Posts Tagged ‘Lula’

::Feliz 2011!::

02/01/2011

Como vocês passaram a noite de ontem? Eu estava numa festa multicultural, com gente de todo canto do mundo, muitos casais binacionais, dentre eles muitos brasileiros, festejando a passagem do ano. Eram quase 60 pessoas batendo papo, comendo, bebendo, dançando, rindo, brincando, jogando videogames e comemorando juntos. Dentre eles, um casal que recentemente comprou meu livro e que por coincidência fez amizade com uma amiga em comum, que os convidou para a mesma festa. 🙂 O Matthias levou muitos jogos de videogame da loja pra festa e junto de um outro convidado montaram uma pista de dança com um equipamento digno de uma discoteca! Misturamos a tradição alemã de soltar fogos e brindar a chegada do novo ano com champagne com nossa alegria, agitação e uma energia pra dar e vender, cuja melhor representante era a dona da festa, minha querida amiga Ceci. Os comes e bebes eram tão internacionais e diversificados quanto os convidados. Estava tudo uma delícia, a festa foi um barato! Obrigada à Ceci pelo convite, uma passagem de ano melhor do que esta aqui na Alemanha ainda está por vir, pois foi mesmo super legal.

Um momento bonito foi na hora da queima dos fogos, quando os convidados saíram no jardim com cálices de champagne com falsos cubos de gelo que eram iluminados intermitentemente pelas cores azul, vermelha e verde. Vocês já viram esse tipo de “gelo”? Ele é feito na China, foi vendido no Brasil e enviado pela mãe de uma das brasileiras presentes pra alegrar nosso Ano Novo! Deu quase uma volta ao mundo! Adorei! Outro momento simbólico foi a queima do “Ano Velho”, um boneco de pano que na Colômbia simboliza as coisas ruins do ano passado, para que entremos o ano de 2011 com o pé quente e levando só pensamentos positivos conosco!

Pessoalmente, pra mim o ano de 2010 foi um ano de muitas conquistas e muitos objetivos alcançados, e portanto tenho muitíssimo a agradecer. Espero que você também tenha tido uma boa virada de ano e que possa se inspirar e dar partida no ano de 2011 pelo discurso do Lula, que achei por bem publicar aqui por ser um momento histórico do nosso país, e por ele ser um exemplo de humildade, coragem e força de vontade. Termino com aquela musiquinha, desejando paz e alegria em 2011 para todos: Feliz Ano Novo, adeus Ano Velho, que tudo se realize, no ano que vai nascer! Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender!

::Lula salta para a primeira divisão da diplomacia mundial::

02/06/2010

“Lula sempre superou todas as resistências, e todos os cenários desfavoráveis com os quais se defrontou. O pai dele abandonou a família quando Lula era bem novo, e a mãe mudou-se com os oito filhos do nordeste do Brasil para o sul industrializado, onde ela esperava aumentar as chances de sucesso da família. Lula só aprendeu a ler e a escrever aos dez anos de idade. Quando criança, ele ajudou a sustentar a família trabalhando como engraxate e vendedor de frutas, e também como operário de uma fábrica de tintas. Ele acabou conseguindo fazer um curso de torneiro mecânico. Quando Lula tinha 25 anos de idade, a mulher dele, Maria, e o seu filho ainda não nascido morreram porque a família não tinha condições de pagar por atendimento médico adequado.

Lula tornou-se politicamente ativo quando era jovem, ao ingressar em um sindicato e organizar greves ilegais na época da ditadura militar. Ele foi preso várias vezes na década de oitenta. Insatisfeito com os esquerdistas clássicos, ele fundou o seu próprio Partido dos Trabalhadores, que gradualmente transformou-se de um partido marxista em uma agremiação social-democrata. Ele concorreu três vezes, sem sucesso, à presidência, até que, na quarta vez, venceu a eleição presidencial de 2002 com uma vantagem significante sobre o seu adversário. Foram os indivíduos mais pobres que, em um país de extremos contrastes econômicos, depositaram as suas esperanças no carismático líder trabalhista. Quando Lula venceu a eleição, os indivíduos extremamente ricos, temendo que os seus bens fossem desapropriados, mantiveram os seus aviões a jato particulares abastecidos, prontos para decolar.

O herói dos pobres distanciou-se de revoluções

Mas aqueles que esperavam ou que temiam uma revolução no Brasil ficaram surpresos. Após tomar posse, Lula levou alguns dos membros do seu gabinete a uma favela, e lançou um programa de grande escala chamado “Fome Zero” para aliviar os sofrimentos dos desprivilegiados. Mas ele não assustou os mercados. Aumentos dos preços das commodities e uma política econômica moderna que enfatizou os investimentos estrangeiros, a educação nacional e recursos para treinamento ajudaram Lula a se reeleger em 2006.
O mandato dele termina em dezembro, e Lula não poderá disputar novamente a reeleição. Ele colocou a casa em ordem e cultivou uma potencial sucessora. Mas o presidente autoconfiante deseja evidentemente deixar também um legado político: ele considera uma missão sua transformar o Brasil, com a sua população de 196 milhões de habitantes, em uma grande potência mundial, bem como assegurar uma cadeira permanente para o seu país no Conselho de Segurança da ONU.

Lula reconheceu que manter boas relações com Washington, Londres e Moscou é algo que ajuda o Brasil a tentar alcançar essa meta. Mas ele sabe também que vínculos fortes com países como a China e a Índia, bem como o Oriente Médio e os países africanos, poderiam ser ainda mais importantes. Ele se considera um homem do “sul”, e um líder dos pobres e desfavorecidos. E, é claro, ele também reconhece as mudanças que estão ocorrendo. No ano passado, por exemplo, a República Popular da China ultrapassou os Estados Unidos como o maior parceiro comercial do Brasil pela primeira vez na história.

Lula é o único chefe de Estado que participou tanto do exclusivo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, quanto do Fórum Social Mundial, que criticou a globalização, na cidade de Porto Alegre, no Brasil. Ele é um viajante infatigável, tendo visitado 25 países só na África, muitos países asiáticos e quase todos as nações da América Latina – levando sempre consigo uma delegação econômica. Lula prega incansavelmente a sua crença em um mundo multipolar. E, como Lula é um orador carismático e um “autêntico” líder trabalhista, multidões em todo o mundo o saúdam como se ele fosse um pop star. Na reunião de cúpula do G20 em 2009, em Londres, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que aparentemente é um fã de Lula, afirmou: “Eu adoro esse cara”.

No entanto, Obama não pode mais ter certeza de que Lula é de fato “o seu cara de confiança”. O brasileiro está ficando cada vez mais autoconfiante à medida que se distancia de Washington e, às vezes, chega até a buscar a confrontação com os norte-americanos.
***
“Lula demonstrou que não pode mais ser ignorado no cenário internacional. Na última terça-feira, os amigos do presidente brasileiro elogiavam os seus esforços no sentido de fomentar a paz durante a reunião de cúpula América Latina-União Europeia em Madri. A participação do presidente tinha como objetivo demonstrar que a “lula” possui vários braços. Ele provou que é capaz de nadar na companhia de grandes tubarões.
Por trás dos bastidores, o Lula Superstar gosta de falar sobre como obrigou os diplomatas brasileiros a abandonarem a “síndrome de vira-latas”, o seu termo para designar o profundamente arraigado complexo de inferioridade que os brasileiros demonstravam até recentemente em relação aos norte-americanos e aos europeus.

O fato ocorreu em 2003, na primeira aparição internacional importante de Lula, na reunião de cúpula do G8, em Evian, na França. Um grupo de pessoas estava sentado no saguão do hotel onde ocorria a conferência, aguardando o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Quando os norte-americanos finalmente entraram no recinto, todos se levantaram – menos Lula, que ordenou ao seu ministro das Relações Exteriores que também permanecesse sentado. “Eu não participarei desta subserviência”, declarou o presidente brasileiro. “Afinal, ninguém se levantou quando eu entrei”.
***
Deu pra arrepiar? Eu arrepiei! 🙂

Fonte: Parte da reportagem da revista alemã “Der Spiegel” (O Espelho), publicada na UOL Notícias de 29/05/2010. Leiam a reportagem completa aqui e neste link a reportagem original em alemão da “Der Spiegel”.

::Dá-lhe, Obama!::

09/10/2009

Pois é. E o Obama ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz. Fico feliz por ele, pois no momento creio que não haja uma pessoa que tenha contribuído mais para a paz e o entendimento entre as nações do que ele. Eu, mineira como sou, só fico com um pé atrás, esperando pra ver no que vai dar o governo dele. Não porque eu não confie no seu potencial ou em sua inteligência, mas por já ter constatado várias vezes que o poder corrompe e que muitas pessoas passam a ser outras quando chegam a um cargo de destaque feito o dele. Tomara que meu comedimento seja desnecessário e que eu, nós possamos nos alegrar com muita coisa boa iniciada ou incentivada por ele. Pois o mundo precisa de mais trabalho conjunto, de mais entendimento e de mais tolerância, de mais paz.

::De férias nos Alpes::

15/05/2008

AlpenhotelDe férias nos alpes alemaes, a 3km da Áustria na Baviera, na regiao de Allgäu no sul da Alemanha, estou aqui descansando do dia-a-dia, admirando a beleza e grandiosidade da natureza a 1200 metros acima do nível do mar e recarregando as baterias, mas ao mesmo tempo nao deixo de me interessar pelos temas da atualidade.

Comprei uma “Der Spiegel” (O Espelho), uma das melhores revistas de atualidades da Alemanha, e nela encontrei uma entrevista com nosso presidente Lula, que me deu uma aula sobre os temas atuais do Brasil. Aqui, uma traducao resumida da mesma (quase sem acentos, já que traduzo do laptop), contida na edicao de 10.05.08. Interesso-me naturalmente por comentários sobre as palavras do Lula, principalmente de quem está dentro do Brasil. Vamos à entrevista, da qual pessoalmente gostei muito:

Spiegel: Senhor Presidente, antes o senhor era peca atuante do sindicalismo brasileiro. Portanto, muitos tinham medo de que o senhor fosse tomar um curso de esquerda quando chegasse ao poder. No entanto, gracas à sua política economica liberal o país se desenvolveu de forma espetacular nos últimos anos. O senhor desistiu de seus princípios do passado?
Lula: Como presidente tenho que ser representante de vários grupos. Este é o sentido da democracia. Tenho que atender a vários grupos e tentar achar consenso entre seus interesses. No ano de 2003 foram necessárias medidas de corretura do curso financeiro que nao foram fáceis, com o fim de que os brasileiros pudessem aproveitar de um pouco mais de estabilidade agora.

Spiegel: O seu país acabou com suas dívidas junto ao FMI e se tornou um lugar seguro para investimentos internacionais. 20 milhoes de brasileiros passaram a fazer parte da classe média. Mesmo assim ainda há uma grande diferenca entre os ricos e os pobres entre a populacao de 190 milhoes de brasileiros. Como o senhor quer acabar com ela?
Lula: Nao há como acabar com as desigualdes de centenas de anos em apenas oito anos. Mas achamos uma maneira de acabar com a pobreza, que nem caro é. Pagamos a jovens um subsídio, com o fim de que frequentem a escola e aprendam um ofício. 400 mil jovens, que antes nao teriam chances de chegar à universidade, dentre os quais 40 % de negros, recebem este tipo de ajuda.

Spiegel: Nas grandes cidades brasileiras há uma guerra entre as bandas de drogas, no Rio de Janeiro a maioria das favelas está nas maos de bandas armadas. O Estado perdeu o poder sobre as favelas?
Lula: O problema nao pode ser resolvido somente com a acao policial. O Estado tem que mostrar presenca, abrir chances, assim a violencia diminui. Por isso estamos saneando no país as grandes favelas. Estamos cuidando para que recebam água potável, energia e saneamento básico, escolas, hospitais e bibliotecas. Enquanto nossa economia crescer entre 4 e 6%, podemos fazer isso. Temos hoje reservas de 270 bilhoes de dólares. Sem que nos envididemos novamente, podemos investir em nossa infra-estrutura, financiar nossos portos, rodovias, estradas de ferro e aeroportos.

Spiegel: E agora o país quer se tornar também uma potencia do petróleo?
Lula: Descobrimos imensas reservas de petróleo nos mares brasileiros. Nos temos o know-how para explorá-las. Queremos comecar em marco com os primeiros testes, a partir de 2010 queremos comecar com a exploracao do petróleo. A partir daí o Brasil será um grande exportador de petróleo. Vamos querer entrar para a OPEc e tentar fazer com que o preco do barril caia.

Spiegel: O Brasil aposta no álcool como combustível do futuro, ganho da cana-de-acucar. Mas na Europa o combustível nao é visto com bons olhos em termos ecológicos.
Lula: O Brasil tem uma experiencia de 33 anos com este tipo de combustível. Os carros movidos a álcool diminuem as emissoes de CO2 na atmosfera. As plantacoes de cana-de-acucar podem ser cortadas durante 5 anos e sao uma producao sem concorrencia, bastante barata.

Spiegel: Estao havendo manifestacoes do Haiti até a Índia por causa do aumento do preco dos alimentos. O aumento da producao de álcool nao compromete a producao de graos?
Lula: Posso entender que os europeus tenham esse tipo de dúvida. Mas este argumento nao condiz com nossa realidade. Nao está certo produzir combustível de alimentos. Mas sao os EUA e a Europa que transformam alimentos em combustível, que acabam faltando como comida. Eu já disse muitas vezes aos meus amigos europeus que nao vale a pena mexer com combustíveis ecológicos. Nós e os africanos podemos fazer isso muito melhor do que eles. A Uniao Européia deveria dar a chance ao Terceiro Mundo de produzir este tipo de combustível.

Spiegel: Mas o aumento da producao de cana-de-acucar toma o lugar do milho e da soja.
Lula: Nos temos terra para dar e vender: 280 milhoes de hectares, sol e água. Somente 3% desta área está tomada pela cana-de- acucar. O Primeiro Mundo deveria parar de subvencionar a agricultura e baixar as alíquotas de importacao para produtos agrícolas.

Spiegel: Entre a Colombia e o Ecuador quase aconteceu uma guerra…
Lula: Daí surgiu o Chavez, que atuou como um pacifista entre os dois países. Ainda bem que na América Latina as guerras sao feitas somente com palavras. Nossa maior arma é nossa língua. Nos falamos demais!

Spiegel: O Brasil pode ajudar na democratizacao de Cuba?
Lula: Queremos ajudar Cuba. Profissionais da área agrícola irao a Cuba para ajudar a plantar 20 mil hectares de soja, será a primeira plantacao deste tamanho na ilha. Vamos construir estradas e participar na producao de medicamentos. Os cubanos receberam uma boa educacao, eles agora tem que conseguir construir a base para um avanco no desenvolvimento do país.

Spiegel: É possível ter pensamentos de esquerda sem arrumar problemas com os EUA?
Lula: As grandes potencias tem que pagar um preco, nós também temos que pagar o nosso, como potencia economica da América do Sul. Os EUA sempre tentaram dominar a América Latina. Eu aconselhei o Bush para que concentre suas atividades de ajuda ao Terceiro Mundo na América Central e no Caribe.

Spiegel: O Brasil e a China, como países em via de desenvolvimento, fecharam uma alianca estratégica. Até agora eles compram produtos primários e inundam o Brasil de produtos baratos. O senhor nao esperava mais?
Lula: Todos os países tem problemas com a potencia economica chinesa. Reconhecemos a China como mercado, para que o país possa participar das negociacoes da Organizacao Mundial de Comércio. Agora a China tem que contribuir com sua parte.

Spiegel: A Alemanha está perdendo terreno no Brasil, tanto política como economicamente. A Franca, Espanha e até a Holanda estao investindo mais. Como o senhor explica isso?
Lula: Eu entendo que os alemaes estejam mais voltados para a Alemanha Oriental depois da caída do Muro. Mas agora eles deveriam se voltar mais para o Brasil e para a América do Sul. Eles devem avaliar como se mostrará o potencial desta regiao em 10 ou 15 anos. Vamos construir tres novas usinas de água, duas usinas atomicas e uma rodovia de alta velocidade entre Sao Paulo e o Rio. Os espanhóis já se encontram em negociacoes. Eu gostaria de mostrar mais à Primeira Ministra Angela Merkel, que virá nos fazer uma visita na semana que vem, do que a capital. Gostaria de levá-la à regiao do Amazonas, aos descendentes de alemaes em Blumenau ou a uma reuniao do sindicato da Volkswagen.

Spiegel: Depois de cinco anos de mandato o senhor continua bastante popular. Irá se candidatar novamente?
Lula: Dois mandatos sao suficientes, do contrário a democracia se transforma em uma ditadura. Uma mudanca é boa para o país.

Spiegel: Entao o senhor nao irá presenciar o jogo final entre o Brasil e a Alemanha no estádio do Maracana em 2014 como anfitriao?
Lula: Como presidente nao, mas como fa de futebol. Este papel me é aliás muito mais simpático.

Spiegel: Senhor Presidente, agradecemos por esta entrevista.


%d blogueiros gostam disto: