Posts Tagged ‘gravidez’

::Situações extremas durante a quarentena::

13/04/2020

Existem pessoas que não estão tendo uma vida fácil agora durante a quarentena… A título de exemplo, imaginem as mulheres que sofrem com maridos violentos dentro das quatro paredes do seu lar… Aqui números de contato para ajuda no caso de mulheres na Alemanha que porventura estejam passando por uma situação de violência doméstica durante a quarentena. Em caso de urgência, disque 110 ou 08000/116016.

Há mil e uma situações ligadas ao direito trabalhista na Alemanha também, algo que conheço relativamente bem por ser formada e ter anos de experiência na área como diretora de Recursos Humanos. Por exemplo, se você estiver GRÁVIDA e for mandada embora na Alemanha, mesmo que seja no período probatório e mesmo que o seu empregador ainda não tenha recebido a informação oficial do médico sobre sua gravidez, a recisão de contrato é INVÁLIDA. Basta apresentar atestado de gravidez dentre as duas semanas seguintes à sua recisão. Garanta seus direitos, que podem ser argumentados através da Lei da Maternidade, parágrafo 17. Conhecendo seus direitos, você pode reagir bem melhor e sair de situações desgastantes de cabeça erguida.

Caso tenha outra dúvida, escreva no comentário.

::Gravidez e direitos de mãe na Alemanha::

21/09/2014

Você está grávida, meus parabéns! 🙂 Assim que ficar sabendo que está esperando um bebê, e assim que for possível determinar a data provável do nascimento dele, peça para o ginecologista que emita um documento chamado “Schwangerschaftsattest”, que é um atestado de gravidez que deverá ser entregue ao seu empregador. Assim seu emprego estará garantido por lei, sendo que seu empregador não poderá lhe mandar embora de maneira nenhuma a partir deste momento até o fim do terceiro ano de vida de seu filho.

Com base na data de nascimento do bebê, informada no atestado, (more…)

::Gravidez e parto na Alemanha::

03/05/2005

Depois que a gravidez é atestada através de exame de urina, sangue e de ultrasonografia, a grávida recebe um passaporte materno, o “Mutterpass“. Nele estão contidas todas as informações importantes e necessárias para o bom acompanhamento da futura mamãe e ele serve também como preparação para os cuidados a serem tomados por ocasião do nascimento. Para entender direitinho o que está registrado no passaporte materno, clique neste link (em alemão)

A maioria dos médicos ginecologistas aqui na Alemanha ainda trabalha com ultrasonografia 2D, mas em casos específicos e se a futura mamãe desejar, ela pode procurar um médico que também faça a ultrasonografia 3D, que mostra detalhes bem mais visíveis do bebê.

É fato que a probabilidade de perder o feto durante os três primeiros meses de gravidez é muito grande (perto dos 25%, segundo estou informada). Portanto, muitas grávidas aqui na Alemanha só contam que estão esperando um bebê depois do 4° mês de gestação. Ao contrário da Inglaterra, onde ninguém quer saber o sexo do bebê antes do nascimento, aqui as famílias optam por saber ou não o sexo, de acordo com sua vontade e com as possibilidades oferecidas pelos exames de ultrasonografia.

No começo da gravidez, a futura mamãe visita seu médico ginecologista uma vez por mês, e mais para o final da gravidez (a partir da trigésima semana) ela passa a visitá-lo de duas em duas semanas. O médico ginecologista invariavelmente não será o mesmo que estará acompanhando o nascimento do bebê, a não ser que este seja um médico que trabalha dentro da maternidade. Na Alemanha, na realidade, quem estará ao lado da futura mamãe ou do casal na hora do parto é a parteira, sendo que só se houver necessidade de operação (por exemplo, de cesárea) é que o médico obstetra será chamado à sala de parto.

A futura mamãe pode se preparar para receber o seu neném através de cursos de ginástica (aquática ou não), ioga, dança do ventre, primeiros cuidados com o bebê, etc. Uma boa dica para quem já tem um filho e não precisa dos cursos normalmente oferecidos para as “marinheiras de primeira viagem” é procurar uma parteira para receber por exemplo massagens e sessões de acupuntura, que também são cobertas pelo sistema de saúde do governo e fazem um bem danado, tanto para a futura mamãe quanto para o neném! Outra dica: depois do nascimento, o sistema de saúde também cobre uma ginástica especial para as mulheres que passaram por um parto. Não deixe de fazê-la! As visitas da parteira em sua casa depois do nascimento também são outro direito coberto pelo sistema de saúde.

As leis alemãs resumem no “Mutterschutzgesetz” todos os direitos que a futura mamãe tem em relação ao seu ambiente de trabalho, antes e depois da gravidez. Uma mulher que trabalha tem o direito de licença-maternidade de 6 semanas antes e 8 semanas depois do nascimento do bebê. Caso a mulher decida voltar a trabalhar (horário integral ou parcial), durante a fase da amamentação ela terá o direito de trabalhar uma hora a menos por dia ou de fazer duas pausas extras de meia-hora. A maioria das mães aqui fica três anos em casa, o chamado “Elternzeit“, que pode ser dividido entre pai e mãe, mas também pode-se optar para que ambos os pais fiquem em casa tomando conta do filho, ou que ambos ou um deles passe a trabalhar meio-período (até 30 horas semanais). Como a Alemanha tem uma taxa muito baixa de nascimento (1,2%), o governo tem intencionado facilitar a vida das novas famílias no país, apesar de que hoje em dia só se consegue para 2-3% das crianças abaixo de 3 anos um local adequado (por exemplo um hotelzinho) para que os pais possam trabalhar durante este período. A nova família recebe, de acordo com sua renda, o “Erziehungsgeld” (ajuda governamental para famílias) durante até 2 anos depois do nascimento da criança e além desta ajuda toda criança tem direito ao “Kindergeld”, que é de 154 euros para as primeiras duas crianças da família, aumentando de acordo com o número de filhos.

Existe uma discussão enorme entre brasileiras que vivem na Alemanha se é melhor ter o parto no Brasil ou aqui, se é melhor ter cesárea ou parto normal, com ou sem anestesia. Eu, como não poderia deixar de ser, tenho uma opinião formada a respeito. Acredito que o nível de cesárea no Brasil, que beira 90% dos partos realizados no país, é totalmente exagerado e esconde interessses financeiros dos médicos, já que uma cesárea é mais cara do que um parto normal. Uma cesárea pode ser mais rápida e prática, mas não deixa de ser uma operação e a recuperação da mulher, se comparada à recuperação no caso de parto normal, é mais lenta. Aqui na Alemanha a grande maioria dos partos é normal, se possível, e só se realmente não for possível é que é feita uma cesárea. Pelo que fui informada, 25% dos partos hoje em dia é feito através de cesárea.

Há uma onda muito grande aqui pela defesa do parto natural sem anestesia. Há alguns anos atrás alegava-se até que uma anestesia poderia ser maléfica para o bebê, mas hoje em dia isto já não é argumentado e todos os métodos para evitar as dores do parto são apresentados, sendo que a futura mamãe é quem escolhe as opções que mais lhe agradarem. Elas vão de métodos totalmente naturais (homeopatia, banhos, acupuntura, etc.) até a PDA – anestesia peridural. Caso a futura mamãe tiver interesse pela PDA, mesmo que não se fixe a esta opção, ela deve apresentar-se previamente à maternidade onde pretende dar a luz a seu filho, a fim de que ela possa se encontrar com o anestesista responsável e cuidar de todos os detalhes ligados à aplicação da mesma. Com relação ao corte na entrada da vagina, este só é feito se for realmente necessário e o índice desses cortes, segundo fui informada na maternidade da minha cidade, felizmente tem caído a cada ano.

A sala de parto aqui na Alemanha apresenta várias opções para o parto, tais como: cama normal de solteiro, cama de casal (se o marido ou acompanhante quiser se deitar junto com a grávida na hora do nascimento), banquinho para a futura mamãe se agachar, enquanto seu marido ou acompanhante senta-se por detrás dela, fazendo, por exemplo, massagem nas suas costas. Ela também pode optar pela ajuda da lei da gravidade e se “dependurar” no marido ou numa corda. Há uma bola enorme de plástico para ajudar nas massagens e muitas clínicas também oferecem a oportunidade da futura mamãe ter seu parto na água, numa enorme banheira com entrada lateral. Na clínica da minha cidade pode-se ainda levar músicas e óleos para o trabalho de parto, afinal eles procuram oferecer de tudo um pouco e ainda aceitam sugestões para que o parto transcorra da melhor maneira possível.

Depois do parto, os bebês costumam ficar junto de sua mamãe, dia e noite. As enfermeiras auxiliam nos primeiros dias, por exemplo, com os cuidados relacionados à amamentação. Dependendo do estado da mãe e de seu filho, ela pode optar por ir para casa logo depois do nascimento ou por ficar alguns dias na maternidade.

Curiosidade: há muitas famílias que optam pelo nascimento do bebê em sua casa. Minha parteira me contou que uma família que ela atende tinha acabado de comprar uma casa, quis que o nascimento do filho fosse dentro de suas quatro paredes e também plantou a placenta no jardim da casa, como simbologia do nascer e do início da vida em família.


%d blogueiros gostam disto: