Posts Tagged ‘literatura’

::Pensamento de Hesse::

14/08/2014

„Kunst und Dichtung wollen und sollen Leben wecken und leben helfen, und wo das glückt, strahlt auch vom Leser zum Dichter Leben und Stärkung zurück.“

Aus einem Brief Hesses vom Januar 1958 an Wayne Andrews

°°°

“A arte e a poesia querem e devem inspirar a vida e ajudar a viver, e onde isto é alcançado, emana de volta do leitor para o poeta vida e força.”

Retirado de uma carta de Hesse para Wayne Andrews de janeiro de 1958

Fonte: http://www.hermann-hesse.de/node/435

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::Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão – Fernando Pessoa::

29/09/2012

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu…. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora…

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és…

E lembra-te:

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

::Literatura alemã: Thomas Brasch::

21/06/2012

Was ich habe, viel ich nicht verlieren, aber
Wo ich bin, will ich nicht bleiben, aber
Die ich liebe, will ich nicht verlassen, aber
Die ich kenne, will ich nicht mehr sehen, aber
Wo ich lebe, da will ich nicht sterben, aber
Wo ich sterbe, da will ich nicht hin:
Bleiben will ich, wo ich nie gewesen bin.

Thomas Brasch, Der Papierflieger

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Tradução livre feita por mim:

O que eu tenho, não quero perder, mas
Onde estou, não quero ficar, mas
Os que eu amo, não quero perder, mas
Os que eu conheço, não quero mais ver, mas
Onde eu moro, não quero morrer, mas
Onde eu vou morrer, não quero ir:
Eu quero ficar onde eu nunca estive antes.

Thomas Brasch, escritor alemão (1945-2001)

Achei que o poema traduz bem nossa alma controversa de expatriados. Espero que gostem dele!

::Lançamento do 2° volume da série “Causos” para Rir e Casos para Refletir dia 26/11/11 em Beagá::

24/11/2011

Minhas queridas mamãe Eny e tia Aracy estão prestes a lançar o 2° volume da série “Causos” para Rir e Casos para Refletir. É um livro pra quem gosta de bons “causos” e casos (verdadeiros e imaginados), daqueles que se contam numa roda de amigos ou na caída da noite no pé da cozinha. Quem estiver em Beagá não pode perder o lançamento e aproveitar pra conhecer uma parte da família da Mineirinha, minhas verdadeiras musas inspiradoras! Ah, que vontade de poder participar!!! Segue o convite delas abaixo:


Oi pessoal
Finalmente após muito esforço, trabalho e dedicação, conseguimos publicar o 2º. volume da série “Causos” para Rir e Casos para Refletir.
Faremos o lançamento e a tarde de autógrafos num barzinho muito aconchegante chamado BALAIO DE GATO, que fica na Rua Piauí, 1052 – Funcionários, no dia 26 de novembro (sábado), das 12 às 16 horas.
Estamos preparando algumas surpresas para vocês, tudo com muito humor, amor e carinho!
Nossa filha e sobrinha LILIAN que se encontrava na África, também estará presente, repassando algumas das suas vivências naquele continente.
Sua presença é muito importante para nós! Venha e traga quantas pessoas você quiser.
Um abraço carinhoso das autoras:
Aracy Miranda Costa e Eny Miranda Santos

::Hildesheim: estou indo pra lá::

08/09/2011

Recebi um convite pra participar de uma roda de literatura brasileira e apresentar meu livro junto da minha querida Lu em Hildesheim, no norte da Alemanha. Em poucas horas estou indo pra lá. Se alguém for das redondezas e quiser participar do encontro, aqui está o convite: o evento será no dia 09/09/11 às 18:30 horas. Até semana que vem!

::Lojinha no eBay – Parte 2::

21/05/2011

Visitem minha lojinha no eBay clicando aqui. Livros, livros e mais livros em alemão, português, italiano e espanhol a partir de 1,00€. Viel Spaß beim Bieten!

::Gut gegen Nordwind – dica de literatura em alemão::

09/10/2010

O livro que li nos últimos dias (que na realidade são dois livros em um) e que recomendo é o “Gut gegen Nordwind / Alle sieben Wellen”(Bom Contra o Vento do Norte/A Cada Sete Ondas ou Todas as Sétimas Ondas – o que fica melhor?), do autor Daniel Glattauer. O livro não só é uma ótima dica pra treinar alemão lendo uma boa literatura, mas também muito bom pra essa época do ano, quando começamos a entrar no casulo, no comecinho do frio do outono. É a história fictícia de uma mulher que queria terminar a assinatura de uma revista por e-mail e por causa de uma única letra diferente no endereço de e-mail da editora da revista, ela começa a trocar e-mails com um homem desconhecido. Eu adorei ter lido o livro, já havia anos que nao devorava um livro assim. O último tinha sido “A Papisa”, pois pra mim é difícil me fascinar com literatura não diretamente informativa, pois tenho que me identificar com o estilo do autor, conseguir entrar dentro da cabeça dele e acompanhar sua linha de pensamento, tem que haver uma identificação enorme mesmo pra um livro conseguir me prender. Do contrário, leio 5 livros ao mesmo tempo, um pouco aqui, outro ali. O que adorei foi o romantismo e o amor platônico trasformado em palavras, como antigamente, adaptado ao mundo atual digitalizado e além do mais o fato do autor conseguir pensar como homem e também maravilhosamente como mulher, e como homem apaixonado e mulher apaixonada, mundos tão distintos e tão fascinantes. Fica a dica!

::Homenagem a José Saramago::

19/06/2010

Morreu ontem, aos 87 anos, José Saramago.

O homem que nunca foi à universidade, porque a família era pobre e não havia meios para isso.

O homem que, para sobreviver, fez um curso técnico e tornou-se serralheiro mecânico. No entanto, como tinha paixão pelas letras, passava suas noites na Biblioteca Municipal Central de Lisboa.

O homem que foi funcionário público em Portugal, por décadas. Aos 30 anos começou a fazer traduções, para aumentar sua renda de operário. Auto didata, traduziu Baudelaire, Hegel e Tolstoi, entre outros clássicos.

Único ganhador de um Prêmio Nobel em língua portuguesa, José Saramago ajudou, com isso, a estimular as vendas de livros e a aumentar o respeito por quem escreve em português.

O homem que, com esse sucesso, fez com que vários outros autores nacionais e da comunidade de língua portuguesa fossem descobertos e também lidos, o que estimulou os mercados de livros na nossa língua.

O homem que nunca escondeu suas ideias, brigou por elas, deixou muito claras suas posições, sem medo de críticas.
“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles,  infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala”.

O homem que escreveu em seu blog, ainda na semana passada: “Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro”.

Autor versátil, ele deixou 20 romances, 3 livros de contos, 5 peças de teatro, 4 livros de crônicas, 3 livros de poesias e um de viagem. Os números, frios, nunca vão explicar a emoção da qual era carregada sua literatura, que fez chorar e rir, que espantou e acalmou, que fez pensar, enfim.

Fonte: Câmara Brasileira do Livro, resumo do Newsletter de 18.06.10.

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma”.

Fonte: Revista do Expresso, Portugal, entrevista de José Saramago,11 de outubro de 2008

°°°
Como homenagem ao José Saramago, por seu espírito indagador e eternamente pensativo, coloco aqui o vídeo chamado “O Paradoxo do Tempo”, falando da missão da AIESEC, associação estudantil com 40 anos de Brasil, da qual participei por 4 anos e através da qual vim para a Alemanha:

A tradução do texto foi feita por mim:

O Paradoxo do Tempo
Através da História
É que temos prédios mais altos,
Mas menos humor;
Rodovias mais largas,
mas visões mais estreitas;
Gastamos mais,
Mas temos menos;
Compramos mais,
Mas aproveitamos menos;
Temos casas maiores,
Mas famílias menores;
Temos mais facilidades,
Mas menos tempo;
Temos mais especialistas,
Mas mais problemas;
Mais medicina,
Mas menos bem-estar;
Multiplicamos o que possuímos,
Mas reduzimos nossos valores;
Falamos muito,
Amamos muito pouco,
E odiamos com frequência;
Adicionamos anos à vida,
Mas não vida aos nossos anos;
Fomos à lua e voltamos,
Mas temos medo de cruzar a rua e encontrar nosso novo vizinho;
Dividimos o átomo,
Mas não conseguimos eliminar o preconceito;
Aumentamos a quantidade,
Mas nos falta a qualidade;
Estes são tempos de homens altos,
De baixo caráter;
Altos lucros,
E relacionamentos superficiais;
Este é um tempo de paz no mundo,
Mas violência dentro de casa;
Mais lazer,
Mas menos prazer;
Mais tipos de comida,
Mas menos nutrição;
Este é o tempo de casas mais bonitas,
Mas de lares destruídos
(…)

::O Premio Nobel de Literatura vai para a Alemanha::

08/10/2009

(Escrevendo de um PC sem acentos…)

A escritora alema Herta Müller ganhou hoje o premio nobel de literatura. Ela nasceu na Romenia e veio para a Alemanha junto de seu marido em 1987, depois de ter seus livros censurados pelo regime do país onde nasceu. Seu tema principal, o de viver entre dois mundos, é o mesmo deste blog e do meu livro. Acabo de ouvir uma pequena entrevista dela numa rádio daqui. Ela comentou aquilo que sinto: depois de emigrarmos, voltamos ao nosso país e este passa a ser para nós, em parte, estranho. Depois de deixarmos nosso país de origem, mudamos como pessoa, adquirimos hábitos e novas maneiras de ver a vida, e com esta nova perspectiva rever o país natal sempre é motivo de reflexao. Eu quero, claro, ler livros da autora. Alguém aí já leu algum e me indica como boa leitura?

::”Mineirinha n’Alemanha” na mídia alemã::

20/04/2009

Uma opção alternativa de compra do livro “Mineirinha n’Alemanha” (que pode naturalmente ser adquirido diretamente comigo) é a livraria virtual LiBrasil, que é especializada em literatura na língua portuguesa aqui na Alemanha. Ela noticiou sobre meu livro aqui.

KultBrasil é um portal online sobre o Brasil para o público alemão. Ele se propõe a mostrar que o Brasil é muito, muito mais do que samba, carnaval e futebol, mostra muito da nossa cultura e procura intensificar o relacionamento Brasil-Alemanha de forma positiva. Nele acaba de sair uma reportagem sobre o meu livro. Leiam a reportagem (em alemão) aqui. Abaixo a tradução de parte da reportagem em português:

Você teve algum choque cultural no ínicio, quando veio morar na Alemanha?

Claro, tive bilhões! Eu vim para a Alemanha antes da era da internet, e além do frio e da saudade, só sabia falar alemão no presente e não podia me expressar no passado ou no futuro, só entendia a conversa com uma só pessoa, não conseguia ler e me informar como estava acostumada porque não conseguia ler jornais e revistas nem assistir televisão. Eu misturava o alemão constantemente com o inglês e o pior: não entendia os códigos de conduta e comportamento da cultura alemã.

Por exemplo lembro-me do dia do meu aniversário na empresa onde fazia o meu estágio: enquanto eu esperava uma pequena festa surpresa, como no Brasil, os meus colegas de trabalho certamente esperaram que eu trouxesse um bolo ou oferecesse algo pela passagem da data, como é comum aqui na Alemanha. Só fui entender isso meses depois!

Ou a primeira vez em que tive uma discussão com um colega de trabalho. Ele levantou o dedo pra mim, eu pedi que o tirasse e impus respeito. No outro dia ele chegou no trabalho com presentes para mim. Aprendi que o alemão, muitas vezes, gosta de testar seu espaço, mas se você souber impor respeito, ele passará a reconhecer seu limite.

No começo eu tinha uma enorme dificuldade entre saber usar o “du” e o “Sie” e para falar a verdade não entendia a importância dessa diferença. Tratava o motorista de ônibus ou a vendedora de uma loja todos por “du” e não entendia como as pessoas podiam reagir de uma forma tão estranha com relação a este “pequeno” detalhe. Olhando para trás, acho que entender esta diferença faz parte do processo de integração.

Posso dizer que tudo no começo foi um choque, mas também um grande aprendizado. Hoje tenho dupla nacionalidade (brasileira e alemã) e me sinto parte integrante das duas culturas.

Seu livro ainda não tem tradução em alemão. Você pretende traduzi-lo?

Sim, eu quero muito traduzi-lo e para tanto estou procurando um patrocinador, uma editora ou um agente literário. Mas o livro seria adaptado e não seria uma tradução direta de todos os textos.

O que um alemão poderia aprender com seu livro?

Nos últimos anos têm surgido vários livros na Alemanha onde estrangeiros descrevem suas experiências em solo alemão. Isso mostra uma abertura e interesse pela visão do outro. Acredito que meu livro possa contribuir no processo de integração do país (onde mais de 20% da população já é estrangeira ou descendente de estrangeiros), informar sobre o relacionamento Brasil-Alemanha e exemplificar, através de minhas observações pessoais, como uma estrangeira vê a Alemanha e os relacionamentos interculturais no país.


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