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Posts Tagged ‘futebol’

::Finale, oh, oh…::

25/06/2008

Logo, logo vou escrever um post sobre as Linhas Ferroviárias aqui na Alemanha, já que estive viajando de trem no último final de semana entre Colônia e Aachen e aprendi mais um pouquinho, podendo repassar para vocês… Mas no momento continuo só falando de futebol: a Alemanha está na final da Eurocopa!!! E a transmissão do jogo de hoje contra a Turquia foi a coisa mais louca que já vi na televisão européia em todos os tempos: uma hora não havia som, outra hora não se podia ver nada, depois pegaram emprestada a imagem da tevê suíça e um locutor comentava pelo telefone, o que fez o som chegar um pouco primeiro do que a imagem… O 2° gol da Alemanha foi anunciado antes de que se pudesse ver que ele tinha acontecido… Bom, isso tudo para quem ainda tinha dúvida de que aqui ou em qualquer outro lugar do mundo só há humanos passíveis de erros… No entanto: gol, gol, gol, 3 x 2 contra a Turquia. Meio milhão de pessoas estão comemorando em Berlim, no Brandenburger Tor, junto de torcedores turcos, já que aqui também vivem alguns milhões de turcos que torceram por seu país, mas que sabem comemorar e agora torcem com os alemães.

:::-)::

19/06/2008

Comentários da Folha de hoje:

“Portugal é a equipe mais forte desta Eurocopa”, declarou Schweinsteiger. “Não é apenas [Cristiano] Ronaldo, é também Simão, Deco, Moutinho. Será difícil derrotá-los”, completou.

“Isso é comum no futebol, faz parte do jogo. Eles dizem que nós somos favoritos, e nós dizemos que são eles. Não tem que dar importância a declarações desse tipo”, rebateu Scolari.

§§§

A vitória foi sensacional e o time fez por merecer, jogou muito melhor do que nas partidas anteriores. E com o Deco, acabei descobrindo mais um brasileiro escondido na Eurocopa, além, é claro, do treinador Scolari.

::O próximo campeão do campeonato europeu de futebol…::

13/06/2008

Wesley Sneijder…será a Holanda, a menos que aconteça algo de extraordinário durante o campeonato. Acabo de assistir o jogo da Holanda x França e pra quem gosta de futebol (e pra quem não gosta tanto também) foi um prato cheio: 4 x 1 para a Holanda, com gols de 4 jogadores diferentes, o último deles feito pelo Wesley Sneijder – foto ao lado. Os holandeses têm técnica, força, atitude, presença, funcionam muito bem como grupo e são muito, muito bons. Eles venceram, em menos de uma semana, o campeão (Itália) e o vice (França) da Copa do Mundo de 2006. Quero ver algum time ganhando deste time!

Adrian MutuP.S.1-Achei outro homem “mutu” bonito no time romeno: o jogador Adrian Mutu, que perdeu a chance de ganhar da Itália no jogo de hoje.

P.S.2- Enquanto isso, no Brasil, prendem sargentos gays que assumiram publicamente sua homossexualidade. Minha pergunta direta seria a seguinte: qual é o problema do exército? Não há como punir a homossexualidade em si, então pune-se a pessoa de outras formas? E quem pune os que agem em nome do preconceito?

::Meio a meio::

09/06/2008

Meu coração é metade verde e amarelo e a outra metade é preta, vermelha e dourada. Falo isso sem querer ser arrogante ou por outro lado sem me sentir traidora das minhas origens. Moro aqui há 15 anos e sou orgulhosa tanto do Brasil quanto da Alemanha, considero ambas as nações dignas de respeito e de amor e sinto que as duas são diferentes, mas não superiores ou inferiores entre si. Há pontos bons e ruins aqui e lá, não há um país perfeito neste mundo.

GuerreiroDá pra perceber quando assisto a um jogo de futebol, como o que acabou de acontecer hoje da Alemanha contra a Polônia: vibro como se fosse o time brasileiro que estivesse jogando, e tenho orgulho dos jogadores, torço para que eles cheguem a uma boa colocação e, se possível, ganhem o campeonato europeu de futebol, que começou ontem na Suíça e na Áustria. Só quando a Alemanha joga contra o Brasil, nas copas mundiais, é que “mudo de time” e torço de coração para o Brasil, minha pátria amada, lugar onde nasci e de onde vêm minhas raízes e minha cultura, minha visão de mundo. Mas como desta vez a competição é européia, estou torcendo 100% pela Alemanha. Detalhe: No jogo de hoje contra a Polônia havia um brasileiro recém-naturalizado polonês, chamado Roger Guerreiro. Alguém o conhece? Disseram que ele joga há 2 anos e meio em Warschau. Há mais brasileiros no campeonato: jogando no time da Turquia “Mehmet” Marco Aurelio e no time espanhol Marcos Senna. E no time alemão há dois dos melhores jogadores, Klose e Podolski, que nasceram na Polônia e o Podolski foi quem fez os dois gols da vitória do jogo de hoje. Mundo globalizado esse, nao é mesmo?

Mas eu só assisto jogos de futebol de grandes campeonatos. Fora deles, futebol não me interessa nem um pouco. Daí passam a ser 22 bobos correndo atrás de uma bola, pois pra mim futebol está ligado a festa e confraternização entre os povos e um joguinho de campeonato alemão ou brasileiro não chega a tamanha importância, pelo menos no meu modo subjetivo de ver este esporte.

Li nos jornais que fizeram um estudo aqui na Europa, dentre os países participantes do campeonato europeu de futebol, para analisar as preferências entre sexo e futebol. Somente na Itália e em Portugal as pessoas se dizem mais interessadas por sexo, nos demais países ganha o futebol. Será que é porque ele dura mais? Hehehehe… O futebol, desde a última copa mundial, deu ao torcedor alemão o direito de sentir orgulho do país, desde então ele tem a liberdade de poder ter um sentimento nacionalista saudável, o que é muito bom para o país. Todos falam aqui da “fábula do verão de 2006” e querem que ela se repita este ano. E enquanto o número de torcedores do sexo masculino continua mais ou menos o mesmo, o número de torcedoras do sexo feminino aumenta. Será que é porque tem realmente uns homens muito bonitos jogando futebol, vide o goleiro Artur Boruc da Polônia? Mesmo assim, contino não entendendo por que alguns esportes são quase que totalmente masculinos, por que os campeonatos femininos de alguns esportes não recebem a mesma pompa que os campeonatos dos homens. Para mim, tinha que ser tudo meio a meio, fifty-fifty para tudo entre homens e mulheres, em todos os campos possíveis e imagináveis, respeitando naturalmente a constituição física de cada sexo.

Aliás pulando pra este assunto, começaram a surgir alguns livros por aqui que tentam resgatar o nome de mulheres importantes ao longo da história, pois também a História tenta fazer acreditar que só homens ocuparam papéis importantes ao longo dos séculos. Acho isso de resgatar a história feminina super importante, pois a repetição de grandes atos depende também de bons exemplos, que teimam em não nos mostrar. E também com o fim de mostrar que, na realidade, o yin-yang, a convivência construtiva e positiva entre homens e mulheres é que tende a ser boa para ambas as partes. A solução está no meio do caminho. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

::Os benefícios da Copa::

25/06/2006

Eu tenho notado umas coisas super positivas agora durante a Copa que não quero deixar de relatar.

O slogan da Copa é “bem-vindo entre amigos” e a Alemanha está conseguindo honrar este slogan. Antes do início dos jogos, a única certeza era de que a eficiência alemã iria cuidar para que tudo corresse da melhor maneira possível, sem maiores contratempos, com a melhor infra-instrutura e excelente organização. O grande medo estava do lado do movimento de extrema-direita dentro do país, que hoje em dia não alcança grandes proporções, mas poderia ter sido capaz de estragar parte da festa e que via a Copa como grande oportunidade para lutar por seus tolos ideais. Apesar desse pessoal de extrema direita ter se preparado com muito material publicitário, CD, música, camisetas com slogans de extrema-direita, etc., eles saíram às ruas, pelo menos até agora, uma única vez, e conseguiram reunir só algumas centenas de pessoas. No mesmo dia, na mesma cidade, foi feita uma passeata que reuniu muitas mil pessoas mostrando ser a favor da multiculturalidade e contra o movimento neonazista. Isso bastou para que eles desistissem de atuar (pelo menos até agora) e o clima de festa de todas as raças, cores, sabores e nacionalidades se instalou.

O alemão sempre teve problema pra assumir sua nacionalidade. Eles morrem de medo de serem acusados de extremistas, têm problemas para mostrar orgulho da Alemanha, das conquistas e dos pontos positivos do país, não se sentem bem em declarar seu amor à pátria. Isso por causa do passado pesado do país e porque este é visto e revisto na escola, nos meios de comunicação, quase sem parar, dia e noite e noite e dia, como maneira de mostrar que sim, lógico, a Alemanha errou, e não quer repetir esse erro jamais. Mas com isso eles acabam passando um sentimento de culpa para as gerações que hoje, na minha opinião, não têm como arcar com o peso dos erros do passado.

Como moro bem pertinho da Suíça, é muito interessante observar a paisagem quando se ultrapassa a fronteira. Imediatamente aparecem bandeiras suíças de todos os tamanhos e em todo canto, mostrando como o suíço é orgulhoso do seu país. Em tantos anos na Alemanha, poderia contar nos dedos de uma mão as vezes em que vi uma bandeira dentro do país.

Agora, com a Copa, e com tanta gente de tantos países por aqui, e também bem devagar, pelo fato do time alemão ter ido avançando na competição e ter adquirido o respeito do torcedor que antes que não dava nada por ele, bem devagarzinho mesmo começaram a aparecer bandeiras alemãs nas janelas, bandeiras bem pequenininhas nos carros, brincadeiras sobre “seremos campeões” ou afirmações de que “vai dar Brasil contra Alemanha na final” e as vendas da camiseta oficial da seleção alemã pularam de 250.000 na Copa anterior para, no momento, mais de um milhão de camisetas. O torcedor encontra, junto do futebol, sua identidade e se sente bem como alemão, e desta forma também muito bem com outras nacionalidades.

O tema da música oficial da Copa do cantor alemão Herbert Gronemeyer se chama “Zeit, dass sich ‘was dreht” (É hora de acontecer algo) e essa música é bonita, não só porque tem duas interpretações: é hora do time da Alemanha ganhar, mas acima de tudo é hora de acontecer algo bom no país, e ninguém pode negar que isso já foi alcançado, mesmo que ainda estejamos no meio das oitavas de final. Mesmo se a Alemanha não for campeã nas competições, o país já ganhou com a Copa.

Outra coisa super bonita é que muitos alemães (ou europeus, em geral) não vestem só a camiseta da sua Seleção, e nem dependuram só sua bandeira, mas vestem também outras camisetas de outras seleções, festejam junto de outras torcidas e dependuram em suas casas ao lado da bandeira alemã muitas outras bandeiras, mostrando respeito e admiração por outros times.

E muito legal também é ver que tantos voluntários ajudam, em todo o país e a qualquer hora do dia e da noite, a garantir que a festa seja bonita, positiva e que se alguém festejar demais ou passar da conta, haverão pessoas para ajudá-los imediatamente, com serviço médico, ambulância, todo o esquema montado para evitar qualquer transtorno maior. As rádios locais dão assistência aos torcedores em direção aos estádios, com serviço de informação sobre o trânsito local feito em vários idiomas, de acordo com o jogo que estiver por acontecer.

Juntando tudo, só posso dizer que o clima melhorou neste país com a Copa, não só na temperatura, mas também dentro da cabeça das pessoas. Que ele continue assim por muito tempo, pois faz muito bem ao país!

::Querido torcedor brasileiro::

03/06/2006

WeggisEm Weggis, na Suíça, a cidade onde nossa Seleção treinou antes da Copa, tive a oportunidade de conhecer um grupo de 6 jornalistas da Globo, que estavam ali cobrindo os acontecimentos ligados aos nossos Canarinhos e os acompanhariam durante todos os jogos dentro da Alemanha. Eles estavam, diria eu, pensando alto dentro do bondinho que nos levava do alto da montanha de Rigi de volta à cidade, num maravilhoso passeio panorâmico onde se podia ver uma parte da cadeia dos alpes suíços e das cidades ao redor do lago de Lucerna. Eles comentavam, com muita razão, que nossos políticos e empresários também têm a oportunidade de viajar para o exterior, também vêem que existem outros patamares de qualidade de vida por aqui, que aqui há limpeza, há ordem, há organização, há segurança, que as escolas e casas não têm muro, que „até as vacas são mais felizes“, como diria meu querido amigo Fernando.

Antes de começar a bater papo com eles, seus comentários me levaram a pensar. É verdade, a classe política e nossa elite realmente vai ao exterior e vê tudo isso, mas por que eles então não levam esses exemplos pra casa? Comecei a pensar na corrupção que assola nosso país, na vontade que muitos têm de faturar a curto prazo, de trabalhar pouco e ganhar muito, de usar de sua “esperteza” e “inteligência”. Tudo em prol de si próprio e não da coletividade. Pensei também na maravilha do nosso clima, na nossa gente amiga e alegre, na nossa musicalidade, na fartura que há nas mesas dos brasileiros, com tantas frutas e legumes deliciosos, na nossa criatividade, na nossa garra, e daí pensei em você, querido torcedor brasileiro!

Toda viagem é capaz de nos transformar por dentro. Nossa realidade é vista com outros olhos, tudo muda depois que passamos por uma experiência que muda nossa perspectiva, nosso patamar, nosso campo de observação. Então, se os políticos e líderes do nosso país teimam em ver que há outras soluções para o país, que há outras formas de vida que podem ser oferecidas para todo o povo brasileiro, e não só dividida entre uma pequena elite que se esbalda em tanta riqueza e tanto desperdício, por que não começar a partir de você, querido torcedor?

Você pode ser veículo para transformações no nosso país. Você pode passar a exigir ainda mais os seus direitos de cidadão e não tolerar qualquer tipo de corrupção, a partir da sua vida particular. Você pode votar em pessoas que realmente querem fazer a diferença e, se se tornar empresário, pode pensar a longo prazo e reconhecer em você um privilegiado que poderá alavancar mudanças e contribuir com sua parcela de responsabilidade social, dando empregos, gerando riquezas, fomentando a economia, levando seu empreendimento ao sucesso particular, mas com isso também global de todos aqueles que atuam junto de você, pensando, por que não, socialmente e a longo prazo. Você pode mudar sua atitude, parar de achar que “tudo é assim mesmo porque sempre foi” e que “não existe mais segurança no nosso país”. Podemos, todos juntos, exercer nossos direitos de cidadãos e exigir mudanças, podemos ter visões, podemos enxergar num futuro próximo um país que dá certo, porque ele tem, já hoje, tudo para dar certo.

Note bem: não estou fazendo um ode à cópia de soluções vindas do exterior, pois temos que encontrar soluções próprias para nossos problemas internos. Tampouco estou pretendendo dizer que no Brasil não há esforço, não há avanço ou gente de caráter. Meu intuito é o de fazer as pessoas, individualmente, se verem co-responsáveis pelo futuro do nosso país, que se constrói a cada dia! Jogar a culpa no “outro” é uma situação altamente confortável.

E, por fim, a pergunta que na realidade iria vir no começo deste texto: o que significa para você viver com qualidade? O que é, na sua opinião, qualidade de vida?


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