltei por um caminho que não era o principal, na expectativa de conseguir sair um pouquinho da neblina. Alguns metros à frente, a surpresa: sol por todo lado, céu azul, lua brilhando do outro lado. Pensei, feliz, em como a vida e a natureza se misturam: quando menos esperamos, e muitas vezes se mudarmos só um pouquinho de perspectiva, sairmos da “fumaça” do momento e já teremos uma outra perspectiva, muitas vezes até 100% diferente da anterior.

Cheguei em casa feliz. Às vezes, quando pensamos que estamos ajudando outras pessoas, estamos muitas vezes fazendo algo de bom para nós mesmos.

P.S.-Por “acaso”, este e este foram os textos que li ao fechar meu blog, logo depois de ter escrito este texto. Bom domingo!

::Série de vídeos sobre a geração de 30 anos na Alemanha::

15/01/2011

Achei também na página da “Der Spiegel” uma série de vídeos que mostra vários alemães na faixa de 30 anos e mostra como eles são, o que pensam, o que os diferencia da vida dos pais, quais são seus medos com relação ao futuro.

Dentre os entrevistados, as mulheres entrevistadas sao bastante diversificadas e dão uma boa orientação quanto a como vive uma mulher jovem na Alemanha atual. Em geral, hoje em dia, elas querem ter sucesso na profissão e construir uma família, mas sentem-se divididas entre tantas responsabilidades, muitas vezes conflitantes. Os filhos acabam chegando bem mais tarde, muito depois dos 30, principalmente porque elas querem alcançar muito antes de se tornarem mães e porque nem toda cidade tem um apoio bom para as famílias, por exemplo com creches e escolas de período integral.

Os jovens vivem bem mais livres, sao mais abertos, aceitam melhor as mudanças e sabem que a vida nao será como a dos pais, que aprenderam uma profissão e ficaram nela, muitas vezes até na mesma empresa, até a aposentadoria. A vida globalizada de hoje exige muita capacidade de adaptação, flexibilidade para acompanhar as mudanças rasantes, nao só tecnológicas, e uma abertura para o futuro, que muitas vezes não vai ser tal como planejado.

::Choque no Facebook::

14/12/2010

O Facebook, FB para os íntimos, virou artigo de primeira necessidade pra muitos, pra uns mais, pra outros menos. Os jovens aqui da região onde moro estão todos por lá, e passam horas visitando os perfis dos amigos, recebendo e enviando mensagens, papeando no “chat”, etc. O número de amigos é imenso (200-300 pessoas no mínimo). As fotos, fantásticas. O conhecimento das ferramentas do programa: avançado. Eu, da minha parte, visito o FB com relativa frequência: trata-se de uma visitinha rápida quando eu passo pelas novidades no meu perfil, faço um comentário aqui, outro ali e de lá vou pro perfil da loja do Matthias, o “XGames Radolfzell“, pra divulgar alguma promoção e estar, junto com ele, em contato com os clientes.

Ontem, lá pela 1h da madrugada (eu sei, eu deveria aprender a ir mais cedo pra cama, mas não sou de ir dormir cedo!), resolvi dar uma passadinha rápida no FB pra me atualizar das novidades antes de desligar o meu computador e ir pra cama. E eis que arregalo os olhos perante uma notícia inesperada, que comuniquei imediatamente pro Matthias. O anúncio estava em palavras claras e simples no meu perfil: “Taísa Santos está se relacionando com xx Dörfer”! Quer dizer então que minha filha tem um namorado e não me contou! O 1° namorado! Mil e um pensamentos circulavam na minha cabeça como um turbilhão… Ah ha, então esta é a modernidade, onde os pais são informados pelo FB sobre o namoro dos filhos! Não hesitei: procurei o perfil do tal menino, dei uma olhada em algumas fotos e constatei quem ele era, que o namorico tinha começado supostamente ontem mesmo, etc… Pensei num outro carinha da sala dela, muito simpático, e senti por não ser ele o “escolhido”. Minha reação? Mandei pra ele um convite pra ele ser meu amigo, sem maiores comentários!

Há alguns meses atrás o FB tinha me mandado uma mensagem afirmando que achava que eu conhecia meu irmão, vê se pode, e perguntou se eu queria ser amiga dele! Pois então, isso já tinha sido demais, imaginem agora a novidade do momento! Como já era tarde da noite quando fiz a descoberta, não tive como conversar com a Taísa ontem à noite mesmo. De manhã o tempo é curtíssimo, mas pensei que poderíamos conversar no carro, quando a levaria para a escola. Quando a acordei de manhã, ela me disse que iria pro colégio junto de uma amiga, e por isso ela não iria pegar carona comigo, podendo dormir mais um pouco. Dado que ela é praticamente incomunicável quando acorda, a conversa ficou mesmo pra noite.

Durante o dia os pensamentos neste sentido foram tomados por vários probleminhas pra resolver no trabalho, tendo sido interrompidos pela hora do almoço, quando me encontrei com o Matthias, meu marido. Eu e ele fizemos vários comentários de como a vida está ficando doida, meu Deus, imaginem uma máquina me avisando que nossa filha tem namorado! No domingo mesmo eu estava comentando com uma amiga que achava que ela estava prestes a arrumar o 1° namorado, mas não imaginava que iria ser “tão de repente” assim. Meu marido chegou até a brincar, dizendo que a partir de agora ela precisa de cinto de castidade e vai ficar 3 anos presa em casa. Tudo na brincadeira, claro, mas a novidade do dia tinha mesmo nos deixado meio “fora do ar”. Acho que nos sentíamos naquela hora como todo pai se sente quando fica sabendo do 1° namoro do filho: meio perdidos, um tanto quanto “velhos”, um misto de um pouco de alegria e um pouco de receio no ar.

Depois do trabalho, fui levar o Daniel pra cortar cabelo e ele ficou aliás super gatinho de cabelo curto e de óculos! 🙂 Chegando em casa, tinha um senhor medindo o consumo da nossa calefação: nada de conversa. Como ela não tocava no assunto e eu também não, e já que o Matthias estava prestes a chegar em casa, resolvi esperar por ele pra podermos conversar com ela na presença de nós dois em casa. Dito e feito e conforme o planejado, o Matthias foi logo ao ponto ao entrar dentro de casa:
– Boa noite, senhora… – e se virando pra mim – Como era mesmo o nome dele?
– Dörfer! – respondi.
Ele, imediatamente:
– Boa noite, senhora Dörfer!

Ela riu com um sorriso meio amarelado no caminho pro quarto dela. Não disse nada. Ao voltar, explicou que era uma brincadeira dos dois, e que eles tinham feito isso só pra espantar umas 3 meninas que estavam atrás do dito cujo e pra que elas o deixassem em paz. Pode uma coisa dessas? Bom, ufa, o namoro só existe então no mundo virtual! Ficou pra próxima, pausa, tudo voltou ao normal. Deus meu, estou envelhecendo. Minha filha está se transfomando em mulher e saindo de vez debaixo das minhas asas. Ela não estava me escondendo nada, mesmo porque não tinha razão para tanto, pois somos amigas. Nada mais do que um dia normal como outro qualquer. A novidade era só uma brincadeira.

Pra compensar o choque de ontem, acabo de entrar no FB e achar esta figurinha aqui:

Obrigada, Ceci! O que seria da Mineirinha sem você? Nada como um dia depois do outro!!!

P.S.-Update, 15.12.10: Hoje a Taísa contou que o suposto namorico já foi apagado do mundo virtual sem deixar vestígios. Rapida ela, heim?

::40 dias de dor de cabeça::

08/02/2010

Faltam só 40 dias pra eu sair dali, tô contando nos dedos. Relembro cada coisa boa, as amizades que fiz, aprendi pra caramba, mas o finalzinho está sendo muito “inho”. Desde a semana passada uma das minhas reações psicosomáticas está me deixando praticamente sem conseguir pensar a partir de umas 11 horas da manhã: uma dor de cabeça bem chatinha, daquelas que te põe um pouco tonta e te tira toda a capacidade (já não muito grande) de concentração. Eu me sinto como se estivesse em uma cela, rabiscando na parede aqueles pauzinhos, sempre 4 com um risco horizontal (uma semana a menos, ufa!). Ao mesmo tempo me faltam forças para me candidatar para outro emprego, enquanto sonho com algo próprio. Desde que descobri que há 5 anos atrás foi a última vez que tive tempo “E” dinheiro para ir ao Brasil por mais do que por 3 semanas, enfiei na cabeça que vou tirar umas férias e fico achando que nenhuma empresa vai ter compreensão com uma viagem no começo de um contrato. Se bem que… na empresa onde trabalho aconteceu exatamente isso: mudei de emprego, o chefe sabia que eu já estava com passagem comprada pro Brasil, e acabamos acertando que eu iria uma semana para São Paulo para ajudá-lo a fazer pesquisa de mercado. E se eu achasse outro chefe feito aquele? E se eu lesse as ofertas de emprego que acho com um pouquinho mais de animação? Talvez eu esteja me impedindo de conseguir algo legal, simplesmente por não tentar. É, isso pode ser. Remédio: tirar fotos, arrumar meus papéis, encontrar no fundo do meu ser a pessoa que não deixa a peteca cair (e se deixar, pega a peteca rapidinho sem que os outros percebam). Ai, preciso de umas férias!…

Eu adorava ler o blog de uma brasileira que morava sozinha em Londres, ela tinha um emprego e uma vida bárbaros, super badalada, mas vivia na base do Prozac. Ela escrevia maravilhosamente bem e foi com ela que conheci o mundo dos blogs, lá pelos idos de 2003 (sim, estou ficando velha!). Um dia eu entrei no blog dela e ele tinha desaparecido. Ela apagou tudo, uma pena mesmo. Pois ela vivia dizendo que toda pessoa morando no exterior deveria ter um “botão mãe”. Deu problema? Aperta no botão. Tá em dúvida? Idem. Quer um conselho? Nada como o tal botão! Ai, como uma mãe perto da gente faz falta, né? Então dá licença, eu vou ali apertar o botão (do telefone) e ligar pra mamãe!

::Mais uma semana em Munique::

30/01/2010

Dando continuamento ao meu curso de formação como European Business Coach, estive em Munique durante a semana passada. Desculpem-me pelo atraso em responder os comentários! Há tanta coisa que se pode aprender e vivenciar em uma só semana:
– Como faz frio em Munique! Se minha irmã não tivesse me emprestado uma meia-calça de inverno, eu teria congelado no caminho diário de ida e volta do curso, tendo escorregado várias vezes na neve. Munique parece outro país no que diz respeito à limpeza das ruas enquanto neva. Aqui na região onde moro todo mundo corre lá fora e limpa pelo menos um pequeno caminho na frente das casa para garantir que não aconteça um acidente e que ninguém escorregue na neve (o responsável pelos danos é sempre o dono do imóvel). Em Munique, pelo menos na parte central da cidade, quem cuida dos passeios é a prefeitura e ela não conhece outro método a não ser “amassar” a neve, o que deixa o transitar pela cidade bastante perigoso. Há anos não sentia tanto frio como por lá! Enfrentei quase 10 graus abaixo de zero… Por outro lado, que bom que não estive/moro no norte da Alemanha, pois lá o inverno está bem mais rigoroso que aqui no sul!
– Como é bom ter família por perto! A Rê e o Rô tiveram o maior carinho comigo, apesar da gravidez da minha irmã e do Mimi, meu sobrinho, ter estado doentinho esta semana. Ela fez cada jantar mais delicioso e bonito e cuidou tão bem de mim que me senti praticamente em casa! 🙂
– O telefonema diário com a família fazia com que fosse possível ir acompanhando as novidades. O Daniel mentiu praticamente pela 1a. vez esta semana e teve uma vergonha danada ao ter que contar o que fez (jogou água na cama e disse que tinha feito xixi, mas a calça estava seca). Segundo minha experiência o fato de uma criança ter que se expor para se explicar é o que mais conta na educação, pois isso emociona e marca.
– Eu fiz uma viagem enorme dentro de mim mesma esta semana! Eu ainda não tinha noção de que o trabalho do coach tivesse tanto efeito e que fosse tão poderoso! Eu presenciei e constatei este fato tanto em mim quanto em outros participantes do meu curso. Sinto-me crescendo constantemente como pessoa e no caminho em busca de mim mesma – e gosto do que vejo, aprendo a cada dia um pouco mais.
– Durante a semana minha boa amiga brasileira Lu me ligou pra contar que finalmente passou na prova para se tornar professora de ginásio – segurem-se em suas cadeiras – de alemão e de espanhol. Parabéns, Luluca Gomalina!!! Ela tinha tido um bloqueio na última prova oral e não tinha conseguido terminá-la. Com isso ela percebeu que não bastava dominar o conteúdo, mas que o mais importante era dominar as emoções e acreditar nela mesma para chegar no objetivo de se tornar professora de ginásio na Alemanha, o “filho” mais difícil que ela gerou em toda a sua vida. Para minha alegria, ela finalmente passou na prova, o que me deixou cheia de orgulho, pois ela merece, só posso dizer que ela merece, e muito. Acho que deve ser a única professora brasileira que está apta a dar aula de alemão em ginásio aqui por estas bandas. O que me deixou um tanto boquiaberta foi constatar que as conversas que tivemos, durante as quais a ajudei a controlar o nervosismo e acreditar mais em si, buscando, analisando e eliminando o efeito das causas para o bloqueio que ela tinha tido devido ao medo exacerbado da mesa examinadora, tinha sido na realidade um coach que usei instintivamente, mesmo antes de aprender um método. Um dia depois da boa notícia, aprendi uma técnica para eliminar bloqueios no meu curso de Business Coach e percebi que já a tinha aplicado no caso da minha querida Lu. E o melhor: tive a prova de que ela funciona! Lu: estou muito feliz por você e super orgulhosa pelo seu sucesso! Você sabe que eu sempre acreditei em seu potencial e que tinha certeza que iria alcançar o que tanto queria. Estou mesmo transbordando de felicidade e orgulho por você!!! Parabéns, minha amiga!
– Como é bom voltar pra casa! Ganhei de cara uma recepção maravilhosa. Apesar de ter chegado tarde da noite, o Matthias foi me buscar na estação de trem com um beijo e um sorriso no rosto, a Taísa estava ajudando a acabar de fazer o jantar e o Daniel se jogou no meu colo dizendo “ich liebe meine Mama” (eu amo a minha mãe). Nem precisa dizer que eu adorei estar de novo em casa, não é mesmo? 😉
– Um envelope esperava por mim aqui em casa: minha demissão. Eu já sabia que ela ia chegar, portanto não foi surpresa nenhuma para mim. Acho que devo ser uma das poucas pessoas que recebe sua demissão e fica satisfeita com ela. Isso porque eu sei que chegou a hora de mudar profissionalmente, em busca de mim mesma e mais próxima ainda da vocação que vejo para mim mesma de ser uma ponte entre pessoas e culturas. Estarei recebendo uma grande parte do meu salário até o final deste ano, e poderei fazer mais um curso pago pela empresa, além de ter apoio para a busca de um novo emprego. No momento penso em fazer mais um curso para dsenvolver métodos para dar treinamentos interculturais e passar minha experiência para frente no campo da diversidade. Estou aberta tanto para me tornar business coach e treinadora intercultural tanto quanto para buscar um novo emprego. Não sei hoje o que o futuro próximo me reserva, mas uma coisa é certa: tenho um bom pressentimento, confio em mim e no universo.

::Primeiros Socorros::

22/06/2009

Estava mais do que claro que a pessoa para quem eu iria prestar Primeiros Socorros seria o Dani, meu filho, que é um super doce de coco, mas é altamente arteiro… E assim foi! Hoje de manhã ele abriu uma gaveta na cozinha, muito rapidamente enfiou os dedinhos exatamente numa cortadora de legumes muito afiada e ao tirá-los saiu uma sangueira danada… Percebi que não tinha nada em casa pra conseguir fazer o sangue parar e desci correndo para pegar o meu kit de Primeiros Socorros do carro, cuidei dos dois dedinhos machucados e fiquei aliviada! O curativo se soltou à tarde, eu e Taísa fizemos um mais bem feito, que aguentou a movimentação do “destruidor de casas e corações“ durante a tarde toda e espero que as feridas se fechem até amanhã. Ufa!


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