Posts Tagged ‘férias’

::Passar férias em Balkonien::

23/02/2014

Achei que já tinha escrito algo sobre este tema, mas o meu sistema de busca me informou o oposto. Então vamos lá.

Pode lhe ocorrer de perguntar pra um alemão como foram suas férias e ouvir dele algo assim: “Foram ótimas, passei o meu tempo livre em Balkonien!” E com certeza, se você ainda não souber do que se trata, pensará: “Que raio de lugar é esse?!?”.

Pois então, agora chegou a hora de tirar o suspense: Balkonien é o lugar onde passei toda a tarde de hoje. É o nome dado pelos alemães para a sua varanda (= Balkon, em alemão). Fica parecendo uma cidade ou um país, não é mesmo?!? O costume de passar o tempo livre lá e encará-lo como um tempo de férias do dia-a-dia é tão comum, que ganhou até substantivo próprio. Há até livro pra ele, como se fosse um livro de turismo, dando dicas e tudo o mais do que fazer por lá! Curta você também o seu Balkonien com a chegada do sol! 🙂

O mais engraçado no caso deste livro é o que está escrito na capa: férias dos sonhos em 4m2: deitar na espreguiçadeira, apreciar um bom cappuccino e (quase) ninguém que encha o saco. 😉

::Diário de um alemão::

07/09/2011

Nasci numa família até legal, mas por falta de espaço na casa da minha mãe fui levado, junto do meu irmão, pr’um orfanato. Lá acabamos não ficando muito tempo. Por sorte uma outra família nos escolheu e nos levou pra casa deles. Porém, a sorte não nos acompanhou por muito tempo, pois pouco depois perdi meu irmão através de um acidente e fiquei sozinho naquele apê, logo durante um mês em que uma parte da família estava passando férias no Brasil. Quando voltaram, não suportaram minha tristeza e me apareceram com um novo camarada com quem tive que dividir meu pedaço, pra quem deram o nome de Aladar. Ele não conseguiu ficar muito tempo comigo, pois eu fiz a vida dele virar um inferno. Se ele achava que seria fácil tomar meu espaço, ele estava completamente enganado! Mostrei logo pra ele quem era o rei da praça. Depois de uma operação e um tempo no hospital, resolveram devolvê-lo pra casa de onde tinha vindo. Até cheguei a ouvir que lá ele se transformou e virou outro, calmo, saudável… também pudera, ele não tinha mais que dividir o mesmo teto comigo. Mas tudo isso não chegou a me importar muito, pois afinal eu tinha recuperado o que era meu.

Algumas vezes a vida voltou a ser dura pra mim. Quando tive que ir parar no hospital e voltei de lá sem um pedaço de mim, isso foi mesmo um grande trauma na minha vida. Me colocaram numa caixa e me levaram pr’aquele espaço de horror! Desde então, toda vez que vejo a caixa, parto do pressuposto de que o pior pode acontecer novamente. E isso tudo só por causa de uma pequena rebelião da minha parte! Minha família não entende mesmo nada de genética!

O tempo passou, e outra vez chorei inconsolavelmente quando tive que entrar novamente naquela caixa, mas percebi que todas as minhas lágrimas tinham sido em vão: daquela vez eles só queriam me levar para uma nova casa. Gostei de primeira do lugar, mas depois de algum tempo veio a próxima novidade: minha dona começou a ficar com a barriga cada vez maior, inchou que nem uma azeitona, virou um barril de água que parecia poder explodir a qualquer momento, e por fim ela sumiu por alguns dias, voltando com um ser indescritivelmente incomodante, que me tomou noites de sono e me enchia cada vez mais a paciência quanto mais ele crescia. Por fim acabei aceitando que com o passar dos anos os meninos da minha casa também têm direito a um lugar ao sol, apesar de achar que o sol deveria brilhar, por direito adquirido desde o nascimento, mais pra mim do que pra eles. E principalmente mais pra mim do que pr’aquele pestinha, com quem só consegui fazer amizade depois de vários anos de penúria.

Mas eu não posso reclamar mesmo da minha sorte. A minha família me trata bem, eles me dão comida duas vezes por dia, e se eu encher bastante o saco deles, fingindo que a idade não me permite mais saber se já comi ou não, e principalmente se encher o saco de um de cada vez, acabo ganhando comida mais vezes ao dia. Mas eu tenho que confessar que sou bem chato pra bebida, só gosto de água com sabão ou de privada, pois água “normal” é muito normal pra mim – e de normal eu não tenho nada. Eu passo os dias meditando e dormindo, sou independente e sei tomar banho sozinho. Cuido muito bem de mim e na realidade na hierarquia da minha casa só aceito o meu dono acima de mim, depois de mim vem minha dona e logo depois os filhos dela. Eu tive sorte de crescer ouvindo dois idiomas, alemão e português. Não é todo mundo que ganha um presente destes já de berço, né? Eu reconheço bem este fato. Com o tempo, além da meditação, aprendi um pouco de Reiki, e assim sei retribuir um pouco do carinho que ganho deles, fazendo massagem, prestando Primeiros Socorros e reorganizando o nível de energia da minha família. Sim, eu sou um pouco durão, mas eu tenho que admitir que amo esta família que me pegou no orfanato e desde então sempre me fez sentir uma parte integrante deles. Recebo suas visitas ao lado dos donos da casa, ganho carinho, tenho minha paz e meu espaço. Afinal, a vida até que é bela!

De vez em quando meus donos me aprontam uma ou outra, daí a decepção é às vezes bem grande, às vezes eu posso até suportar. Muitas vezes a decepção é grande para os dois lados, pois eles me deixam sozinho e quando voltam, se assustam com o que aprontei. Quando somem por alguns dias e deixam tudo organizado para o meu bem estar, não tenho muito o que reclamar. Mas quantas vezes já os recebi de cara fechada e precisei de alguns dias pra que eu pudesse voltar ao normal! Com o tempo eles aprenderam e ficaram mais experientes, e eu também fui ficando velho, e tenho a dizer que desta vez eles foram mais espertos do que eu.

A caixa apareceu novamente e eu não queria entrar nela de jeito nenhum, mas por fim não me restou outra alternativa. Eu já estava mesmo notando que eles estavam arrumando as malas, e já tinha entendido que eles iam me levar pra outro canto. Depois de algumas curvas e muito choro fui parar na casa de uma menina até legal, que tentou várias vezes puxar conversa comigo, mas pra mostrar pra ela e pro mundo meu descontentamento eu passei uns 5 dias sem comer. A greve de fome não adiantou nada: eles não voltaram. Por fim eu desisti de passar fome e voltei a comer como antes. A água dela não era a mesma como a lá de casa. A decepção pelo tratamento diferente do que eu antes estava acostumado foi grande, mas tive que me redimir e tomar água normal. Aaaaaarrrrrgggghhh! Não teve outro jeito. Com o tempo descobri que ela tinha uma varandinha e como minha família não voltava mesmo, resolvi ir dar uma espiada no que tinha lá fora pra observar. Durante os primeiros dias até que tinha sol, mas depois a chuva voltou e, como diz meu dono, “neste ano o verão foi numa quinta-feira”. Pensei na minha vida, meditei, fiquei puto, fiquei calmo, chovia, fazia sol, comia, dormia, meditava, dormia, comia, meditava, os dias passavam e minha família não voltava. Cheguei a desistir de voltar a vê-los. Será que eu tinha ido longe demais? Também eu deveria ter percebido a ação deles: a mudança foi feita com todos os meus pertences. Será que eles tinham desistido mesmo de mim? A dúvida chegou a me desorientar e as sessões de meditação foram ficando cada vez mais complicadas e superficiais. Saí do meu centro.

Porém, quando eu não tinha mais esperanças, eles reapareceram! Entrar novamente naquela caixa não foi um problema grande pra mim, o choro no meio do caminho era por causa do meu trauma do hospital. Eu nunca sei se vão me levar pra lá de novo… Mas não: no meio do caminho já pude me reorientar, estava escuro mas eu sabia que estava voltando pra casa. Enquanto voltava, ouvia deles os relatos sobre as férias na Espanha: bom apartamento, boa praia, comida gostosa, visita ao castelo da esposa de um pintor famoso, bons vinhos, bons passeios…. Nem se admira que minha família estivesse mais calma e acima de tudo: com a pele mais escura! Mas eles nunca chegarão ao meu brilho, isso não. Por fim, resolvi deixar todas as mágoas do passado pra trás: ao entrar novamente no meu lar, só sei destribuir carinho pra todo lado, dormir nos meus lugares prediletos, a minha água é a melhor do planeta, a meditação voltou a surtir efeito. De volta pro lar, sou Tiggre, ou Tiggi para os íntimos, o gato mais feliz do planeta!

::Final de férias, início de memórias…::

05/09/2011

::Ninguém é de ferro…::

19/08/2011

… nem eu! Estou saindo de férias e só volto dia 03.09.11. Para aqueles que fizerem um pedido do meu livro até esta data, já vou pedindo desculpas pelo envio atrasado.
Boas férias para todos e até setembro!
Sandra

::Mineirinha de férias::

11/06/2010

Minha querida mamãe está de férias por aqui e portanto estou de férias também, mas continuo atendendo os pedidos de livros, ok?

Abaixo uma fotinha da camiseta que a designer Cecília Palmer fez pra mim, que já foi usada em duas apresentações do livro “Mineirinha n’Alemanha”. Não é uma graça? 😉 A propósito, a Cecília vai estar no Flohmarkt (mercado das pulgas) de Constança no próximo final de semana (12-13/06/2010) vendendo sua arte. Meu livrinho vai estar à venda por lá também (estande no pátio da escola Humboldt, Schottenplatz). Se estiverem por perto, não percam! Vejam aqui fotos do estande do ano passado.

::De férias, pensando na vida::

04/08/2009

Meu amigo de Beagá, Rafael Morais, me mandou um texto lindo do Rubem Alves, que eu não sei se vcs já conhecem mas que vale a pena ser lido! No e-mail ele também escreveu o seguinte:

“Cada dia acredito mais que devemos aproveitar as boas ideias que vem (e que passam muito rapidamente) – ter sabedoria para vislumbrar oportunidades, disciplina para pensar e levar adiante projetos novos, além de organização interna e fé em nós mesmos, acreitar que somos capazes de transformar, de mudar, de sonhar, de permitir abrir uma janela diferente a cada dia em nossa própria casa… e olhar com atenção, amor e fé para os horizontes que se abrem diante dos olhos.”

Sabedoria, Rafa. Queria também dividir com vcs o texto do escritor Rubem Alves:

O tempo e as jabuticabas – Rubem Alves

‘Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de ‘confrontação’, onde ‘tiramos fatos a limpo’.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.’

O essencial faz a vida valer a pena.

***

E aqui mais uma „canja“ do trabalho dele:

“O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem.”
Rubem Alves, 2002

::Meio dia de férias::

02/07/2009

Na realidade eu tenho meio dia de férias todo dia, pois não trabalho em período integral, mas hoje eu me senti como se tivesse tido meio dia de férias mesmo.

De manhã fui trabalhar, levando antes o Daniel para a creche. Tive a maior sorte, pois tinha perdido meu celular (segunda vez em uma semana…) e ele foi encontrado por um colega de trabalho, caído no estacionamento da empresa, foi entregue para a minha colega da recepção, que por sua vez não descansou até achar o(a) dono(a) do celular, no caso eu, a cabeça-voada do dia, hehehehe

Cheguei do trabalho, tendo antes buscado o Daniel na creche, e a Taísa já tinha chegado do ginásio. O Matthias cozinhou. Comemos a família toda um bom prato de espaguete com carne moída e depois ficamos na sala, cada um curtindo alguma coisa. Eu fiquei ouvindo o CD dos 25 anos de Thriller do Michael Jackson, que o Matthias tinha acabado de comprar como recordação do rei do pop. 🙂 Depois saímos para fazer um passeio de bicicleta. Desde o acidente do Daniel, hoje foi a primeira vez que ele tentou descer algumas ruas, pois até hoje ele descia da bicicleta e a empurrava, por puro medo. Hoje ele desceu só uma vez da bicicleta e quem caiu não foi ele, mas fui eu, e duas vezes! Uma vez ele freiou muito forte e eu estava bem atrás dele, da outra ele ficou zanzando na ciclovia e eu perdi o controle da bicicleta, prestando atenção nele. Amanhã vou ter uma mancha na coxa! Mas tudo bem… Fomos para uma cidadezinha daqui de perto que tem o melhor sorvete das redondezas. Passamos uma parte do entardecer na beirada do lago e depois voltamos pra casa, felizes e contentes. Ainda mais com este solão que está aí na Alemanha. Para muitos, com certeza, está quente demais, mas para mim está perfeito!… Andar de bicicleta aqui na região é o melhor pedido para admirar a beleza da natureza. Fizemos um caminho que já tinha feito muitíssimas vezes de carro, e hoje tive a oportunidade de ver muita coisa bonita que antes nunca tinha visto. Então, a receita é simples: o Bodensee (Lago de Constança) é sinônimo de andar de bicicleta. Aliás, a Alemanha inteira é ótima pra pedalar!

Ah, esqueci de comentar: hoje entrei no Facebook, depois de ter recebido mais de 12 convites, e também por sugestão da Ceci (que tem aliás produtos lindos com ilustrações de próprio punho lá no site dela). Gente, eu quase caí pra trás! Simplesmente há mais de 500 (Q-U-I-N-H-E-N-T-A-S) “Sandra Santos” no Facebook!!! Bom, o remédio foi adicionar o “Mineirinha n’Alemanha” como informação para quem quiser me adicionar e para facilitar a procura… Será um prazer receber um convite seu por lá! 🙂

::360 graus – ida e volta à Espanha::

08/06/2009

Tô de volta da Espanha, chegamos no sábado à noite. Acho que toda vez que volto de uma viagem fico um pouco depressiva. Por um lado, porque eu amo viajar. E por outro, porque quando chego em casa de uma viagem tem um bolão de roupa pra lavar, a casa por arrumar, as pendências para colocar em dia… e com as “maravilhas do mundo moderno”, nossa querida internet, acho que chega até a ser “normal” eu me sentir muito atrasada em relação ao tempo “perdido” durante as férias, com tanta notícia por ler e tanto e-mail por responder. Achei quase 500 (!) e-mails no meu computador em casa e 250 (!) e-mails no trabalho, misturados num mundo só deles de e-mails prestáveis (com conteúdo, além de pedidos do livro) e imprestáveis (spams), tirando a pilha de cartas, revistas e jornais por ler, coisas para consertar… Bahhhhhh! E o pior é que o meu computador aqui em casa é bem velhinho e tudo tem que ser feito bem devagarzinho, senão ele não aguenta a barra!

Ao chegar hoje em casa do trabalho, o Matthias teve a idéia de irmos no Media Markt, pois nosso telefone de casa, pra variar, pifou (ou foram só as pilhas que acabaram, ainda temos que descobrir exatamente o motivo de estarmos “incomunicáveis” no momento). E como eu poderia prever, achei mil e uma coisinhas lá naquela loja de eletro-eletrônicos que mais parece um paraíso para quem gosta de técnica (ou para quem só gosta de usá-la, feito eu). O Daniel ganhou finalmente o filme que ele pediu de presente de aniversário, o Matthias comprou as pilhas que precisávamos e um filme, e eu, logo depois de dar uma passadinha na seção “folclore”, onde sempre há alguns CDs de música brasileira… fiquei lá, grudada nos computadores, mesmo sem ter planejado uma compra logo agora, ainda mais agora que acabamos de chegar de férias. Mas…. Como o Media Markt está com uma promoção de 30 meses sem juros, e como eu achei “o” computador dos meus sonhos, resolvi me deixar ser seduzida por aquele que será meu companheiro de escrita de agora pra frente. Mas a sedução está sendo lenta, daquelas boas. Pois o problema é que não pude trazê-lo pra casa, já que tinha retirado meus cartões de banco de dentro da carteira na Espanha, como medida de precaução, e não tive como comprovar minha conta de banco, sendo que teremos que voltar lá amanhã para buscá-lo. Já comecei a pensar em um nome pra ele (apaixonada, eu?!?), pois na nossa família todos que são “queridos”, sendo animal, gente ou coisa, têm nome, como todos carros que os meus pais tiveram, os animais do sítio do meu pai (ele tinha uma cabra chamada “Gretchen”, quem se lembra daquela cantora? ;-)), o meu carro (“Brasileirinho”, por ter as cores do Brasil, sendo verde/amarelo por fora e azul por dentro) e por aí vai. O Matthias sabe que escolho minhas coisas pelas cores, e não pela potência ou qualidades técnicas, mas assim como quando escolhi meu carro e me apaixonei por suas cores, tendo um amigo do lado para me dizer que a potência e o custo-benefício estavam bons, tive hoje o Matthias para me dizer que meu próximo computador poderá me acompanhar por alguns anos. Ele já tinha me avisado que este aqui, um PC de uns 6 anos, já morreu e eu não o deixava partir e eu tenho que lhe dar razão.

E como foi a Espanha? Ótima! Estivemos entre a fronteira da França e Barcelona, na região da Catalunia. Adoro aquele jeito internacional daquele povo, que fala catalão mas traduz tudo sempre para o espanhol, francês e alemão, sendo que nas duas últimas línguas por causa dos turistas. Aquela é a região onde o Salvador Dalí nasceu, e eu sou louca por sua arte, sempre se reinventando em si própria. Finalmente visitamos sua casa em Portlligat, pertinho da “Ouro Preto com mar”, a cidade de Cadaqués. Neste dia tivemos um pequeno acidente com o carro, mas como diz a minha mãe, quem não tem nada para perder, perde a vida”. Estava ventando muito na região, o vento Tramontana, que é o vento que vem dos Pirineus, fazia com que não pudéssemos curtir muito uma praia, mas nos dava de presente um sol azulaço e muito, muito, muito sol. Acho que recarreguei as baterias para todo o ano, de tanto sol que pegamos. E o melhor foi que bem no comecinho das férias fomos por dois dias a um parque de diversões imenso e muito legal, o PortAventura perto de Tarragona, e por termos aproveitado as muitas atrações (inclusive uma montanha russa com 7 loopings) e muitos shows lindos dos parques temáticos do Mediterrâneo, Polinésia, China, México e Western, achamos que nossas férias deram uma “espichada” e ficou parecendo que estivemos 4 semanas fora. Quase no finalzinho visitamos um outro parque chamado Family Fun Park, onde também passamos um dia legal com a família do Matthias, que mora em parte lá e nos recebeu super super bem.

Constatei que a Espanha tem um brilho e um sol que me estavam fazendo muita falta. As cores são mais intensas, o dia é muito mais claro, e eu sou totalmente dependente de cores e de luz. Talvez por minha alma cigana já estar precisando de mudar de perspectiva, pensei até que gostaria de morar lá (nem que fosse por uns meses durante o ano). E os vinhos, os frutos do mar, os azeites de oliva, a salsicha Fuet, os bocadillos (sanduíches deliciosos para todos os gostos)??? Compramos dois vinhos brancos, um que me fazia dormir logo depois de dar duas ou três bicadas no copo, que eu aliás só bebia misturado com muita água, e outro moscatel, que me deixava feliz e levinha. Se eu morasse na Espanha, iria beber muito mais vinho! A Espanha, como não poderia deixar de ser, está passando pela mesma crise e pelos mesmos problemas enfrentados aqui na Alemanha: alta taxa de desemprego, principalmente de jovens (um a cada três está desempregado), inflação, problemas ligados à imigração, crise no setor imobiliário… Lendo os jornais, percebi que lá há muito mais mortes e agressões entre casais. Quase todo dia se podia ler sobre um homem que agrediu – ou matou – sua mulher. Quis saber por que, e me disseram que o espanhol (sem generalizações, claro) ainda é muito machista.

Minhas férias em relação ao mundo começaram a terminar no dia em que fiquei sabendo da caída do avião da Air France. Na última vez que fomos ao Brasil, também fizemos a viagem com esta companhia, mas pela rota São Paulo-Paris. Mesmo assim dá um frio na barriga pensar que poderíamos ter sido nós os mortos naquele acidente. Uma alemã daqui de pertinho do Bodensee estava no avião, uma espanhola da região da Catalunia, que voltava de sua lua de mel no Brasil, também estava naquele avião. O mundo dividiu a dor e o medo também passou pertinho, mesmo para mim que sempre tive muitíssimo prazer em voar. Li demais e me informei sobre muitíssimos detalhes dos perigos da aviação, e na realidade acho que a Air France ainda tem muito a pesquisar e explicar, para que possamos saber realmente as causas do acidente. As 32 nacionalidades envolvidas no acidente e as pessoas que foram separadas de seus entes queridos de maneira tão trágica merecem explicações exatas do que aconteceu durante aquele voo. Felizmente, com a liberdade de imprensa de hoje em dia, chegar-se-á aos fatos, espero. O fato é que no momento perdi a confiança de voar com Airbus, até que se prove que este tipo de avião é realmente seguro.

O Matthias me contou hoje que um vizinho do nosso prédio ficou todo feliz e aliviado ao ver nosso carro chegando no sábado, pois ele ouviu do acidente com a Air France e teve medo de que tivéssemos ido de férias para o Brasil. Bonitinha a atenção dele, não é mesmo? 🙂

::Pensamentos & passeios::

03/08/2008

Eu tenho cadernos de pensamentos e diários desde que me entendo por gente. Quando era pequena juntava pensamentos dos colegas da classe, juntava figurinha do “Amar é”, mais tarde passei a juntar ditados. Cresci numa família onde se dizia pelo menos um ditado por dia. Acabo de ler um dos cadernos de pensamentos mais bonitos que tenho, tudo junto é como que quase uma catarse, como se eu estivesse fazendo sessão de análise comigo mesma. É bom e importante ler muito daquilo de novo e ver que algumas coisas eu já entendi, outras já tinha entendido e esqueci novamente. Preciso me reorientar, decidir novamente alguns novos/velhos rumos.

Este final de semana foi fantástico. Fizemos passeios, visitamos família e amigos, fomos a lugares bonitos. Fez um super bem pra alma. Vou guardar algumas destas imagens no coração pra sempre. Bom também foi reconhecer que o amigo do meu amigo é um amigo em potencial. E assim foi em dois casos. E isso foi muito bom! Estas férias prometem!

::De férias e nostálgica::

01/08/2008

Consegui sair de férias ontem do trabalho. Pra isso tive que trabalhar até às 7h da noite e perdi um passeio ótimo, do tipo que eu amo e que acontece poucas vezes, com minha família, sogro, cunhadas e sobrinhos. Hoje estou um caco. Parece que o corpo da gente vai junto até o último segundinho, segura firme, mas assim que pode ele despenca, mostra suas dores.

Continuo às voltas com minhas fotos de 1993 a 1998, quando morei em Siegen e Paderborn, no norte da Alemanha, que estavam lá no porão e estão, em grande parte, destruídas depois do alagamento do começo da semana. Um prato cheio pra mim, que sou super nostálgica, e que combina com o dia de hoje de “verão” cinzento, chuvoso e estranho. O cérebro da gente é uma máquina fantástica: apaga tudo o que pode para evitar maiores dores. De certa forma somos “máquinas de distorsão da realidade” e isso por interesse próprio. Mas no meio daquelas fotos também tem muita coisa boa, muita lembrança gostosa. Nossa, como eu era magrinha! O meu sorriso parecia mais autêntico, sei lá, pelo menos eu tinha menos rugas, menos manchas e pintas “de velhice” e meu cabelo era mais bonito, mais longo. Tinha amigos naquela época dos quais nem me lembrava mais. O que estarão fazendo agora, depois de tantos anos? A vida da gente parece ser constituída de algumas pessoas que ficam, e muitas outras que vão, mas nem por isso deixam de ser importantes pelo caminho percorrido lado a lado. Tipo um ramo de uma árvore, com a parte do meio, que é a estável, e de um lado e do outro todos os raminhos, os acontecimentos do dia-a-dia, as pessoas que ficaram no meio do caminho, etc. E o vento vai tratando de se desfazer do que deve cair e ficar pra trás. Assim como o universo decidiu que agora era a hora dessas fotos e recordações sumirem em parte e, por outra parte, virem novamente à tona.


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